{"id":22746,"date":"2019-07-09T16:07:22","date_gmt":"2019-07-09T20:07:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=22746"},"modified":"2019-07-09T16:07:22","modified_gmt":"2019-07-09T20:07:22","slug":"a-amazonia-nem-selvagem-nem-pulmao-nem-celeiro-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/07\/09\/a-amazonia-nem-selvagem-nem-pulmao-nem-celeiro-do-mundo\/","title":{"rendered":"A Amaz\u00f4nia: nem selvagem, nem pulm\u00e3o, nem celeiro do mundo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"22747\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/07\/09\/a-amazonia-nem-selvagem-nem-pulmao-nem-celeiro-do-mundo\/8b0dbf5d-8811-42c9-8a08-e6eda84afe97\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/8B0DBF5D-8811-42C9-8A08-E6EDA84AFE97.jpeg?fit=938%2C450\" data-orig-size=\"938,450\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"8B0DBF5D-8811-42C9-8A08-E6EDA84AFE97\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/8B0DBF5D-8811-42C9-8A08-E6EDA84AFE97.jpeg?fit=300%2C144\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/8B0DBF5D-8811-42C9-8A08-E6EDA84AFE97.jpeg?fit=600%2C288\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/8B0DBF5D-8811-42C9-8A08-E6EDA84AFE97.jpeg?resize=600%2C288\" alt=\"8B0DBF5D-8811-42C9-8A08-E6EDA84AFE97\" width=\"600\" height=\"288\" class=\"alignnone size-full wp-image-22747\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/8B0DBF5D-8811-42C9-8A08-E6EDA84AFE97.jpeg?w=938 938w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/8B0DBF5D-8811-42C9-8A08-E6EDA84AFE97.jpeg?resize=300%2C144 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/8B0DBF5D-8811-42C9-8A08-E6EDA84AFE97.jpeg?resize=768%2C368 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/8B0DBF5D-8811-42C9-8A08-E6EDA84AFE97.jpeg?resize=625%2C300 625w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>O te\u00f3logo Leonardo Boff escreve sobre a Amaz\u00f4nia, afirma-a como &#8220;o templo da maior biodiversidade&#8221; planet\u00e1ria e desfaz tr\u00eas mitos ao redor da floresta: ela n\u00e3o \u00e9 selvagem, nem \u00e9 o pulm\u00e3o do mundo e menos ainda futuro celeiro da humanidade.<!--more--><\/p>\n<p>O S\u00ednodo pan-amaz\u00f4nico a se celebrar em Roma em outubro deste ano demanda sabermos melhor sobre o ecossistema amaz\u00f4nico. H\u00e1 que se desfazer mitos.<\/p>\n<p>O primeiro mito: o ind\u00edgena como selvagem e genuinamente natural e por isso em sintonia perfeita com a natureza. Regular-se-ia por crit\u00e9rios n\u00e3o-culturais, mas naturais. Ele estaria numa esp\u00e9cie de sesta biol\u00f3gica face \u00e0 natureza, numa perfeita adapta\u00e7\u00e3o passiva aos ritmos e \u00e0 l\u00f3gica da natureza.<\/p>\n<p>Esta ecologiza\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas \u00e9 fruto do imagin\u00e1rio urbano, fatigado pelo excesso da tecnifica\u00e7\u00e3o e da artificializa\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>O que podemos dizer \u00e9 que os ind\u00edgenas amaz\u00f4nicos s\u00e3o humanos como quaisquer outros humanos. E como tais, est\u00e3o sempre em intera\u00e7\u00e3o com o meio. Mais e mais a pesquisa comprova o jogo de intera\u00e7\u00e3o entre os ind\u00edgenas e a natureza. Eles se condicionaram mutuamente. As rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o &#8220;naturais&#8221; mas culturais, como n\u00f3s, numa teia intrincada de reciprocidades. Talvez nisso os ind\u00edgenas t\u00eam de singular, distintivo do homem moderno: sentem e veem a natureza como parte de sua sociedade e cultura, como prolongamento de seu corpo pessoal e social. N\u00e3o \u00e9 como para os modernos, como um objeto mudo e neutro. A natureza fala e o ind\u00edgena entende a sua voz e mensagem. A natureza pertence \u00e0 sociedade e a sociedade pertence \u00e0 natureza. Est\u00e3o sempre se adequando mutuamente e em processo de adapta\u00e7\u00e3o rec\u00edproca. Por isso s\u00e3o muito mais integrados que n\u00f3s.Temos muito a aprender da rela\u00e7\u00e3o que eles entret\u00e9m com a natureza.<\/p>\n<p>O segundo mito: a Amaz\u00f4nia \u00e9 o pulm\u00e3o do mundo. Os especialistas afirmam que a floresta amaz\u00f4nica se encontra num estado climax. Quer dizer, ela se encontra num estado \u00f3timo de vida, num equil\u00edbrio din\u00e2mico no qual tudo \u00e9 aproveitado e por isso tudo se equilibra. Assim a energia fixada pelas plantas mediante as intera\u00e7\u00f5es da cadeia alimentar conhece um aproveitamento total. O oxig\u00eanio liberado de dia pela fotoss\u00edntese das folhas \u00e9 consumido pelas pr\u00f3prias plantas de noite e pelos demais organismos vivos. Por isso a Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 o pulm\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Mas ela funciona como um grande filtro do di\u00f3xido de carbono. No processo de fotoss\u00edntese grande quantidade de carbono \u00e9 absorvido. Ora o carbono \u00e9 o principal causador do efeito estufa que aquece a terra (nos \u00faltimos 100 anos aumentou em 25%). Caso um dia a Amaz\u00f4nia fosse totalmente desmatada,seriam lan\u00e7ados na atmosfera cerca de 50 bilh\u00f5es de toneladas de carbono por ano. Haveria uma mortandade em massa de organismos vivos.<\/p>\n<p>O terceiro mito: a Amaz\u00f4nia como o celeiro do mundo. Assim pensavam os primeiros exploradores como von Humbold e Bonpland e os planejadores brasileiros no tempo dos militares no poder (1964-1983). N\u00e3o \u00e9. A pesquisa mostrou que &#8220;a floresta vive de si mesma&#8221; e. em grande parte. \u201cpara si mesma\u201d (cf. Baum, V., Das \u00d6kosystem der tropischen Regesw\u00e4lder, Giessen 1986, 39). \u00c9 luxuriante mas num solo pobre em humus. Parece um paradoxo. Bem o esclareceu o grande especialista em Amazonas Harald Sioli:&#8221;a floresta, cresce, de fato, sobre o solo e n\u00e3o do solo&#8221; ( A Amaz\u00f4nia, Vozes 1985, 60). E o explica: o solo \u00e9 somente o suporte f\u00edsico de uma trama intrincada de ra\u00edzes. As plantas se entrela\u00e7am pelas ra\u00edzes e se suportam mutuamente pela base. Forma-se um imenso balan\u00e7o equilibrado e ritmado. Toda floresta se move e dan\u00e7a. Por causa disso,quando uma \u00e9 derrubada, carrega v\u00e1rias outras.<\/p>\n<p>A floresta conserva seu car\u00e1ter luxuriante porque existe uma cadeia fechada de nutrientes. H\u00e1 os materiais em decomposi\u00e7\u00e3o no solo &#8211; a serapilheira &#8211; que s\u00e3o folhas, frutos, pequenas ra\u00edzes, excrementos de animais silvestres . Eles s\u00e3o enriquecidos pela \u00e1gua que goteja das folhas e da \u00e1gua que escorre dos troncos. N\u00e3o \u00e9 o solo que nutre as \u00e1vores. S\u00e3o as \u00e1rvores que nutrem o solo. Estes dois tipos de \u00e1gua lavam e carregam os excrementos dos animais arbor\u00edcolas e animais de esp\u00e9cies maiores como aves, macacos, coatis, pregui\u00e7as e outros, bem como a mir\u00edade de insetos que t\u00eam seu habitat na copa das \u00e1rvores. Existem ainda uma enorme quantidade de fungos e outro sem-n\u00famero de micro-organismos que juntamente com os nutrientes reabastecem as ra\u00edzes. E pelas raizes, a subst\u00e2ncia alimentar vai \u00e0s plantas garantindo a exuber\u00e2ncia extasiante da Hil\u00e9ia amaz\u00f4nica. Mas se trata de um sistema fechado, com um equil\u00edbrio complexo e fr\u00e1gil. Qualquer pequeno desvio pode acarretar consequ\u00eancias desastrosas. O humus n\u00e3o atinge, comumente, mais que 30-40 cent\u00edmetros de espessura. Com as chuvas torrenciais \u00e9 carregado embora. Em pouco tempo aflora a areia. A Amaz\u00f4nia sem a floresta pode se transformar numa imensa savana ou at\u00e9 num deserto. Por isso que a Amaz\u00f4nia jamais poder\u00e1 ser o celeiro do mundo. Mas continuar\u00e1 a ser o templo da maior biodiversidade.<\/p>\n<p>Constatava o especialista da Amaz\u00f4nia Shelton A. Davls ainda em 1978 e vale para 2019:&#8221;Neste momento est\u00e1 sendo travada uma guerra silenciosa contra povos abor\u00edgenes, contra camponeses inocentes e contra o ecossistema da floresta na bacia amaz\u00f4nica&#8221; (V\u00edtimas do milagre, Zahar 1978, 202). At\u00e9 1968 a floresta estava praticamente intacta. Desde ent\u00e3o, com a introdu\u00e7\u00e3o dos grandes projetos de hidrel\u00e9tricas e do agroneg\u00f3cio e hoje sob o anti-ecologismo do governo Bolsonaro, continua a brutaliza\u00e7\u00e3o e devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O te\u00f3logo Leonardo Boff escreve sobre a Amaz\u00f4nia, afirma-a como &#8220;o templo da maior biodiversidade&#8221; planet\u00e1ria e desfaz tr\u00eas mitos ao redor da floresta: ela n\u00e3o \u00e9 selvagem, nem \u00e9 o pulm\u00e3o do mundo e menos ainda futuro celeiro da humanidade.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-22746","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-5US","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22746"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22746\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22748,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22746\/revisions\/22748"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}