{"id":25053,"date":"2019-11-20T10:21:35","date_gmt":"2019-11-20T14:21:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=25053"},"modified":"2019-11-20T10:21:35","modified_gmt":"2019-11-20T14:21:35","slug":"artigo-resistencia-negra-brasileira-o-2011-dia-nacional-da-consciencia-negra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/11\/20\/artigo-resistencia-negra-brasileira-o-2011-dia-nacional-da-consciencia-negra\/","title":{"rendered":"Artigo | Resist\u00eancia negra brasileira, o 20\/11: Dia Nacional da \u201cConsci\u00eancia Negra\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/49012695213_8468dffd94_z.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Imagem reportada \u00e0 Dandara dos Palmares. - Cr\u00e9ditos: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><\/p>\n<h2 class=\"description\">\u00c9 preciso lembrar de Zumbi dos Palmares e tamb\u00e9m da import\u00e2ncia das lutas das mulheres no espa\u00e7o palmarino<\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"details-bar\">\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"author\">Danilo Santos da Silva*<\/div>\n<div class=\"place-and-time\">\n<div class=\"place\">\n<p>Brasil de Fato | Jo\u00e3o Pessoa (PB)<\/p>\n<blockquote><p>\n\u201c[\u2026] Levante, resista: lute pelos seus direitos!<\/p>\n<p>[..] Levante, resista: n\u00e3o desista da luta!<\/p>\n<p>[\u2026]\u201d\u00a0<em>(Bob Marley, 1973)<\/em>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Estamos no m\u00eas de novembro, ocasi\u00e3o na qual os temas relacionados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra ganham mais repercuss\u00e3o, sobretudo, no Brasil. Embora esse texto tenha sido produzido no referido per\u00edodo, n\u00e3o tem a pretens\u00e3o de expor uma perspectiva eventual, mas apresentar uma reflex\u00e3o sobre a \u201cconsci\u00eancia negra\u201d como fruto da mem\u00f3ria coletiva de luta da popula\u00e7\u00e3o negra na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Ter como par\u00e2metro esse horizonte, nos ajuda a pensar o 20 de novembro e nos aproxima da ideia de mem\u00f3ria coletiva de resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra, a partir da experi\u00eancia dos quilombos que se espalharam por todo territ\u00f3rio brasileiro e tem como maior exemplo o Quilombo dos Palmares (c. 1605-1695), representando, quase cem anos de resist\u00eancia contra o sistema de coloniza\u00e7\u00e3o escravista europeu.<\/p>\n<p>Com base nessa experi\u00eancia, no ano de 1971, no Rio Grande do Sul, o Grupo Palmares, utilizou a data da morte de Zumbi dos Palmares, 20 de novembro de 1695, como marco simb\u00f3lico da luta coletiva da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil. Sete anos mais tarde, com a cria\u00e7\u00e3o do Movimento Negro Unificado (MNU), em 1978, aconteceu o processo de nacionaliza\u00e7\u00e3o da data, como Dia da Consci\u00eancia Negra: \u201c[\u2026] eu quero ver quando Zumbi chegar, o que vai acontecer. Zumbi \u00e9 senhor das guerras, \u00e9 senhor das demandas. Quando Zumbi chega, \u00e9 Zumbi quem manda [\u2026]\u201d (Jorge Ben Jor, 1974).<\/p>\n<p>Embora o dia 20 de novembro esteja relacionado com a morte de Zumbi dos Palmares, n\u00e3o podemos esquecer que o prop\u00f3sito do dia da \u201cConsci\u00eancia Negra\u201d, deve ser compreendido no plano da luta coletiva da popula\u00e7\u00e3o negra no passado e no presente. Isso significa dizer, que ao mesmo tempo que precisamos lembrar da mem\u00f3ria de Zumbi dos Palmares, tamb\u00e9m, \u00e9 fundamental, registrar a import\u00e2ncia das lutas das mulheres no espa\u00e7o palmarino, que cada vez mais passam a ser refer\u00eancia de luta nos dias atuais: \u201cBrasil, o teu nome \u00e9 Dandara [\u2026] n\u00e3o veio do c\u00e9u e nem das m\u00e3os de Isabel, a liberdade \u00e9 um drag\u00e3o no mar de Aracati [\u2026]\u201d (Enredo da Mangueira, 2019 \u2013 \u201cHist\u00f3ria pra ninar gente grande\u201d).<\/p>\n<p>No enredo, Dandara \u00e9 apresentada para questionar o pressuposto da liberdade concedida pela Princesa Isabel, no dia 13 de maio de 1888, mostrando ainda uma \u00a0resist\u00eancia negra ancestral. Al\u00e9m disso, se reconhece a participa\u00e7\u00e3o feminina negra na forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira. Dentro da mesma perspectiva, o poeta Silveira faz duras cr\u00edticas a produ\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria: \u201c[\u2026] Senhor historiador oficial, deixe o sobrado, a casa-grande, recue na linha do tempo, mergulhe no espa\u00e7o geogr\u00e1fico, [\u2026] meta-se no bucho do Palmar, [\u2026]. Veja num lado hist\u00f3ria, noutra esc\u00f3ria. Depois comece a contar [\u2026]\u201d (SILVEIRA, 1987).<\/p>\n<p>Nesse sentido, a institucionaliza\u00e7\u00e3o do dia da consci\u00eancia negra foi uma vit\u00f3ria importante, representou o reconhecimento do direito \u00e0 mem\u00f3ria e hist\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra, com a promulga\u00e7\u00e3o, em 2003, da Lei n\u00ba 10.639 (Educa\u00e7\u00e3o das Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-raciais, Hist\u00f3ria da \u00c1frica e Cultura Afro-brasileira), inserindo no calend\u00e1rio escolar o 20 de novembro como \u201cDia Nacional da Consci\u00eancia Negra\u201d. Se no passado a popula\u00e7\u00e3o negra teve que recorrer a essa mem\u00f3ria coletiva para substanciar as reivindica\u00e7\u00f5es dos seus\/nossos direitos, atualmente (2019), tem se utilizado para manuten\u00e7\u00e3o (e amplia\u00e7\u00e3o) dos direitos sociais conquistados nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Em uma conjuntura que a quest\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica \u2013 capitalismo neoliberal e governo de extrema-direita \u2013 s\u00e3o supervalorizadas e sobrep\u00f5em as quest\u00f5es sociais e para justificar as reformas neoliberais, que atingir\u00e3o diretamente a popula\u00e7\u00e3o negra, empurrando-a cada vez mais para uma situa\u00e7\u00e3o de precariedade, aumento de \u00a0exclus\u00e3o e vulnerabilidade social, pois h\u00e1 cresce a informalidade do trabalho, o subemprego e desemprego, tornando quase imposs\u00edvel que a maioria da popula\u00e7\u00e3o tenha o direito a uma aposentadoria na velhice. Ao mesmo tempo, um governo de tend\u00eancias neofascistas, que deliberadamente ataca o direito \u00e0 mem\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra, os programas de a\u00e7\u00f5es afirmativas e os direitos quilombolas, entre outros.<\/p>\n<p>Esse contexto atual, apresenta novos desafios para os movimentos socioculturais negros, mais do que nunca, a mem\u00f3ria coletiva de resist\u00eancia se apresenta como instrumento importante para a auto-organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da popula\u00e7\u00e3o negra. \u00c9 preciso, \u201cpor menos que conte a hist\u00f3ria [\u2026]. Se Palmares n\u00e3o vive mais, faremos Palmares de novo [\u2026]\u201d (LIMEIRA, 2011\/2012).<\/p>\n<p>Fazer Palmares de novo, tem a ver em dar continuidade a luta do passado, como foi as lutas contra a escravid\u00e3o e pela dignidade humana e , mais recentemente, no s\u00e9culo XX, buscamos a cidadania republicana e no tempo presente, persistimos em \u00a0defesa de uma plena cidadania, em torno da manuten\u00e7\u00e3o dos direitos quilombolas, das a\u00e7\u00f5es afirmativas, da luta antirracista e de pol\u00edticas de Estado para popula\u00e7\u00e3o negra e povos exclu\u00eddos historicamente, como os povos origin\u00e1rios\/ind\u00edgenas, entre outros.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o no pr\u00f3ximo dia 20 de novembro, dia da \u201cConsci\u00eancia Negra\u201d, \u00e9 momento de comemorar, mas, acima de tudo, denunciar a configura\u00e7\u00e3o do racismo estrutural e institucional na sociedade brasileira. \u00c9 momento, como diria o cantor Mano Brown, de fazer com que \u201ca f\u00faria negra ressuscite outra vez [\u2026]\u201d (Racionais MC&#8217;s, 1997).<\/p>\n<p>Que essa \u201cf\u00faria\u201d negra continue sendo fonte para mem\u00f3ria coletiva das pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, ou seja, que Dandara, Aqualtune, Acotirene, Zumbi e outros s\u00edmbolos da resist\u00eancia negra possam continuar inspirando a constitui\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds multicultural e plurirracial, que n\u00e3o s\u00f3 respeite, como tamb\u00e9m, valorize as diferen\u00e7as como ponto para desenvolvimento da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>*<em>Pesquisador colaborador do NEABI-CCHLA\/UFPB; Ativista do Movimento Negro e Assessor de Projetos do Fundo Brasil de Direitos Humanos<\/p>\n<p><\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 preciso lembrar de Zumbi dos Palmares e tamb\u00e9m da import\u00e2ncia das lutas das mulheres no espa\u00e7o palmarino<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-25053","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-6w5","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25053","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25053"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25053\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25054,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25053\/revisions\/25054"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}