{"id":23761,"date":"2019-09-05T13:54:12","date_gmt":"2019-09-05T17:54:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=23761"},"modified":"2019-09-05T13:54:12","modified_gmt":"2019-09-05T17:54:12","slug":"metade-da-amazonia-sem-protecao-tem-81-das-queimadas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/09\/05\/metade-da-amazonia-sem-protecao-tem-81-das-queimadas\/","title":{"rendered":"METADE DA AMAZ\u00d4NIA SEM PROTE\u00c7\u00c3O TEM 81% DAS QUEIMADAS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"23762\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/09\/05\/metade-da-amazonia-sem-protecao-tem-81-das-queimadas\/a19c4b6a-cf7c-4f97-9e65-6c81fa2df935\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/A19C4B6A-CF7C-4F97-9E65-6C81FA2DF935.jpeg?fit=1200%2C691\" data-orig-size=\"1200,691\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"A19C4B6A-CF7C-4F97-9E65-6C81FA2DF935\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/A19C4B6A-CF7C-4F97-9E65-6C81FA2DF935.jpeg?fit=300%2C173\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/A19C4B6A-CF7C-4F97-9E65-6C81FA2DF935.jpeg?fit=600%2C346\" class=\"alignnone size-full wp-image-23762\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/A19C4B6A-CF7C-4F97-9E65-6C81FA2DF935.jpeg?resize=600%2C346\" alt=\"A19C4B6A-CF7C-4F97-9E65-6C81FA2DF935\" width=\"600\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/A19C4B6A-CF7C-4F97-9E65-6C81FA2DF935.jpeg?w=1200 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/A19C4B6A-CF7C-4F97-9E65-6C81FA2DF935.jpeg?resize=300%2C173 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/A19C4B6A-CF7C-4F97-9E65-6C81FA2DF935.jpeg?resize=768%2C442 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/A19C4B6A-CF7C-4F97-9E65-6C81FA2DF935.jpeg?resize=1024%2C590 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/A19C4B6A-CF7C-4F97-9E65-6C81FA2DF935.jpeg?resize=521%2C300 521w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Revista Piau\u00ed &#8211; De janeiro a agosto deste ano, per\u00edodo com recorde de queimadas na Amaz\u00f4nia, a metade menos protegida do bioma registrou 81% dos focos de fogo identificados por sat\u00e9lites. Dessa metade fazem parte as terras privadas, griladas ou ocupadas por assentamentos. J\u00e1 a metade preservada em territ\u00f3rios ind\u00edgenas, \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental ou de conserva\u00e7\u00e3o registrou 19% dos inc\u00eandios, atuando como um escudo contra a devasta\u00e7\u00e3o da floresta. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo Ipam, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia \u2013 organiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o governamental que atua na regi\u00e3o desde 1995. <!--more--><\/p>\n<p>O Ipam constatou que 33% dos focos de fogo ocorreram em propriedades rurais privadas \u2013 que, em extens\u00e3o territorial, representam 18% do bioma. Outros 20% dos pontos de fogo est\u00e3o em florestas p\u00fablicas n\u00e3o-destinadas, como s\u00e3o chamadas terras p\u00fablicas de destino ainda indefinido e que, na pr\u00e1tica, acabam se transformando em terra de ningu\u00e9m, alvo f\u00e1cil de grilagem. Esse tipo de \u00e1rea corresponde a mais 15% da Amaz\u00f4nia. Os assentamentos de reforma agr\u00e1ria tiveram 18% dos focos de inc\u00eandio, apesar de ocuparem apenas 8% das terras da regi\u00e3o. Mais 10% das queimadas ocorreram em \u00e1reas sem cadastro, ou seja, cuja situa\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria se desconhece, porque faltam registros. <\/p>\n<p>O munic\u00edpio de Novo Progresso, no Par\u00e1, \u00e9 um dos melhores retratos da concentra\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios em \u00e1reas n\u00e3o protegidas. Quanto mais distante de \u00e1reas privadas, menor foi a chance de a floresta amaz\u00f4nica ser consumida pelo fogo. As propriedades rurais est\u00e3o concentradas \u00e0s margens da BR-163. S\u00e3o 190 quil\u00f4metros de comprimento e cerca de 60 de largura, formando uma mancha de queimadas que lembra uma espinha de peixe. \u00c9 exatamente neste trecho que foi registrada a maioria dos focos de inc\u00eandio no munic\u00edpio. Outra parte das queimadas ocorreu na Floresta Nacional de Jamanxim, \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o criada em 2006, justamente no trecho que se avizinha das propriedades rurais. <\/p>\n<p>Juntas, propriedades privadas, florestas p\u00fablicas n\u00e3o-destinadas, assentamentos e \u00e1reas sem cadastro correspondem a metade da Amaz\u00f4nia. Nelas est\u00e3o oito de cada dez focos de inc\u00eandio e nove de cada dez hectares desmatados em 2019. J\u00e1 na metade mais protegida da floresta, as unidades de conserva\u00e7\u00e3o registraram 7% dos focos de fogo, terras ind\u00edgenas, 6%, e \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental, onde pode haver ocupa\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica limitada, tamb\u00e9m 6% \u2013 apesar de terem apenas um sexto do tamanho das \u00e1reas ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>De 1\u00ba de janeiro a 29 de agosto deste ano, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectou 45 mil focos de calor na Amaz\u00f4nia \u2013 o maior n\u00famero registrado desde 2010. No mesmo per\u00edodo, o sistema Deter, tamb\u00e9m do Inpe, registrou indicativos de desmatamento em 6,38 mil quil\u00f4metros quadrados da regi\u00e3o, equivalente a quatro vezes a cidade de S\u00e3o Paulo \u2013 os n\u00fameros s\u00e3o considerados subestimados, j\u00e1 que o Deter n\u00e3o estima com precis\u00e3o a \u00e1rea desmatada.<\/p>\n<p>Para saber onde acontecem as queimadas, o Ipam sobrep\u00f4s o mapa dos focos de inc\u00eandio identificados por sat\u00e9lite a mapas do uso da terra em toda a Amaz\u00f4nia, como o Cadastro Ambiental Rural, que identifica propriedades privadas, e os limites de unidades de conserva\u00e7\u00e3o ambiental, territ\u00f3rios ind\u00edgenas, projetos de assentamento e florestas n\u00e3o destinadas. \u201cO que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o aumento de mais de 120% nos inc\u00eandios nas \u00e1reas de floresta n\u00e3o-destinada. Isso mostra que h\u00e1 um processo de grilagem e de ilegalidade associado ao fogo na Amaz\u00f4nia\u201d, diz Ane Alencar, uma das autoras do estudo. <\/p>\n<p>\u201cOutro n\u00famero que refor\u00e7a que o aumento das queimadas est\u00e1 relacionado ao desmatamento \u00e9 que 33% delas ocorreram em \u00e1reas de propriedade privada. Isso demonstra claramente que s\u00e3o inc\u00eandios relacionados \u00e0 abertura de novas \u00e1reas para o processo produtivo\u201d, completa Alencar. Por lei, as propriedades privadas tamb\u00e9m t\u00eam uma \u00e1rea que tem que ser preservada, chamada de reserva legal \u2013 o que chama ainda mais aten\u00e7\u00e3o para a concentra\u00e7\u00e3o de focos de queimadas em \u00e1reas particulares.<\/p>\n<p>Jer\u00f4nimo Sansevero, professor do Instituto de Florestas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), avalia que transformar as florestas n\u00e3o-destinadas em \u00e1reas protegidas poderia afastar grileiros e frear a devasta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m opina que seria poss\u00edvel punir casos de queimada irregular em propriedades privadas. \u201cO governo sabe quem \u00e9 o dono. Quando as pessoas est\u00e3o deliberadamente queimando a pr\u00f3pria terra, \u00e9 quase uma prova de que acham que n\u00e3o v\u00e3o ser punidas. Podem pensar: \u2018j\u00e1 que o presidente diz que a gente tem que usar a terra, eu n\u00e3o vou sofrer multa, vamos l\u00e1\u2019\u201d, continua Sansevero.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que acontece com os inc\u00eandios florestais em pa\u00edses de clima temperado como os Estados Unidos, a vegeta\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica n\u00e3o evoluiu atrav\u00e9s do tempo convivendo com os efeitos do fogo. N\u00e3o est\u00e1 propensa a se regenerar ap\u00f3s uma queimada, como acontece com a do Cerrado. Outra diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao Cerrado \u00e9 que, na Amaz\u00f4nia, todas as queimadas s\u00e3o provocadas pelo homem. O in\u00edcio do fogo \u00e9 sempre resultado da a\u00e7\u00e3o humana. Em per\u00edodos de seca mais intensa, as chamas podem se propagar com mais facilidade.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os dados revelados pelo Ipam indicam que a alta de inc\u00eandios nos primeiros meses de 2019 n\u00e3o est\u00e1 relacionada a condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u2013 se estivesse, a tend\u00eancia seria que o fogo se espalhasse mais facilmente pelos diferentes tipos de territ\u00f3rio, em vez de ficar concentrado nas \u00e1reas privadas. Al\u00e9m disso, no final de agosto, o Ipam tamb\u00e9m mostrou que h\u00e1 forte correla\u00e7\u00e3o entre o crescimento do desmatamento e o aumento de focos de inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia em 2019. A estiagem, por sua vez, est\u00e1 mais fraca este ano. \u201cEsta concentra\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios florestais em \u00e1reas rec\u00e9m-desmatadas e com estiagem branda representa um forte indicativo do car\u00e1ter intencional do inc\u00eandios: limpeza de \u00e1reas rec\u00e9m-desmatadas\u201d, cita o estudo. <\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"23763\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/09\/05\/metade-da-amazonia-sem-protecao-tem-81-das-queimadas\/d1d63421-be77-413d-9bac-84e46b0c96c4\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/D1D63421-BE77-413D-9BAC-84E46B0C96C4.jpeg?fit=1200%2C849\" data-orig-size=\"1200,849\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"D1D63421-BE77-413D-9BAC-84E46B0C96C4\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/D1D63421-BE77-413D-9BAC-84E46B0C96C4.jpeg?fit=300%2C212\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/D1D63421-BE77-413D-9BAC-84E46B0C96C4.jpeg?fit=600%2C424\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/D1D63421-BE77-413D-9BAC-84E46B0C96C4.jpeg?resize=600%2C425\" alt=\"D1D63421-BE77-413D-9BAC-84E46B0C96C4\" width=\"600\" height=\"425\" class=\"alignnone size-full wp-image-23763\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/D1D63421-BE77-413D-9BAC-84E46B0C96C4.jpeg?w=1200 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/D1D63421-BE77-413D-9BAC-84E46B0C96C4.jpeg?resize=300%2C212 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/D1D63421-BE77-413D-9BAC-84E46B0C96C4.jpeg?resize=768%2C543 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/D1D63421-BE77-413D-9BAC-84E46B0C96C4.jpeg?resize=1024%2C724 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/D1D63421-BE77-413D-9BAC-84E46B0C96C4.jpeg?resize=424%2C300 424w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Os dez munic\u00edpios amaz\u00f4nicos que mais tiveram focos de inc\u00eandios (37% do total) foram tamb\u00e9m os que mais registraram derrubada de floresta (43% da \u00e1rea desmatada na Amaz\u00f4nia). Novo Progresso est\u00e1 nessa lista. Entre janeiro e julho, foram derrubados 68 quil\u00f4metros quadrados de floresta no munic\u00edpio \u2013 equivalente a mais de quarenta Parques do Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo. J\u00e1 o n\u00famero de focos de fogo se aproxima de dois mil, segundo registros feitos pelos sat\u00e9lites Aqua, da Nasa, usados como refer\u00eancia pelo Inpe. <\/p>\n<p>O auge das queimadas em Novo Progresso ocorreu entre 10 e 13 de agosto, quando foram registrados 30% dos casos do ano. O crescimento de focos de inc\u00eandio nesse per\u00edodo foi um desdobramento do \u201cDia do Fogo\u201d, em 10 de agosto, quando focos de inc\u00eandio se espalharam pela floresta. A a\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 sendo investigada pela Pol\u00edcia Federal (PF) e pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), seria uma demonstra\u00e7\u00e3o de apoio dos fazendeiros locais ao presidente Jair Bolsonaro. Desde julho Bolsonaro enfrentava uma queda de bra\u00e7o com o Inpe, cujos dados apontavam para um grande aumento no desmatamento da Amaz\u00f4nia. A disputa terminou com a exonera\u00e7\u00e3o de Ricardo Galv\u00e3o, que presidia a institui\u00e7\u00e3o, em 7 de agosto.<\/p>\n<p>Em vez de ajudar Bolsonaro, por\u00e9m, as queimadas corroboraram os dados do Inpe e geraram uma crise ambiental internacional. O jornalista Ad\u00e9cio Piran, no jornal Folha do Progresso, publicado na pr\u00f3pria cidade de Novo Progresso, revelou os planos do \u201cDia do Fogo\u201d. Depois disso, passou a sofrer amea\u00e7as oriundas do grupo de WhatsApp \u201cDireita Unida Renovada\u201d, segundo investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Civil do Par\u00e1. <\/p>\n<p>Enquanto isso, Bolsonaro continuou a erguer cortinas de fuma\u00e7a. Primeiro, levantou suspeitas sem provas contra ONGs, dizendo que poderiam estar por tr\u00e1s da alta de queimadas. Depois, recusou parte do dinheiro internacional oferecido como ajuda. Por fim, reuniu governadores da regi\u00e3o amaz\u00f4nica e disparou contra terras ind\u00edgenas, uma das poucas \u00e1reas que resistem \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o ambiental. J\u00e1 se confiasse em sat\u00e9lites e bases de dados, o presidente poderia redirecionar suas mensagens para o principal foco do inc\u00eandio, ou seja, os propriet\u00e1rios de terra e grileiros. \u201cO Brasil gera muita informa\u00e7\u00e3o boa, tem cientistas excelentes. N\u00e3o usar esse ativo \u00e9 uma insanidade. Mas, do relat\u00f3rio t\u00e9cnico at\u00e9 a pol\u00edtica, muitas vezes isso se perde\u201d, lamenta Sansevero, da UFRRJ.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Piau\u00ed &#8211; De janeiro a agosto deste ano, per\u00edodo com recorde de queimadas na Amaz\u00f4nia, a metade menos protegida do bioma registrou 81% dos focos de fogo identificados por sat\u00e9lites. 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