{"id":24542,"date":"2019-10-25T17:23:33","date_gmt":"2019-10-25T21:23:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=24542"},"modified":"2019-10-25T17:23:33","modified_gmt":"2019-10-25T21:23:33","slug":"por-que-e-dificil-nao-chamar-os-bolsominions-de-burros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/10\/25\/por-que-e-dificil-nao-chamar-os-bolsominions-de-burros\/","title":{"rendered":"Por que \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o chamar os bolsominions de burros"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/protestos-600x399-1-1.jpg?w=600\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meus colegas que estudam a base popular da extrema-direita (e a quem n\u00e3o me canso de agradecer, pela disposi\u00e7\u00e3o para levar adiante um trabalho t\u00e3o indispens\u00e1vel quanto insalubre) insistem que n\u00e3o devemos chamar os bolsom\u00ednions de \u201cburros\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>No DCM, por Luis Felipe Miguel<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-1\">Se a ideia \u00e9 n\u00e3o cham\u00e1-los assim para n\u00e3o hostilizar pessoas que precisamos conquistar para posi\u00e7\u00f5es mais democr\u00e1ticas e civilizadas, eu concordo plenamente. Mas se n\u00e3o devemos realmente consider\u00e1-los burros \u2013 da\u00ed j\u00e1 acho dif\u00edcil.\u201cBurro\u201d parece se referir a um d\u00e9ficit inato, o que seguramente \u00e9 incorreto e preconceituoso. A rigor, s\u00e3o pessoas com discursos e comportamentos burros. Dizemos que elas s\u00e3o burras por meton\u00edmia.<\/p>\n<p>S\u00e3o pessoas que militam por medidas que prejudicam seus interesses mais \u00f3bvios \u2013 por uma pol\u00edcia que mate seus filhos, por um Estado que negue seus direitos, por uma pol\u00edtica econ\u00f4mica que os empobre\u00e7a e destrua seu futuro. Como defini-las?<\/p>\n<p>S\u00e3o pessoas que acreditam nos maiores absurdos. No encontro da Anpocs, agora mesmo, um colega contou que seu dentista \u2013 portanto uma pessoa com forma\u00e7\u00e3o superior \u2013 lhe perguntou: \u201c\u00c9 verdade que nas universidades p\u00fablicas voc\u00eas d\u00e3o aulas pelados?\u201d Outros acreditam em kit gay, em mamadeira de piroca, em ideologia de g\u00eanero, em terra plana, em Olavo de Carvalho, em Lulinha dono da Friboi, em empreendedorismo. Como definir essas pessoas?<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es complexas, que exijam muita reflex\u00e3o para passar das causas aos efeitos, ou mentiras sofisticadas e verossimilhantes. S\u00e3o coisas t\u00e3o insanas que n\u00f3s nem sabemos como rebater. Ou o ANDES deve come\u00e7ar uma campanha de informa\u00e7\u00e3o com o mote \u201cprofessores d\u00e3o aulas vestidos\u201d?<\/p>\n<p>Podemos discutir como essa burrice \u00e9 produzida, quais mecanismos a fomentam. Mas n\u00e3o d\u00e1 para n\u00e3o cham\u00e1-la pelo nome.<\/p>\n<p>Alguns argumentam que o voto em Biroliro tem suas raz\u00f5es. Por exemplo, que o sacerdote pilantra que orienta as escolhas pol\u00edticas reacion\u00e1rias \u00e9 tamb\u00e9m algu\u00e9m que oferece consolo e apoio espiritual em algumas circunst\u00e2ncias. Ou que a viol\u00eancia urbana que atinge em primeiro lugar as classes populares explica a sedu\u00e7\u00e3o de propostas \u201cduras\u201d de seguran\u00e7a p\u00fablica. Mas isso apenas nos diz que esse voto n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3rio, que tem alguma motiva\u00e7\u00e3o. Permanece o fato de que ele expressa uma profunda incapacidade de relacionar as escolhas pol\u00edticas com suas consequ\u00eancias esperadas, de vincul\u00e1-las aos interesses ligados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es reais de vida.<\/p>\n<p>Ter uma motiva\u00e7\u00e3o para o voto n\u00e3o significa que o voto \u00e9 esclarecido, pelo simples fato de que essa motiva\u00e7\u00e3o pode ser\u2026 burra.<\/p>\n<p>Por exemplo: eu posso optar por votar em Jo\u00e3o Doria porque ele \u00e9 o mais botocado dos candidatos. Isso faz com que meu voto tenha uma raz\u00e3o de ser. Nem por isso ele demonstra qualquer discernimento.<\/p>\n<p>A ignor\u00e2ncia pol\u00edtica das massas \u2013 e incluo aqui, igualmente, trabalhadores pobres e classes m\u00e9dias \u2013 \u00e9 um componente do sistema pol\u00edtico vigente, ativamente produzido e reproduzido por in\u00fameros aparelhos. Cabe ao campo popular trabalhar permanentemente para combat\u00ea-la.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o da burrice dominante \u00e9, portanto, uma acusa\u00e7\u00e3o contra a esquerda, que n\u00e3o fez ou fez mal o seu trabalho.<\/p>\n<p>H\u00e1, claro, uma explica\u00e7\u00e3o alternativa: o que o bolsonarismo revela \u00e9 uma puls\u00e3o pela viol\u00eancia. Racismo, misoginia, homofobia e desprezo pelos mais pobres seriam atrativos t\u00e3o poderosos que compensariam todas as perdas.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria burrice, mas perversidade. O que \u00e9 muito pior.<\/p>\n<div id=\"execphp-21\" class=\"td_block_template_1 widget widget_execphp\"><\/div>\n<div id=\"execphp-17\" class=\"td_block_template_1 widget widget_execphp\"><\/div>\n<div id=\"execphp-4\" class=\"td_block_template_1 widget widget_execphp\"><\/div>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Meus colegas que estudam a base popular da extrema-direita (e a quem n\u00e3o me canso de agradecer, pela disposi\u00e7\u00e3o para levar adiante um trabalho t\u00e3o indispens\u00e1vel quanto insalubre) insistem que n\u00e3o devemos chamar os bolsom\u00ednions de \u201cburros\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-24542","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-6nQ","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24542"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24542\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24543,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24542\/revisions\/24543"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}