{"id":24176,"date":"2019-10-02T10:16:59","date_gmt":"2019-10-02T14:16:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=24176"},"modified":"2019-10-02T10:16:59","modified_gmt":"2019-10-02T14:16:59","slug":"o-periodo-em-que-a-globo-se-firmou-como-grupo-mais-poderoso-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/10\/02\/o-periodo-em-que-a-globo-se-firmou-como-grupo-mais-poderoso-do-pais\/","title":{"rendered":"O per\u00edodo em que a Globo se firmou como grupo mais poderoso do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"24177\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/10\/02\/o-periodo-em-que-a-globo-se-firmou-como-grupo-mais-poderoso-do-pais\/b90e6deb-368a-44a6-8777-239416058419\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/B90E6DEB-368A-44A6-8777-239416058419.jpeg?fit=758%2C690\" data-orig-size=\"758,690\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"B90E6DEB-368A-44A6-8777-239416058419\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/B90E6DEB-368A-44A6-8777-239416058419.jpeg?fit=300%2C273\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/B90E6DEB-368A-44A6-8777-239416058419.jpeg?fit=600%2C546\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/B90E6DEB-368A-44A6-8777-239416058419.jpeg?resize=600%2C546\" alt=\"B90E6DEB-368A-44A6-8777-239416058419\" width=\"600\" height=\"546\" class=\"alignnone size-full wp-image-24177\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/B90E6DEB-368A-44A6-8777-239416058419.jpeg?w=758 758w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/B90E6DEB-368A-44A6-8777-239416058419.jpeg?resize=300%2C273 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/B90E6DEB-368A-44A6-8777-239416058419.jpeg?resize=330%2C300 330w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>GGN, por Luis Nassif &#8211; Em 10 de novembro de 1996, em minha coluna na Folha, antecipei os movimentos de globaliza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, e o enorme risco representado pelo poder excessivo da Globo. Previa que, para enfrenta-la, houvesse um processo de fus\u00f5es para gerar grupos competidores fortes, e tamb\u00e9m de limita\u00e7\u00e3o dos poderes da Globo.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o foi curiosa.<!--more--><\/p>\n<p>Tempos depois, recebi um convite curioso de Luiz Sandoval, presidente do Grupo Silvio Santos. Haveria uma conven\u00e7\u00e3o com todas as empresas do grupo. Ele queria me mandar o planejamento estrat\u00e9gico de cada uma, de subs\u00eddio para uma palestra, na qual abordaria os novos tempos e sugeriria caminhos.<\/p>\n<p>Avisei que n\u00e3o era consultor e, al\u00e9m disso, trabalhava em uma emissora concorrente. Falaria genericamente sobre o tema. Explicou-me que a preocupa\u00e7\u00e3o do grupo era levantar elementos para convencer Silvio Santos da necessidade de enfrentar os novos tempos de Internet e globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra convite curioso foi de Ot\u00e1vio Frias de Oliveira, dono da Folha \u2013 na qual eu era membro do Conselho. A Folha tinha montado uma sociedade com a Abril, com a fus\u00e3o da BOL com a UOL. Ele pedia que eu fosse intermedi\u00e1rio de uma proposta a Jo\u00e3o Jorge Saad, da Bandeirantes. Ambos queria comprar parte da Bandeirantes, tornando-se s\u00f3cios minorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Houve um almo\u00e7o a tr\u00eas na Folha, Saad, Frias e eu como testemunha, encantado pelas recorda\u00e7\u00f5es de ambos sobre o per\u00edodo Ademar de Barros. A ideia n\u00e3o prosperou, mas me custou implic\u00e2ncias de herdeiros das duas pontas.<\/p>\n<p>Um terceiro movimento, do qual participei, foi a tentativa do grupo O Dia, ent\u00e3o em franca expans\u00e3o, de se tornar s\u00f3cio da Bandeirantes no Rio de Janeiro. Houve um almo\u00e7o em S\u00e3o Paulo, e uma conversa extremamente tensa da parte de Johnny Saad.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, os bancos de investimento tinham enorme oferta de cr\u00e9dito, e seu Jo\u00e3o, como o cham\u00e1vamos, me convidou para ser \u00e2ncora do Jornal da Band e assessor do filho Johnny. Cheguei a levar o pessoal do BBA para um encontro com a c\u00fapula da Band, para eventual processo de capitaliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o deu certo, tamb\u00e9m por enorme resist\u00eancia de Johnny, que se sentiu melindrado pelo fato do pai ter sugerido um tutor para ele.<\/p>\n<p>Enfim, depois da agita\u00e7\u00e3o inicial, voltou-se tudo ao normal, com a m\u00eddia sem governan\u00e7a ou moderniza\u00e7\u00e3o para sair da gest\u00e3o familiar. \u00c9 por a\u00ed que se entende o extraordin\u00e1rio avan\u00e7o dos evang\u00e9licos sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o. Pelo menos eles tinham um modelo de neg\u00f3cio mais moderno do que os grupos familiares.<\/p>\n<p>Aqui, o artigo que deflagrou esses movimentos inacabados.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o na m\u00eddia<\/p>\n<p>LU\u00cdS NASSIF<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos anos, ser\u00e1 a vez de a m\u00eddia entrar na dan\u00e7a da moderniza\u00e7\u00e3o e das grandes fus\u00f5es que est\u00e3o marcando a imprensa, em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p>No Brasil, ser\u00e1 um dos \u00faltimos setores a sentir na pr\u00f3pria carne os efeitos da globaliza\u00e7\u00e3o. E o resultado final poder\u00e1 ser bom tanto para a m\u00eddia como para o Brasil, desde que se estabele\u00e7a um equil\u00edbrio nesse jogo.<\/p>\n<p>O agente propulsor desse processo ser\u00e1 a amea\u00e7a representada aos demais grupos pelo chamado Sistema Globo de Comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o da televis\u00e3o, ao longo dos anos 70, e o pioneirismo de Roberto Marinho conferiram poder extraordin\u00e1rio ao grupo.<\/p>\n<p>Em maior parte, devido \u00e0 compet\u00eancia demonstrada em algumas \u00e1reas-chave como na televis\u00e3o e no jornal. Em menor parte, devido ao poder pol\u00edtico acumulado, que lhe permitiu conduzir algumas opera\u00e7\u00f5es heterodoxas, como a assun\u00e7\u00e3o do controle da NEC do Brasil.<\/p>\n<p>Mesmo errando em algumas opera\u00e7\u00f5es no varejo, e saindo atrasada -em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses-, ainda assim a Globo demonstrou compet\u00eancia espec\u00edfica para liderar internamente dois processos-chave.<\/p>\n<p>O primeiro, a entrada pesada em novos ramos da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, especialmente na tecnologia de sat\u00e9lites e na TV a cabo. O segundo, na busca de alian\u00e7as e associa\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas com outros grupos.<\/p>\n<p>Apesar da posi\u00e7\u00e3o de l\u00edder induzir a uma certa propens\u00e3o \u00e0 arrog\u00e2ncia, houve suficiente vis\u00e3o estrat\u00e9gica, por parte da nova gera\u00e7\u00e3o, para buscar alian\u00e7as ou com grupos financeiros fortes (com o Garantia, na opera\u00e7\u00e3o da TV a cabo) ou com grupos regionais fortes (com a RBS, na TV Rural).<\/p>\n<p>Se n\u00e3o houver rea\u00e7\u00e3o dos demais grupos, essa acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as poder\u00e1 provocar o monop\u00f3lio virtual da comunica\u00e7\u00e3o no Brasil, algo que n\u00e3o interessa nem aos concorrentes nem ao Brasil.<\/p>\n<p>Mesmo que em seu segmento de atua\u00e7\u00e3o, individualmente, cada concorrente tenha uma opera\u00e7\u00e3o espec\u00edfica mais competente ou, no m\u00ednimo, competitiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Globo, a soma de for\u00e7as do complexo poder\u00e1 desequilibrar a competi\u00e7\u00e3o em todas as frentes, seja em jornal, editora ou televis\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 essa amea\u00e7a que dever\u00e1 levar nos pr\u00f3ximos anos, inevitavelmente, a dois processos complexos. Numa ponta, a uma ampla pol\u00edtica de fus\u00f5es e alian\u00e7as estrat\u00e9gicas, entre grupos nacionais e estrangeiros, da qual resultar\u00e1 novos supergrupos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na outra, a uma batalha pol\u00edtica para colocar limites ao poder da Globo, j\u00e1 que h\u00e1 o risco concreto de que assuma o controle virtual da m\u00eddia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A batalha consistir\u00e1 em estabelecer limites legais \u00e0 expans\u00e3o da rede, e separar claramente produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o para n\u00e3o permitir que o controle da distribui\u00e7\u00e3o se converta em barreira para a entrada de novos grupos.<\/p>\n<p>H\u00e1 anos, a Globo \u00e9 motivo de orgulho para o pa\u00eds pela qualidade internacional que conferiu a seus produtos. Mas tornou-se poderosa demais, em uma \u00e1rea que \u00e9 muito mais crucial para o equil\u00edbrio democr\u00e1tico do que o petr\u00f3leo: a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GGN, por Luis Nassif &#8211; Em 10 de novembro de 1996, em minha coluna na Folha, antecipei os movimentos de globaliza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, e o enorme risco representado pelo poder excessivo da Globo. 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