{"id":25381,"date":"2019-12-08T19:54:38","date_gmt":"2019-12-08T23:54:38","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=25381"},"modified":"2019-12-08T19:54:48","modified_gmt":"2019-12-08T23:54:48","slug":"medicos-brasileiros-nao-querem-trabalhar-com-saude-da-familia-e-com-pobres-mostra-estudo-da-usp","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/12\/08\/medicos-brasileiros-nao-querem-trabalhar-com-saude-da-familia-e-com-pobres-mostra-estudo-da-usp\/","title":{"rendered":"M\u00e9dicos brasileiros n\u00e3o querem trabalhar com Sa\u00fade da Fam\u00edlia e com pobres, mostra Estudo da USP"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/12\/05_12_medicos_fotos_pxhere.jpg?w=600\" alt=\"Resultado de imagem para M\u00e9dicos brasileiros n\u00e3o querem trabalhar com Sa\u00fade da Fam\u00edlia e com pobres, mostra Estudo da USP\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Humanitas Unisinos &#8211; &#8220;\u00c9 claro que a editoria da Folha n\u00e3o chamaria a aten\u00e7\u00e3o para o que na verdade \u00e9 o central do problema, mas t\u00e1 ali, bem expresso no conte\u00fado da pr\u00f3pria&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O coment\u00e1rio \u00e9 de&nbsp;<strong>Lu\u00edz M\u00fcller<\/strong>, publicado por&nbsp;<strong>Lu\u00edz M\u00fcller Blog<\/strong>, 03-12-2018.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00f3 3,7% querem atuar exclusivamente com&nbsp;<strong>Medicina da Fam\u00edlia<\/strong>&nbsp;e 66,2% dizem que n\u00e3o desejam atuar na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Dados s\u00e3o da&nbsp;<strong>pesquisa da USP<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Conselho Federal de Medicina<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>\u201cO perfil atual de alunos ainda \u00e9 muito distante do perfil da popula\u00e7\u00e3o. A medicina \u00e9 um curso de&nbsp;<strong>brancos<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>ricos<\/strong>.\u201d(Extratos da&nbsp;<strong>Mat\u00e9ria<\/strong>&nbsp;da&nbsp;<strong>Folha<\/strong>&nbsp;que publico a seguir)<\/p>\n\n\n\n<p>Dados in\u00e9ditos de uma pesquisa com 4.601 graduados entre 2014 e 2015 mostram que s\u00f3 3,7% deles desejavam trabalhar exclusivamente nesse setor, respons\u00e1vel pelo atendimento nas&nbsp;<strong>unidades de sa\u00fade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/584677-saida-de-cubanos-do-mais-medicos-pode-deixar-28-milhoes-desassistidos-diz-cnm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">M\u00e9dicos Cubanos do Mais M\u00e9dicos<\/a>&nbsp;exerciam a&nbsp;<strong>medicina preventiva<\/strong>, visitando as fam\u00edlias, inclusive nops rinc\u00f5es mais pobres. Agora com a sa\u00edda dos&nbsp;<strong>m\u00e9dicos cubanos<\/strong>, veio o embuste:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/585194-so-1-3-de-novas-vagas-de-graduacao-vai-para-areas-prioritarias-do-mais-medicos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">M\u00e9dicos brasileiros<\/a>&nbsp;se inscreveram em boa parte das vagas abertas pela expuls\u00e3o dos&nbsp;<strong>m\u00e9dicos cubanos<\/strong>&nbsp;mas boa parte deste brasileiros nem se apresentou nas vagas para as quais se inscreveram, por que n\u00e3o querem atuar como \u201cgeneralistas\u201d e muito menos visitar fam\u00edlias para fazer&nbsp;<strong>medicina preventiva<\/strong>, ou seja, evitar que as pessoas fiquem doentes antecipando-lhes o atendimento. Diferente de&nbsp;<strong>Cuba<\/strong>&nbsp;e de boa parte do mundo, aqui os m\u00e9dicos querem \u00e9 ser \u201cespecialistas\u201d em determinada \u00e1rea. E a raz\u00e3o esta expressa na frase de&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/582607-o-governo-tenta-aprovar-uma-antiga-agenda-do-setor-privado-entrevista-com-mario-scheffer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">M\u00e1rio Scheffer<\/a>, autor do Estudo:&nbsp;<strong>Os formados vem de fam\u00edlias brancas e ricas<\/strong>. Nem sabem o que \u00e9&nbsp;<strong>pobreza<\/strong>. Vivem num mundo a parte. Por isto nem sabem que a maioria da&nbsp;<strong>popula\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;\u00e9&nbsp;<strong>pobre<\/strong>&nbsp;e muito menos querem saber. Fiz este pequeno coment\u00e1rio introdut\u00f3rio para publicar a mat\u00e9ria da&nbsp;<strong>Folha<\/strong>&nbsp;sobre o tema. \u00c9 claro que a editoria da Folha n\u00e3o chamaria a aten\u00e7\u00e3o para o que na verdade \u00e9 o central do problema, mas t\u00e1 ali, bem expresso no conte\u00fado da pr\u00f3pria:<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aposta do Mais M\u00e9dicos, resid\u00eancia em medicina da fam\u00edlia tem 70% das vagas ociosas<\/h3>\n\n\n\n<p>Aposta do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/585118-adesao-ao-mais-medicos-cria-deficit-no-sus\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mais M\u00e9dicos<\/a>&nbsp;para atrair profissionais para as&nbsp;<strong>unidades de sa\u00fade<\/strong>,&nbsp;<strong>programas de resid\u00eancia<\/strong>&nbsp;em&nbsp;<strong>medicina da fam\u00edlia e comunidade<\/strong>&nbsp;t\u00eam atualmente quase 70% das vagas ociosas.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem \u00e9 de&nbsp;<strong>Nat\u00e1lia Cancian<\/strong>, publicada por&nbsp;<strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>, 03-12-2018.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos cinco anos, o n\u00famero de vagas para a especialidade cuja principal fun\u00e7\u00e3o \u00e9 prestar cuidados de sa\u00fade e prevenir doen\u00e7as de uma comunidade cresceu mais de 260% \u2014de 991 para 3.587.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da amplia\u00e7\u00e3o, dados do&nbsp;<strong>Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;obtidos pela&nbsp;<strong>Folha<\/strong>&nbsp;mostram que a ades\u00e3o a esse modelo ainda \u00e9 baixa. Neste ano, de 3.587 vagas autorizadas para ingresso na resid\u00eancia em&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/171-noticias\/noticias-2013\/523342-doutor-garcia-como-trabalha-o-medico-de-familia-em-cuba\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">medicina da fam\u00edlia<\/a>, s\u00f3 1.183 foram preenchidas \u201433%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para especialistas, o problema ocorre devido \u00e0 baixa remunera\u00e7\u00e3o desses profissionais e \u00e0 pouca atratividade da carreira na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Diante da falta de equipes nessa \u00e1rea, o&nbsp;<strong>Mais M\u00e9dicos<\/strong>&nbsp;fez parceria para ter&nbsp;<strong>profissionais cubanos<\/strong>&nbsp;nos \u00faltimos anos. No m\u00eas passado,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/584680-mais-medicos-se-cubanos-forem-embora-quando-chegarao-os-proximos-diz-medico-de-cuba-que-chegou-ao-brasil-nos-anos-1990\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cuba anunciou a sa\u00edda do programa<\/a>, por divergir das condi\u00e7\u00f5es impostas pelo presidente eleito&nbsp;<strong>Jair Bolsonaro<\/strong>&nbsp;(<strong>PSL<\/strong>), como&nbsp;<strong>revalida\u00e7\u00e3o do diploma<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>mudan\u00e7as na remunera\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;\u2014<strong>Havana<\/strong>&nbsp;s\u00f3 repassa cerca de um quarto aos profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diogo Sampaio<\/strong>, que representa a&nbsp;<strong>AMB<\/strong>&nbsp;(<strong>Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira<\/strong>) na&nbsp;<strong>Comiss\u00e3o Nacional de Resid\u00eancia M\u00e9dica<\/strong>, ressalta que \u201cn\u00e3o \u00e9 preciso ser&nbsp;<strong>m\u00e9dico de fam\u00edlia<\/strong>&nbsp;para poder atender na&nbsp;<strong>unidade de sa\u00fade<\/strong>\u201d. \u201cPor isso h\u00e1 uma ociosidade muito alta\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns casos, a baixa ades\u00e3o, somada \u00e0 falta de preceptores, nome dado aos&nbsp;<strong>m\u00e9dicos<\/strong>&nbsp;designados para orientar os residentes, j\u00e1 faz com que parte das vagas dispon\u00edveis nem sejam ofertadas. Inicialmente, o objetivo do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/584837-governadores-do-ne-citam-vazio-assistencial-no-mais-medicos-em-carta-de-prioridades-a-bolsonaro\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mais M\u00e9dicos<\/a>&nbsp;era ampliar as vagas nesta especialidade como estrat\u00e9gia para aumentar equipes dispostas a atuar nas&nbsp;<strong>unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade<\/strong>. Hoje, o pa\u00eds tem 6.000 especialistas em&nbsp;<strong>medicina da fam\u00edlia e comunidade<\/strong>, menos de 2% do total de m\u00e9dicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para facilitar a ades\u00e3o, a lei que criou o programa chegou a prever que a resid\u00eancia em&nbsp;<strong>medicina da fam\u00edlia<\/strong>&nbsp;se tornasse pr\u00e9-requisito para a forma\u00e7\u00e3o na maioria das outras&nbsp;<strong>especialidades<\/strong>&nbsp;em 2019. A condi\u00e7\u00e3o para que a medida entrasse em vigor, por\u00e9m, era que o n\u00famero de vagas em um grupo de dez resid\u00eancias espec\u00edficas fosse equivalente ao de egressos de cursos de medicina, o que n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, o pa\u00eds teve cerca de 17 mil egressos de&nbsp;<strong>medicina<\/strong>. Para compara\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de vagas dessas resid\u00eancias soma atualmente 4.034. Com isso, membros do&nbsp;<strong>Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;ouvidos pela&nbsp;<strong>Folha<\/strong>&nbsp;j\u00e1 ressaltam que a medida n\u00e3o ser\u00e1 cumprida.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois fatores colaboram para isso. Um deles \u00e9 o impasse em atingir a meta prevista no&nbsp;<strong>Mais M\u00e9dicos<\/strong>, considerada pouco fact\u00edvel no governo. Outro seria o risco de um \u201capag\u00e3o\u201d no atendimento de algumas especialidades. \u201cHoje, muitos hospitais dependem do residente para funcionar. Se fizesse essa transi\u00e7\u00e3o de forma brusca, seria invi\u00e1vel\u201d, afirma&nbsp;<strong>Daniel Knupp<\/strong>, presidente da&nbsp;<strong>SBMFC<\/strong>&nbsp;(<strong>Sociedade Brasileira de Medicina de Fam\u00edlia<\/strong>).<\/p>\n\n\n\n<p>Para a&nbsp;<strong>SBMFC<\/strong>, a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/584894-mais-medicos-como-programa-economizou-um-terco-do-orcamento-ao-diminuir-internacoes-hospitalares\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">crise no Mais M\u00e9dicos<\/a>&nbsp;gerada pela&nbsp;<strong>sa\u00edda de cubanos<\/strong>&nbsp;pode ser uma oportunidade para uma reformula\u00e7\u00e3o nas regras de oferta desse tipo de resid\u00eancia. A entidade sugere que o incentivo dado aos cubanos seja repassado para vagas de resid\u00eancia em&nbsp;<strong>medicina da fam\u00edlia<\/strong>. Com isso, em vez dos R$ 3.300 de bolsa da resid\u00eancia, os profissionais receberiam R$ 11,8 mil, valor pago a profissionais do&nbsp;<strong>Mais M\u00e9dicos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O modelo \u00e9 semelhante ao adotado no&nbsp;<strong>Rio<\/strong>, onde residentes em&nbsp;<strong>medicina da fam\u00edlia<\/strong>&nbsp;recebem uma complementa\u00e7\u00e3o da prefeitura ao valor da bolsa de resid\u00eancia \u2014o que faz com que chegue a R$ 10 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1, a medida, somada ao b\u00f4nus de 20% no sal\u00e1rio para formados na especialidade, colaborou para a ades\u00e3o ao programa. No in\u00edcio, eram 60 vagas. Hoje, s\u00e3o 150. J\u00e1 a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o variou nos \u00faltimos anos de 75% a 100%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o superintendente de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria do Rio,&nbsp;<strong>Leonardo Graever<\/strong>, a resid\u00eancia na especialidade \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o para aumentar o n\u00famero de m\u00e9dicos dispostos a atuar nas&nbsp;<strong>unidades de sa\u00fade<\/strong>. \u201cEm dois anos, tem-se um profissional de qualidade e apto a lidar com os problemas mais comuns da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o adianta o munic\u00edpio oferecer resid\u00eancia em neurocirurgia se a maior demanda \u00e9 outra\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que seja poss\u00edvel ampliar a ades\u00e3o \u00e0&nbsp;<strong>medicina da fam\u00edlia<\/strong>, mudan\u00e7as no mercado de atua\u00e7\u00e3o desses profissionais trazem d\u00favidas sobre a perman\u00eancia deles no&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/584994-o-sus-sobrevivera-a-era-bolsonaro\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SUS<\/a>.&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/580564-flexibilizacao-da-regulacao-dos-planos-de-saude-faz-parte-do-projeto-de-desmontar-o-sus-entrevista-especial-com-carlos-octavio-ocke-reis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planos de sa\u00fade<\/a>&nbsp;t\u00eam aumentado a oferta de acompanhamento por&nbsp;<strong>m\u00e9dicos de fam\u00edlia<\/strong>. O objetivo \u00e9 prevenir doen\u00e7as, reduzir interna\u00e7\u00f5es e, com isso, cortar custos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo em que representa um aumento na possibilidade de atua\u00e7\u00e3o desses profissionais, a medida pode trazer dificuldade para que a rede p\u00fablica mantenha essas equipes. Isso porque, em alguns lugares, sal\u00e1rios ofertados chegam a R$ 25 mil. \u201cO que garante que os especialistas formados nessas novas vagas v\u00e3o permanecer nos locais onde n\u00e3o t\u00eam m\u00e9dicos e no&nbsp;<strong>SUS<\/strong>?\u201d, questiona&nbsp;<strong>M\u00e1rio Scheffer<\/strong>, da Faculdade de Medicina da USP. \u201cJ\u00e1 perdemos alguns bons profissionais para planos de sa\u00fade\u201d, relata&nbsp;<strong>Graever<\/strong>, do Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para&nbsp;<strong>Hermano Castro<\/strong>, diretor da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica, o ideal seria aumentar o est\u00edmulo \u00e0 busca por vagas de&nbsp;<strong>medicina da fam\u00edlia<\/strong>&nbsp;na gradua\u00e7\u00e3o e investir em plano de carreira para fixar esses profissionais no&nbsp;<strong>SUS<\/strong>.&nbsp;<strong>Sampaio<\/strong>, da&nbsp;<strong>AMB<\/strong>, concorda. \u201cSe tiv\u00e9ssemos uma carreira de estado, a ociosidade nas vagas ia ser zero\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos rec\u00e9m-formados, apenas 4% miram&nbsp;<strong>unidades de sa\u00fade<\/strong>. Considerada uma \u00e1rea estrat\u00e9gica e capaz de solucionar at\u00e9 80% dos problemas que chegam ao&nbsp;<strong>SUS<\/strong>, a&nbsp;<strong>aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica em sa\u00fade<\/strong>&nbsp;tem registrado baixa ades\u00e3o de rec\u00e9m-formados em medicina quando o assunto \u00e9 a prefer\u00eancia no mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados in\u00e9ditos de uma pesquisa com 4.601 graduados entre 2014 e 2015 mostram que s\u00f3 3,7% deles desejavam trabalhar exclusivamente nesse setor, respons\u00e1vel pelo atendimento nas&nbsp;<strong>unidades de sa\u00fade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 30,1% dizem que at\u00e9 aceitam trabalhar na \u00e1rea, mas tamb\u00e9m assinalam outras, como hospitais e consult\u00f3rios particulares.<\/p>\n\n\n\n<p>Na outra ponta, 66,2% dizem que n\u00e3o desejam atuar na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Os dados fazem parte de um novo recorte da pesquisa&nbsp;<strong>Demografia M\u00e9dica<\/strong>, divulgada neste ano pela&nbsp;<strong>USP<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Conselho Federal de Medicina<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para&nbsp;<strong>M\u00e1rio Scheffer<\/strong>, autor do estudo, os dados mostram uma dist\u00e2ncia entre as demandas e as prefer\u00eancias dos profissionais. \u201c\u00c9 uma prefer\u00eancia muito aqu\u00e9m do que precisa o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/581727-sus-e-mais-do-que-uma-politica-de-saude-publica-entrevista-especial-com-jairnilson-paim\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">sistema de sa\u00fade<\/a>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, a menor op\u00e7\u00e3o por trabalhar exclusivamente na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica coincide com as caracter\u00edsticas do mercado de trabalho na medicina, marcado pela multiplicidade de empregos e maior direcionamento ao setor privado.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro impasse \u00e9 o acesso restrito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica a alunos de perfil mais alto de renda. Dados da pesquisa&nbsp;<strong>Demografia M\u00e9dica<\/strong>&nbsp;mostram que 77% dos estudantes se declaram brancos e que 79% v\u00eam de escolas particulares. \u201cO perfil atual de alunos ainda \u00e9 muito distante do perfil da popula\u00e7\u00e3o. A&nbsp;<strong>medicina<\/strong>&nbsp;\u00e9 um curso de brancos e ricos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E como atrair os estudantes para a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica na gradua\u00e7\u00e3o? Para&nbsp;<strong>Scheffer<\/strong>, o ideal seria investir em mudan\u00e7as nas diretrizes curriculares, com mais conte\u00fados voltados para a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria desde a gradua\u00e7\u00e3o.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Humanitas Unisinos &#8211; &#8220;\u00c9 claro que a editoria da Folha n\u00e3o chamaria a aten\u00e7\u00e3o para o que na verdade \u00e9 o central do problema, mas t\u00e1 ali, bem expresso no conte\u00fado da pr\u00f3pria&#8221; O coment\u00e1rio \u00e9 de&nbsp;Lu\u00edz M\u00fcller, publicado por&nbsp;Lu\u00edz M\u00fcller Blog, 03-12-2018.&nbsp; \u201cS\u00f3 3,7% querem atuar exclusivamente com&nbsp;Medicina da Fam\u00edlia&nbsp;e 66,2% dizem que n\u00e3o&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/12\/08\/medicos-brasileiros-nao-querem-trabalhar-com-saude-da-familia-e-com-pobres-mostra-estudo-da-usp\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-25381","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-6Bn","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25381","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25381"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25381\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25382,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25381\/revisions\/25382"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25381"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25381"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25381"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}