{"id":24643,"date":"2019-11-01T10:48:12","date_gmt":"2019-11-01T14:48:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=24643"},"modified":"2019-11-01T10:48:12","modified_gmt":"2019-11-01T14:48:12","slug":"candomble-resistencia-preservacao-e-reconhecimento-da-culinaria-afro-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/11\/01\/candomble-resistencia-preservacao-e-reconhecimento-da-culinaria-afro-brasileira\/","title":{"rendered":"Candombl\u00e9: resist\u00eancia, preserva\u00e7\u00e3o e reconhecimento da culin\u00e1ria afro-brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/48981841056_687e4f6f70_z.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Acaraj\u00e9, bob\u00f3 de camar\u00e3o e abar\u00e1 s\u00e3o alguns dos alimentos ligados ao candombl\u00e9 - Cr\u00e9ditos: Divulga\u00e7\u00e3o\" \/><\/p>\n<p>A religi\u00e3o de matriz africana entende o ato de comer como sagrado e forma de dialogar com a ancestralidade<!--more--><\/p>\n<p>Mayara Paix\u00e3o<br \/>\nBrasil de Fato<\/p>\n<p>Entre a riqueza de\u00a0heran\u00e7as que africanas e africanos trouxeram para o Brasil, est\u00e1 uma manifesta\u00e7\u00e3o religiosa afro-brasileira constru\u00edda a partir de religi\u00f5es tradicionais da \u00c1frica: o candombl\u00e9.<\/p>\n<p>Durante suas cerim\u00f4nias, o ato de comer, assim como a dan\u00e7a, tem um significado sagrado. \u00c9 atrav\u00e9s da comida que os praticantes do candombl\u00e9 se comunicam e homenageiam os orix\u00e1s, figuras que representam os ancestrais.<\/p>\n<p>Nos terreiros, comer \u00e9 sin\u00f4nimo de socializa\u00e7\u00e3o, segundo explica a Makota Bayrangi \u201cNega Duda\u201d. \u201cA comida \u00e9 oferecida ao p\u00fablico. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o povo do terreiro, mas o entorno inteiro da comunidade come e tamb\u00e9m o povo que vai \u00e0s festas do candombl\u00e9. No candombl\u00e9, a comida \u00e9 uma partilha\u201d.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia que a comida tem na religi\u00e3o fez do candombl\u00e9 uma ferramenta de preserva\u00e7\u00e3o e reconhecimento da culin\u00e1ria afro-brasileira. Pratos como o acaraj\u00e9, bob\u00f3 de camar\u00e3o e abar\u00e1, difundidos na cultura popular e presentes na mesa de muitos brasileiros, resistiram ao tempo gra\u00e7as a sua preserva\u00e7\u00e3o nos terreiros.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Identidade africana<\/strong><\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo e babalorix\u00e1 Vilson Caetano explica que a comida, ainda na \u00e9poca da escravid\u00e3o, al\u00e9m de ser um v\u00ednculo dos africanos com sua ancestralidade, era uma forma de lutar contra o sistema escravista.<\/p>\n<p>\u201cQuando os africanos chegam ao Brasil, eles est\u00e3o com a sua identidade e ideia de comunidade fragmentadas pela escravid\u00e3o. Eles t\u00eam sua fam\u00edlia e seu grupo social destru\u00eddos. Quando chegam, s\u00e3o obrigados a sobreviver e reconstruir isso. Nesse processo de reconstru\u00e7\u00e3o da identidade, a comida teve um papel fundamental\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Cerca de 3,6 milh\u00f5es de pessoas escravizadas foram trazidas para o Brasil entre os s\u00e9culos 16 e 19, segundo\u00a0<a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/rio\/pesquisa-americana-indica-que-rio-recebeu-2-milhoes-de-escravos-africanos-15784551\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">levantamento de dados<\/a>\u00a0realizado pela Universidade de Emory, dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Caetano, que tamb\u00e9m \u00e9 professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), lembra que os africanos j\u00e1 chegaram ao Brasil com vasto conhecimento de ingredientes e t\u00e9cnicas, como o preparo dos alimentos no vapor e o flambar.<\/p>\n<p>\u201cQuando esse africano chega ao Brasil, ele j\u00e1 conhece outras cozinhas e culin\u00e1rias. Os grupos africanos j\u00e1 tinham contato com cravo, canela, cardamomo, damasco, as chamadas \u2018especiarias\u2019\u201d, descreve o antrop\u00f3logo.<\/p>\n<p>O saber acumulado se mistura com os conhecimentos que adquirem no contato com popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e \u00e9 empregado nas cozinhas, onde a m\u00e3o de obra negra escravizada foi amplamente utilizada. Em meio a essa troca cultural, os africanos marcam o processo de constru\u00e7\u00e3o da cultura alimentar brasileira.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Preserva\u00e7\u00e3o da cultura<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de construir a hist\u00f3ria da culin\u00e1ria, o candombl\u00e9 tem papel importante na preserva\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Nos terreiros, as receitas, os modos de preparo e ingredientes foram protegidos do esquecimento e do preconceito.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas comidas, que est\u00e3o hoje presentes nos restaurantes ou nas ruas de cidades como Salvador e Rio de Janeiro, s\u00e3o comidas que s\u00f3 conseguiram chegar at\u00e9 n\u00f3s e serem preservadas por duzentos ou trezentos anos gra\u00e7as \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que possuem com a religiosidade\u201d, afirma o babalorix\u00e1.<\/p>\n<p>Para Nega Duda, tamb\u00e9m \u00e9 preciso reconhecer a import\u00e2ncia que tem o candombl\u00e9 contra a apropria\u00e7\u00e3o cultural de elementos afro-brasileiros. Como exemplo, ela cita o acaraj\u00e9, chamado por alguns de \u201cbolinho de jesus\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO acaraj\u00e9 n\u00e3o \u00e9 o bolinho de jesus. O acaraj\u00e9 vem de &#8216;acar\u00e1&#8217;, que significa bola de fogo; e &#8216;j\u00e9&#8217; significa comer. \u00c9 comer bola de fogo. Esse acaraj\u00e9 \u00e9 da religi\u00e3o de matriz africana. Ele tem dono. \u00c9 de Ians\u00e3 e de Xang\u00f4, \u00e9 do povo de santo\u201d, defende.<\/p>\n<p>Segundo o Censo Demogr\u00e1fico de 2010, a \u2018religi\u00e3o dos orix\u00e1s\u2019 \u00e9 praticada por cerca de 600 mil brasileiros, mas o dado \u00e9 tido como subnotificado por seus praticantes.<\/p>\n<p>De acordo com dados do Disque 100 obtidos pelo jornal\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/denuncias-de-ataques-religioes-de-matriz-africana-sobem-47-no-pais-23400711\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>O Globo<\/em><\/a>, no ano de 2018 foram feitas 213 den\u00fancias de intoler\u00e2ncia a religi\u00f5es de matriz africana no pa\u00eds. Frente ao preconceito, o candombl\u00e9 segue presente no cotidiano como forma de resist\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"editor\">Edi\u00e7\u00e3o: Guilherme Henrique<\/p>\n<div class=\"content-footer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A religi\u00e3o de matriz africana entende o ato de comer como sagrado e forma de dialogar com a ancestralidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-24643","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-6pt","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24643"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24643\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24644,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24643\/revisions\/24644"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}