{"id":23865,"date":"2019-09-11T11:55:24","date_gmt":"2019-09-11T15:55:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=23865"},"modified":"2019-09-11T12:21:17","modified_gmt":"2019-09-11T16:21:17","slug":"paulo-barreto-bolsonaro-brigar-com-os-dados-nao-vai-enganar-o-resto-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/09\/11\/paulo-barreto-bolsonaro-brigar-com-os-dados-nao-vai-enganar-o-resto-do-mundo\/","title":{"rendered":"Paulo Barreto: \u201cBolsonaro brigar com os dados n\u00e3o vai enganar o resto do mundo\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"td-post-featured-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"entry-thumb td-animation-stack-type0-2\" title=\"paulo-barreto-bolsonaro-brigar-com-os-dados-nao-vai-enganar-o-resto-do-mundo-img2-1600x1067.jpg\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/paulo-barreto-bolsonaro-brigar-com-os-dados-nao-vai-enganar-o-resto-do-mundo-img2-1600x1067-1-696x464.jpg?resize=600%2C400\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" srcset=\"http:\/\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/paulo-barreto-bolsonaro-brigar-com-os-dados-nao-vai-enganar-o-resto-do-mundo-img2-1600x1067-1-696x464.jpg 696w, http:\/\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/paulo-barreto-bolsonaro-brigar-com-os-dados-nao-vai-enganar-o-resto-do-mundo-img2-1600x1067-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/paulo-barreto-bolsonaro-brigar-com-os-dados-nao-vai-enganar-o-resto-do-mundo-img2-1600x1067-1-768x512.jpg 768w, http:\/\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/paulo-barreto-bolsonaro-brigar-com-os-dados-nao-vai-enganar-o-resto-do-mundo-img2-1600x1067-1-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/paulo-barreto-bolsonaro-brigar-com-os-dados-nao-vai-enganar-o-resto-do-mundo-img2-1600x1067-1-1068x712.jpg 1068w, http:\/\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/paulo-barreto-bolsonaro-brigar-com-os-dados-nao-vai-enganar-o-resto-do-mundo-img2-1600x1067-1-630x420.jpg 630w, http:\/\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/paulo-barreto-bolsonaro-brigar-com-os-dados-nao-vai-enganar-o-resto-do-mundo-img2-1600x1067-1.jpg 1600w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/div>\n<div class=\"td-paragraph-padding-0\"><\/div>\n<p>Pesquisador do Imazon avalia que \u201cs\u00e3o paliativas\u201d a\u00e7\u00f5es do governo contra queimadas; entre 2012 e 2018, a taxa de desmatamento na regi\u00e3o aumentou 71%<!--more--><br \/>\nA vulnerabilidade aumentou na Amaz\u00f4nia, e a amea\u00e7a acontece em todo lugar.<br \/>\nO desmatamento est\u00e1 fortemente associado \u00e0s queimadas.<br \/>\nO problema da grilagem \u00e9 o desmatamento especulativo: desmata-se esperando a regulariza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPrimeiro vem a retirada da cobertura vegetal. Depois, \u00e9 aceso o fogo para limpar o solo e deix\u00e1-lo pronto para o pasto. Essas chamas frequentemente extravasam as \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o, mas o que faz com que a fauna e a flora amaz\u00f4nica se reduzam \u00e0s cinzas; no entanto, \u00e9 outro processo econ\u00f4mico envolvendo o desmatamento: a extra\u00e7\u00e3o de madeira em florestas nativas. O processo deixa troncos e galhos secos no solo, al\u00e9m de expandir a entrada de luz solar entre as copas das \u00e1rvores. Com isso, o bioma fica mais seco do que o normal e mais propenso a queimar. Associadas ao aquecimento global \u2014 que tamb\u00e9m \u00e9 estimulado pelo desmatamento \u2014, as secas naturais da Amaz\u00f4nia se tornam mais intensas.<\/p>\n<p>Segundo Paulo Barreto, pesquisador s\u00eanior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon), essa \u00e9 a receita para os inc\u00eandios amaz\u00f4nicos dos \u00faltimos meses. O pesquisador recebeu a reportagem da Ag\u00eancia P\u00fablica em seu escrit\u00f3rio em Bel\u00e9m do Par\u00e1 para explicar a tend\u00eancia de aumento do desmatamento no pa\u00eds desde 2012 e quais os fatores reais por tr\u00e1s dos queimadas. Para ele, a disputa de narrativas e a \u201cbriga com os dados\u201d protagonizada por Bolsonaro \u201cn\u00e3o v\u00e3o colar\u201d. \u201cTodo mundo monitora, as pessoas t\u00eam acesso aos dados\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do governo federal, Barreto cita, na disputa de narrativa, a postura de governos estaduais, como o do Acre, que teve um aumento de 300% no desmatamento nesse \u00faltimo ano. \u201cO Acre tem hist\u00f3rico de governos mais preocupados com a floresta, mas esse atual governador [Gladson de Lima Cameli] foi gravado recentemente dizendo que, se os produtores \u2018forem multados, n\u00e3o \u00e9 para pagar\u2019, e que, \u2018se multarem\u2019, era para os ruralistas avis\u00e1-lo. Ou seja, o governador teve uma a\u00e7\u00e3o muito clara contra a conserva\u00e7\u00e3o. \u00c9 um caso interessante, em que fica claro o papel do governo estadual no aumento do desmatamento\u201d, diz.<\/p>\n<p>Barreto avalia que o problema da grilagem \u00e9 o desmatamento especulativo. \u201cDesmata-se esperando a regulariza\u00e7\u00e3o mais para frente. Ent\u00e3o, com esse conjunto, entre 2012 e 2018, a taxa de desmatamento aumentou 71%\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Um dos maiores pesquisadores do pa\u00eds sobre Amaz\u00f4nia n\u00e3o tem d\u00favidas: o problema do desmatamento est\u00e1 aumentando e h\u00e1 uma tentativa do governo de minimizar o significado disso. \u201cSabemos que nesse ano tivemos mais fogo do que nos anos anteriores\u201d, afirma. A seguir, os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p>Julia Dolce\/Ag\u00eancia P\u00fablica<br \/>\nDe acordo com Paulo Barreto, pesquisador s\u00eanior do Imazon, a partir de 2012 o desmatamento come\u00e7ou a aumentar na Amaz\u00f4nia<br \/>\nPodemos afirmar que as chamas costumam seguir o rastro do desmatamento?<\/p>\n<p>O desmatamento, necessariamente, tem envolvimento com a queimada. Desmatam e depois, para limpar o solo de todo o material que est\u00e1 ali, queimam. Na Amaz\u00f4nia, 80% da \u00e1rea em uso agropecu\u00e1rio \u00e9 para pasto, mas qualquer tipo de produ\u00e7\u00e3o envolve fogo. Ent\u00e3o, sim, o desmatamento est\u00e1 fortemente associado \u00e0 queimada. Por\u00e9m, al\u00e9m do desmatamento, h\u00e1 outra condi\u00e7\u00e3o que leva o fogo a se espalhar para al\u00e9m da \u00e1rea que querem limpar, entrando em florestas ao redor. H\u00e1 muitas florestas degradadas na Amaz\u00f4nia, o que tem muito a ver com extra\u00e7\u00e3o de madeira, feita sem cuidado. Essa floresta aberta \u00e9 danificada, cheia de \u00e1rvores mortas, galhos, e com essa abertura entra muito sol no interior da floresta, o que n\u00e3o \u00e9 comum na floresta nativa, e todo o material fica bastante inflam\u00e1vel. Com o aquecimento global e o ar seco, isso se torna mais grave. O fogo acaba se espalhando pelas \u00e1reas de florestas degradadas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, h\u00e1 o uso agropecu\u00e1rio como fonte, e o fogo associado, mas ao lado a extra\u00e7\u00e3o de madeira predat\u00f3ria tamb\u00e9m contribui. Esse fogo de origem do desmatamento tamb\u00e9m pode escapar para \u00e1reas de pasto e de agricultura. Ent\u00e3o, a origem do fogo tem a ver com a limpeza e desmatamento, mas pode se espalhar. Isso \u00e9 o principal, mas em algumas \u00e1reas urbanas algu\u00e9m pode tacar fogo no lixo e isso acaba se espalhando, ou em estradas pode ter origem em bitucas de cigarro, mas nenhum desses casos vai ter tanto material para queimar quando a origem \u00e9 no desmatamento.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o uma floresta intacta estaria menos suscet\u00edvel de queimar?<\/p>\n<p>O risco seria bem pequeno. Agora, nesses \u00faltimos anos, com o aquecimento global, v\u00e1rias secas extraordin\u00e1rias est\u00e3o acontecendo. Aconteceu em 2005, 2010 e 2016. Com isso, mesmo florestas intactas tiveram muita mortalidade de \u00e1rvores. A \u00e1rvore tem recursos para aguentar a seca, mas a partir de determinado ponto ela morre por falta de \u00e1gua. H\u00e1 estudos mostrando uma alta mortalidade por conta da seca, mesmo sem a extra\u00e7\u00e3o de madeira. Ent\u00e3o, mesmo uma floresta nativa j\u00e1 est\u00e1 ficando suscet\u00edvel ao fogo tamb\u00e9m, um fen\u00f4meno mais novo.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria intensidade das secas \u00e9 uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica que pode ser associada ao agroneg\u00f3cio e ao desmatamento do bioma amaz\u00f4nico?<\/p>\n<p>Tem uma \u00e9poca do ano que fica mais seco, isso tem se agravado, e h\u00e1 estudos que mostram que, por causa do desmatamento, com o aquecimento global, dentro da Amaz\u00f4nia e regi\u00f5es com alto \u00edndice hist\u00f3rico de \u00e1reas de desmatamento, o clima t\u00eam ficado mais seco. A\u00ed \u00e9 o desmatamento causado pela pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Setembro costuma ser o m\u00eas de maior seca e, consequentemente, de piores queimadas? Ainda vamos atingir um pico de queimadas na Amaz\u00f4nia?<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil projetar porque, agora com o Ex\u00e9rcito, n\u00e3o sei se vamos chegar no n\u00edvel m\u00e1ximo comparado aos outros anos. A presen\u00e7a do Ex\u00e9rcito \u00e9 algo extraordin\u00e1rio e pode ter uma influ\u00eancia no controle das queimadas. Sabemos que nesse ano tivemos mais fogo do que nos anos anteriores. Agora, quanto ainda ser\u00e1 queimado, n\u00e3o tem como saber. Mas agosto e setembro s\u00e3o meses em que costuma haver mais inc\u00eandios.<\/p>\n<p>Em julho, o Imazon publicou um boletim que traz o dado do aumento de 15% no desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal entre agosto de 2018 e julho de 2019 em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. A que se deve esse aumento?<\/p>\n<p>\u00c9 importante entender o hist\u00f3rico do desmatamento para se chegar agora no conjunto da obra. Entre 2005 e 2012, o governo tomou v\u00e1rias provid\u00eancias que reduziram o desmatamento. De 2012 para frente, o pr\u00f3prio governo, pressionado ou em parceria com o agroneg\u00f3cio, fez v\u00e1rias mudan\u00e7as no que estava funcionando. Houve o perd\u00e3o do desmatamento ilegal, com a mudan\u00e7a no C\u00f3digo Florestal, e isso foi um fator-chave, porque no Brasil todo isso significou o perd\u00e3o de 40 milh\u00f5es de hectares em \u00e1reas desmatadas, que poderiam ser restauradas e n\u00e3o foram. Isso deu um grau de impunidade muito grande.<\/p>\n<p>De 2012 para frente, come\u00e7ou a subir o desmatamento. Junto a isso, o governo, al\u00e9m de perdoar o desmatamento, reduziu algumas unidades de conserva\u00e7\u00e3o, em parte por press\u00e3o do agroneg\u00f3cio, mas tamb\u00e9m por infraestrutura. Havia programas de cria\u00e7\u00e3o de algumas hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia, algumas que acabariam inundando partes de unidades de conserva\u00e7\u00e3o; ent\u00e3o, para prevenir a necessidade de licenciamento ambiental nessas \u00e1reas, o governo acabou, por medida provis\u00f3ria votada no Congresso, reduzindo essas unidades. Isso continuou no governo de Michel Temer, sendo que ele adicionou a isso uma medida que facilitou a regulariza\u00e7\u00e3o da grilagem. O problema da grilagem \u00e9 o desmatamento especulativo: desmata-se esperando a regulariza\u00e7\u00e3o mais para frente. Ent\u00e3o, com esse conjunto, entre 2012 e 2018, a taxa de desmatamento aumentou 71%. O governo novo acelera isso, porque j\u00e1 desde a elei\u00e7\u00e3o, at\u00e9 antes de tomar posse, Bolsonaro j\u00e1 tinha esse discurso muito agressivo contra todo o setor ambiental, chamando o Ibama de f\u00e1brica de multas. Agora h\u00e1 um conjunto de medidas que foram agravadas nesse \u00faltimo governo.<\/p>\n<p>O senhor fez uma publica\u00e7\u00e3o alegando que entre 2005 e 2012 o Brasil reduziu o desmatamento ao mesmo tempo que houve um crescimento da economia rural na Amaz\u00f4nia. Qual eram as medidas adotadas no per\u00edodo que n\u00e3o s\u00e3o mais postas em pr\u00e1tica?<\/p>\n<p>Houve melhorias na aplica\u00e7\u00e3o das leis de crimes ambientais, principalmente na aplica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de penas. O governo faz fiscaliza\u00e7\u00e3o e aplica multas, mas o pessoal n\u00e3o paga. Ent\u00e3o o governo come\u00e7ou a confiscar bens, at\u00e9 destruir equipamentos, colocando fogo em tratores etc. E tamb\u00e9m casos de confisco de gado. Teve uma opera\u00e7\u00e3o chamada Boi Pirata, que ficou muito conhecida porque confiscaram 3 mil cabe\u00e7as de gado dentro de uma esta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica no Par\u00e1 e conseguiram leiloar o gado rapidamente. Apesar de muita press\u00e3o dos fazendeiros para barrar esse leil\u00e3o, em termos de aplica\u00e7\u00e3o de lei foi muito r\u00e1pido. Teve casos de madeira que tamb\u00e9m foi leiloada. Ent\u00e3o, em compara\u00e7\u00e3o ao passado, quando eram emitidas multas n\u00e3o cobradas, essas medidas foram muito eficientes. No caso de S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu, onde teve a apreens\u00e3o do gado, o desmatamento rapidamente caiu em 75%. H\u00e1 v\u00e1rias evid\u00eancias do sucesso disso.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m criou \u00e1reas protegidas, terras ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o, uma sequ\u00eancia de a\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m impactou na redu\u00e7\u00e3o do desmatamento. Outra medida foi a barragem de cr\u00e9dito rural para quem n\u00e3o estava cumprindo a legisla\u00e7\u00e3o. O cr\u00e9dito rural subsidiado criava uma margem de que era interessante desmatar para ter acesso ao cr\u00e9dito barato. A gente fez um estudo mostrando que, quando teve uma crise de desmatamento no final de 2007 \u2013 \u00e9poca do ex-presidente Lula \u2013, se convocou o Banco Central e o Minist\u00e9rio da Fazenda para tratar desse assunto logo depois que a gente publicou o material. O pessoal que trabalhava com a Marina Silva [ent\u00e3o ministra do Meio Ambiente] de fato editou uma resolu\u00e7\u00e3o no Conselho Monet\u00e1rio Nacional que barrava o cr\u00e9dito. Ent\u00e3o, de fato, teve efeito na redu\u00e7\u00e3o do desmatamento. Em resumo, foi a aplica\u00e7\u00e3o da lei, a barragem de cr\u00e9dito e as unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Teve um ponto adicional que foi uma campanha do Greenpeace contra a soja produzida em terras ilegais, que tamb\u00e9m teve um efeito. Ent\u00e3o foi um conjunto de medidas do poder p\u00fablico e mais esse tipo de campanha ambiental.<\/p>\n<p>Muitas san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e impactos diretos nos produtores, ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Sim, basicamente um efeito concreto na economia, seja pela multa ou pela restri\u00e7\u00e3o de mercado, ou, no caso de terra, quando o governo cria reservas e fica claro que, se aquilo for ocupado ilegalmente, depois n\u00e3o haver\u00e1 como vender a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Instituto Socioambiental<br \/>\nSegundo o pesquisador, o desmatamento na Amaz\u00f4nia est\u00e1 aumentando e h\u00e1 uma tentativa do governo em minimizar a gravidade da situa\u00e7\u00e3o<br \/>\nAs queimadas est\u00e3o causando conflitos diplom\u00e1ticos, como as discuss\u00f5es entre Macron e Bolsonaro, o que tem suscitado a argumenta\u00e7\u00e3o, por parte do governo e seus apoiadores, de que h\u00e1 uma campanha contra a produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio brasileiro, devido \u00e0s amea\u00e7as de boicote. O que o senhor pensa sobre tais boicotes e sobre os setores ruralistas que acreditam que exista uma campanha difamat\u00f3ria?<\/p>\n<p>O boicote tem um efeito, as pessoas temem perder mercado. No caso da soja, foi interessante porque foi um boicote direcionado a um recorte temporal. N\u00e3o era sobre n\u00e3o comprar mais soja do Brasil, mas de \u00e1reas desmatadas ap\u00f3s 2006. Um estudo que fizemos mostrou, at\u00e9 2006 em m\u00e9dia, que cerca de um ter\u00e7o das produ\u00e7\u00f5es de soja ocupava \u00e1reas recentemente desmatadas. Com a morat\u00f3ria da soja, isso caiu rapidamente e mostrou que, alguns anos depois, s\u00f3 3% da soja produzida na Amaz\u00f4nia era de \u00e1reas de desmatamentos recentes. Ent\u00e3o ficou muito claro o efeito. O Brasil n\u00e3o deixou de produzir soja na Amaz\u00f4nia, mas as pessoas passaram a produzir em \u00e1reas j\u00e1 desmatadas. Ent\u00e3o o boicote pode mudar rapidamente o comportamento.<\/p>\n<p>Com essa aten\u00e7\u00e3o internacional \u00e0s queimadas, veio como rea\u00e7\u00e3o forte, tamb\u00e9m, a cobran\u00e7a do movimento vegetariano\/vegano pela redu\u00e7\u00e3o do consumo de carne. Esse boicote do consumidor final tem for\u00e7a?<\/p>\n<p>Talvez a partir da cobran\u00e7a pelos consumidores algo de fato possa ser feito. Particularmente, vejo o consumidor com um papel fundamental nisso, n\u00e3o somente parando de comer carne, mas tendo um consumo consciente, querendo saber de onde vem seu consumo e cobrando das grandes redes. \u00c9 um trabalho em cadeia. As grandes redes de supermercado precisam do consumidor e a partir da\u00ed come\u00e7am campanhas, atividades, informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o tornadas p\u00fablicas. Os frigor\u00edficos j\u00e1 t\u00eam os TACs [Termos de Ajustamento de Conduta], mas podemos ter um alcance maior que vai al\u00e9m do veganismo e vegetarianismo. \u00c9 sobre cobrar qualidade, sa\u00fade.<\/p>\n<p>Voltando para os dados sobre desmatamento, em julho deste ano o aumento detectado em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano passado foi de 66%, sendo o Par\u00e1 o estado mais desmatado. Como essa fronteira agr\u00edcola se relaciona com interesses pol\u00edticos?<\/p>\n<p>Para explicar o caso do Par\u00e1, \u00e9 importante entender os componentes de risco de desmatamento. O primeiro \u00e9 a amea\u00e7a: ter algu\u00e9m disposto a desmatar porque vai ganhar dinheiro vendendo o produto ou vender a terra. O segundo \u00e9 o acesso, ent\u00e3o tem que ter transporte terrestre ou hidrovia. O terceiro \u00e9 a vulnerabilidade da \u00e1rea, ou seja, se h\u00e1 uma prote\u00e7\u00e3o legal e se ela \u00e9 efetiva, se h\u00e1 fiscaliza\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, se \u00e9 Terra Ind\u00edgena, tem uma prote\u00e7\u00e3o legal e, al\u00e9m do governo, t\u00eam os \u00edndios fiscalizando, o que torna aquela \u00e1rea menos vulner\u00e1vel. Nos \u00faltimos anos, a vulnerabilidade aumentou bastante na Amaz\u00f4nia inteira, e a amea\u00e7a pode acontecer em todo lugar. Mas no Par\u00e1 h\u00e1 dois agravantes que s\u00e3o obras de infraestrutura significativas: Belo Monte, que traz muita imigra\u00e7\u00e3o, e pode acelerar o desmatamento al\u00e9m das obras \u2013 ent\u00e3o \u00e9 um fator adicional \u2013, e o asfaltamento da BR-163 e a infraestrutura para escoar gr\u00e3os. Tudo isso facilita o acesso. No Par\u00e1, tamb\u00e9m tem muita terra devoluta, terra p\u00fablica de que o governo n\u00e3o est\u00e1 tomando conta, que est\u00e1 vulner\u00e1vel. O Mato Grosso, nos \u00faltimos anos, j\u00e1 est\u00e1 desmatando quase tudo que pode, ent\u00e3o h\u00e1 at\u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o de estoque. Mas no caso do Par\u00e1 esses componentes de infraestrutura t\u00eam um peso grande.<\/p>\n<p>Agora, \u00e9 interessante pensar o que aconteceu recentemente no Acre, que teve um aumento de 300% no desmatamento nesse \u00faltimo ano. O Acre tem hist\u00f3rico de governos mais preocupados com a floresta, mas esse atual governador [Gladson de Lima Cameli] foi gravado recentemente dizendo que, se os produtores \u201cforem multados, n\u00e3o \u00e9 para pagar\u201d, e que, \u201cse multarem\u201d, era para os ruralistas avis\u00e1-lo. Ou seja, o governador teve uma a\u00e7\u00e3o muito clara contra a conserva\u00e7\u00e3o. \u00c9 um caso interessante, em que fica claro o papel do governo estadual no aumento do desmatamento. E, naquela regi\u00e3o da tr\u00edplice fronteira do Acre, Rond\u00f4nia e Amazonas, os tr\u00eas governadores est\u00e3o se articulando para criar uma zona produtiva como o Matopiba, que \u00e9 uma zona onde o desmatamento explodiu. J\u00e1 est\u00e3o buscando apoio p\u00fablico para isso.<\/p>\n<p>Como voc\u00eas avaliam o plano de a\u00e7\u00e3o do governo para monitoramento e combate das queimadas nesse \u00faltimo m\u00eas? E tamb\u00e9m a efetividade do decreto que pro\u00edbe queimadas por 60 dias na Amaz\u00f4nia Legal?<\/p>\n<p>Uma vez que se derruba, v\u00e3o tacar fogo. Ent\u00e3o tem que prevenir. Tomar medidas para que os caras nem queiram desmatar. Claro que aplicar pena para quem j\u00e1 desmatou tem um fator que desestimula o desmatamento, mas se precisa trabalhar com essa preven\u00e7\u00e3o. O Brasil tem uma tradi\u00e7\u00e3o de impunidade. Tudo isso \u00e9 paliativo para lidar com essa situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia. Ent\u00e3o, \u00e9 bom que se tenha mandado os militares, mas n\u00e3o est\u00e1 anunciada ainda uma suposta for\u00e7a-tarefa para a Amaz\u00f4nia, ent\u00e3o n\u00e3o sabemos qual o plano para os pr\u00f3ximos anos. Uma estrat\u00e9gia preventiva teria que atuar no combate ao desmatamento ilegal que j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1, inclusive o que j\u00e1 foi multado e embargado. O governo tem um estoque de bilh\u00f5es em multas emitidas e n\u00e3o pagas, e esse governo criou uma comiss\u00e3o de concilia\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 mais um passo que dificulta a aplica\u00e7\u00e3o das penas. Ent\u00e3o, precisamos rever essas coisas e voltar \u00e0s medidas bem-sucedidas no passado, voltar para o TAC da pecu\u00e1ria, e ver como as empresas podem resolver isso. Outro elemento superimportante \u00e9 que o BNDES \u00e9 o s\u00f3cio principal da JBS, que \u00e9 o principal frigor\u00edfico atuando na Amaz\u00f4nia. Dentro do BNDES tem, tamb\u00e9m, o Fundo Amaz\u00f4nia, ent\u00e3o ele tem os elementos para a solu\u00e7\u00e3o, o dinheiro para ajudar na \u00e1rea ambiental e o dinheiro que vai para as empresas. O BNDES tem esse poder imenso, e at\u00e9 agora n\u00e3o est\u00e1 claro se ele vai utilizar esse poder ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s levantamos que a JBS tem 32 plantas na Amaz\u00f4nia. Mapeamos onde est\u00e3o os frigor\u00edficos e, a partir disso, a zona de potencial de compra de cada frigor\u00edfico, com base em conversas com as empresas sobre a dist\u00e2ncia m\u00e1xima de compra do gado. Com isso, conseguimos dizer at\u00e9 onde \u00e9 economicamente vi\u00e1vel comprar o gado e o que tem dentro desse territ\u00f3rio. Dentro dos territ\u00f3rios h\u00e1 muito desmatamento. Dado que eles n\u00e3o controlam o fornecedor direto, eles est\u00e3o contribuindo, sim, com o desmatamento. O total de risco de desmatamento da JBS \u00e9 o maior de todos, porque eles t\u00eam muitas plantas. O Brasil depende do produto ser vendido internamente e para fora, mas tamb\u00e9m depende do investimento de fora. A JBS \u00e9 listada na bolsa, v\u00e1rias outras tamb\u00e9m. Quando toda essa confus\u00e3o acontece, essas pessoas querem saber qual o problema, e, se o governo brasileiro n\u00e3o tomar as medidas efetivas, vai sair dinheiro. Ent\u00e3o, essa parte do risco financeiro muita gente n\u00e3o entende. O pessoal que depende de financiamento e \u00e9 mais engajado no mercado est\u00e1 muito preocupado, desesperado. J\u00e1 come\u00e7ou com a hist\u00f3ria do couro, as empresas anunciando que n\u00e3o v\u00e3o comprar couro brasileiro. Isso j\u00e1 \u00e9 um caso bem concreto que pode crescer se o governo n\u00e3o tomar as medidas que tem que tomar. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 apagar o fogo, \u00e9 pensar no plano para o ano que vem, porque as decis\u00f5es de investimento s\u00e3o a longo prazo.<\/p>\n<p>O que o chamado \u201cdia do fogo\u201d diz sobre a rela\u00e7\u00e3o e a postura do governo Bolsonaro, a partir de todas as declara\u00e7\u00f5es j\u00e1 feitas, inclusive a deslegitima\u00e7\u00e3o do Inpe?<\/p>\n<p>Esse caso revela a confian\u00e7a na impunidade e no discurso. Desde a elei\u00e7\u00e3o, as pessoas come\u00e7aram a nos ligar perguntando o que ia acontecer. Ainda n\u00e3o estava claro que haveria redu\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o etc., mas eu dizia que, independentemente de mudan\u00e7as nas pol\u00edticas, as declara\u00e7\u00f5es j\u00e1 eram motivadores para o desmatamento. Os analistas de mercado perguntavam as expectativas, e a postura de Bolsonaro muda as expectativas antes mesmo de mudar as regras. Ent\u00e3o o discurso j\u00e1 \u00e9 parte da mudan\u00e7a, e os ruralistas entendem isso muito claramente, que a mar\u00e9 est\u00e1 favor\u00e1vel para eles.<\/p>\n<p>Como a posi\u00e7\u00e3o do governo de que as ONGs seriam respons\u00e1veis por parte das queimadas afeta o trabalho e a imagem dessas organiza\u00e7\u00f5es, inclusive do pr\u00f3prio Imazon?<\/p>\n<p>N\u00e3o ajuda. Mas \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o com v\u00e1rias consequ\u00eancias, uma delas \u00e9 reduzir a credibilidade do pr\u00f3prio governo, assim como a declara\u00e7\u00e3o sobre deslegitimar o Inpe [Instituto de Pesquisas Espaciais]. Isso teve um efeito devastador, foi uma virada, porque abala muito a credibilidade do governo e sua seriedade sobre resolver os problemas ambientais. Isso deixa o pa\u00eds vulner\u00e1vel. Em rela\u00e7\u00e3o aos ataques \u00e0s ONGS, n\u00f3s evitamos falar sobre, at\u00e9 pela nossa seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Como o fim do financiamento do Fundo Amaz\u00f4nia afeta voc\u00eas? Voc\u00eas acreditam que essa decis\u00e3o \u00e9 justa como press\u00e3o, pensando na falta de credibilidade do governo?<\/p>\n<p>O que existe em rela\u00e7\u00e3o ao fundo \u00e9 uma suspens\u00e3o. H\u00e1 um dinheiro que j\u00e1 est\u00e1 no Brasil. O fundo \u00e9 baseado em desempenho, ou seja, o Brasil recebeu o dinheiro por ter reduzido [o desmatamento] no ano passado; se o Brasil n\u00e3o reduzir no futuro, n\u00e3o haver\u00e1 dinheiro novo. Agora, eles suspenderam esses pacotes agora, porque o pagamento \u00e9 condicionado tamb\u00e9m \u00e0 governan\u00e7a, crit\u00e9rio que o governo queria mudar. Mas ainda havia um cr\u00e9dito a ser recebido. Ent\u00e3o, se n\u00e3o voltarem as regras, com o aumento do desmatamento ter\u00e1 menos dinheiro. Claro que isso vai afetar o que \u00e9 feito na Amaz\u00f4nia. Apesar de eles falarem muito das ONGs que recebem o Fundo Amaz\u00f4nia, 60% do dinheiro do fundo \u00e9 usado pelos governos municipais, estaduais e federal, ent\u00e3o afeta muito o desempenho. Mas com essa confus\u00e3o toda at\u00e9 os governos estaduais come\u00e7am a se opor. Ainda n\u00e3o h\u00e1 nada claro, o que tamb\u00e9m cria uma instabilidade. Sem dinheiro, vai depender do pr\u00f3prio governo usar dinheiro de or\u00e7amento, fundos privados etc.<\/p>\n<p>O governo insiste na normalidade das queimadas. Podemos dizer que realmente estamos em uma situa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria em termos de focos de queimada?<\/p>\n<p>J\u00e1 houve anos em que teve mais fogo, porque j\u00e1 houve anos em que o desmatamento foi maior. Em 1995 teve 29 mil km2 desmatados; o segundo maior foi 2004, quando teve 27 mil km2. A gente j\u00e1 chegou a 4.500 km2, que foi o mais baixo. Em alguns anos houve muito fogo apesar de n\u00e3o ter tido uma taxa alta de desmatamento, por conta da seca. Agora est\u00e1 em uma trajet\u00f3ria de aumento, especialmente comparado com o ano passado, mas n\u00e3o \u00e9 o maior de todos os tempos. Temos que entender a tend\u00eancia, o problema est\u00e1 aumentando e h\u00e1 uma tentativa do governo de minimizar o significado disso. \u00c9 a tal da disputa das narrativas, e essa narrativa de Bolsonaro, de brigar com os dados, \u00e9 muito ruim e n\u00e3o vai enganar o resto do mundo. As pessoas t\u00eam acesso aos dados, todo mundo monitora; ent\u00e3o brigar com isso n\u00e3o vai colar. Desde 2011, fazemos jornalismo investigativo independente e sem fins lucrativos. Nossas reportagens j\u00e1 conquistaram mais de 40 pr\u00eamios nacionais e internacionais e s\u00e3o reproduzidas livremente em mais de 700 ve\u00edculos do mundo todo. Nosso jornalismo \u00e9 pautado pela apura\u00e7\u00e3o rigorosa dos fatos e pela defesa intransigente dos direitos humanos. Se voc\u00ea acredita, como n\u00f3s, que esse tipo de jornalismo \u00e9 essencial para a democracia, colabore e nos ajude a produzir ainda mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador do Imazon avalia que \u201cs\u00e3o paliativas\u201d a\u00e7\u00f5es do governo contra queimadas; entre 2012 e 2018, a taxa de desmatamento na regi\u00e3o aumentou 71%<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-23865","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-6cV","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23865","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23865"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23865\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23867,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23865\/revisions\/23867"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23865"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23865"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23865"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}