{"id":23081,"date":"2019-08-02T13:57:37","date_gmt":"2019-08-02T17:57:37","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=23081"},"modified":"2019-08-02T13:57:37","modified_gmt":"2019-08-02T17:57:37","slug":"reconhecendo-a-amazonia-negra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/08\/02\/reconhecendo-a-amazonia-negra\/","title":{"rendered":"(Re)conhecendo a Amaz\u00f4nia negra"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"23082\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/08\/02\/reconhecendo-a-amazonia-negra\/8f07bba0-f858-49d2-859d-644d18bb4e4d\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8F07BBA0-F858-49D2-859D-644D18BB4E4D.jpeg?fit=768%2C512\" data-orig-size=\"768,512\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"8F07BBA0-F858-49D2-859D-644D18BB4E4D\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8F07BBA0-F858-49D2-859D-644D18BB4E4D.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8F07BBA0-F858-49D2-859D-644D18BB4E4D.jpeg?fit=600%2C400\" class=\"alignnone size-full wp-image-23082 alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8F07BBA0-F858-49D2-859D-644D18BB4E4D.jpeg?resize=600%2C400\" alt=\"8F07BBA0-F858-49D2-859D-644D18BB4E4D\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8F07BBA0-F858-49D2-859D-644D18BB4E4D.jpeg?w=768 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8F07BBA0-F858-49D2-859D-644D18BB4E4D.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8F07BBA0-F858-49D2-859D-644D18BB4E4D.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>O projeto colonial tornou invis\u00edveis as contribui\u00e7\u00f5es dessa popula\u00e7\u00e3o Norte<!--more--><\/p>\n<p>Na Folha<\/p>\n<p>Pensar uma Amaz\u00f4nia negra ainda \u00e9 algo distante para muitas pessoas. O projeto colonial brasileiro, presente at\u00e9 os dias de hoje, \u00e9 fundado na sua romantiza\u00e7\u00e3o de um lado, e em apagamento e invisibilidade, de outro \u2014sobretudo de identidades traumatizadas pelas viol\u00eancias do per\u00edodo. <\/p>\n<p>S\u00e3o ecos das mem\u00f3rias da planta\u00e7\u00e3o, potente express\u00e3o desenvolvida por Grada Kilomba. Percebe-se, portanto, uma cont\u00ednua tentativa de silenciamento das vozes desses grupos por um regime de autoriza\u00e7\u00e3o discursiva que det\u00e9m o poder de dizer o que \u00e9 saber, o que pode ser debatido e quem ser\u00e1 exaltado. <\/p>\n<p>Um exemplo bem interessante \u00e9 a m\u00e1scara da escrava Anast\u00e1cia, uma estrutura de metal com pequenos furos posta sobre boca e nariz da pessoa escravizada para que ela fosse impedida de se alimentar e falar.<\/p>\n<p>A m\u00e1scara foi um objeto de castigo \u00e0s \u201catrevidas\u201d que teriam a aud\u00e1cia de fazer sua voz ecoar no sal\u00e3o, rompendo o sil\u00eancio for\u00e7ado, como at\u00e9 hoje \u00e9 um s\u00edmbolo significativo para intelectuais negras pensarem como a met\u00e1fora do projeto colonial busca impedir o que identidades alijadas da condi\u00e7\u00e3o de humanidade t\u00eam a dizer.<\/p>\n<p>Diz Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, not\u00f3ria escritora brasileira, que as vozes das mulheres negras estilha\u00e7am a m\u00e1scara do sil\u00eancio. <\/p>\n<p>E \u00e9 justamente isso que a fot\u00f3grafa Marcela Bonfim vem fazendo com sua exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica \u201c(Re)conhecendo a Amaz\u00f4nia Negra \u2014Povos, Costumes e Influ\u00eancias Negras na Floresta\u201d, que brinda a ancestralidade do Norte amaz\u00f4nico, lar de tantas pessoas negras que, ao longo dos s\u00e9culos, s\u00e3o parte fundamental da constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da regi\u00e3o. <\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"23083\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/08\/02\/reconhecendo-a-amazonia-negra\/92718471-3ebb-4cf7-b79d-4d913a2145b1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/92718471-3EBB-4CF7-B79D-4D913A2145B1.jpeg?fit=960%2C640\" data-orig-size=\"960,640\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"92718471-3EBB-4CF7-B79D-4D913A2145B1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/92718471-3EBB-4CF7-B79D-4D913A2145B1.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/92718471-3EBB-4CF7-B79D-4D913A2145B1.jpeg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/92718471-3EBB-4CF7-B79D-4D913A2145B1.jpeg?resize=600%2C400\" alt=\"92718471-3EBB-4CF7-B79D-4D913A2145B1\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-23083\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/92718471-3EBB-4CF7-B79D-4D913A2145B1.jpeg?w=960 960w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/92718471-3EBB-4CF7-B79D-4D913A2145B1.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/92718471-3EBB-4CF7-B79D-4D913A2145B1.jpeg?resize=768%2C512 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/92718471-3EBB-4CF7-B79D-4D913A2145B1.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>S\u00e3o imagens que comp\u00f5em bel\u00edssimo trabalho que tem sido exposto em capitais do Brasil. Al\u00e9m da capital paulista, a exposi\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou em Porto Velho, passou por Fortaleza e S\u00e3o Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Em entrevistas, a fot\u00f3grafa contou um pouco sobre o seu processo de autoconhecimento enquanto negra, como tamb\u00e9m a adapta\u00e7\u00e3o de vida inevit\u00e1vel ap\u00f3s a mudan\u00e7a da loucura de S\u00e3o Paulo para a calma de Porto Velho, em Rond\u00f4nia, para onde se mudou ap\u00f3s uma proposta de emprego. <\/p>\n<p>Contou que teve de lidar com o tempo de outra forma, sem que fosse no frenesi de estar o tempo todo fazendo alguma coisa, para sentir a vida com maior serenidade e tempo para se descobrir. Ap\u00f3s um tempo, come\u00e7ou seu trabalho de fotografar pessoas negras descendentes de gera\u00e7\u00f5es no local. <\/p>\n<p>No norte do Brasil, o projeto colonial tratou de invisibilizar as contribui\u00e7\u00f5es fundantes da popula\u00e7\u00e3o negra nos s\u00e9culos de hist\u00f3ria local. Costuma-se pensar a Amaz\u00f4nia como uma regi\u00e3o desprovida da negritude, apagada mais uma vez em seus feitos e mem\u00f3rias. <\/p>\n<p>Em entrevista concedida \u00e0 revista Bravo!, Marcela explica que \u201cfalar na Amaz\u00f4nia negra \u00e9 resgatar tamb\u00e9m o movimento desses fluxos (i)migrat\u00f3rios. O ciclo da borracha, do ouro, a constru\u00e7\u00e3o da Madeira-Mamor\u00e9, a implanta\u00e7\u00e3o das usinas, todos esses processos socioecon\u00f4micos envolveram os bra\u00e7os do trabalhador negro das mais diferentes regi\u00f5es brasileiras\u2014com destaque para as regi\u00f5es do pr\u00f3prio Norte e Nordeste. Desde 1750, vivemos essa ocupa\u00e7\u00e3o negra em Rond\u00f4nia\u201d. <\/p>\n<p>E complementa: \u201cA princ\u00edpio, com os deslocamentos dos negros ainda escravizados da regi\u00e3o de Vila Bela para o vale do Guapor\u00e9, ainda Mato Grosso naquele per\u00edodo. Esse processo ainda precisa ser mais aprofundado pela academia. \u00c9 um peda\u00e7o importante da hist\u00f3ria que envolve a exist\u00eancia de Tereza de Benguela e de um contingente de popula\u00e7\u00f5es negras e, no meio dessas, os quilombolas, ainda n\u00e3o reconhecidos pelo tempo, pela hist\u00f3ria e pelas pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o processo de descoberta, Marcela diz: \u201cAcredito que a Amaz\u00f4nia e eu estamos aprendendo, juntas, a ser negras. E isso \u00e9 um processo lento, que acontece com outras pessoas negras, em v\u00e1rios lugares do Brasil. A maioria dos negros brasileiros precisam aprender a ser negros no percurso de suas vidas\u201d. <\/p>\n<p>A fot\u00f3grafa nos conduz a participar desse processo. Sua p\u00e1gina no Instagram (@bonfim\u00ad_marcela) \u00e9 um convite a mergulhar, como a artista diz, \u201cnos lugares que falam\u201d e nas belezas de um Brasil que est\u00e1 sendo descoberto, de fato, contrariamente \u00e0 vis\u00e3o colonial de invas\u00e3o. Esse (re)conhecimento da Amaz\u00f4nia Negra se d\u00e1 pela perspectiva de quem a constr\u00f3i, em primeira pessoa, entoando vozes que falam h\u00e1 muito tempo e que, a partir de trabalhos como esse, nos d\u00e1 a oportunidade de escuta.<\/p>\n<p>Djamila Ribeiro<\/p>\n<p>Mestre em filosofia pol\u00edtica pela Unifesp e coordenadora da cole\u00e7\u00e3o de livros Feminismos Plurais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O projeto colonial tornou invis\u00edveis as contribui\u00e7\u00f5es dessa popula\u00e7\u00e3o Norte<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-23081","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-60h","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23081","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23081"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23084,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23081\/revisions\/23084"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}