{"id":23244,"date":"2019-08-11T21:31:52","date_gmt":"2019-08-12T01:31:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=23244"},"modified":"2019-08-11T21:31:52","modified_gmt":"2019-08-12T01:31:52","slug":"24-horas-com-a-vigilia-que-sauda-lula-diariamente-em-curitiba","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/08\/11\/24-horas-com-a-vigilia-que-sauda-lula-diariamente-em-curitiba\/","title":{"rendered":"24 horas com a vig\u00edlia que sa\u00fada Lula diariamente em Curitiba"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"23245\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/08\/11\/24-horas-com-a-vigilia-que-sauda-lula-diariamente-em-curitiba\/8a4f4566-a9ff-4aa1-90c3-ab9c90755b34\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8A4F4566-A9FF-4AA1-90C3-AB9C90755B34.jpeg?fit=640%2C391\" data-orig-size=\"640,391\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"8A4F4566-A9FF-4AA1-90C3-AB9C90755B34\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8A4F4566-A9FF-4AA1-90C3-AB9C90755B34.jpeg?fit=300%2C183\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8A4F4566-A9FF-4AA1-90C3-AB9C90755B34.jpeg?fit=600%2C367\" class=\"alignnone size-full wp-image-23245\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8A4F4566-A9FF-4AA1-90C3-AB9C90755B34.jpeg?resize=600%2C367\" alt=\"8A4F4566-A9FF-4AA1-90C3-AB9C90755B34\" width=\"600\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8A4F4566-A9FF-4AA1-90C3-AB9C90755B34.jpeg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8A4F4566-A9FF-4AA1-90C3-AB9C90755B34.jpeg?resize=300%2C183 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/8A4F4566-A9FF-4AA1-90C3-AB9C90755B34.jpeg?resize=491%2C300 491w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p><\/blockquote>\n<p>Militantes organizados, admiradores de passagem e vizinhos da abastada Santa C\u00e2ndida convivem h\u00e1 quase 500 dias no entorno da carceragem que abriga o ex-presidente. Gritam \u201cbom dia\u201d, \u201cboa tarde\u201d e \u201cboa noite\u201d para lembr\u00e1-lo que n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3. O EL PA\u00cdS acompanhou um dia desse microcosmo da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nacional<!--more--><\/p>\n<p>Santa C\u00e2ndida \u00e9 um bairro residencial de classe m\u00e9dia alta a 10 km do centro de Curitiba. Um visitante que chega \u00e0 vizinhan\u00e7a arborizada \u00e0s sete da manh\u00e3 de uma quinta-feira de junho \u00e9 recepcionado por um frio de sete graus. E pelo barulho de p\u00e1ssaros. Mas o sil\u00eancio de Santa C\u00e2ndida termina quando come\u00e7a o hor\u00e1rio comercial. O bairro mudou no \u00faltimo ano e meio porque \u00e9 l\u00e1 que fica o pr\u00e9dio da Pol\u00edcia Federal onde est\u00e1 preso o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. E onde se formou uma vig\u00edlia que d\u00e1 \u201cbom dia\u201d, \u201cboa tarde\u201d e \u201cboa noite\u201d para Lula.<\/p>\n<p>A brigada passou quase sete meses, de abril de 2018 a novembro de 2018, acampando nas ruas da regi\u00e3o, at\u00e9 que foram proibidos pela prefeitura curitibana de acampar no bairro. Desde ent\u00e3o, se criou uma estrutura que conta com casas, um centro cultural e um terreno alugado em frente ao pr\u00e9dio da PF, de onde os ativistas se comunicam com o ex-presidente.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, a rotina de tempos em tempos tem um sobressalto, na expectativa de que algo da situa\u00e7\u00e3o legal do ex-presidente, condenado por corrup\u00e7\u00e3o na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, mude e o fa\u00e7a deixar a carceragem da PF. Na \u00faltima quarta-feira, a movimenta\u00e7\u00e3o se deu pela decis\u00e3o de uma ju\u00edza do Paran\u00e1 que ordenou a transfer\u00eancia de Lula para um pres\u00eddio paulista. Entre os argumentos, estava justamente o de que a presen\u00e7a do petista afeta tudo em volta \u2014o Supremo Tribunal Federal acabaria vetando a ideia, deixando tudo como est\u00e1. Em 25 de junho, foi mais um dia de agita\u00e7\u00e3o, quando o STF negou \u00e0 defesa de Lula dois habeas corpus que o permitiriam sair da cadeia. No dia seguinte, o EL PA\u00cdS acompanhou a rotina da vig\u00edlia pelo petista por 24 horas.<\/p>\n<p>9h<\/p>\n<p>\u00c0s nove da manh\u00e3 em ponto, o sil\u00eancio de Santa C\u00e2ndida \u00e9 quebrado. Por um coro de dezenas de pessoas:<\/p>\n<p>\u201cBom dia, presidente Lula!<\/p>\n<p>Bom dia, presidente Lula!<\/p>\n<p>Bom dia, presidente Lula!<\/p>\n<p>Bom dia, presidente Lula!\u201d<\/p>\n<p>A sauda\u00e7\u00e3o \u00e9 repetida mais nove vezes, somando treze bons dias. H\u00e1 cerca de 60 pessoas no terreno que fica atravessando a rua do pr\u00e9dio da Pol\u00edcia Federal. O quartel-general dos apoiadores de Lula \u00e9 chamado de A Vig\u00edlia.<\/p>\n<p>O terreno cercado onde fica A Vig\u00edlia era antes um estacionamento para quem ia ao pr\u00e9dio da PF fazer passaporte, e foi alugado por um ano. H\u00e1 cinco tendas. Uma delas \u00e9 o escrit\u00f3rio da comunica\u00e7\u00e3o e da lideran\u00e7a dos movimentos que formam A Vig\u00edlia. Outra, tem uma biblioteca com livros doados por visitantes. Na terceira, fica uma barraquinha que vende camisetas com estampa do rosto de Lula e outras com frases como \u201cLute como uma garota\u201d. A quinta \u00e9 uma cozinha, em que ficam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o um tonel de caf\u00e9 e outro de ch\u00e1. H\u00e1 um bebedouro coletivo com a placa \u201cBeba 2 litros de \u00e1gua por dia\u201d.<\/p>\n<p>A Vig\u00edlia \u00e9 administrada por quatro grupos diferentes: o Movimento dos Sem Terra (MST), a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Partido dos Trabalhadores. \u201cCada um ficou respons\u00e1vel por um dia da semana. Na segunda \u00e9 o MST, na ter\u00e7a \u00e9 o MAB, na quarta \u00e9 a CUT, quinta-feira \u00e9 a Educa\u00e7\u00e3o. Sexta-feira a gente sempre coloca as mulheres, coloca juventude, movimento LGBT. S\u00e1bado e domingo \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 aqui. Ent\u00e3o a gente meio que se divide para que cada um tenha uma tarefa\u201d, diz Regina da Cruz, presidente da Central \u00danica dos Trabalhadores do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Naquela manh\u00e3, al\u00e9m dos integrantes da CUT, do MST, do MAB e do PT, havia turistas. Uma fam\u00edlia com duas crian\u00e7as, ambas vestindo camisetas com o rosto barbado de Lula, chega antes do bom dia. O estudante de medicina Ezequiel Lemos est\u00e1 em Curitiba com um \u00fanico prop\u00f3sito: \u201cPassamos em Curitiba somente para dar o bom dia. A gente chegou ontem \u00e0 noite, dormimos em um hotel e viemos pra c\u00e1\u201d, diz Lemos.<\/p>\n<p>Ezequiel foi criado no interior da Bahia, e diz que ele e a mulher levaram os dois filhos, de quatro e seis anos, para prestar rever\u00eancia a Lula. \u201cNunca outro governo uma pessoa fez tanto\u2026 a nossa fam\u00edlia inteira fez faculdade. Hoje n\u00f3s temos tr\u00eas professores, temos um m\u00e9dico. Minhas tias que s\u00e3o tr\u00eas professores. Tenho um primo que \u00e9 professor em uma universidade federal na Bahia, a UFBA. E assim, Lula representou muito, muito, muito, muito, para o Nordeste inteiro\u201d, diz o estudante de medicina, enquanto as crian\u00e7as correm com m\u00e1scaras do rosto de Lula no rosto.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia de Ezequiel espera um t\u00e1xi para ir embora de Curitiba. Perto dali, dezenas de jovens sobem a rua e entram em um casar\u00e3o. O im\u00f3vel, a dois quarteir\u00f5es da Vig\u00edlia, \u00e9 o Centro Cultural Marielle Franco, uma casa alugada para servir de escola para os vigilantes. Na entrada do centro Marielle, h\u00e1 um muro com figuras hist\u00f3ricas pintadas. Al\u00e9m de Mariele, h\u00e1 o rosto de Fidel Castro, de Hugo Ch\u00e1vez, de Rosa Luxemburgo e de Lyudmila Pavlichenko, uma franco-atiradora sovi\u00e9tica que matou centenas de alem\u00e3es durante a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>O muro termina em um galp\u00e3o com dezenas de cadeiras de pl\u00e1stico branco dispostas em um semic\u00edrculo. No meio do c\u00edrculo est\u00e1 o professor, do MST, que ministra uma aula de hist\u00f3ria. \u201cEnt\u00e3o percebam\u201d, diz o professor. \u201cPercebam. Que depois de 500 anos, 500 anos de hist\u00f3ria, o povo brasileiro consegue eleger um presidente da Rep\u00fablica que tem sua origem no trabalho. Ele \u00e9 algu\u00e9m do trabalho, que possibilitou chegar l\u00e1. Ele incorpora o trabalho do ind\u00edgena. O trabalho do negro. O trabalho do posseiro. O trabalho do agricultor familiar.\u201d<\/p>\n<p>A maioria dos alunos \u00e9 jovem e tem alguma liga\u00e7\u00e3o com o MST. O Movimento dos Sem Terra criou um rod\u00edzio. A cada 15 dias, membros de um acampamento diferente do MST v\u00eam morar na vig\u00edlia. Na \u00faltima semana de junho, \u00e9 o sul do Paran\u00e1 que est\u00e1 presente, com pessoas de cidades como Ponta Grossa.<\/p>\n<p>Depois da aula de hist\u00f3ria, vem uma aula de m\u00fasica. Os jovens do MST que est\u00e3o no sal\u00e3o se apresentam e escolhem que instrumento querem tocar.<\/p>\n<p>\u201cBom dia, meu nome \u00e9 G\u00e9ssica. Eu vou fazer viol\u00e3o e n\u00e3o tenho viol\u00e3o\u201d, diz uma jovem moreno. \u201cEu sou Nath\u00e1lia, sou do acampamento livre, e vou fazer bateria\u201d, diz outra, loira.<\/p>\n<p class=\"\">A aula termina faltando dez minutos para o meio-dia. O grupo anda cinco quarteir\u00f5es at\u00e9 um sobrado na beira da maior avenida do bairro. L\u00e1 fica a Casa Lula Livre, um alojamento para quem vai \u00e0 vig\u00edlia. A Casa Lula existe desde novembro de 2018. Entre 7 de abril de 2018 e a funda\u00e7\u00e3o da Casa Lula, os manifestantes ficavam acampados na rua. A prefeitura de Curitiba vetou os acampamentos, e o alojamento foi criado.<\/p>\n<p class=\"\">A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o revela o quanto paga pelo terreno da vig\u00edlia e pelos im\u00f3veis. O aluguel na regi\u00e3o varia, desde 900 reais mensais por uma casa de madeira de dois c\u00f4modos at\u00e9 10.000 por uma casa de 450 m2 e quatro quartos. O dinheiro vem de doa\u00e7\u00f5es feitas pela Internet, eles afirmam.\u201cN\u00e3o adiantava locar por uma imobili\u00e1ria e depois ter que deixar o terreno. A gente foi e explicou que aqui seria o local da vig\u00edlia. A\u00ed a gente fez o contrato. O PT fez o contrato com a imobili\u00e1ria\u201d, diz Regina da Cruz, presidente da CUT paranaense.<\/p>\n<p class=\"\">O contrato, ela afirma, \u00e9 de um ano. \u201cMas n\u00f3s vamos renovar. A gente vai renovando. Tem o contrato do espa\u00e7o Marielle e o da creche. A gente vai renovando a cada seis meses. Enquanto precisar.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">Meio-dia<\/h3>\n<p class=\"\">Faltando dois minutos para o meio-dia, uma fila se forma instantaneamente no p\u00e1tio da casa. O almo\u00e7o est\u00e1 prestes a ser servido no p\u00e1tio, em esquema de buf\u00ea. O card\u00e1pio do dia \u00e9 lombo de porco, polenta, arroz, feij\u00e3o e salada. Cada um lava sua pr\u00f3pria lou\u00e7a ao terminar. Cada quarto tem de quatro a seis treliches, camas de tr\u00eas andares feitas de madeira crua. Os corredores est\u00e3o cheios de barracas armadas por estudantes de todo o Brasil. Cerca de 50 pessoas ficam na Casa Lula por vez.<\/p>\n<p class=\"\">At\u00e9 ano passado, funcionava ali uma escola infantil particular. As paredes ainda guardam algumas pinturas da \u00e9poca de escolinha, como um desenho do Smilinguido, uma formiga de desenho animado que \u00e9 mascote evang\u00e9lico, com um prov\u00e9rbio b\u00edblico ao lado. O almo\u00e7o come\u00e7a em sil\u00eancio, at\u00e9 que um sindicalista fica em p\u00e9 e, da sua mesa, grita para um homem: \u201cE a\u00ed, t\u00e1 feliz?\u201d. O sindicalista, que preferiu n\u00e3o ser nomeado nesta reportagem, acusa o outro morador da Casa Lula de preferir que o ex-presidente n\u00e3o fosse solto, para ficar morando ali o m\u00e1ximo de tempo o poss\u00edvel. Ele afirma que s\u00e3o poucas pessoas dentro de um grupo de centenas. \u201cA maioria das pessoas s\u00f3 quer ir para casa. Eu n\u00e3o gosto de ficar aqui, sabe? \u00c9 muito dif\u00edcil\u201d, disse o sindicalista que se recusou a gravar entrevista.<\/p>\n<p class=\"\">Uma professora da rede p\u00fablica comenta que acaba de renovar o contrato de aluguel do apartamento que alugou para morar com outros vigilantes em Curitiba. O novo contrato dura mais um ano, mas afirma que pagaria a multa de rescis\u00e3o com todo prazer para voltar para casa, se Lula fosse libertado.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">13h<\/h3>\n<p class=\"\">A chuva aperta em Curitiba. Chega \u00e0 Casa Lula Livre um rolo de pl\u00e1stico preto, como o usado para fazer sacos de lixo. O pl\u00e1stico serve para embrulhar as barracas em dias de chuva. Como os treliches do alojamento j\u00e1 est\u00e3o ocupados, as pessoas come\u00e7aram a acampar no p\u00e1tio, a c\u00e9u aberto. Jovens tiram todos seus pertences das barracas e colocam uma camada de pl\u00e1stico preto embaixo delas. Outra dos lados e uma terceira em cima da barraca. H\u00e1 quem se apresse para fazer o trabalho e chegar a tempo de dar boa tarde ao presidente.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"width_full \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/brasil.elpais.com\/resizer\/uAcJ_DvUFOnLiTk5xT2jwnHQ07o%3D\/768x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/ZSX52Z4HL664WKPPZBVCK75XBA.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">14h<\/h3>\n<p class=\"\">Os grupos come\u00e7am a voltar para o terreno da vig\u00edlia. L\u00e1, um violeiro distribui uma brochura com 40 p\u00e1ginas para as pessoas que chegam. S\u00e3o letras de m\u00fasica compostas na vig\u00edlia. A apostila tem jingles, como <em>Lula L\u00e1 Brilha uma Estrela<\/em>, e par\u00f3dias de marchinhas de Carnaval, como <em>M\u00e1scara Negra<\/em>, e de <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/03\/03\/opinion\/1488566896_395775.html\" data-link-track-dtm=\"\">can\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas como <em>Asa Branca<\/em><\/a>, que ganhou essa nova letra:<\/p>\n<p class=\"\"><em>Quando olhei a terra ardendo Tal fogueira de S\u00e3o Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>Eu perguntei a Deus do C\u00e9u<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>Por que tamanha judia\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>Quando eu olhei o meu Brasil<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>Eu<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>Greve geral n\u00e3o \u00e9 pregui\u00e7a<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>A m\u00fasica termina assim:<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>Espero Lula voltar de novo<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>Para eu voltar a ser cidad\u00e3o<\/em><\/p>\n<p class=\"\">Est\u00e1 chovendo quando cerca de 30 pessoas se voltam para o pr\u00e9dio da Pol\u00edcia Federal e come\u00e7am o cumprimento vespertino.<\/p>\n<p class=\"\">Boa tarde, presidente Lula!<\/p>\n<p class=\"\">Boa tarde, presidente Lula!<\/p>\n<p class=\"\">Boa tarde, presidente Lula!<\/p>\n<p class=\"\">Boa tarde, presidente Lula!<\/p>\n<p class=\"\">Boa tarde, presidente Lula!<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"width_full \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/brasil.elpais.com\/resizer\/rDchR4BJotQIBqHpJTnDK77ufpg%3D\/768x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/U7V2KLOXLGG6LDHFEBR5WOJ4IM.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p class=\"\">Ao contr\u00e1rio do bom dia, repetido 13 vezes, o boa tarde dura cinco repeti\u00e7\u00f5es, e logo as pessoas voltam debaixo de chuva para os alojamentos.<\/p>\n<p class=\"\">Uma das pessoas que marcha de volta para casa \u00e9 um homem de barba branca no meio do peito, cabelos t\u00e3o compridos quantos e vestindo uma t\u00fanica vermelha. Elias tem 61 anos e se veste como um afeg\u00e3o. H\u00e1 quem o chame de Bin Laden, mas ele prefere o apelido Fil\u00f3sofo. Elias Fil\u00f3sofo est\u00e1 h\u00e1 15 meses em uma casa que divide com outros seis homens e uma mulher, a dois quarteir\u00f5es da vig\u00edlia. \u201cEu vim me conhecer por gente depois que o Lula ganhou a presid\u00eancia, certo? Eu me considerava indigente. Eu, meus filhos, meus netos. Eu me conheci por gente. Muito grato a ele porque, olha\u2026 s\u00f3 Deus\u201d, diz Elias.<\/p>\n<p class=\"\">Elias explica que se mant\u00e9m com o dinheiro que os filhos mandam. Depois fala 17 minutos sobre os programas sociais da era Lula. E d\u00e1 opini\u00f5es sobre o que deve ser feito para o Brasil melhorar. \u201cO Brasil, para ficar melhor, tem que fechar as f\u00e1bricas de cadeado. Porque voc\u00ea coloca uma bicicleta ali tem que colocar cadeado. Ent\u00e3o vamos investir na educa\u00e7\u00e3o. E para acabar com isso tem que investir na educa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Durante a tarde, a Vig\u00edlia fica com uma d\u00fazia de pessoas. Mais os visitantes que passam por l\u00e1. H\u00e1 um casal que trabalha no Sesc e foi renovar o passaporte no pr\u00e9dio da pol\u00edcia federal. Um grupo de amigos brasileiros que mora em Berlim. Uma fam\u00edlia local. Nenhum deles topa gravar entrevista. \u201cN\u00e3o posso ser associada com esse lugar\u201d, diz a funcion\u00e1ria do <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sesc_servico_social_comercio\" data-link-track-dtm=\"\">Sesc<\/a>.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">19h<\/h3>\n<p class=\"\">A chuva continua depois de o Sol se p\u00f4r, perto das sete da noite, mas h\u00e1 mais de 50 pessoas esperando para dar boa noite ao ex-presidente. A cerim\u00f4nia \u00e9 filmada e transmitida ao vivo pela p\u00e1gina de Facebook da vig\u00edlia. Uma organizadora pede que as pessoas se juntem, sob a chuva, para que a imagem na transmiss\u00e3o seja de uma multid\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">Uma l\u00edder come\u00e7a a falar no megafone: \u201cUma parte dos companheiros est\u00e1 de luto e a gente gostaria tamb\u00e9m de anunciar o falecimento, infelizmente, do companheiro Seu Pedro, l\u00e1 do acampamento. E os companheiros aqui na vig\u00edlia dizer que a gente sente muito pela morte do companheiro. O vel\u00f3rio est\u00e1 acontecendo l\u00e1 no acampamento. \u00c9 bem significativo para a gente.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Todos os presentes gritam ao mesmo tempo, sem ordem de comando:<\/p>\n<p class=\"\">\u201cSeu Pedro, presente! Presente! Presente! Presente!\u201d<\/p>\n<p class=\"\">N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que um membro do acampamento morre. Tr\u00eas pessoas que passaram pelo acampamento ou pela vig\u00edlia morreram. Nenhuma morte foi ligada a atos de viol\u00eancia, por mais que um ativista tenha sido baleado por um desconhecido que passou de carro pelo lugar em abril de 2018 &#8211;ele sobreviveu, e o caso \u00e9 investigado pelo Departamento de Homic\u00eddios e Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Pessoa.<\/p>\n<p class=\"\">Mas o n\u00famero de nascimentos se equipara ao de mortes na Vig\u00edlia. \u201cOlha, teve uns tr\u00eas que nasceram aqui. Nasceram umas tr\u00eas quatro crian\u00e7as da vig\u00edlia j\u00e1. Dois constituiu fam\u00edlia. Um n\u00e3o, porque separou e voltou. Eu inclusive conheci minha namorada aqui\u201d, diz Regina da Cruz, a presidente da Central \u00danica dos Trabalhadores do Paran\u00e1.<\/p>\n<p class=\"\">O rel\u00f3gio est\u00e1 se aproximando das 19h, o hor\u00e1rio limite para manifesta\u00e7\u00f5es sonoras combinado entre o <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mp_ministerio_publico_brasil\" data-link-track-dtm=\"\">Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/a> e as l\u00edderes do acampamento apressam os presentes. Faltando um minuto para as sete, o grupo grita em coro:<\/p>\n<p class=\"\">\u201cBoa Noite, Presidente Lula!<\/p>\n<p class=\"\">Boa Noite, Presidente Lula!<\/p>\n<p class=\"\">Boa Noite, Presidente Lula!\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Os vigilantes d\u00e3o mais dez boas noites. Viram as costas. E voltam para o alojamento.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">19h30<\/h3>\n<p class=\"\">Uma fila se materializa na Casa Lula. O card\u00e1pio \u00e9 arroz, feij\u00e3o, polenta, carne ensopada com batatas e salada.\u00a0 Alguns jovens ficam do lado de fora do alojamento, fumando e conversando. A maioria das pessoas j\u00e1 se recolheu \u00e0s nove. \u00c0s dez, o lugar est\u00e1 em sil\u00eancio.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">8h30<\/h3>\n<p class=\"\">A primeira voz da manh\u00e3 na vig\u00edlia \u00e9 geralmente a mesma. Uma jovem que grita sozinha, na Vig\u00edlia ainda vazia: \u201cLula Maravilha. N\u00f3s gostamos de voc\u00ea\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">O grito sai ao ritmo de \u201cFio Maravilha\u201d, m\u00fasica de <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/03\/12\/eps\/1520857453_619147.html\" data-link-track-dtm=\"\">Jorge Ben<\/a>. E sua dona \u00e9 Marciele de Paula, uma estudante de 19 anos que faz parte da vig\u00edlia desde dezembro de 2018. Paula est\u00e1 l\u00e1 sozinha. Ela visitou a vig\u00edlia com um grupo de Quatro Barras, cidade no Paran\u00e1 onde morava. Se mudou para uma rep\u00fablica, que divide com mais dez pessoas. Ela n\u00e3o tem renda e sua fam\u00edlia n\u00e3o a ajuda.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cA minha fam\u00edlia, para voc\u00ea ter uma ideia, eles s\u00e3o evang\u00e9licos. Eles s\u00e3o totalmente contra isso. Eles n\u00e3o gostam e eles n\u00e3o me ajudam com nada. Eles tipo me deserdaram, praticamente. Eu digo que eles t\u00eam que aceitar. Porque \u00e9 a minha decis\u00e3o. Eu tenho um amor muito grande e gratid\u00e3o pelo governo do presidente.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Questionada at\u00e9 quando vai ficar na Vig\u00edlia, ela responde: \u201cAt\u00e9 o Lula sair\u201d. E ela tem condi\u00e7\u00f5es financeiras de ficar? \u201cNem que eu n\u00e3o tenha, eu j\u00e1 falei. Se precisar, eu pego minha barraca e vou pra debaixo da ponte. Mas eu fico aqui at\u00e9 o Lula sair.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Enquanto Marciele come\u00e7a sua cerim\u00f4nia de bom dia particular, um outro barulho nasce a um quarteir\u00e3o de dist\u00e2ncia. Uma das vizinhas, a de uma casa de dois andares branca, ligou o aspirador de p\u00f3. Os vigilantes afirmam que toda manh\u00e3 ela deixa o aspirador ligado durante o bom dia, h\u00e1 mais de 400 dias.<\/p>\n<p class=\"\">A vizinha desliga o aspirador para atender a reportagem do EL PA\u00cdS e diz que n\u00e3o quer falar sobre a vig\u00edlia ou o acampamento. Vai para dentro de casa e, depois de fechar a grade que separa a sala do p\u00e1tio, come\u00e7a a falar. \u201cMas eles apanharam muito, sabe? Eu bati muito nessa gente. Meu marido, meu filho, eles foram expulsos daqui. A gente incendiou tudo aqui. Tinha barraca, a gente meteu fogo em tudo, eles foram l\u00e1 pra cima.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Ela vira as costas e vai para dentro de casa. Depois de cinco segundos, volta para a grade, e continua falando. \u201cEsse vagabundo, eu quero que morra. Isso a\u00ed \u00e9 um lixo. \u00c9 um lixo. N\u00e3o sei de que lado voc\u00ea \u00e9, se \u00e9 neutro. Mas \u00e9 um lixo. Olha a pobreza que t\u00e1 em torno dele. Voc\u00ea v\u00ea algum rico a\u00ed? Eles s\u00e3o tudo pobre e dizem <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/02\/politica\/1538439673_277097.html\" data-link-track-dtm=\"\">que ele \u00e9 o salvador da p\u00e1tria, o salvador dos pobres<\/a>. Isso \u00e9 um lixo. Ele faz a cabe\u00e7a desses idiotas!\u201d<\/p>\n<p class=\"\">A vizinha, que comp\u00f5e o microcosmo da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e3o quer se identificar. Sabe que est\u00e1 sendo gravada, mas n\u00e3o se aproxima do port\u00e3o para falar. Pergunto como o bairro mudou desde que Lula e seus apoiadores se mudaram para l\u00e1. Ela responde por sete minutos, de dentro de casa.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cVirou um lixo! Isso aqui \u00e9 uma favela, \u00e9 uma cracol\u00e2ndia. Antes de ontem, estava isso aqui tudo transformado. Travesti. Soltaram um caminh\u00e3o de travesti aqui. Daqueles barra-pesada. Pegaram l\u00e1 na cracol\u00e2ndia e soltam no bairro. Isso a\u00ed \u00e9 orgulho para um presidente, me diga?\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Ela ent\u00e3o exp\u00f5e sua vis\u00e3o de como era Santa C\u00e2ndida antes dos militantes pol\u00edticos. \u201cEra um bairro limpo. Gente que trabalha. Gente que n\u00e3o se metia em pol\u00edtica. Hoje em dia a gente tem um movimento, a gente participa de um movimento. A gente bate neles, vai pra cima. A gente acabou com eles.\u201d Ela confirma que jogava a \u00e1gua que tinha usado para lavar lou\u00e7a nos acampantes. E que o marido os molhava com a mangueira todas as manh\u00e3s.<\/p>\n<p class=\"\">Quinze vizinhos se recusaram a falar com a reportagem do EL PA\u00cdS. Manuel Ar\u00e3o n\u00e3o foi um deles. O aposentado de 79 anos est\u00e1 brincando com a neta no port\u00e3o da sua casa, que fica colada com a rep\u00fablica onde moram 12 pessoas da vig\u00edlia. E diz nunca ter tido problema com os novos vizinhos. \u201cAs ruas ficaram mais movimentadas. Mas, em termo de perturba\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o senti nada. Na minha casa aqui, n\u00e3o. Inclusive eles ficaram aqui na frente um temp\u00e3o, eu forneci extens\u00e3o para eles. Eles nunca me incomodaram. Outros vizinhos se queixaram, mas comigo n\u00e3o teve n\u00e3o\u201d, diz Ar\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">Na \u00e9poca do acampamento, uma vizinha chamada Regiane do Carmo Santos abriu sua cozinha para os acampados fazerem suas refei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">9h<\/h3>\n<p class=\"\">S\u00e3o nove em ponto. Enquanto a vizinha passa aspirador na casa e o aposentado Manuel brinca com sua neta no port\u00e3o de casa, quase quarenta pessoas chegam \u00e0 Vig\u00edlia, vindas do Centro Cultural Marielle. O grupo canta:<\/p>\n<p class=\"\"><em>\u201cArroz deu cacho e o feij\u00e3o floreou!<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>Milho d\u00e1 palha<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>Cora\u00e7\u00e3o cheio de amor.<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>Arroz deu cacho e o feij\u00e3o floreou!<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>Milho d\u00e1 palha<\/em><\/p>\n<p class=\"\"><em>Cora\u00e7\u00e3o cheio de amor.\u201d<\/em><\/p>\n<p class=\"\">A programa\u00e7\u00e3o do dia \u00e9 longa. Quinta-feira \u00e9 dia de visitas. No dia 27 de junho, os vigilantes esperavam receber <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/19\/politica\/1563567581_475934.html\" data-link-track-dtm=\"\">os governadores Wellington Dias, do Piau\u00ed<\/a>, e Rui Costa, da Bahia, ambos petistas. Entre o boa tarde e o boa noite, planejavam fazer uma <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/06\/23\/ciencia\/1435060878_822017.html\" data-link-track-dtm=\"\">festa de S\u00e3o Jo\u00e3o<\/a>. Em vez de festa junina, ela vai chamar festa Lulina.<\/p>\n<p class=\"\">Mas, antes, os vigilantes v\u00e3o terminar de dar 13 bons dias ao l\u00edder que esperam h\u00e1 446 dias:<\/p>\n<p class=\"\">\u201cBem alto para o presidente escutar: Tr\u00eas, dois, um\u201d<\/p>\n<p class=\"\">\u201cBom dia, presidente Lula!<\/p>\n<p class=\"\">Bom dia, presidente Lula!<\/p>\n<p class=\"\">Bom dia, presidente Lula!\u201d<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"width_full \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/brasil.elpais.com\/resizer\/xu2whsllhZGK3t5hZ4Nlzv5kjBQ%3D\/768x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/MI5LWFGDKFSXIQITIPNOG6YXF4.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Marciele de Paula, uma estudante de 19 anos que faz parte da vig\u00edlia desde dezembro de 2018.\" \/><\/p>\n<div class=\"related_stories | row border_1 border_top border_black col desktop_8 tablet_8 mobile_4 margin_center\"><\/div>\n<\/figure>\n<\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Militantes organizados, admiradores de passagem e vizinhos da abastada Santa C\u00e2ndida convivem h\u00e1 quase 500 dias no entorno da carceragem que abriga o ex-presidente. Gritam \u201cbom dia\u201d, \u201cboa tarde\u201d e \u201cboa noite\u201d para lembr\u00e1-lo que n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3. O EL PA\u00cdS acompanhou um dia desse microcosmo da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-23244","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-62U","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23244"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23244\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23246,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23244\/revisions\/23246"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}