{"id":22717,"date":"2019-07-08T21:40:36","date_gmt":"2019-07-09T01:40:36","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=22717"},"modified":"2019-07-08T21:40:36","modified_gmt":"2019-07-09T01:40:36","slug":"bossa-nova-a-pedra-filosofal-de-joao-gilberto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/07\/08\/bossa-nova-a-pedra-filosofal-de-joao-gilberto\/","title":{"rendered":"Bossa Nova, a Pedra Filosofal de Jo\u00e3o Gilberto"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"22718\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/07\/08\/bossa-nova-a-pedra-filosofal-de-joao-gilberto\/644bdebe-e251-4518-ab07-578318f8d67d\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/644BDEBE-E251-4518-AB07-578318F8D67D.jpeg?fit=680%2C453\" data-orig-size=\"680,453\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"644BDEBE-E251-4518-AB07-578318F8D67D\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/644BDEBE-E251-4518-AB07-578318F8D67D.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/644BDEBE-E251-4518-AB07-578318F8D67D.jpeg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/644BDEBE-E251-4518-AB07-578318F8D67D.jpeg?resize=600%2C400\" alt=\"644BDEBE-E251-4518-AB07-578318F8D67D\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-22718\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/644BDEBE-E251-4518-AB07-578318F8D67D.jpeg?w=680 680w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/644BDEBE-E251-4518-AB07-578318F8D67D.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/644BDEBE-E251-4518-AB07-578318F8D67D.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Por Ant\u00f4nio Serpa &#8211; Jo\u00e3o Gilberto inventou a Bossa Nova e a Bossa reinventou a musicalidade brasileira! Baiano de boa cepa, ele era dotado de malemol\u00eancia nata, incrustada desde a mais tenra idade na alma desse afilhado de Nosso Senhor do Bomfim. Baiano bom n\u00e3o grita ao cantar, sussurra apenas como se estivesse falando em confid\u00eancia com um orix\u00e1! <!--more--><\/p>\n<p>No entanto, naquele contexto dos anos 40, com o Getulismo dando as cartas com m\u00e3o de ferro, como se fosse uma met\u00e1fora da voz do poder ou do poder da voz, o Brasil cantava grosso, grave e em muitos decib\u00e9is, quando Jo\u00e3o botou a viola no saco de desembargou em terra fluminenses no fim dos anos 40 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 50. A plataforma b\u00e1sica da harmonia do viol\u00e3o tupiniquim era o famoso acorde perfeito maior ou menor.<\/p>\n<p>Deuses do r\u00e1dio levavam o rom\u00e2ntico pa\u00eds ao del\u00edrio, completamente embriagado com os vozeir\u00f5es trovejantes de S\u00edlvio Caldas, Francisco Alves, Orlando Silva e Carlos Galhardo. Depois viria N\u00e9lson Gon\u00e7alves para completar o time das vozes de trov\u00e3o que encantaram a p\u00e1tria dos bo\u00eamios apaixonados e seresteiros. A \u00fanica coisa que fazia um certo contraponto nesse cen\u00e1rio de cantantes de vozes poderosas era uma portuguesa toda formosinha chamada de  pequenina not\u00e1vel e que assinava com o nome e sobrenome de Carmen Miranda, saracutiando com seus trejeitos tropicais e balangand\u00e3s mirabolantes, cantando marchinhas e o tico-tico no fub\u00e1, em solo p\u00e1trio e nos Estados Unidos.  <\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 30, o ritmo criado pelos negros no morro e tocado pela malandragem na Lapa finalmente \u00e9 aceito pela classe m\u00e9dia, gra\u00e7as a interven\u00e7\u00e3o magistral de Noel Rosa, fazendo com que o Samba conquistasse seu lugar de destaque na era do r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Menino criado sem cueca nos confins de Juazeiro da Bahia, onde nasceu, Jo\u00e3o p\u00f5e a viola no saco se manda para a Cidade Maravilhosa no come\u00e7o dos anos 50. Estava aberto o caminho para a revolu\u00e7\u00e3o bossanovista!  Um cavaleiro errante partira em busca de novas terras! Com a volta da Democracia,  Jo\u00e3o percebe intuitivamente, ao longe, a bruma airosa da atmosfera desenvolvimentista que iria tomar conta da na\u00e7\u00e3o a partir do governo Juscelino Kubitsche! Essa ambi\u00eancia desenvolvimentista, com o Brasil querendo crescer 50 anos e 5, a modernidade batendo \u00e0 porta, tornou-se o solo f\u00e9rtil para o plantio e colheita de uma nova maneira de tocar o viol\u00e3o brasileiro, de cantar a m\u00fasica brasileira e de harmonizar as can\u00e7\u00f5es do Brasil brasileiro!  No entanto, pra que isso acontecesse, era preciso aparecer um Bruxo, um Mago ou um Alquimista. Na falta de um, Jo\u00e3o fez o papel dos tr\u00eas: talvez com as b\u00ean\u00e7\u00e3os de Oxal\u00e1,  foi Bruxo; com os feiti\u00e7os de Yemanj\u00e1, senhora das \u00e1guas da Bahia de todos os Santos, foi Mago; e com a for\u00e7a de Oxossi e Santa B\u00e1rbara, for\u00e7as magn\u00e9ticas e transcendentais dos terreiros fincados na terra de Jorge Amado, Jo\u00e3o foi tamb\u00e9m Alquimista! <\/p>\n<p>Reza a lenda que foi num ritual solit\u00e1rio, quando cruzava as terras mineiras, muito provavelmente em Diamantina, que Jo\u00e3o Gilberto transformou a \u00e1gua em vinho doce, o p\u00e3o adormecido de fazer vatap\u00e1 em mel e criou a unidade qu\u00e2ntico-molecular da Bossa Nova, a famosa Batida Sincopada! S\u00f3 ele, o viol\u00e3o e Deus trancafiados num quarto de pens\u00e3o! Claro, com alguns baseados manga rosa acesos e consumidos antes, durante e depois daquele ritual herm\u00e9tico! Mas quem n\u00e3o concederia essa licen\u00e7a po\u00e9tica, herv\u00e9tica e farmacol\u00f3gica a um criador solit\u00e1rio, em vias de entrar em transe e mudar para sempre o destino musical da humanidade?? E assim, no auge da plenitude espiritual, Jo\u00e3o reuniu a tr\u00edade mais inusitada e bomb\u00e1sticas de todos os tempos. Como \u00e9 que ningu\u00e9m tinha pensado nisso antes?? Ora, embora genial\u00edssima, a f\u00f3rmula \u00e9 relativamente simples, daquelas simplicidades que os maiorais n\u00e3o ousam conceber, mas que os g\u00eanios conseguem idealizar com eventual facilidade: para dar suporte r\u00edtmico ao elixir da nova subst\u00e2ncia, colocou um pitada de samba; para catalisar a transmuta\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica da pe\u00e7a musical, Jo\u00e3o usou uma boa po\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas de jazz, com uma pitada de intimismo sussurrante e abaianado na execu\u00e7\u00e3o do canto e dois dedos de s\u00edncope repicada, na hora de acionar os acordes, como se faz com o tamborim sonolento em acompanhamento de samba lento. Naquela noite, reunidos estavam Jo\u00e3o, a viola e Deus, uma tr\u00edade que viria testemunhar o nascimento de uma outra tr\u00edade fant\u00e1stica: a base gen\u00e9tica e molecular do que, em ci\u00eancia oculta musical, ficou conhecido por Bossa Nova! Naquela noite, Jo\u00e3o, como se fosse o \u00faltimo moicano da face da terra, tocou e dan\u00e7ou pra si mesmo, tocou e dan\u00e7ou pra Deus, fez oferendas ao Senhor das Esferas e, ai cora\u00e7\u00e3o humano desvairado dado as tenta\u00e7\u00f5es, chegou a pensar que fosse tamb\u00e9m um semideus! Embora paradoxal, de repente, n\u00e3o mais que de repente, do Nada fez-se o Ser, e esse novo Ser era uma coisa inexplic\u00e1vel, uma coisa completamente diferente, desconcertante, dissonante, minimalista, meio cheia de bossa, uma bossa realmente diferente, uma Bossa Nova! <\/p>\n<p>Diz a lenda que naquela noite uma estrela cintilante pairou sobre a pousada mineira que abrigava Jo\u00e3o Gilberto, tendo ele  visto seu pr\u00f3prio esp\u00edrito completamente iluminado e fosforescente, como havia profetizado um m\u00edstico predizendo que isso aconteceria ao alquimista que viesse a descobrir um dia a Pedra Filosofal! Discreto, morreu sem revelar nada a ningu\u00e9m! Era um m\u00edstico ermit\u00e3o! <\/p>\n<p>E foi assim que um certo Jo\u00e3o ningu\u00e9m nascido em Juazeiro, tornou-se o Jo\u00e3o  da bossa, dos acordes n\u00e3o-sonoros, por isso dissonantes, da batida repicada no viol\u00e3o, da voz pequena, quase humilhada, de jeito discreto, meio matuto, do ouvido absoluto e perfeccionista, um grande g\u00eanio da humanidade, abrindo passagem para outras figuras renomadas e tamb\u00e9m geniais como Tom Jobim, Carlinhos Lira, Ronaldo  B\u00f4scoli, Vin\u00edcius de Moraes, Roberto Menescal e tantos outros. <\/p>\n<p>Depois de s\u00e9culos de busca, finalmente a Alquimia desvendara o maior mist\u00e9rio de todos os tempos: a Bossa Nova \u00e9 que era a Pedra Filosofal que todos eles procuravam!! Apenas, Jo\u00e3o, filho de Ians\u00e3, a encontrou!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ant\u00f4nio Serpa &#8211; Jo\u00e3o Gilberto inventou a Bossa Nova e a Bossa reinventou a musicalidade brasileira! 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