{"id":25133,"date":"2019-11-24T18:07:01","date_gmt":"2019-11-24T22:07:01","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=25133"},"modified":"2019-11-24T18:07:07","modified_gmt":"2019-11-24T22:07:07","slug":"a-revolucao-dos-jovens-do-chile-contra-o-modelo-social-herdado-de-pinochet","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/11\/24\/a-revolucao-dos-jovens-do-chile-contra-o-modelo-social-herdado-de-pinochet\/","title":{"rendered":"A revolu\u00e7\u00e3o dos jovens do Chile contra o modelo social herdado de Pinochet"},"content":{"rendered":"\n<figure><iframe loading=\"lazy\" allowfullscreen=\"1\" width=\"100%\" height=\"100%\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HAp0MeKAL8E?autoplay=1&amp;modestbranding=1&amp;color=white&amp;frameborder=0&amp;embed_config=%7B%22autonavRelatedVideos%22%3Atrue%7D&amp;enablejsapi=1&amp;origin=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com&amp;widgetid=1\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/11\/23\/internacional\/1574543096_923129.html#comments_bar\"><\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Os estudantes se rebelam h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada contra o sistema educativo implantado na ditadura. Desta vez, conseguiram o apoio de grande parte da sociedade chilena<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/enric_gonzalez\/a\/\">ENRIC GONZ\u00c1LEZ<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No  El Pa\u00eds<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/c\/0d497cb7e550178c48c9d5b51ac33cbf\">insurrei\u00e7\u00e3o chilena<\/a>&nbsp;\u00e9 coisa de&nbsp;<em>muchachos<\/em>&nbsp;(jovens, mo\u00e7os). \u00c0s vezes, quase crian\u00e7as. Os estudantes se rebelam h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada contra o sistema educativo implantado por&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/augusto_pinochet\">Augusto Pinochet<\/a>&nbsp;e contra a heran\u00e7a da ditadura. Desta vez, conseguiram o apoio de grande parte da sociedade chilena. \u201cNos acostumamos \u00e0 viol\u00eancia, n\u00e3o temos nada a perder\u201d, diz V\u00edctor Chanfreau, de 17 anos, porta-voz da assembleia de estudantes secundaristas. \u201cO neoliberalismo nasceu no Chile e morrer\u00e1 no Chile&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/11\/02\/internacional\/1572723876_406423.html\">Nas ruas de Santiago, devastadas ap\u00f3s quase cinco semanas de protestos e destro\u00e7os<\/a>, as batalhas campais s\u00e3o cotidianas. Os&nbsp;<em>Carabineros<\/em>&nbsp;[pol\u00edcia militarizada], conhecidos como&nbsp;<em>pacos<\/em>, e o Ex\u00e9rcito atuam com&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/10\/23\/internacional\/1571853243_392906.html\">uma dureza que beira a brutalidade durante o estado de emerg\u00eancia<\/a>. J\u00e1 s\u00e3o 23 os mortos em todo o pa\u00eds.&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/11\/21\/album\/1574357196_428534.html\">Mais de 200 pessoas perderam os olhos<\/a>&nbsp;ou sofreram les\u00f5es oculares graves porque as for\u00e7as de seguran\u00e7a n\u00e3o hesitam em disparar balas de efeito moral. Mas os jovens continuam se manifestando. Os feridos recebem atendimento m\u00e9dico em centros improvisados. \u201cT\u00eam uma coragem que n\u00f3s, amedrontados pela experi\u00eancia da ditadura, n\u00e3o pudemos ter\u201d, afirma Carla Pe\u00f1aloza, doutora em Hist\u00f3ria e professora da Universidade do Chile.<br><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso conversar com Pe\u00f1aloza num caf\u00e9, porque o edif\u00edcio da Universidade foi ocupado pelos estudantes. Trata-se de uma ocupa\u00e7\u00e3o organizada, e um recepcionista atende, af\u00e1vel, atr\u00e1s de uma mesa que bloqueia a entrada. L\u00e1 fora h\u00e1 uma manifesta\u00e7\u00e3o de professores. O ambiente parece pr\u00f3prio de uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. \u201cTudo isso \u00e0s vezes cansa e d\u00e1 medo, mas a normalidade em que viv\u00edamos era falsa; a realidade \u00e9 o que vivemos agora\u201d, diz a docente.<\/p>\n\n\n\n<p>Pinochet promulgou a Lei Org\u00e2nica Constitucional do Ensino, publicada no Di\u00e1rio Oficial em 10 de mar\u00e7o de 1990 \u2014mesmo dia em que o ditador cedeu a presid\u00eancia a Patricio Aylwin. Seu \u00faltimo legado foi um sistema educativo que entregava o ensino p\u00fablico aos munic\u00edpios e favorecia a segrega\u00e7\u00e3o entre centros para ricos e centros para pobres, al\u00e9m de limitar um gasto estatal que ainda hoje, ap\u00f3s v\u00e1rias reformas, continua sendo o mais baixo entre os pa\u00edses da OCDE. Era uma educa\u00e7\u00e3o ajustada aos dogmas neoliberais. A universidade privada exige que os estudantes se endividem durante anos ou d\u00e9cadas para pagarem os cursos.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira grande explos\u00e3o estudantil ocorreu em 2006. Foi a chamada revolu\u00e7\u00e3o dos pinguins, por causa dos uniformes escolares. Mais de 400 centros fecharam, e 600.000 rapazes participaram das marchas e greves do 30 de Maio: foi a grande crise que inaugurou a presid\u00eancia de&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/michelle_bachelet\">Michelle Bachelet<\/a>, uma antiga v\u00edtima da ditadura que acabava de chegar ao pal\u00e1cio de La Moneda. A rebeli\u00e3o dos jovens explodiu de novo em 2008, 2011,2012, 2015 e 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>O atual presidente, o conservador&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sebastian_pinera\">Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era<\/a>, teve uma ideia para acabar com as rebeli\u00f5es estudantis. Sua lei Sala Segura, aprovada no ano passado pelo Congresso, permitia expulsar os alunos que portassem algum tipo de arma, cometessem algum tipo de agress\u00e3o ou causassem \u201cdanos \u00e0 infraestrutura\u201d. Na pr\u00e1tica, a norma permitia expulsar os que protagonizassem protestos, como a ocupa\u00e7\u00e3o de uma escola. Com isso, muitos garotos se convenceram de que n\u00e3o deviam esperar nada da presid\u00eancia ou dos parlamentares. O Congresso \u00e9 hoje uma institui\u00e7\u00e3o sem nenhum prest\u00edgio entre os jovens contestadores e percebido pela maior parte da sociedade, segundo diversas pesquisas, como quase irrelevante. Muitos deputados atribuem o problema \u00e0 impossibilidade de acabar com o ajuste constitucional imposto por Pinochet.<\/p>\n\n\n\n<p>O darwinismo social legado pela ditadura, o culto aos \u00e2mbitos individual e privado em oposi\u00e7\u00e3o ao coletivo e p\u00fablico, marcou uma gera\u00e7\u00e3o. \u201cNas manifesta\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos dias, vivenciei pela primeira vez na vida um sentimento de comunidade\u201d, diz uma jovem escritora nascida quando a ditadura se transformou numa democracia vigiada pelo pr\u00f3prio Pinochet, a partir da chefatura do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Opini\u00f5es divergentes<\/h3>\n\n\n\n<p>A jovem prefere n\u00e3o dar seu nome. \u00c9 uma cautela frequente. Talvez por uma (justificada) desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imprensa, talvez pelo medo de expressar opini\u00f5es que divergem do sentimento coletivo. Um grupo de estudantes se senta na Avenida Providencia e bloqueia o tr\u00e2nsito ao meio-dia tamb\u00e9m prefere que seus coment\u00e1rios sejam atribu\u00eddos a \u201cn\u00f3s\u201d. \u201cN\u00f3s queremos que este sistema injusto acabe agora, que os repressores paguem e que o Chile deixe de ser propriedade dos&nbsp;<em>cuicos<\/em>&nbsp;[classe alta e dominante]\u201d, diz uma adolescente de uniforme, pouco antes de os&nbsp;<em>Carabineros<\/em>&nbsp;dispersarem o grupo com jatos de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudantes que bloqueiam o tr\u00e2nsito n\u00e3o pertencem a fam\u00edlias pobres, mas tampouco se sentem parte desse \u201cn\u00facleo\u201d abstrato que costuma ser resumido em alguns sobrenomes transformados em s\u00edmbolos (Larra\u00edn, Walker, Edwards, Zald\u00edvar) e recitados como uma ora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o sistema privilegia os poderosos. Um claro exemplo disso foi o dos empres\u00e1rios Carlos D\u00e9lano e Carlos Lav\u00edn, que ano passado, ap\u00f3s cometerem uma enorme fraude fiscal, foram condenados a uma pena de quatro anos de pris\u00e3o que o pr\u00f3prio juiz substituiu por uma obriga\u00e7\u00e3o de comparecer a aulas de \u00e9tica. \u201cOs abusos s\u00e3o escandalosos\u201d, diz um executivo espanhol que trabalha para uma empresa chilena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLutamos pela educa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m por aposentadorias decentes, por um sal\u00e1rio m\u00ednimo digno, pelo direito ao aborto, pelo fim do sistema opressivo\u201d, enumera o porta-voz estudantil V\u00edctor Chanfreau. \u201cQue n\u00e3o nos digam que essas coisas n\u00e3o s\u00e3o assunto nosso, porque s\u00e3o: afetam nossos familiares e nos afetar\u00e3o no futuro\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Chanfreau, que foi detido algumas vezes durante os mandatos de Bachelet e Pi\u00f1era, \u00e9 neto de Alfonso Chanfreau, um desaparecido na ditadura de 1974. N\u00e3o recrimina os pais pelo medo de protestarem nas ruas. \u201cEles sofreram a ditadura militar e uma repress\u00e3o terr\u00edvel. \u00c9 normal. Entendo que minha m\u00e3e tema por mim\u201d. O importante, segundo ele, \u00e9 que o medo esteja se transformando em \u201craiva, alegria, capacidade de organiza\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cN\u00f3s, jovens, n\u00e3o somos os her\u00f3is dessa hist\u00f3ria. Cada pessoa que se mobiliza \u00e9 heroica\u201d, afirma.<br><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"mailto:?subject=A%20revolu%C3%A7%C3%A3o%20dos%20jovens%20do%20Chile%20contra%20o%20modelo%20social%20herdado%20de%20Pinochet&amp;body=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com%2Fbrasil%2F2019%2F11%2F23%2Finternacional%2F1574543096_923129.html%3Fprm=enviar_email\"><\/a><br><\/h4>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/youtu.be\/eGYWnHwLDaA\"> <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os estudantes se rebelam h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada contra o sistema educativo implantado na ditadura. 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