{"id":22673,"date":"2019-07-06T11:26:48","date_gmt":"2019-07-06T15:26:48","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=22673"},"modified":"2019-07-06T11:26:48","modified_gmt":"2019-07-06T15:26:48","slug":"ranking-mundial-da-liberdade-de-imprensa-2019-a-mecanica-do-medo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/07\/06\/ranking-mundial-da-liberdade-de-imprensa-2019-a-mecanica-do-medo\/","title":{"rendered":"Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2019: a mec\u00e2nica do medo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"22674\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/07\/06\/ranking-mundial-da-liberdade-de-imprensa-2019-a-mecanica-do-medo\/3e32d604-c9ef-4b29-959b-29a25d05389f\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/3E32D604-C9EF-4B29-959B-29A25D05389F.png?fit=380%2C152\" data-orig-size=\"380,152\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"3E32D604-C9EF-4B29-959B-29A25D05389F\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/3E32D604-C9EF-4B29-959B-29A25D05389F.png?fit=300%2C120\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/3E32D604-C9EF-4B29-959B-29A25D05389F.png?fit=380%2C152\" class=\"alignnone size-full wp-image-22674\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/3E32D604-C9EF-4B29-959B-29A25D05389F.png?resize=380%2C152\" alt=\"3E32D604-C9EF-4B29-959B-29A25D05389F\" width=\"380\" height=\"152\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/3E32D604-C9EF-4B29-959B-29A25D05389F.png?w=380 380w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/3E32D604-C9EF-4B29-959B-29A25D05389F.png?resize=300%2C120 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa elaborado pela Rep\u00f3rteres sem Fronteiras (RSF) mostra que o \u00f3dio aos jornalistas se transformou em viol\u00eancia, o que levou consequentemente a um aumento do medo na profiss\u00e3o. <!--more--><\/p>\n<p>O n\u00famero de pa\u00edses onde os jornalistas podem exercer com total seguran\u00e7a sua atividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autorit\u00e1rios refor\u00e7am seu controle sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Ranking da RSF, que avalia a situa\u00e7\u00e3o do jornalismo anualmente em 180 pa\u00edses e territ\u00f3rios, revela o desencadeamento de uma mec\u00e2nica do medo muito prejudicial ao exerc\u00edcio sereno do jornalismo. A hostilidade contra os jornalistas, e at\u00e9 mesmo o \u00f3dio transmitido em muitos pa\u00edses por lideran\u00e7as pol\u00edticas, resultou em atos de viol\u00eancia mais graves e frequentes, que aumentam os riscos e, como resultado, geram um n\u00edvel de medo in\u00e9dito em determinados lugares.<\/p>\n<p>&#8220;Se o debate pol\u00edtico desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiat\u00f3rios, os modelos democr\u00e1ticos passam a estar em grande perigo, explica Christophe Deloire, secret\u00e1rio geral da RSF. Deter esse mecanismo do medo \u00e9 absolutamente urgente para mulheres e homens de boa vontade que prezam as liberdades adquiridas ao longo da hist\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n<p>No Ranking de 2019, a Noruega mant\u00e9m pelo terceiro ano consecutivo seu primeiro lugar, enquanto a Finl\u00e2ndia (+2) retoma a segunda posi\u00e7\u00e3o, em detrimento dos Pa\u00edses Baixos (4\u00ba, -1), onde dois rep\u00f3rteres especializados na cobertura do crime organizado foram for\u00e7ados a viver sob prote\u00e7\u00e3o policial permanente. O recrudescimento do ass\u00e9dio no meio digital fez com que a Su\u00e9cia (3\u00ba) perdesse uma posi\u00e7\u00e3o. Em termos de boas not\u00edcias, no continente africano a Eti\u00f3pia (110\u00ba, +40) e a G\u00e2mbia (92\u00ba, +30) progrediram significativamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>V\u00e1rios regimes autorit\u00e1rios perdem posi\u00e7\u00f5es no Ranking. \u00c9 o caso da Venezuela (148\u00ba, -5), onde jornalistas foram confrontados com pris\u00f5es e viol\u00eancia infligida por agentes do Estado. E da R\u00fassia (149\u00ba, -1), onde o Kremlin aumentou a press\u00e3o contra a m\u00eddia independente na Internet, com pris\u00f5es, buscas arbitr\u00e1rias e leis morda\u00e7as. O Vietn\u00e3 (176\u00ba), seguido pela China (177\u00ba, -1), tamb\u00e9m perde uma posi\u00e7\u00e3o. No Chifre da \u00c1frica, a Eritreia alcan\u00e7a o antepen\u00faltimo lugar (178\u00ba, +1), apesar da pacifica\u00e7\u00e3o de suas rela\u00e7\u00f5es com a Eti\u00f3pia, enquanto o Turcomenist\u00e3o (180\u00ba, -2) \u00e9 agora assume a \u00faltima posi\u00e7\u00e3o no Ranking, ocupando o lugar que era da Coreia do Norte (179\u00ba, +1).<\/p>\n<h5><\/h5>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive undefined\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/rsf.org\/sites\/default\/files\/Capture%2520d%25E2%2580%2599%25C3%25A9cran%25202019-04-15%2520%25C3%25A0%252018.29.48.png?w=600&#038;ssl=1\" \/><\/figure>\n<h5><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apenas 24% dos 180 pa\u00edses e territ\u00f3rios exibem uma situa\u00e7\u00e3o considerada &#8220;boa&#8221; ou &#8220;relativamente boa&#8221; (categorias respectivamente branca e amarela na escala de cores do Ranking) em compara\u00e7\u00e3o com 26% no ano passado. Os Estados Unidos (48o), onde um clima cada vez mais hostil se instalou na esteira da postura do presidente Donald Trump frente aos meios de comunica\u00e7\u00e3o, perderam tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es em 2019 e ca\u00edram na zona laranja, onde se situam os pa\u00edses considerados problem\u00e1ticos para o exerc\u00edcio do jornalismo. Os jornalistas americanos nunca haviam sido alvos de tantas amea\u00e7as de morte. Tampouco haviam recorrido a empresas privadas para garantir sua seguran\u00e7a. O \u00f3dio aos meios de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 tanto que, em Maryland, um homem abriu fogo deliberadamente na reda\u00e7\u00e3o do di\u00e1rio local de An\u00e1polis, <em>The Capital Gazette<\/em>, deixando cinco mortos. O assassino havia compartilhado amplamente a sua raiva do jornal nas redes sociais.<\/p>\n<p>Amea\u00e7as, insultos e agress\u00f5es fazem agora parte dos &#8220;riscos ocupacionais&#8221; do jornalismo em muitos pa\u00edses. Na \u00cdndia (140\u00ba, -2), onde jornalistas que criticam a ideologia nacionalista hindu s\u00e3o qualificados como elementos <em>&#8220;anti-indianos&#8221; <\/em>em meio a campanhas de ass\u00e9dio na internet, seis jornalistas foram assassinados em 2018. No Brasil (105\u00ba, -3), desde a campanha eleitoral, a imprensa se tornou alvo para os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, tanto nas redes sociais quanto durante as coberturas.<\/p>\n<h1>A coragem dos jornalistas investigativos perseguidos<\/h1>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<p>Nesse clima de hostilidade generalizada, \u00e9 preciso coragem para continuar investigando a corrup\u00e7\u00e3o, a evas\u00e3o fiscal ou o crime organizado. Na It\u00e1lia (43\u00ba, +3), o ministro do Interior, Matteo Salvini, considerou questionar a prote\u00e7\u00e3o policial do jornalista Roberto Saviano ap\u00f3s suas cr\u00edticas contra o l\u00edder da Liga, enquanto, pelo mundo todo, e especialmente na Arg\u00e9lia (141o, -5) ou na Cro\u00e1cia (64o, +5), a m\u00eddia e os jornalistas alvos cada vez mais recorrentes de a\u00e7\u00f5es judiciais.<\/p>\n<p>Os processos morda\u00e7a contra jornalistas investigativos na Fran\u00e7a ou em Malta (77o, -12) t\u00eam como objetivo exauri-los financeiramente, ou mesmo lev\u00e1-los para a pris\u00e3o, como na Pol\u00f4nia (59o, -1), onde os jornalistas do di\u00e1rio <em>Gazeta Wyborcza<\/em>s\u00e3o amea\u00e7ados por questionar o dirigente no poder em um caso de constru\u00e7\u00e3o suspeito. Esse \u00e9 tamb\u00e9m o caso na Bulg\u00e1ria (111o), onde dois jornalistas independentes foram detidos enquanto investigavam h\u00e1 v\u00e1rios meses o desvio de fundos europeus. Al\u00e9m da press\u00e3o judicial, os jornalistas investigativos enfrentam m\u00faltiplas formas de intimida\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que seu trabalho revela pr\u00e1ticas ou casos de corrup\u00e7\u00e3o. A casa de um deles foi incendiada na S\u00e9rvia (90o, -14), e outros foram friamente eliminados, como foi o caso em Malta, na Eslov\u00e1quia (35o, -8), no M\u00e9xico (144o, +3) ou em Gana (27\u00ba, -4).<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o de jornalistas que interferem com os poderes estabelecidos parece n\u00e3o ter limite. O s\u00f3rdido assassinato do editorialista saudita Jamal Khashoggi, cometido a sangue frio no consulado da Turquia em outubro passado, enviou uma mensagem assustadora aos rep\u00f3rteres muito al\u00e9m das fronteiras do reino da Ar\u00e1bia Saudita (172o, -3). Por medo de perder a vida, muitos jornalistas da regi\u00e3o praticam a autocensura ou simplesmente abandonam a profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>As degrada\u00e7\u00f5es mais fortes afetam regi\u00f5es em princ\u00edpio virtuosas<\/h1>\n<p>Este ano, a <strong>America do Norte e do\u00a0Sul<\/strong>\u00a0registrou a maior degrada\u00e7\u00e3o do indicador regional (+3,6%). Esse mau resultado n\u00e3o se deve apenas aos casos dos Estados Unidos, do Brasil ou da Venezuela. A Nicar\u00e1gua (114o), que perde 24 posi\u00e7\u00f5es, sofreu uma das quedas mais significativas em 2019. Os jornalistas nicaraguenses que cobrem os protestos anti-governo de Ortega, vistos como oponentes, s\u00e3o frequentemente agredidos. Muitos deles foram for\u00e7ados ao ex\u00edlio para escapar de amea\u00e7as e acusa\u00e7\u00f5es descabidas de envolvimento com o terrorismo. O continente abriga tamb\u00e9m um dos pa\u00edses mais mortais do mundo para a profiss\u00e3o, o M\u00e9xico, onde pelo menos 10 jornalistas foram assassinados em 2018. Mesmo que a chegada do presidente Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador tenha acalmado um pouco as rela\u00e7\u00f5es entre o poder p\u00fablico e a imprensa mexicana, a perman\u00eancia da viol\u00eancia e da impunidade dos assassinatos contra jornalistas levaram a RSF a apelar ao Tribunal Penal Internacional (TPI), no \u00faltimo m\u00eas de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A <strong>Uni\u00e3o Europeia e os B\u00e1lc\u00e3s<\/strong>registraram a segunda maior deteriora\u00e7\u00e3o do indicador regional (+1,7%). Nessa regi\u00e3o, que continua sendo a que melhor garante a liberdade de imprensa e onde, em princ\u00edpio, o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o \u00e9 o mais seguro, os jornalistas enfrentam hoje amea\u00e7as cada vez mais grave: assassinato em Malta, na Eslov\u00e1quia e na Bulg\u00e1ria (111o), ataques verbais e f\u00edsicos, particularmente na S\u00e9rvia ou em Montenegro (104\u00ba, -1), ou um n\u00edvel in\u00e9dito de viol\u00eancia durante as manifesta\u00e7\u00f5es dos &#8220;coletes amarelos&#8221; na Fran\u00e7a (32\u00ba, +1) &#8211; a tal ponto que muitas equipes de TV n\u00e3o ousam exibir sua logo nem cobrir manifesta\u00e7\u00f5es sem serem acompanhadas por guarda-costas. A estigmatiza\u00e7\u00e3o dos jornalistas agora tamb\u00e9m \u00e9 expressada de forma desinibida: na Hungria (87o, -14), os membros do partido de Viktor Orban se recusam a responder \u00e0s perguntas de jornalistas que n\u00e3o trabalham para ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o considerado &#8220;amigos do Fidesz&#8221;. Na Pol\u00f4nia, s\u00e3o os meios p\u00fablicos transformados em instrumentos de propaganda pol\u00edtica que permitem, de maneira cada vez mais intensa, pressionar os jornalistas.<\/p>\n<p>Apesar de uma deteriora\u00e7\u00e3o menos severa este ano em seu \u00edndice regional, a regi\u00e3o <strong>Oriente M\u00e9dio<\/strong> e <strong>Norte da \u00c1frica<\/strong> continua sendo aquela em que \u00e9 mais dif\u00edcil e mais perigoso para os jornalistas exercer sua profiss\u00e3o. Embora o n\u00famero de jornalistas mortos em 2018 na S\u00edria (174\u00ba, +3) tenha diminu\u00eddo ligeiramente, o pa\u00eds, como o I\u00eamen (168\u00ba, -1), continua extremamente perigoso para a atua\u00e7\u00e3o de profissionais de imprensa. Al\u00e9m das guerras e crises profundas como na L\u00edbia (162o), outro grande perigo paira sobre os jornalistas da regi\u00e3o: a deten\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria e a pris\u00e3o. O Ir\u00e3 (170o, -6) \u00e9 uma das maiores pris\u00f5es de jornalistas do mundo. Dezenas deles tamb\u00e9m definham atr\u00e1s das grades na Ar\u00e1bia Saudita, no Egito (163\u00ba, -2) e no Bahrein (167\u00ba, -1), sem necessariamente terem sido julgados. E quando o s\u00e3o, como no Marrocos (135o), enfrentam processos intermin\u00e1veis. Nesse cen\u00e1rio sombrio, apenas a Tun\u00edsia \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o (72o, +25) e registra melhor significativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A<strong> \u00c1frica <\/strong>teve a menor degrada\u00e7\u00e3o regional da edi\u00e7\u00e3o de 2019 do Ranking, mas tamb\u00e9m algumas das mais fortes progress\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado. Uma mudan\u00e7a de regime permitiu que a Eti\u00f3pia (110o) esvaziasse suas pris\u00f5es de jornalistas e desse um salto espetacular de 40 posi\u00e7\u00f5es. Foi tamb\u00e9m uma altern\u00e2ncia pol\u00edtica que permitiu \u00e0 G\u00e2mbia (92\u00ba, +30) apresentar uma das altas mais importantes do Ranking. As mudan\u00e7as de poder no continente, no entanto, nem sempre beneficiam os jornalistas. Na Tanz\u00e2nia (118\u00ba, -25), a chegada, em 2015, do Presidente John Magufuli, apelidado de &#8220;o Trator&#8221;, foi acompanhada por ataques sem precedentes contra a imprensa. Outra queda significativa: a Maurit\u00e2nia (94o, -22), onde o blogueiro Mohamed Cheikh Ould Mohamed Mkaitir, inicialmente condenado \u00e0 morte por apostasia e depois tendo sua liberdade declarada, permanece em deten\u00e7\u00e3o em um local secreto por mais de um ano e meio. A Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC), que ocupa o 154\u00ba lugar, \u00e9 o pa\u00eds africano onde a RSF registrou mais abusos em 2018, enquanto a Som\u00e1lia (164o) continua a ser o pa\u00eds da regi\u00e3o mais mortal para os jornalistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar dos desenvolvimentos nacionais extraordinariamente contrastantes e de uma ligeira melhora no seu \u00edndice regional, a regi\u00e3o <strong>Europa Oriental e \u00c1sia Central<\/strong> mant\u00e9m, ano ap\u00f3s ano, seu pen\u00faltimo lugar no Ranking. \u00c9 nessa regi\u00e3o que o indicador que avalia a qualidade do quadro legislativo \u00e9 o mais degradado. Mais da metade dos pa\u00edses e territ\u00f3rios da zona ainda se encontram em torno ou abaixo do 150\u00ba lugar. Os dois pesos-pesados da regi\u00e3o, R\u00fassia e Turquia (157o), continuam a reprimir a imprensa independente. Maior pris\u00e3o para os profissionais de m\u00eddia, a Turquia \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds do mundo que processou um jornalista por suas investiga\u00e7\u00f5es sobre os &#8220;Paradise Papers&#8221;. Nessa parte do mundo em que tudo est\u00e1 em grande parte estagnado, as altas s\u00e3o raras e merecem ser destacadas. O Uzbequist\u00e3o (160o, +5), que libertou os \u00faltimos jornalistas presos sob a ditadura do falecido Islam Karimov, deixa a zona mais baixa do Ranking, que indica as situa\u00e7\u00f5es mais cr\u00edticas. A Arm\u00eania (61o, +19), cuja &#8220;revolu\u00e7\u00e3o de veludo&#8221; afrouxou o controle do governo sobre o audiovisual p\u00fablico, apresenta um salto ainda mais importante por se situar na zona mais vol\u00e1til do Ranking.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Propaganda totalit\u00e1ria, censura e intimida\u00e7\u00f5es, viol\u00eancias f\u00edsicas e ass\u00e9dio cibern\u00e9tico: a regi\u00e3o <strong>\u00c1sia-Pac\u00edfico<\/strong>concentra todos os males que entravam o exerc\u00edcio do jornalismo e, este ano, apresenta um \u00edndice regional est\u00e1vel que a mant\u00e9m entre as piores posi\u00e7\u00f5es. O n\u00famero de jornalistas assassinados foi particularmente alto no Afeganist\u00e3o (121o), na \u00cdndia e no Paquist\u00e3o (142o, -3). A desinforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se tornou um verdadeiro flagelo regional. Na Birm\u00e2nia, a manipula\u00e7\u00e3o das redes sociais ajudou a banalizar as mensagens de \u00f3dio anti-rohingya e a normalizar o fato de que dois jornalistas da Reuters foram sentenciados a sete anos de pris\u00e3o por tentarem investigar o genoc\u00eddio dessa comunidade. Sob a crescente influ\u00eancia da China, a censura est\u00e1 se espalhando em Cingapura (151o) ou no Camboja (143o, -1). Nesse contexto dif\u00edcil, as 22 posi\u00e7\u00f5es conquistadas pela Mal\u00e1sia (123o) e pelas Maldivas (98o) ilustram como as altern\u00e2ncias pol\u00edticas podem mudar radicalmente o ambiente de trabalho dos jornalistas e como o ecossistema pol\u00edtico de um Estado influencia diretamente a situa\u00e7\u00e3o da liberdade de imprensa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A edi\u00e7\u00e3o de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa elaborado pela Rep\u00f3rteres sem Fronteiras (RSF) mostra que o \u00f3dio aos jornalistas se transformou em viol\u00eancia, o que levou consequentemente a um aumento do medo na profiss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-22673","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-5TH","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22673","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22673"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22673\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22675,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22673\/revisions\/22675"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22673"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22673"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22673"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}