{"id":24909,"date":"2019-11-13T07:09:57","date_gmt":"2019-11-13T11:09:57","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=24909"},"modified":"2019-11-13T07:09:57","modified_gmt":"2019-11-13T11:09:57","slug":"a-cultura-humilhada-e-relegada-ao-ministerio-do-turismo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/11\/13\/a-cultura-humilhada-e-relegada-ao-ministerio-do-turismo\/","title":{"rendered":"A cultura humilhada e relegada ao Minist\u00e9rio do Turismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"24910\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/11\/13\/a-cultura-humilhada-e-relegada-ao-ministerio-do-turismo\/51b67444-cc53-457d-befa-27305986b24b\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/51B67444-CC53-457D-BEFA-27305986B24B.jpeg?fit=640%2C391\" data-orig-size=\"640,391\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"51B67444-CC53-457D-BEFA-27305986B24B\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/51B67444-CC53-457D-BEFA-27305986B24B.jpeg?fit=300%2C183\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/51B67444-CC53-457D-BEFA-27305986B24B.jpeg?fit=600%2C367\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/51B67444-CC53-457D-BEFA-27305986B24B.jpeg?resize=600%2C367\" alt=\"51B67444-CC53-457D-BEFA-27305986B24B\" width=\"600\" height=\"367\" class=\"alignnone size-full wp-image-24910\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/51B67444-CC53-457D-BEFA-27305986B24B.jpeg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/51B67444-CC53-457D-BEFA-27305986B24B.jpeg?resize=300%2C183 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/51B67444-CC53-457D-BEFA-27305986B24B.jpeg?resize=491%2C300 491w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Assim que este Governo nasceu, percebeu-se imediatamente que a rica cultura brasileira seria a gata borralheira que n\u00e3o interessava a ningu\u00e9m.<!--more--><\/p>\n<p>No El Pa\u00eds<br \/>\nJuan Ar\u00edas<\/p>\n<p>No turbilh\u00e3o de not\u00edcias pol\u00edticas que agitam o Brasil, passou despercebida a grave decis\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro de relegar a cultura ao Minist\u00e9rio de Turismo. Assim que este Governo nasceu, percebeu-se imediatamente que a rica cultura brasileira seria a gata borralheira que n\u00e3o interessava a ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>O primeiro Governo j\u00e1 nasceu com a cultura sem a categoria de minist\u00e9rio. Primeiro, foi abandonada no Minist\u00e9rio da Cidadania. Ali tampouco parece ter interessado, e agora Bolsonaro acaba de aprision\u00e1-la no Minist\u00e9rio do Turismo. Ser\u00e1 que a cultura mete tanto medo, ou \u00e9 um caso de desprezo por algo que se considera in\u00fatil?<\/p>\n<p>Quando comecei aqui como correspondente deste jornal, da sede em Madri me pediam apenas temas culturais. A pol\u00edtica lhes interessava menos. Meu primeiro artigo, dos milhares que j\u00e1 escrevi sobre este pa\u00eds, foi sobre um novo disco de Chico Buarque que acabava de sair. O Brasil interessava \u00e0 Espanha, no in\u00edcio dos anos 2000, principalmente por seu despertar cultural.<\/p>\n<p>A pergunta que deve ser feita \u00e9 por que existe esse medo da cultura. Talvez porque ela, em todos os seus aspectos, do art\u00edstico ao liter\u00e1rio, seja um poderoso instrumento de liberta\u00e7\u00e3o. A cultura nos conscientiza da riqueza de dar vida a algo novo e inesperado. \u00c9 sempre uma explos\u00e3o de vitalidade no n\u00edvel pessoal e coletivo. Os pa\u00edses mais cultos s\u00e3o tamb\u00e9m os mais livres e com melhor qualidade de vida.<\/p>\n<p>A cultura n\u00e3o pode ser vista como algo que se refere apenas a uma elite. A cultura \u00e9 m\u00fasica, \u00e9 arquitetura, \u00e9 poesia, \u00e9 tudo o que o ser humano \u00e9 capaz de expressar de mais positivo. \u00c9 o fruto de tudo que nasce. A cultura nos torna n\u00e3o s\u00f3 mais livres, como tamb\u00e9m mais pac\u00edficos, mais acolhedores do novo, mais abertos ao di\u00e1logo e mais afastados da viol\u00eancia. A cultura traz sempre os g\u00e9rmens de uma revolu\u00e7\u00e3o latente para ampliar os horizontes da vida. Assusta os intolerantes porque cria novos espa\u00e7os de felicidade, de prazer do esp\u00edrito e at\u00e9 da carne.<\/p>\n<p>A cultura cria democracia, abre as asas do pensamento positivo. Assim a enxergava o grande poeta brasileiro Ferreira Gullar, quando afirmava: \u201cN\u00e3o quero ter raz\u00e3o, quero ser feliz\u201d. A incultura, a vulgaridade e a intoler\u00e2ncia se refletem na linguagem. Com a for\u00e7a e sutileza da poesia de Gullar, contrasta, por exemplo, a linguagem dos exacerbados do bolsonarismo: \u201cO Jair [Bolsonaro] tinha que dar uma porrada nesse filho da puta\u201d, afirma Fabr\u00edcio Queiroz em uma grava\u00e7\u00e3o, referindo-se ao presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia. A incultura degrada at\u00e9 a linguagem, uma das maiores inven\u00e7\u00f5es do ser humano. E \u00e9 a falta dela que arrasta para a viol\u00eancia que nasce verbal e acaba em morte.<\/p>\n<p>O conceito de cultura vai al\u00e9m da arte e de sua frui\u00e7\u00e3o, ela sempre foi associada \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o e ao progresso. O contr\u00e1rio da cultura \u00e9 a barb\u00e1rie, a degrada\u00e7\u00e3o dos melhores valores da humanidade. A etimologia da palavra cultura, do latim, evoca o cultivo da terra. \u00c9 a que cria os frutos, e por isso sempre esteve relacionada com a vida, com tudo o que surge de novo, n\u00e3o com a morte. A cultura amedronta quem aposta na viol\u00eancia e na morte, no lado negativo das coisas e n\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o. Isso influencia hoje os regimes pol\u00edticos autorit\u00e1rios, negativos, de confronto, nos quais di\u00e1logo \u00e9 sacrificado no altar das intoler\u00e2ncias. Todos os autoritarismos da hist\u00f3ria desprezaram a cultura porque lhes dava medo. Ela \u00e9 incompat\u00edvel, em todos os seus aspectos, com quem aposta em pol\u00edticas de morte. Todos os nazismos e fascismos acabaram queimando livros, amorda\u00e7ando a express\u00e3o e o pensamento e humilhando a cultura.<\/p>\n<p>Um dos sintomas de que no Brasil, e n\u00e3o s\u00f3 aqui, est\u00e1 nascendo a incultura da morte em vez da vida, da intoler\u00e2ncia em vez do di\u00e1logo, \u00e9 esse desprezo pela cultura que chegou ao c\u00famulo de sujar com insultos vulgares a maior atriz deste pa\u00eds, a nonagen\u00e1ria Fernanda Montenegro. Todo isso porque, al\u00e9m de uma grande artista, sempre foi uma defensora das liberdades.<\/p>\n<p>Sim, nada reflete melhor do que a afirma\u00e7\u00e3o do poeta Gullar, a quem a incultura da intoler\u00e2ncia for\u00e7ou ao ex\u00edlio, que sempre \u00e9 prefer\u00edvel ter felicidade a querer ter raz\u00e3o a qualquer custo. Um governo que despreza e at\u00e9 combate a for\u00e7a vital da cultura, cedo ou tarde est\u00e1 fadado ao fracasso, j\u00e1 que tentar matar essa for\u00e7a criativa \u00e9 como querer eliminar a pr\u00f3pria vida. Ou, como dizia o outro grande poeta brasileiro, Manuel de Barros, \u201c\u00e9 como querer carregar \u00e1gua em uma peneira\u201d. Podem erguer muros de intoler\u00e2ncia. Ser\u00e1 in\u00fatil. J\u00e1 vi plantas nascerem entre as rachaduras do cimento.<\/p>\n<p>Os cultivadores de morte se esquecem de que nem as grades da pris\u00e3o nem as torturas nem os ex\u00edlios for\u00e7ados ser\u00e3o capazes de matar esse instinto de vida e felicidade que caracteriza aos humanos. Foi no ex\u00edlio na Argentina que Gullar escreveu seus melhores versos em Poema Sujo. Queiram ou n\u00e3o, todos os governos castradores e perseguidores da cultura acabar\u00e3o derrotados pela for\u00e7a vital do instinto de vida daqueles que se recusam a ser escravos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim que este Governo nasceu, percebeu-se imediatamente que a rica cultura brasileira seria a gata borralheira que n\u00e3o interessava a ningu\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-24909","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-6tL","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24909","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24909"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24909\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24911,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24909\/revisions\/24911"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}