{"id":25576,"date":"2019-12-16T17:13:17","date_gmt":"2019-12-16T21:13:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=25576"},"modified":"2019-12-16T17:13:28","modified_gmt":"2019-12-16T21:13:28","slug":"agrotoxico-mais-encontrado-em-frutas-e-verduras-no-brasil-e-fatal-para-abelhas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/12\/16\/agrotoxico-mais-encontrado-em-frutas-e-verduras-no-brasil-e-fatal-para-abelhas\/","title":{"rendered":"Agrot\u00f3xico mais encontrado em frutas e verduras no Brasil \u00e9 fatal para abelhas"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"337\" width=\"600\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/agrotoxico-mais-encontrado-em-frutas-e-verduras-no-brasil-e-fatal-para-abelhas-img1-1-696x391.jpg?resize=600%2C337\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Da\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/apublica.org\/2019\/12\/agrotoxico-mais-encontrado-em-frutas-e-verduras-no-brasil-e-fatal-para-abelhas\/\" target=\"_blank\">Ag\u00eancia P\u00fablica<\/a> &#8211; Um agrot\u00f3xico fatal para as abelhas foi o mais encontrado em um levantamento do governo que analisa o res\u00edduo de pesticidas em frutas e verduras vendidas em todo pa\u00eds. O resultado da nova edi\u00e7\u00e3o do Programa de An\u00e1lise de Res\u00edduos de Agrot\u00f3xicos em Alimentos, o PARA, foi divulgado pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) na semana passada e mostrou tamb\u00e9m que em 51% dos testes realizados foi encontrado alguma quantidade de res\u00edduo de agrot\u00f3xico nos alimentos.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Na pesquisa, que testou 4.616 amostras de 14 alimentos, o ingrediente ativo Imidacloprido foi o mais encontrado. Ele \u00e9 um neonicotinoides, um inseticida derivado da nicotina que tem capacidade de se espalhar por todas as partes da planta e, por isso, \u00e9 fatal para os polinizadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma reportagem da&nbsp;<strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<em>Rep\u00f3rter Brasil<\/em>&nbsp;revelou em mar\u00e7o deste ano que&nbsp;<a href=\"https:\/\/apublica.org\/2019\/03\/apicultores-brasileiros-encontram-meio-bilhao-de-abelhas-mortas-em-tres-meses\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mais de 500 milh\u00f5es de abelhas morreram em tr\u00eas meses<\/a>&nbsp;em quatro estados brasileiros. Uma das principais causas das mortes foi justamente o contato com agrot\u00f3xicos \u00e0 base de neonicotinoides, que atingem o sistema nervoso central das abelhas \u2013 afetando a capacidade de aprendizagem e mem\u00f3ria, fazendo com que muitas delas percam a capacidade de encontrar o caminho de volta para a colmeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter um agrot\u00f3xico fatal para abelhas como o mais encontrado em alimentos \u00e9 um alerta tamb\u00e9m para a sa\u00fade humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro porque ele acaba sendo consumido pelas pessoas. \u201cEsse tipo de produto que se espalha por toda a planta \u00e9 muito perigoso, pois lavar o alimento ou descasc\u00e1-lo n\u00e3o \u00e9 suficiente para retirar os res\u00edduos de agrot\u00f3xico, que j\u00e1 circulam dentro da planta\u201d, explica engenheiro agr\u00f4nomo Leonardo Melgarejo, vice-presidente da regional sul da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia (ABA).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro problema desse tipo de agrot\u00f3xico ser o mais detectado no PARA \u00e9 que, ao matar abelhas, se prejudica tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o das lavouras. Isso porque elas s\u00e3o as principais polinizadores da maioria dos ecossistemas, promovendo a reprodu\u00e7\u00e3o de diversas esp\u00e9cies. No Brasil, das 141 esp\u00e9cies de plantas cultivadas para alimenta\u00e7\u00e3o humana e animal, cerca de 60% dependem em certo grau da poliniza\u00e7\u00e3o das abelhas. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), 75% dos cultivos destinados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o humana no mundo dependem das abelhas.<\/p>\n\n\n\n<p>No PARA, o Imidacloprido foi encontrado em 713 amostras, ou cerca de 15% de todos os alimentos testados. Oito produtos agrot\u00f3xicos \u00e0 base de Imidacloprido foram autorizados pelo governo de Jair Bolsonaro neste ano, com registros de comercializa\u00e7\u00e3o indo para as multinacionais estrangeiras Sulphur Mills, Albaugh Agro (dois registros), Helm, Nufarm, Tide e Tradecorp, e para a nacional AllierBrasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o anterior do PARA, com an\u00e1lises feitas entre 2013 e 2015, o Imidacloprido havia sido apenas o quinto ingrediente ativo mais encontrado nas amostras. Segundo a Anvisa, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel comparar os resultados porque a metodologia de pesquisa mudou \u2014 alimentos e per\u00edodos de an\u00e1lise agora s\u00e3o diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Resultados n\u00e3o s\u00e3o positivos<\/p>\n\n\n\n<p>A pedido da&nbsp;<strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong>&nbsp;e da&nbsp;<em>Rep\u00f3rter Brasil<\/em>, especialistas de organiza\u00e7\u00f5es que estudam o tema dos agrot\u00f3xicos analisaram o relat\u00f3rio,&nbsp;<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/programa-de-analise-de-residuos-de-agrotoxicos-relatorio-2017-e-2018.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">disponibilizado no site da Anvisa<\/a>, e afirmaram que os resultados s\u00e3o alarmantes, ao contr\u00e1rio do que fez parecer o tom otimista da&nbsp;<a href=\"http:\/\/portal.anvisa.gov.br\/noticias\/-\/asset_publisher\/FXrpx9qY7FbU\/content\/estudo-indica-alimentos-de-origem-vegetal-sao-seguros\/219201?p_p_auth=gm6ufOHZ&amp;inheritRedirect=false&amp;redirect=http%3A%2F%2Fportal.anvisa.gov.br%2Fnoticias%3Fp_p_auth%3Dgm6ufOHZ%26p_p_id%3D101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3D_118_INSTANCE_KzfwbqagUNdE__column-1%26p_p_col_count%3D1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">divulga\u00e7\u00e3o oficial do relat\u00f3rio<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Melgarejo, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia (ABA), o relat\u00f3rio acende um alerta. \u201cO n\u00famero de 23% dos produtos apresentarem agrot\u00f3xico acima do permitido \u00e9 assustador. E os 27% com veneno abaixo do limite n\u00e3o traz tranquilidade\u201d, diz. \u201cNas defini\u00e7\u00f5es de limites aceit\u00e1veis, \u00e9 tido como base uma pessoa adulta de 50 quilos. Mas estamos alimentando crian\u00e7as e beb\u00eas com esses mesmos alimentos. Estar abaixo do limite considerado seguro para um adulto de 50 quilos n\u00e3o significa dizer que \u00e9 seguro para um beb\u00ea ou crian\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Representantes da Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos e Pela Vida tamb\u00e9m criticaram o posicionamento da Anvisa em rela\u00e7\u00e3o ao relat\u00f3rio, qualificado como \u201croupa bonita para um conte\u00fado altamente t\u00f3xico\u201d. Em nota, a organiza\u00e7\u00e3o diz que apesar do aspecto t\u00e9cnico da publica\u00e7\u00e3o, o release divulgado no site da Anvisa \u00e9 \u201cextremamente otimista\u201d. Segundo eles, o tom \u00e9 \u201cde uma pe\u00e7a de propaganda pol\u00edtica para um relat\u00f3rio que, lido atentamente, traz grandes preocupa\u00e7\u00f5es para a sociedade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o completa dizendo que \u201cem um contexto de uso crescente de agrot\u00f3xicos ano a ano, e tamb\u00e9m de aumento sistem\u00e1tico das intoxica\u00e7\u00f5es por agrot\u00f3xicos, \u00e9 lament\u00e1vel ver a Ag\u00eancia que deveria garantir a seguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o minimizando resultados grav\u00edssimos sobre as condi\u00e7\u00f5es da comida servida ao povo brasileiro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Greenpeace, a comunica\u00e7\u00e3o dos resultados foi \u201cmaquiada\u201d. \u201cOs problemas continuam os mesmos, mas a forma otimista que eles divulgaram faz parecer que melhorou, e isso, infelizmente, foi replicado por muitos ve\u00edculos de imprensa. Ainda temos mais de 50% dos alimentos com alguma quantidade de agrot\u00f3xicos. E os 27% com agrot\u00f3xicos abaixo do limite s\u00e3o question\u00e1veis, pois esses limites s\u00e3o muito fr\u00e1geis quando falamos de v\u00e1rias alimenta\u00e7\u00e3o completas durante o dia, com mistura de alimentos e subst\u00e2ncias, que tem um efeito diferente de um produto isolado\u201d, explica Marina Lac\u00f4rte, especialista em Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o do Greenpeace.<\/p>\n\n\n\n<p>Criado em 2001, o PARA testou nesta vers\u00e3o 14 produtos da dieta da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2014 abacaxi, alface, alho, arroz, batata-doce, beterraba, cenoura, chuchu, goiaba, laranja, manga, piment\u00e3o, tomate e uva. As amostras foram recolhidas em estabelecimentos de 77 munic\u00edpios, entre agosto de 2017 a junho de 2018, ou seja, antes do in\u00edcio do governo de Jair Bolsonaro, no qual 467 produtos agrot\u00f3xicos foram liberados em menos de um ano, um recorde hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p>Do total de amostras analisadas (4.616), em 2.254 (49%) n\u00e3o foram detectados res\u00edduos, 1.290 (28%) apresentaram res\u00edduos com concentra\u00e7\u00f5es iguais ou inferiores ao Limite M\u00e1ximo de Res\u00edduos (LMR), estabelecido pela Anvisa. E em 1.072 amostras (23%) foram identificados res\u00edduos acima do permitido, incluindo at\u00e9 mesmo agrot\u00f3xicos proibidos de serem comercializados no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 0,89% \u2014 quase um em cada 100 casos \u2014, foi identificado potencialidade para causar riscos agudos \u00e0 sa\u00fade, com efeitos como enjoo, v\u00f4mito, dor de cabe\u00e7a e febre nas 24 horas seguintes ao consumo do alimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A vis\u00e3o do governo, por meio da Anvisa, \u00e9 a de que o resultado do relat\u00f3rio \u00e9 positivo. \u201cTemos situa\u00e7\u00f5es pontuais de riscos, mas que n\u00e3o geram nenhum risco a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Os dados mostram a seguran\u00e7a dos alimentos que a gente consome hoje\u201d, garantiu Bruno Rios, diretor adjunto da Anvisa, em coletiva ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o dos dados.<\/p>\n\n\n\n<p>An\u00e1lise n\u00e3o identifica todos agrot\u00f3xicos permitidos no Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>As coletas analisadas no PARA foram feitas pelas vigil\u00e2ncias sanit\u00e1rias e encaminhadas para os Laborat\u00f3rios Centrais de Sa\u00fade P\u00fablica (Lacens): Instituto Oct\u00e1vio Magalh\u00e3es (IOM\/FUNED\/MG), Laborat\u00f3rio Central de Goi\u00e1s (Lacen\/GO) e Instituto Adolfo Lutz (IAL\/SP); e para um laborat\u00f3rio privado contratado por processo licitat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, em cada amostra foram pesquisados at\u00e9 270 ingredientes ativos, n\u00famero bastante inferior aos 499 permitidos para serem comercializados no Brasil ap\u00f3s avalia\u00e7\u00e3o da Anvisa, Minist\u00e9rio da Agricultura e Ibama. Foram detectados res\u00edduos de 122 ingredientes ativos diferentes nas 4.616 amostras analisadas, o que resultou no total de 8.270 detec\u00e7\u00f5es de agrot\u00f3xicos \u2014 em muitos casos foram identificados mais de um tipo de pesticida em um s\u00f3 alimento, mas a Anvisa n\u00e3o especifica quais em seu relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do Imidacloprido, citado no in\u00edcio da reportagem, os ingredientes ativos mais encontrados foram os fungicidas Tebuconazol (570) e o Carbendazim (526) \u2014 este \u00faltimo proibido na Uni\u00e3o Europeia, Estados Unidos, Canad\u00e1 e Jap\u00e3o por causar problemas mutag\u00eanicos e de toxicidade reprodutiva. Em 2012, os EUA proibiram a importa\u00e7\u00e3o do suco de laranja brasileiro devido \u00e0 presen\u00e7a deste fungicida nos produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os 40 ingredientes ativos mais encontrados h\u00e1 o Carbofurano, um produto proibido no Brasil, identificado 52 vezes na atual pesquisa \u2014 na edi\u00e7\u00e3o 2013-2015, o Carbofurano aparecia entre os 30 ingredientes ativos mais encontrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro de 2017, dois meses ap\u00f3s o come\u00e7o das an\u00e1lises, a Anvisa desautorizou a comercializa\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos \u00e0 base de Carbofurano justamente pela persist\u00eancia de seus res\u00edduos nos alimentos, al\u00e9m de malef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade humana. Ele tamb\u00e9m \u00e9 classificado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) como altamente t\u00f3xico do ponto de vista agudo \u2014 a que causaria intoxica\u00e7\u00e3o nas 24 horas seguidas ao consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Anvisa, a presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos n\u00e3o autorizados nas an\u00e1lises tem como um dos motivos os poucos registros para culturas consideradas de baixo retorno econ\u00f4mico. Por isso, muitos produtores acabam utilizando agrot\u00f3xicos autorizados para uma cultura espec\u00edfica \u2013 soja, por exemplo, em outras culturas, caso da uva.<\/p>\n\n\n\n<p>Laranja, goiaba e uva: os tr\u00eas mais com agrot\u00f3xicos<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os alimentos testados, a laranja foi a que mais apresentou res\u00edduos de agrot\u00f3xicos. De 382 an\u00e1lises, apenas 157 n\u00e3o apresentaram vest\u00edgios de pesticidas, 173 apresentaram res\u00edduos em concentra\u00e7\u00f5es iguais ou inferiores ao permitido pela lei e em 52 casos os n\u00edveis de agrot\u00f3xico encontrados estavam acima do permitido.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram encontrados 47 agrot\u00f3xicos diferentes nas laranjas vendidas em supermercados brasileiros, que incluiu at\u00e9 mesmo res\u00edduos de Carbofurano, proibido no Brasil. O mais encontrado na fruta foi o Imidacloprido. Na laranja tamb\u00e9m foi encontrado a maior exposi\u00e7\u00e3o para risco agudo. Depois da laranja, a goiaba e a uva foram os alimentos que mais apresentaram riscos agudos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/agrotoxico-mais-encontrado-em-frutas-e-verduras-no-brasil-e-fatal-para-abelhas-img2-1.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-61752\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>No Brasil, das 141 esp\u00e9cies de plantas cultivadas para alimenta\u00e7\u00e3o humana, 60% dependem da poliniza\u00e7\u00e3o das abelhas Nova metodologia \u00e9 criticada<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 2012, os resultados do PARA eram lan\u00e7ados anualmente. Desde ent\u00e3o, optou-se por divulgar o relat\u00f3rio compilado de tr\u00eas anos. O \u00faltimo foi divulgado em 2016, com dados de 2013 a 2015. N\u00e3o houve coletas em 2016, por conta de uma reestrutura\u00e7\u00e3o no projeto, que s\u00f3 voltou \u00e0 ativa no segundo semestre de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o anterior, onde foram analisadas 12.051 amostras em tr\u00eas anos, o percentual de alimentos com agrot\u00f3xicos acima do permitido pela lei era de 19,7%, menos do que o atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, at\u00e9 2015, o PARA trabalhava com uma lista de 25 alimentos a serem analisados, que representavam 70% da cesta de alimentos de origem vegetal consumidos pela popula\u00e7\u00e3o brasileira, segundo dados brutos da Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (POF) do IBGE de 2008-2009, que tra\u00e7a o perfil de or\u00e7amento dom\u00e9stico e condi\u00e7\u00e3o de vida da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Agora, a partir da reestrutura\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de alimentos foi ampliado para 36, mas nem todos os alimentos escolhidos ser\u00e3o analisados anualmente, pois as an\u00e1lises v\u00e3o variar dentro de cada tri\u00eanio. Nesta edi\u00e7\u00e3o, por exemplo, apenas 14 foram analisados, e alimentos como o feij\u00e3o e a batata ficaram de fora, mas devem entrar nas pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A rotatividade \u00e9 criticada por especialistas da \u00e1rea. \u201cProdutos muito importantes, que est\u00e3o no prato do brasileiro, n\u00e3o aparecem no resultado. O trigo que vai no p\u00e3ozinho do dia a dia, o feij\u00e3o que \u00e9 um ingrediente tradicional no prato brasileiro. N\u00e3o \u00e9 uma boa ideia a Anvisa fracionar as an\u00e1lises para per\u00edodos espec\u00edficos, quando a popula\u00e7\u00e3o consome esses produtos durante todo o ano\u201d, explica o engenheiro agr\u00f4nomo Leonardo Melgarejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Marina Lac\u00f4rte, do Greenpeace, tamb\u00e9m criticou o baixo n\u00famero de alimentos apresentados. \u201cEsses dados tem que ser avaliados todo o ano, pois h\u00e1 safras todos os anos. Eles argumentam que essas altera\u00e7\u00f5es ocorrem por quest\u00f5es financeiras, mas esse \u00e9 um investimento necess\u00e1rio que o governo deve fazer: a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Se o problema \u00e9 financeiro ent\u00e3o que se retire a isen\u00e7\u00e3o de impostos para os agrot\u00f3xicos, e utilizem esses impostos para bancar programas como esse\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da\u00a0Ag\u00eancia P\u00fablica &#8211; Um agrot\u00f3xico fatal para as abelhas foi o mais encontrado em um levantamento do governo que analisa o res\u00edduo de pesticidas em frutas e verduras vendidas em todo pa\u00eds. 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