{"id":23247,"date":"2019-08-11T21:42:20","date_gmt":"2019-08-12T01:42:20","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=23247"},"modified":"2019-08-11T21:42:20","modified_gmt":"2019-08-12T01:42:20","slug":"em-livro-jornalista-traz-tres-seculos-de-luta-das-mulheres-negras-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/08\/11\/em-livro-jornalista-traz-tres-seculos-de-luta-das-mulheres-negras-no-brasil\/","title":{"rendered":"Em livro, jornalista traz tr\u00eas s\u00e9culos de luta das mulheres negras no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"23248\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/08\/11\/em-livro-jornalista-traz-tres-seculos-de-luta-das-mulheres-negras-no-brasil\/17acd736-b1ce-42e4-82da-00618e1e54ba\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/17ACD736-B1CE-42E4-82DA-00618E1E54BA.jpeg?fit=750%2C472\" data-orig-size=\"750,472\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"17ACD736-B1CE-42E4-82DA-00618E1E54BA\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/17ACD736-B1CE-42E4-82DA-00618E1E54BA.jpeg?fit=300%2C189\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/17ACD736-B1CE-42E4-82DA-00618E1E54BA.jpeg?fit=600%2C378\" class=\"alignnone size-full wp-image-23248\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/17ACD736-B1CE-42E4-82DA-00618E1E54BA.jpeg?resize=600%2C378\" alt=\"17ACD736-B1CE-42E4-82DA-00618E1E54BA\" width=\"600\" height=\"378\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/17ACD736-B1CE-42E4-82DA-00618E1E54BA.jpeg?w=750 750w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/17ACD736-B1CE-42E4-82DA-00618E1E54BA.jpeg?resize=300%2C189 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/17ACD736-B1CE-42E4-82DA-00618E1E54BA.jpeg?resize=477%2C300 477w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Ainda hoje, boa parte do sistema de ensino brasileiro n\u00e3o consegue discutir o verdadeiro papel da escravid\u00e3o no pa\u00eds e tampouco d\u00e1 o real valor para a resist\u00eancia dos oprimidos. Uma invisibilidade que acomete toda a luta por direitos e ganha ainda maior for\u00e7a \u00e0 medida que se faz o recorte de g\u00eanero.<!--more--><\/p>\n<p>Na Rede Brasil AtuaL <\/p>\n<p>Foi pensando nisso que a jornalista e pesquisadora Bianca Santana escreveu e organizou o livro Vozes Insurgentes de Mulheres Negras, resgatando o importante papel de diversos personagens desde o s\u00e9culo 18 at\u00e9 a primeira d\u00e9cada da presente \u00e9poca. Nos est\u00fadios da R\u00e1dio Brasil Atual, Bianca apresentou a iniciativa apoiada pela Funda\u00e7\u00e3o Rosa Luxemburgo e a Editora Mazza, obra que ser\u00e1 lan\u00e7ada na pr\u00f3xima quinta-feira (15) na Casa das Pretas, no Rio de Janeiro, \u00e0s 19h, com um debate sobre a escrita de mulheres negras com a diretora do Instituto Marielle Franco, Anielle Franco, e a pesquisadora Carol Rocha.<\/p>\n<p>\u201cA hist\u00f3ria da resist\u00eancia precisa ser melhor contada, n\u00e3o s\u00f3 da aboli\u00e7\u00e3o, mas do que foram esses 400 anos de escravid\u00e3o no Brasil porque n\u00e3o foi nada leve e brando \u2013 como falam tamb\u00e9m sobre o regime militar \u2013 e na escravid\u00e3o muito menos. Teve muita luta e resist\u00eancia, e o papel das mulheres era central, seja das que ficavam no \u00e2mbito dom\u00e9stico e resistiam de v\u00e1rias formas, seja nas planta\u00e7\u00f5es, nas organiza\u00e7\u00f5es familiares, nos quilombos, no candombl\u00e9 e nas casas de santos\u201d, afirma a escritora aos jornalistas Marilu Caba\u00f1as e Glauco Faria.<\/p>\n<p>Esperan\u00e7a Gra\u00e7a Garcia \u00e9 uma dessas personagens da hist\u00f3ria que Bianca faz quest\u00e3o de destacar. Mulher africana, escravizada no Piau\u00ed, Esperan\u00e7a, por meio de cartas, denunciava ao governador as situa\u00e7\u00f5es, humilha\u00e7\u00f5es e maus tratos que ela e outras pessoas escravizadas eram submetidas em meados de 1770. \u201cEra uma mulher que no s\u00e9culo 18 n\u00e3o s\u00f3 dominava a leitura e escrita, como compreendia a escrita como uma arma pol\u00edtica, de transforma\u00e7\u00e3o da realidade\u201d, ressalta Bianca.<\/p>\n<p>Reconhecimento da produ\u00e7\u00e3o cultural e intelectual<br \/>\nDe acordo com Bianca, a produ\u00e7\u00e3o intelectual e cultural tamb\u00e9m se faz presente no circuito jornal\u00edstico que, entre o s\u00e9culo 19 e a primeira metade do s\u00e9culo 20, contou com centenas de publica\u00e7\u00f5es, entre elas, o jornal Clarin da Alvorada. Com base no trabalho da fil\u00f3sofa, escritora e ativista antirracismo Sueli Carneiro, Bianca explica que, no Brasil, o pensamento das pessoas negras n\u00e3o \u00e9 considerado conhecimento, o que Sueli Carneiro chama de epistemic\u00eddio.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um exterm\u00ednio mesmo, de uma popula\u00e7\u00e3o matar aquilo que as pessoas negras produzem e n\u00e3o nos reconhecer como sujeitos da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O racismo contempor\u00e2neo<br \/>\nEsse racismo se faz presente em todos os \u00e2mbitos da vida das mulheres negras, principalmente no campo do trabalho, que muitas vezes imp\u00f5e a elas o servi\u00e7o dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres brancas brasileiras, sejam elas de esquerda e direita, da classe m\u00e9dia, v\u00e3o fazer o trabalho chamado produtivo na rua, e deixam uma mulher negra, pobre, na beira do fog\u00e3o, cuidando das crian\u00e7as. Isso obviamente n\u00e3o tem a ver com uma decis\u00e3o individual, mas \u00e9 como a nossa sociedade estrutura esse trabalho e como isso \u00e9 uma marca da escravid\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa para Bianca que, ap\u00f3s o fim da escravid\u00e3o, o Estado n\u00e3o tenha feito nenhum tipo de repara\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra. \u201cA aboli\u00e7\u00e3o foi agora um \u2018voc\u00eas est\u00e3o livres para morrer de fome nas sarjetas\u2019. Al\u00e9m disso, uma s\u00e9rie de outras leis depois, como o encarceramento, o exterm\u00ednio que existe at\u00e9 hoje.\u201d Pol\u00edticas que s\u00e3o refor\u00e7as no conjunto de medidas penais do pacote anticrime, proposto pelo ministro da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, Sergio Moro.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem nada de combate ao crime, \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, \u00e9 um pacote de encarceramento, de exterm\u00ednio, de aprimorar aquilo que o Estado brasileiro faz muito bem desde sempre\u201d, contesta a jornalista, acrescentando que todo esse processo ajuda a explicar a pris\u00e3o da ativista na luta por moradia Preta Ferreira, al\u00e9m da persegui\u00e7\u00e3o e do racismo que sofrem as religi\u00f5es de matrizes afro-brasileiras. \u201c\u00c9 uma segrega\u00e7\u00e3o que ocorre at\u00e9 hoje.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda hoje, boa parte do sistema de ensino brasileiro n\u00e3o consegue discutir o verdadeiro papel da escravid\u00e3o no pa\u00eds e tampouco d\u00e1 o real valor para a resist\u00eancia dos oprimidos. 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