{"id":25083,"date":"2019-11-21T11:46:12","date_gmt":"2019-11-21T15:46:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=25083"},"modified":"2019-11-21T11:46:12","modified_gmt":"2019-11-21T15:46:12","slug":"depois-do-ascenso-da-extrema-direita-o-que-vira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/11\/21\/depois-do-ascenso-da-extrema-direita-o-que-vira\/","title":{"rendered":"Depois do ascenso da extrema-direita o que vir\u00e1?"},"content":{"rendered":"<picture><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" title=\" (Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/publisher-publish.s3.eu-central-1.amazonaws.com\/pb-brasil247\/swp\/jtjeq9\/media\/20191121121112_0a4b9370-ca24-4f18-a434-1f169c6c1ab5.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><\/picture>\n<div class=\"article__lead\">\n<p>&#8220;A pergunta que se coloca agora \u00e9: o que vir\u00e1 ap\u00f3s o conservadorismo atroz da direita?&#8221;, questiona o te\u00f3logo Leonardo Boff. &#8220;Ser\u00e1 mais do mesmo? Mas isso \u00e9 muito muito perigoso, pois podemos ir ao encontro de um armargedom ecol\u00f3gico-social pondo em risco o futuro comum da Terra e da Humanidade&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>No 247, por Leonardo Boff<\/strong><\/p>\n<p>Fa\u00e7amos algumas constata\u00e7\u00f5es: consolidou-se a aldeia global; ocupamos praticamente todo o espa\u00e7o terrestre e exploramos o capital natural at\u00e9 os confins da mat\u00e9ria e da vida com a automa\u00e7\u00e3o, robotiza\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia artificial. Verificamos um ascenso atemorizador da extrema direita, bem expressa pelo ultra neoliberalismo radical e pelo fundamentalismo pol\u00edtico e religioso. Estamos imersos numa angustiante crise civilizat\u00f3ria que ganha corpo nas v\u00e1rias crises (clim\u00e1tica, alimentaria, energ\u00e9tica, econ\u00f4mico-financeira, \u00e9tica e espiritual). Inauguramos, segundo alguns, uma nova era geol\u00f3gica, o\u00a0<i>antropoceno<\/i>, na qual o ser humano comparece como o Sat\u00e3 da Terra. Em contraposi\u00e7\u00e3o, est\u00e1 surgindo uma outra era geol\u00f3gica, o\u00a0<i>ecoceno<\/i>\u00a0na qual a vida e n\u00e3o o crescimento ilimitado possui centralidade.<\/p>\n<p>A pergunta que se coloca agora \u00e9: o que vir\u00e1 ap\u00f3s o conservadorismo atroz da direita? Ser\u00e1 mais do mesmo? Mas isso \u00e9 muito muito perigoso, pois podemos ir ao encontro de um\u00a0<i>armargedom<\/i>\u00a0ecol\u00f3gico-social pondo em risco o futuro comum da Terra e da Humanidade. Tal trag\u00e9dia pode ocorrer a qualquer momento se a Intelig\u00eancia Artificial Aut\u00f4noma, por algoritmos ensandecidos, deslanchar uma guerra letal, sem que os seres humanos se deem conta e possam previamente impedi-la.<\/p>\n<p>Estamos sem sa\u00edda, rumando para um destino sem retorno? No limite, quando nos dermos conta de que poderemos desaparecer a\u00ed temos que mudar: quem sabe, a sa\u00edda poss\u00edvel ser\u00e1 passar do\u00a0<i>capital material<\/i>\u00a0para o capital\u00a0<i>humano-espiritual.\u00a0<\/i>Aquele tem limites e se exaure. Este \u00faltimo \u00e9 infinito e inexaur\u00edvel.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 limites para aquilo que s\u00e3o seus os conte\u00fados: a solidariedade, a coopera\u00e7\u00e3o, o amor, a compaix\u00e3o, o cuidado, o esp\u00edrito humanit\u00e1rio, valores em si infinitos, pois sua realiza\u00e7\u00e3o pode crescer sem cessar. O espiritual foi parcamente vivenciado por n\u00f3s. Mas o medo de desaparecer e dada a acumula\u00e7\u00e3o imensa de energias positivas, ele pode irromper como a grande alternativa que nos poder\u00e1 salvar.<\/p>\n<p>A centralidade do capital espiritual reside na vida em toda a sua diversidade, na conectitividade de todos com todos e, por isso, as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o inclusivas, no amor incondicional, na compaix\u00e3o, no cuidado de nossa Casa Comum e na abertura \u00e0 Transcend\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o significa que tenhamos que dispensar a raz\u00e3o instrumental e sua express\u00e3o na tecnoci\u00eancia. Sem elas n\u00e3o atender\u00edamos as complexas demandas humanas. Mas elas n\u00e3o teriam a exclusiva centralidade nem seriam mais destrutivas. Nestas, a\u00a0<i>raz\u00e3o instrumental-anal\u00edtica<\/i>\u00a0constitu\u00eda seu motor, no capital espiritual, a\u00a0<i>raz\u00e3o cordial<\/i>\u00a0e sens\u00edvel. A partir dela organizar-se-iam a vida social e a produ\u00e7\u00e3o. Na raz\u00e3o cordial se hospeda o mundo dos valores; dela se alimentam a vida espiritual a \u00e9tica e os grandes sonhos e produz as obras do esp\u00edrito, acima referidas.<\/p>\n<p>Imaginemos o seguinte cen\u00e1rio: se no tempo do desaparecimento dos dinossauros, h\u00e1 cerca de 67 milh\u00f5es de anos, houvesse um observador hipot\u00e9tico que se perguntasse: o que vir\u00e1 depois deles? Provavelmente diria: o aparecimento de esp\u00e9cies de dinos ainda maiores e mais vorazes. Ele estaria enganado. Sequer imaginaria que de um pequeno mam\u00edfero,nosso ancestral, vivendo na copa das \u00e1rvores mais altas, alimentando-se de flores e de brotos e tremendo de medo de ser devorado por algum dinossauro mais alto, iria irromper, milh\u00f5es de anos depois, algo absolutamente impensado: um ser de consci\u00eancia e de intelig\u00eancia &#8211; o\u00a0<i>ser humano<\/i>\u00a0&#8211; totalmente diferente dos dinossauros. N\u00e3o foi mais do mesmo. Foi um salto qualitativo novo.<br \/>\nSemelhantemente cremos que agora poder\u00e1 surgir um\u00a0<i>novo estado de consci\u00eancia<\/i>, imbu\u00eddo do inexaur\u00edvel capital espiritual. Agora \u00e9 o mundo do ser mais que do ter, da coopera\u00e7\u00e3o \u00a0mais do que da competi\u00e7\u00e3o, do<i>\u00a0bem-viver-e-convive<\/i>r mais do que do viver bem.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo, ent\u00e3o, seria descobrir o que est\u00e1 oculto em n\u00f3s: o\u00a0<i>capital espiritual.<\/i>\u00a0Sob sua reg\u00eancia, poderemos come\u00e7ar a organizar a sociedade, a produ\u00e7\u00e3o e o cotidiano. Ent\u00e3o a economia estaria a servi\u00e7o da vida e a vida penetrada pelos valores da auto-realiza\u00e7\u00e3o, da amoriza\u00e7\u00e3o e da alegria de viver.<br \/>\nMas isso n\u00e3o ocorre automaticamente. Podemos acolher o capital espiritual ou tamb\u00e9m recus\u00e1-lo. Mas mesmo recusado, ele se oferece como uma possibilidade sempre presente a ser abrigada. O espiritual n\u00e3o se identifica com nenhuma religi\u00e3o. Ele \u00e9 algo anterior, antropol\u00f3gico, que emerge das virtualidades de nossa profundidade \u00a0arquet\u00edpica.Mas a religi\u00e3o pode aliment\u00e1-lo e fortalec\u00ea-lo, pois se originou dele.<\/p>\n<p>Estimo que a atual crise nos abra a possibilidade de dar um centro axial ao capital espiritual. Dizem por a\u00ed que Buda, Jesus, Francisco de Assis, Gandhi, irm\u00e3 Dulce e tantos outros mestres, o teriam antecipado historicamente.<br \/>\nEles s\u00e3o os alimentadores de nosso princ\u00edpio-esperan\u00e7a, de sairmos da crise global que nos assola. Seremos mais humanos, integrando nossas sombras, reconciliados conosco mesmos, com a M\u00e3e Terra e com a \u00daltima Realidade.<br \/>\nEnt\u00e3o seremos mais plenamente n\u00f3s mesmos, entrela\u00e7ados por redes de rela\u00e7\u00f5es ternas e fraternas com todos os seres e entre todos n\u00f3s, co-iguais.<\/p>\n<div class=\"teads-inread teads-display sm-screen\"><\/div>\n<div class=\"teads-inread teads-display sm-screen\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A pergunta que se coloca agora \u00e9: o que vir\u00e1 ap\u00f3s o conservadorismo atroz da direita?&#8221;, questiona o te\u00f3logo Leonardo Boff. &#8220;Ser\u00e1 mais do mesmo? 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