{"id":23116,"date":"2019-08-04T11:09:54","date_gmt":"2019-08-04T15:09:54","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=23116"},"modified":"2019-08-04T11:10:31","modified_gmt":"2019-08-04T15:10:31","slug":"grande-sertao-veredas-o-retrato-de-uma-sociedade-atual","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/08\/04\/grande-sertao-veredas-o-retrato-de-uma-sociedade-atual\/","title":{"rendered":"Grande sert\u00e3o: veredas, o retrato de uma sociedade atual"},"content":{"rendered":"<div class=\"author\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2019\/06\/29_06_willi-bolle-reprocucao_you-tube.jpg?w=600\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>\u201cResumindo<strong>\u00a0Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00a0em uma frase, pode se dizer que esse romance descreve bandos de criminosos exercendo o poder no\u00a0<strong>planalto central do pa\u00eds<\/strong>. Ou seja: \u00c9 o retrato de uma sociedade na qual o crime faz parte do sistema pol\u00edtico e \u00e9 praticado em ampla escala\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Humanitas Unisinos, por\u00a0<strong>Ricardo Machado <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/media\/pdf\/IHUOnlineEdicao178.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Willie Bolle<\/a>\u00a0nasceu na Alemanha e com 22 anos veio ao Brasil para conhecer\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/275\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guimar\u00e3es Rosa<\/a>, o autor do livro que mudaria sua vida para sempre,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/media\/pdf\/IHUOnlineEdicao178.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Grande sert\u00e3o: veredas<\/a>. Em mais de uma entrevista,\u00a0<strong>Bolle<\/strong>\u00a0conta do seu primeiro encontro com o escritor mineiro e de como ele havia ficado surpreso com o fato daquele jovem alem\u00e3o vestir uma camisa preta, estampada com folhas de palmeiras e imagens dos personagens de sua obra, reproduzindo a capa de seu livro publicado na\u00a0<strong>Europa<\/strong>. Mas a rela\u00e7\u00e3o com o livro n\u00e3o para por a\u00ed. \u201cQuando comecei a estudar o\u00a0<strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00a0\u2013 eu tinha 22 anos e acabara de chegar no Brasil \u2013 me deu a ideia espont\u00e2nea de forrar as paredes do meu quarto (de trabalho e de dormir) com as cerca de 500 p\u00e1ginas do romance\u201d, conta\u00a0<strong>Wille Bolle<\/strong>. \u201cComo a composi\u00e7\u00e3o do livro \u00e9 propositadamente dif\u00edcil e labir\u00edntica, eu esperava que, por meio desse conv\u00edvio intenso, eu poderia de repente lan\u00e7ar o olhar sobre uma determinada passagem do texto, que me proporcionaria um rel\u00e2mpago ou um\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0de compreens\u00e3o\u201d, complementa.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na entrevista concedida por e-mail \u00e0\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>,\u00a0<strong>Bolle<\/strong>, al\u00e9m de retomar quest\u00f5es centrais da obra rosiana, estabelece um di\u00e1logo com outros importantes autores brasileiros. \u201cEnquanto\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ihu\/006cadernosihu.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gilberto Freyre<\/a>\u00a0usa o s\u00edmbolo de um entrela\u00e7amento harmonioso ( &amp; ) entre senhores e escravos,\u00a0<strong>Guimar\u00e3es Rosa<\/strong>, atrav\u00e9s dos dois pontos ( : ) acentua o antagonismo entre os donos de territ\u00f3rios e casas \u2018grandes\u2019 e os que moram em casebres nas \u2018veredas\u2019\u201d, explica. Mais do que isso,\u00a0<strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00a0versa sobre a aus\u00eancia de di\u00e1logo entre os ricos e os pobres. \u201cN\u00e3o se trata da diferen\u00e7a entre um Brasil sertanejo e um Brasil urbano; basta lembrar que nas favelas das grandes cidades esses \u2018dois Brasis\u2019 se misturam. Trata-se da falta de di\u00e1logo entre a classe dominante e as classes populares, que constitui um s\u00e9rio obst\u00e1culo para a verdadeira emancipa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Se o gosto pela obra de\u00a0<strong>Guimar\u00e3es<\/strong>\u00a0pode parecer diletantismo, nada mais enganoso. \u201cResumindo<strong>\u00a0Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00a0em uma frase, pode se dizer que esse romance descreve bandos de criminosos exercendo o poder no\u00a0<strong>planalto central do pa\u00eds<\/strong>. Ou seja: \u00c9 o retrato de uma sociedade na qual o crime faz parte do sistema pol\u00edtico e \u00e9 praticado em ampla escala\u201d, completa.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg?w=600\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p><strong>Stefan Wilhelm Bolle<\/strong>\u00a0ou, simplesmente,\u00a0<strong>Willi Bolle<\/strong>, como gosta de ser chamado, \u00e9 professor titular de Literatura na Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP. Fez o doutorado em Literatura Brasileira, na Universidade de Bochum\/Alemanha), com uma tese sobre a t\u00e9cnica narrativa de Guimar\u00e3es Rosa, e a livre-doc\u00eancia em Literatura Alem\u00e3 na USP com uma tese sobre Walter Benjamin e a cultura da Rep\u00fablica de Weimar. \u00c9 tamb\u00e9m organizador da edi\u00e7\u00e3o brasileira de\u00a0<strong>Passagens,\u00a0<\/strong>de<strong>\u00a0Walter Benjamin<\/strong>\u00a0(Belo Horizonte e S\u00e3o Paulo, EdUFMG e Imprensa Oficial, 2006) e (co-)organizador dos dois volumes\u00a0<strong>Cinco s\u00e9culos de rela\u00e7\u00f5es brasileiras e alem\u00e3s e Rela\u00e7\u00f5es entre Brasil e Alemanha na \u00e9poca contempor\u00e2nea<\/strong>(edi\u00e7\u00f5es bil\u00edngues: alem\u00e3o\/portugu\u00eas; Santos, Editora Brasileira, 2013 e 2015).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Confira a entrevista.<\/h3>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como \u00e9 viver dentro de um livro? Na verdade, n\u00e3o um livro qualquer, mas Grande sert\u00e3o: veredas&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Willi Bolle \u2013<\/strong>\u00a0Quando comecei a estudar o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/513873-deus-e-o-diabo-nas-trilhas-do-grande-sertao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Grande sert\u00e3o: veredas<\/a>\u00a0\u2013 eu tinha 22 anos e acabara de chegar no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0\u2013 me deu a ideia espont\u00e2nea de forrar as paredes do meu quarto (de trabalho e de dormir) com as cerca de 500 p\u00e1ginas do romance.<\/p>\n<p>Era o meu m\u00e9todo de conviver intensamente com o livro, dia e noite, mergulhar na atmosfera dele e deixar me impregnar pela energia que ele irradiava.<\/p>\n<p>Como a composi\u00e7\u00e3o do livro \u00e9 propositadamente dif\u00edcil e labir\u00edntica, eu esperava que, por meio desse conv\u00edvio intenso, eu poderia de repente lan\u00e7ar o olhar sobre uma determinada passagem do texto, que me proporcionaria um rel\u00e2mpago ou um\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0de compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Retomei esse m\u00e9todo muitos anos depois, durante um est\u00e1gio de pesquisa na\u00a0<strong>Universidade de Stanford<\/strong>, onde redigi a primeira vers\u00e3o do livro\u00a0<strong>grandesert\u00e3o.br<\/strong>\u00a0(S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2004), ou seja, a minha interpreta\u00e7\u00e3o do romance de\u00a0<strong>Guimar\u00e3es Rosa<\/strong>\u00a0como um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/1921-lorelai-kury\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">retrato do Brasil<\/a>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Jcfpbm7owCo\" width=\"100%\" height=\"400\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em seu livro, grandesert\u00e3o.br, o senhor descreve um Brasil que aparece de forma criptografada na obra rosiana. Como a prosa po\u00e9tica de Guimar\u00e3es, em Grande sert\u00e3o: veredas, dialoga com outros demiurgos do Brasil, de Euclides da Cunha a Gilberto Freyre?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Willi Bolle \u2013<\/strong>\u00a0O\u00a0<strong>retrato do Brasil<\/strong>\u00a0escrito por\u00a0<strong>Guimar\u00e3es Rosa<\/strong>\u00a0aparece no seu romance de forma criptografada na medida em que uma pergunta-desafio como a de\u00a0<strong>Z\u00e9 Bebelo<\/strong>\u00a0\u2013 \u201cAgora quem \u00e9 que \u00e9 o Chefe?\u201d \u2013 n\u00e3o se limita ao enredo dessa hist\u00f3ria de jagun\u00e7os, mas estimula o leitor a transferir reflex\u00e3o sobre essa pergunta para datas-chave da<strong>\u00a0hist\u00f3ria do pa\u00eds<\/strong>, quando houve mudan\u00e7as de regime pol\u00edtico, como em 1822 [1], 1889 [2], 1930 [3], 1945 [4] e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/437\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">1964<\/a>\u00a0[5].<\/p>\n<p>Entre as linhas, esse romance, publicado em 1956, dialoga com os principais ensaios sobre a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=606&amp;secao=205\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">hist\u00f3ria<\/a>, a pol\u00edtica e a sociedade brasileiras.<\/p>\n<p><strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00a0pode ser considerado uma reescrita cr\u00edtica d\u2019<strong>Os Sert\u00f5es<\/strong>\u00a0[1902] (S\u00e3o Paulo: Editora Sesc, 2016). Destaco aqui apenas uma das diferen\u00e7as marcantes. Enquanto\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/317\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Euclides da Cunha<\/a>\u00a0[6] raramente cede a palavra aos sertanejos, o narrador rosiano \u00e9 um sertanejo: o jagun\u00e7o letrado\u00a0<strong>Riobaldo<\/strong>, que mergulha profundamente no universo lingu\u00edstico, mental e cultural dos\u00a0<strong>habitantes do sert\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00a0com\u00a0<strong>Casa-grande &amp; senzala<\/strong>\u00a0[1933] (S\u00e3o Paulo: Global, 2012), nota-se um paralelismo entre os dois t\u00edtulos, em termos sem\u00e2nticos, sonoros e m\u00e9tricos. Mas existe uma diferen\u00e7a fundamental: enquanto\u00a0<strong>Gilberto Freyre<\/strong>\u00a0[7] usa o s\u00edmbolo de um entrela\u00e7amento harmonioso ( &amp; ) entre senhores e escravos,\u00a0<strong>Guimar\u00e3es Rosa<\/strong>, atrav\u00e9s dos dois pontos ( : ) acentua o antagonismo entre os donos de territ\u00f3rios e casas \u201cgrandes\u201d e os que moram em casebres nas \u201cveredas\u201d.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">Enquanto Gilberto Freyre usa o s\u00edmbolo de um entrela\u00e7amento harmonioso entre senhores e escravos, Guimar\u00e3es Rosa, atrav\u00e9s dos dois pontos ( : ) acentua o antagonismo entre os donos de territ\u00f3rios e casas \u2018grandes\u2019 &#8211; Willi Bolle<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O que significa escrever, no caso de Guimar\u00e3es Rosa, n\u00e3o exatamente sobre o sert\u00e3o, mas como o sert\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Willi Bolle \u2013<\/strong>\u00a0Escrever como o\u00a0<strong>sert\u00e3o<\/strong>\u00a0significa, no caso de\u00a0<strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>, escrever de forma labir\u00edntica. O romance de\u00a0<strong>Guimar\u00e3es Rosa<\/strong>\u00a0\u00e9 um fluxo verbal de cerca de quinhentas p\u00e1ginas, que tende para o infinito. \u00c9 com esse signo que a obra termina \u2013 ou continua&#8230;<\/p>\n<p>O labirinto das andan\u00e7as do jagun\u00e7o\u00a0<strong>Riobaldo<\/strong>\u00a0se entrela\u00e7a com o labirinto de sua narra\u00e7\u00e3o, que segue os movimentos espont\u00e2neos da mem\u00f3ria. \u00c9 a forma como um c\u00e9rebro trabalha.<\/p>\n<p>Vale lembrar que, na antiguidade grega, o labirinto era citado como met\u00e1fora da aprendizagem. E na nossa era da inform\u00e1tica, o labirinto ressurgiu em forma da rede de links que formam um hipertexto.<\/p>\n<p>Esses dados podem ser relacionados com a seguinte caracteriza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua h\u00fangara por\u00a0<strong>Guimar\u00e3es Rosa<\/strong>:<\/p>\n<p><em>\u201c\u00c9 uma l\u00edngua in opere, fabulosamente em movimento, toda possibilidades [&#8230;].<\/em><\/p>\n<p><em>Ela permite todas as manipula\u00e7\u00f5es da g\u00eanese inventiva [&#8230;] como um painel de mesa telef\u00f4nica, para os engates ad libitum.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Essa passagem, que ele publicou no mesmo ano (1956) que\u00a0<strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>, descreve de modo perfeito a forma de composi\u00e7\u00e3o do seu romance.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 De que forma a linguagem rosiana \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201cvolta por cima\u201d da linguagem dos letrados? Como, com isso, ele valoriza um Brasil sertanejo em detrimento de um Brasil urbano?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Willi Bolle \u2013<\/strong>\u00a0Um desafio que se coloca para todos os escritores que se prop\u00f5em retratar e representar o povo \u00e9 a escolha do tipo de\u00a0<strong>linguagem<\/strong>. No caso da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/582775-antonio-candido-foi-o-intelectual-mais-destacado-de-sua-geracao-entrevista-especia-com-luis-augusto-fischer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">literatura brasileira<\/a>, esse problema \u00e9 particularmente agudo.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">Um desafio que se coloca para todos os escritores que se prop\u00f5em retratar e representar o povo \u00e9 a escolha do tipo de linguagem &#8211; Willi Bolle<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A forma de composi\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00a0tem uma raz\u00e3o estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o narrativa e a figura do jagun\u00e7o letrado s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es ir\u00f4nicas. Pois onde j\u00e1 se viu um doutor, um homem culto da cidade, disposto a escutar a fala de um \u201csimples sertanejo\u201d durante um tempo equivalente a 500 p\u00e1ginas?<\/p>\n<p>Com isso, o escritor chama a aten\u00e7\u00e3o para uma falta de di\u00e1logo entre as classes, no<strong>\u00a0Brasil real<\/strong>: entre os letrados, ou seja, os que se comunicam na norma culta, e os que falam a l\u00edngua do povo.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata da diferen\u00e7a entre um\u00a0<strong>Brasil sertanejo<\/strong>\u00a0e um\u00a0<strong>Brasil urbano<\/strong>; basta lembrar que nas favelas das grandes cidades esses \u201cdois Brasis\u201d se misturam. Trata-se da falta de di\u00e1logo entre a classe dominante e as classes populares, que constitui um s\u00e9rio obst\u00e1culo para a verdadeira emancipa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. O projeto liter\u00e1rio e pol\u00edtico de\u00a0<strong>Guimar\u00e3es Rosa<\/strong>\u00a0visa enfrentar esse problema com a proposta de reinventar a nossa l\u00edngua.<\/p>\n<p><strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00a0\u00e9 um laborat\u00f3rio de di\u00e1logo social que, dessa forma, ainda n\u00e3o existe na nossa realidade.<\/p>\n<p>Em cada linha do romance podemos sentir uma confian\u00e7a no poder da l\u00edngua, isto \u00e9, na capacidade de cada membro da comunidade dos falantes de cooperar na constru\u00e7\u00e3o da l\u00edngua como um bem comum. A proposta do escritor\u00a0<strong>Guimar\u00e3es Rosa<\/strong>\u00a0\u00e9 que os brasileiros reinventem a sua l\u00edngua de uma forma emancipada.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">Resumindo\u00a0<strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00a0em uma frase, pode se dizer que esse romance descreve bandos de criminosos exercendo o poder no<strong>\u00a0planalto central<\/strong>\u00a0do pa\u00eds &#8211; Willi Bolle<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Qual a import\u00e2ncia de ler e reler a obra de Guimar\u00e3es Rosa no Brasil atual?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Willi Bolle \u2013<\/strong>\u00a0Resumindo\u00a0<strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00a0em uma frase, pode se dizer que esse romance descreve bandos de criminosos exercendo o poder no<strong>\u00a0planalto central<\/strong>\u00a0do pa\u00eds. Ou seja: \u00c9 o retrato de uma sociedade na qual o crime faz parte do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/584819-a-politica-moderna-e-bipolar-e-opera-entre-democracia-e-autocracia-entrevista-especial-com-roberto-dutra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sistema pol\u00edtico<\/a>\u00a0e \u00e9 praticado em ampla escala.<\/p>\n<p>A obra de\u00a0<strong>Guimar\u00e3es Rosa<\/strong>\u00a0nos proporciona um profundo mergulho no \u201csistema jagun\u00e7o\u201d.\u00a0<strong>Riobaldo<\/strong>\u00a0transmite narra\u00e7\u00f5es idealizadas e ao mesmo tempo desconstr\u00f3i mitifica\u00e7\u00f5es de chefes de jagun\u00e7os; ele relata a sua inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 jagun\u00e7agem; as lutas entre os bandos de jagun\u00e7os e contra os soldados do Governo; refere os discursos de legitima\u00e7\u00e3o da guerra no sert\u00e3o; e mostra a rela\u00e7\u00e3o entre o sistema-jagun\u00e7o e a pobreza generalizada.<\/p>\n<p>Finalmente, com a sua ascens\u00e3o a chefe, o pact\u00e1rio\u00a0<strong>Riobaldo<\/strong>\u00a0torna-se um poderoso latifundi\u00e1rio, protegido por jagun\u00e7os.<\/p>\n<p>Um tra\u00e7o original e fecundo do\u00a0<strong>retrato do Brasil<\/strong>\u00a0apresentado em\u00a0<strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00e9 ele n\u00e3o ser constru\u00eddo a partir de falas de boas inten\u00e7\u00f5es, mas a partir do\u00a0<strong>Mal<\/strong>, por meio do discurso de um protagonista-narrador que fez um\u00a0<strong>pacto com o Diabo<\/strong>, ou seja, com o \u201cPai da Mentira\u201d.<\/p>\n<p>Assim, por exemplo,\u00a0<strong>Riobaldo<\/strong>\u00a0ironiza e desmascara a \u201c<em>frasea\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d do pol\u00edtico oportunista e candidato a deputado\u00a0<strong>Z\u00e9 Bebelo<\/strong>, quando este chefiou o bando. Mas quando\u00a0<strong>Riobaldo<\/strong>assume o comando, percebemos que ele pr\u00f3prio usa o mesmo tipo de discurso demag\u00f3gico.<\/p>\n<p>Com tudo isso, o escritor\u00a0<strong>Guimar\u00e3es Rosa<\/strong>\u00a0agu\u00e7a a nossa percep\u00e7\u00e3o para as \u201cformas do falso\u201d nos discursos e na ret\u00f3rica que circulam no espa\u00e7o p\u00fablico, revelando como essas formas s\u00e3o forjadas.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">Grande sert\u00e3o: veredas \u00e9 um laborat\u00f3rio de di\u00e1logo social que, dessa forma, ainda n\u00e3o existe na nossa realidade &#8211; Willi Bolle<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Willi Bolle \u2013<\/strong>\u00a0Em 2004 elaborei com um grupo de alunos da\u00a0<strong>Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP<\/strong>\u00a0uma adapta\u00e7\u00e3o teatral de um epis\u00f3dio de\u00a0<strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00a0que motiva\u00a0<strong>Riobaldo<\/strong>\u00a0a fazer o\u00a0<strong>pacto com o Diabo<\/strong>: o encontro do bando dos jagun\u00e7os com os \u201ccatrumanos\u201d, os sertanejos que vivem em extrema mis\u00e9ria, e com o impiedoso latifundi\u00e1rio\u00a0<strong>se\u00f4 Hab\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Com o nome \u201c<strong>Atores da viol\u00eancia \u2013 atores do di\u00e1logo<\/strong>\u201d, apresentamos essa adapta\u00e7\u00e3o teatral em diversos lugares do\u00a0<strong>Brasil<\/strong>, e tamb\u00e9m na\u00a0<strong>Fran\u00e7a<\/strong>\u00a0e na\u00a0<strong>Alemanha<\/strong>.<\/p>\n<p>Essa experi\u00eancia bem-sucedida tornou-se o tema da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado (2011) de uma das participantes,<strong>\u00a0Maira Fanton Dalalio<\/strong>.<\/p>\n<p>Uma outra boa experi\u00eancia inspirada pelo romance\u00a0<strong>Grande sert\u00e3o: veredas<\/strong>\u00a0tem sido a organiza\u00e7\u00e3o, por uma ONG do munic\u00edpio de<strong>\u00a0Arinos-MG<\/strong>, do\u00a0<strong>Caminho do Sert\u00e3o<\/strong>. Trata-se de uma caminhada coletiva \u201cs\u00f3cio-eco-liter\u00e1ria\u201d de sete dias, que ocorre anualmente desde 2014, na segunda semana de julho, saindo do assentamento de\u00a0<strong>Sagarana<\/strong>, atravessando o\u00a0<strong>rio Urucuia<\/strong>, e chegando at\u00e9 o\u00a0<strong>Parque Nacional Grande Sert\u00e3o Veredas<\/strong>.<\/p>\n<p>Eu participei dessa caminhada em julho de 2017, e o fato que mais me impressionou foi a exist\u00eancia de uma escola no lugarejo\u00a0<strong>V\u00e3o-dos-Buracos<\/strong>, na\u00a0<strong>Serra das Araras<\/strong>, com um bem organizado\u00a0<strong>Cantinho de Leitura<\/strong>.<\/p>\n<p>Foi l\u00e1 que encontrei a professora\u00a0<strong>Rosa Am\u00e9lia Pereira da Silva<\/strong>, autora do livro\u00a0<strong>Travessias liter\u00e1rias em perspectiva interacionista<\/strong>\u00a0(Teoria e Pr\u00e1tica. 1. ed. Arinos: Autor, 2016), que realiza nas escolas da regi\u00e3o cirandas de leitura de textos de\u00a0<strong>Guimar\u00e3es Rosa<\/strong>.<\/p>\n<p>Essas adapta\u00e7\u00f5es teatrais, caminhadas coletivas e di\u00e1logos inspirados pela obra rosiana redespertam algo que o\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0j\u00e1 teve, mas perdeu nas \u00faltimas d\u00e9cadas e precisa resgatar: a paix\u00e3o pela\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/590373-miguel-nicolelis-o-mundo-esta-perplexo-com-o-desmonte-da-educacao-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">educa\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Notas:<\/h3>\n<p>[1]\u00a0<strong>Independ\u00eancia do Brasil<\/strong>: \u00e9 um processo que se estende de 1821 a 1825 e coloca em violenta oposi\u00e7\u00e3o o Reino do Brasil e o Reino de Portugal, dentro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. As Cortes Gerais e Extraordin\u00e1rias da Na\u00e7\u00e3o Portuguesa, instaladas em 1820, como uma consequ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Liberal do Porto, tomam decis\u00f5es, a partir de 1821, que tinham como objetivo reduzir novamente o Brasil ao seu antigo estatuto colonial. Oficialmente, a data comemorada para independ\u00eancia do Brasil \u00e9 a de 7 de setembro de 1822, em que ocorreu o chamado Grito do Ipiranga, \u00e0s margens do riacho Ipiranga (atual cidade de S\u00e3o Paulo). Em 12 de outubro de 1822, o pr\u00edncipe foi proclamado imperador pelo nome de Pedro I e o pa\u00eds leva o nome de Imp\u00e9rio do Brasil. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[2]\u00a0<strong>Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Brasileira<\/strong>: foi um golpe de Estado pol\u00edtico-militar, ocorrido em 15 de novembro de 1889, que instaurou a forma republicana presidencialista de governo no Brasil, encerrando a monarquia constitucional parlamentarista do Imp\u00e9rio e, por conseguinte, destituindo o ent\u00e3o chefe de estado, imperador D. Pedro II, que em seguida recebeu ordens de partir para o ex\u00edlio na Europa. A proclama\u00e7\u00e3o ocorreu na Pra\u00e7a da Aclama\u00e7\u00e3o (atual Pra\u00e7a da Rep\u00fablica), na cidade do Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital do Imp\u00e9rio do Brasil, quando um grupo de militares do ex\u00e9rcito brasileiro, liderados pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no pa\u00eds, instituindo um governo provis\u00f3rio republicano, que se tornaria a Primeira Rep\u00fablica Brasileira. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[3]\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o de 1930<\/strong>: movimento armado, liderado pelos estados de Minas Gerais, Para\u00edba e Rio Grande do Sul, que culminou com um golpe de Estado, chamado \u201cGolpe de 1930\u201d, que dep\u00f4s o presidente da rep\u00fablica, Washington Lu\u00eds, em 24 de outubro, e impediu a posse do presidente eleito, J\u00falio Prestes, e p\u00f4s fim \u00e0 Primeira Rep\u00fablica. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[4]\u00a0<strong>Estado Novo<\/strong>: per\u00edodo autorit\u00e1rio da hist\u00f3ria do Brasil, que durou de 1937 a 1945. Foi instaurado por um golpe de Estado que garantiu a continuidade de Get\u00falio Vargas \u00e0 frente do governo central, recebendo apoio de importantes lideran\u00e7as pol\u00edticas e militares. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[5]\u00a0<strong>Golpe civil-militar de 1964<\/strong>: movimento deflagrado em 1\u00ba de abril de 1964. Os militares brasileiros, apoiados pela press\u00e3o internacional anticomunista liderada e financiada pelos Estados Unidos, desencadearam a Opera\u00e7\u00e3o Brother Sam, que garantiu a execu\u00e7\u00e3o do golpe, que destituiu do poder o presidente Jo\u00e3o Goulart, o Jango. Em seu lugar, os militares assumiram o poder e se mantiveram governando o pa\u00eds entre os anos de 1964 e 1985. Sobre a ditadura de 1964 e o regime militar, o IHU publicou o 4\u00ba n\u00famero dos Cadernos IHU em forma\u00e7\u00e3o, intitulado\u00a0<a href=\"https:\/\/goo.gl\/a4e8VX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ditadura 1964. A mem\u00f3ria do regime militar<\/a>. Confira, tamb\u00e9m, as edi\u00e7\u00f5es n\u00ba 96 da IHU On-Line, intitulada\u00a0<a href=\"https:\/\/goo.gl\/a2yUBr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O regime militar: a economia, a igreja, a imprensa e o imagin\u00e1rio<\/a>, de 12 de abril de 2004; n\u00ba 95, de 5 de abril de 2005,\u00a0<a href=\"https:\/\/goo.gl\/cU7FEV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">1964 \u2013 2004: hora de passar o Brasil a limpo<\/a>; n\u00ba 437, de 13 de mar\u00e7o de 2014,\u00a0<a href=\"https:\/\/goo.gl\/gXbCaL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Um golpe civil-militar. Impactos, (des)caminhos, processos<\/a>; e n\u00ba 439, de 31 de mar\u00e7o de 2014,\u00a0<a href=\"https:\/\/goo.gl\/wENVN6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Brasil, a constru\u00e7\u00e3o interrompida \u2013 Impactos e consequ\u00eancias do golpe de 1964<\/a>. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[6]\u00a0<strong>Euclides da Cunha<\/strong>\u00a0(1866-1909): engenheiro, escritor e ensa\u00edsta brasileiro. Entre suas obras, al\u00e9m de\u00a0<strong>Os Sert\u00f5es<\/strong>\u00a0(1902), destacam-se Contrastes e confrontos (1907), Peru versus Bol\u00edvia (1907), \u00c0 margem da hist\u00f3ria (1909), a confer\u00eancia Castro Alves e seu tempo (1907), proferida no Centro Acad\u00eamico XI de Agosto (Faculdade de Direito), de S\u00e3o Paulo, e as obras p\u00f3stumas Canudos: di\u00e1rio de uma expedi\u00e7\u00e3o (1939) e Caderneta de campo (1975). Confira a edi\u00e7\u00e3o 317 da IHU On-Line, de 30-11-2009, intitulada\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/ihuon317\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Euclides da Cunha e Celso Furtado. Demiurgos do Brasil<\/a>. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[7]\u00a0<strong>Gilberto Freyre<\/strong>\u00a0(1900-1987): escritor, professor, conferencista e deputado federal. Colaborou em revistas e jornais brasileiros. Foi professor convidado da Universidade de Stanford (EUA). Recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios por sua obra, entre os quais, em 1967, o pr\u00eamio Aspen, do Instituto Aspen de Estudos Human\u00edsticos (EUA), e o Pr\u00eamio Internacional La Madoninna, em 1969. Entre seus livros, destaca-se\u00a0<strong>Casa grande &amp; Senzala<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Sobrados e Mocambos<\/strong>. Sobre Freyre, confira o\u00a0<strong>Cadernos IHU<\/strong>\u00a0n\u00ba 6, de 2004, intitulado\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/cadihu06\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gilberto Freyre: da Casa-Grande ao Sobrado. G\u00eanese e Dissolu\u00e7\u00e3o do Patriarcalismo Escravista no Brasil. Algumas Considera\u00e7\u00f5es<\/a>. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cResumindo\u00a0Grande sert\u00e3o: veredas\u00a0em uma frase, pode se dizer que esse romance descreve bandos de criminosos exercendo o poder no\u00a0planalto central do pa\u00eds. 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