{"id":24021,"date":"2019-09-24T06:49:15","date_gmt":"2019-09-24T10:49:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=24021"},"modified":"2019-09-24T06:49:15","modified_gmt":"2019-09-24T10:49:15","slug":"a-amazonia-pronta-para-servir-e-o-fim-da-amazonia-por-luis-fernando-novoa-garzon","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/09\/24\/a-amazonia-pronta-para-servir-e-o-fim-da-amazonia-por-luis-fernando-novoa-garzon\/","title":{"rendered":"A Amaz\u00f4nia pronta para servir \u00e9 o fim da Amaz\u00f4nia, por Luis Fernando Novoa Garzon"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"24022\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/09\/24\/a-amazonia-pronta-para-servir-e-o-fim-da-amazonia-por-luis-fernando-novoa-garzon\/fb788be1-ff4f-4ab9-96fd-8a012433680a\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/FB788BE1-FF4F-4AB9-96FD-8A012433680A.jpeg?fit=638%2C360\" data-orig-size=\"638,360\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"FB788BE1-FF4F-4AB9-96FD-8A012433680A\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/FB788BE1-FF4F-4AB9-96FD-8A012433680A.jpeg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/FB788BE1-FF4F-4AB9-96FD-8A012433680A.jpeg?fit=600%2C339\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/FB788BE1-FF4F-4AB9-96FD-8A012433680A.jpeg?resize=600%2C339\" alt=\"FB788BE1-FF4F-4AB9-96FD-8A012433680A\" width=\"600\" height=\"339\" class=\"alignnone size-full wp-image-24022\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/FB788BE1-FF4F-4AB9-96FD-8A012433680A.jpeg?w=638 638w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/FB788BE1-FF4F-4AB9-96FD-8A012433680A.jpeg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/FB788BE1-FF4F-4AB9-96FD-8A012433680A.jpeg?resize=532%2C300 532w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel abstrair a pilhagem da Amaz\u00f4nia do cen\u00e1rio de agudiza\u00e7\u00e3o da crise internacional, simultaneamente financeira e comercial.<!--more--><\/p>\n<p>No GGN<\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos 50 anos, a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, em sua por\u00e7\u00e3o brasileira, foi sendo acossada por din\u00e2micas de incorpora\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria: a) de car\u00e1ter governamental-geopol\u00edtico (Projeto de Integra\u00e7\u00e3o Nacional \u2013 PIN, Projeto Calha Norte, Sistema de Vigil\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia; b) de car\u00e1ter governamental-empresarial: Eixos Nacionais de Integra\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento \u2013 ENIDs, Implementa\u00e7\u00e3o de corredores de exporta\u00e7\u00e3o contidos no Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento \u2013 PAC e no Programa Integrado de Log\u00edsitica \u2013 PIL; c) de car\u00e1ter n\u00e3o-governamental e\/ou multilateral (Programa Piloto para Prote\u00e7\u00e3o das Florestas Tropicais \u2013 PPG7, Iniciativa para Conserva\u00e7\u00e3o da Bacia Amaz\u00f4nica \u2013 ABCI, entre outros). Essas din\u00e2micas invariavelmente menosprezaram encadeamentos econ\u00f4micos intrarregionais duradouros e compromissos com a singularidade cultural, com o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nida e  com o protagonismo das comunidades tradicionais.<\/p>\n<p>Esta pan\u00f3plia de iniciativas expressa distintos projetos, interesses, experi\u00eancias e imagin\u00e1rios. S\u00e3o \u201cAmaz\u00f4nias\u201d, como frisou Carlos Walter Porto-Gon\u00e7alves, que resultam do entrechoque e conviv\u00eancia de forma\u00e7\u00f5es sociais e espaciais diferenciadas: \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o, \u00e1reas de uso sustent\u00e1vel, reservas extrativistas, terras ind\u00edgenas, assentamentos rurais, terras de quilombos, \u00e1reas de posse tradicional de ribeirinhos e de agroextrativistas, \u00e1reas de posse recente de migrantes das \u00faltimas d\u00e9cadas,  territ\u00f3rios empresariais, pequenas e m\u00e9dias cidades, regi\u00f5es metropolitanas. N\u00e3o se trata aqui do arrolamento de diversidades territoriais fixadas, mas sim de identificar tens\u00f5es territoriais continuadas e que podem gerar desenlaces, seja em dire\u00e7\u00e3o a uma maior homogeneidade funcional-mercantil, seja em dire\u00e7\u00e3o a uma maior pluralidade socioecon\u00f4mica.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel abstrair a pilhagem da Amaz\u00f4nia do cen\u00e1rio de agudiza\u00e7\u00e3o da crise internacional, simultaneamente financeira e comercial. Acordos setoriais entre conglomerados de soja, carne, ferro e energia t\u00eam origem ou incid\u00eancia em constela\u00e7\u00f5es geoecon\u00f4micas e pol\u00edticas. O arroubos de Governos da Uni\u00e3o Europeia e advert\u00eancias do G7, sinalizando cortes de ajuda internacional e san\u00e7\u00f5es comerciais, evidenciam uma tentativa de reenquadramento dos estoques de capital natural dispon\u00edveis no mundo, contabilizados nos termos dos regimes clim\u00e1ticos do Acordo de Paris. A Uni\u00e3o Europeia, em seu Acordo com o Mercosul,  refor\u00e7a a especializa\u00e7\u00e3o regressiva do bloco em commodities, tendo a Amaz\u00f4nia como principal \u201cestoque\u201d, sem que haja qualquer tipo de proposi\u00e7\u00e3o para fazer compartilhar avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que seriam caracter\u00edsticos de uma \u201c4\u00aa revolu\u00e7\u00e3o industrial\u201d ou de uma \u201csociedade do conhecimento\u201d.<\/p>\n<p>Explora\u00e7\u00e3o incondicionada ou autorregulada parece ser o dilema permitido entre os que promovem ou admitem a instrumentaliza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. O que continua em jogo \u00e9 o livre tr\u00e2nsito para apropria\u00e7\u00f5es de riqueza em bloco, seja nos territ\u00f3rios, seja nos fundos p\u00fablicos. O sinal verde para devasta\u00e7\u00e3o negocia com o sinal amarelo as condicionalidades e salvaguardas para que a acumula\u00e7\u00e3o prossiga c\u00e9lere e esverdeada. \u00c9 muito barulho s\u00f3 para garantir minora\u00e7\u00e3o de danos ou para manter a obtusidade desse modelo dissimulada. <\/p>\n<p>O problema n\u00e3o s\u00e3o apropria\u00e7\u00f5es e privatiza\u00e7\u00f5es \u201cselvagens\u201d, mas civilizadas demais, por isso apresentadas como necess\u00e1rias e inevit\u00e1veis. O aumento vertiginoso do desmatamento seguido de queimadas na Amaz\u00f4nia, nos meses de julho e agosto de 2019, pode ser interpretado como um teste do que pode e do que n\u00e3o pode ser feito na regi\u00e3o. Como a concep\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a depende do n\u00edvel de tolerabilidade que vigore num dado arranjo societal, a toler\u00e2ncia frente \u00e0 injusti\u00e7a e os danos socioambientais se torna um exerc\u00edcio de renova\u00e7\u00e3o da desordem organizada. <\/p>\n<p>\u00c9 not\u00f3rio o estrago produzido por d\u00e9cadas de desregulamenta\u00e7\u00e3o dos setores especializados em recursos naturais, mas reverter esse desmanche est\u00e1 fora de pauta no pa\u00eds das commodities. No brinde e na rever\u00eancia aos investidores que sustentam o pa\u00eds pelo cangote, parece n\u00e3o haver diverg\u00eancia. Intercambiaram-se de tal modo os pap\u00e9is e fun\u00e7\u00f5es entre licenciadores e empreeendedores que j\u00e1 praticamente n\u00e3o se distinguem. Ao final, tem-se um bloco de poder interescalar m\u00f3vel, descolado e desaforado que \u00e9 resultante das alian\u00e7as entre segmentos de conglomerados em competi\u00e7\u00e3o e burocracias pol\u00edticas captur\u00e1veis. <\/p>\n<p> O arranjo territorial concebido para a regi\u00e3o como um mosaico de terras protegidas em meio de corredores de ocupa\u00e7\u00e3o que respeitassem o marco do zoneamento econ\u00f4mico-ecol\u00f3gico j\u00e1 n\u00e3o cabe nem mesmo como marco l\u00f3gico. O brutal ajuste espacial imposto \u00e0 Amaz\u00f4nia est\u00e1 agora sendo acompanhado por um \u201cajuste institucional\u201d que normaliza e programa a extin\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. <\/p>\n<p>A meta conjugada \u00e9 regularizar o vale-tudo para os setores dedicados a commodities com a varredura e sabotagem dos \u00faltimos intrumentos de efetiva\u00e7\u00e3o de direitos territoriais e de normativas ambientais. A Amaz\u00f4nia se tornou o palco preferencial de sacrif\u00edcios que servem para solidificar acordos entre esses agentes. Para converter a Amaz\u00f4nia em um n\u00e3o-lugar, guerra total e assim\u00e9trica n\u00e3o basta para descrever o que ser\u00e1 preciso. N\u00e3o vai ser poss\u00edvel calcular quanta dor se acumular\u00e1 nas dobras dos pr\u00f3ximos dias, meses, anos, para que finalmente terra e territ\u00f3rios nus se rendam, amortecidos, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria do agroneg\u00f3cio, da hidroeletricidade e da minera\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Exemplo disso \u00e9 o projeto Bar\u00e3o do Rio Branco que faz uso de um simulacro de ideologia de seguran\u00e7a nacional para disponibilizar aos \u201cbons parceiros\u201d novas levas de rios, terras e jazidas minerais na Amaz\u00f4nia. Trata-se de um subproduto do alinhamento incondicional do bolsonarismo \u00e0 potencia militar norte-americana para destravar neg\u00f3cios inaceit\u00e1veis com bens p\u00fablicos. Esta \u00e9 a utilidade total e o valor de troca do pseudonacionalismo: embalar um pacote de grandes obras estrat\u00e9gicas somente para um conjunto ap\u00e1trida de capitais.<\/p>\n<p>O projeto teve sua formata\u00e7\u00e3o civil-empresarial abortada para posteriormente se disseminar em sua vers\u00e3o paramilitar-empresarial. Depois de entregar a Amaz\u00f4nia a toda sorte de interven\u00e7\u00f5es desfiguradoras, revindicar soberania formal sobre a regi\u00e3o soa a artimanha de leiloeiro interessado em oficializar os pr\u00f3ximos lances. Se a cortina de fogo  que percorreu os principais eixos de expans\u00e3o dos setores de commodities na Amaz\u00f4nia foi uma sinaliza\u00e7\u00e3o de acordos t\u00e1citos entre grupos empresariais, grupos pol\u00edticos e suas mil\u00edc\u00edas entrela\u00e7adas, o projeto assumidamente aloprado anuncia explicitamente que quer integrar para entregar. <\/p>\n<p>Luis Fernando Novoa Garzon \u2013 Professor da Universidade Federal de Rond\u00f4nia. Doutor em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR\/UFRJ. l.novoa@uol.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel abstrair a pilhagem da Amaz\u00f4nia do cen\u00e1rio de agudiza\u00e7\u00e3o da crise internacional, simultaneamente financeira e comercial.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-24021","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-6fr","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24021"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24021\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24023,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24021\/revisions\/24023"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}