{"id":25690,"date":"2019-12-26T15:41:02","date_gmt":"2019-12-26T19:41:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=25690"},"modified":"2019-12-26T15:41:11","modified_gmt":"2019-12-26T19:41:11","slug":"5-pontos-que-colocam-em-xeque-a-militarizacao-das-escolas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/12\/26\/5-pontos-que-colocam-em-xeque-a-militarizacao-das-escolas\/","title":{"rendered":"5 pontos que colocam em xeque a militariza\u00e7\u00e3o das escolas"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"360\" width=\"600\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/escolas_militarizadas_especial-1200x720-1200x720.jpg?resize=600%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"5 pontos que colocam em xeque a militariza\u00e7\u00e3o das escolas\"\/><figcaption><br><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Educadores rebatem as narrativas do governo de que as escolas militares resolver\u00e3o a viol\u00eancia e que estudantes precisam de mais rigidez<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Na Carta Capital<\/p>\n\n\n\n<p>Cinquenta e quatro escolas iniciar\u00e3o 2020 no modelo c\u00edvico-militar. No dia 12 de dezembro, o ministro da educa\u00e7\u00e3o, Abraham Weintraub, se reuniu com os diretores e coordenadores pedag\u00f3gicos que atuar\u00e3o nas unidades. \u201cA escola c\u00edvico-militar ser\u00e1 o grupo de escolas mais qualificado no Brasil. O objetivo \u00e9 criar sim um grupo de brasileiros e brasileiras que na pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o vai comandar esse pa\u00eds, resgatando os valores e trazendo t\u00e9cnicas novas, trabalho novo para todos esses jovens\u201d, declarou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNasce uma refer\u00eancia na educa\u00e7\u00e3o brasileira. Os senhores s\u00e3o parte desse time que vai desembarcar o ano que vem. Infelizmente, existe muita gente que quer que esse modelo d\u00ea errado. Eu vou defender esse modelo e voc\u00eas com unhas e dentes, e vou trazer os recursos que forem necess\u00e1rios para que voc\u00eas tenham sucesso\u201d, emendou o ministro.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe allowfullscreen=\"true\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>O programa se baseia em duas&nbsp;narrativas principais: a de que, sob gest\u00e3o dos militares, as&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/educacao\/militarizar-as-escolas-e-a-solucao-para-a-educacao-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">escolas conseguir\u00e3o resolver a quest\u00e3o da viol\u00eancia<\/a>&nbsp;\u2013 motivo pelo qual considera aplicar a militariza\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rios mais vulner\u00e1veis \u2013 e a de produzir melhores resultados educacionais, a partir de mais regras e disciplinas no ambiente escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas ouvidos por&nbsp;<em>CartaCapital<\/em>&nbsp;refutam a tese e apontam fragilidades no modelo. Confira:<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">1.Escolas militares produzem melhores resultados do que as escolas regulares<\/h3>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores&nbsp;Alesandra de Ara\u00fajo Benevides e Ricardo Brito Soares, da Universidade Federal do Cear\u00e1, se debru\u00e7aram sobre os n\u00fameros&nbsp;das unidades existentes no estado e fizeram algumas pondera\u00e7\u00f5es. De fato, verificaram que, em testes de desempenho,&nbsp;os alunos de escolas militares alcan\u00e7am melhores indicadores. \u201cNo Enem de 2014, a pontua\u00e7\u00e3o m\u00e9dia em Matem\u00e1tica das escolas militares estaduais foi de 514,15 pontos contra 454,13 nas n\u00e3o militares\u201d, aponta a pesquisa. A quest\u00e3o s\u00e3o as causas dessa diferen\u00e7a.&nbsp;Uma delas est\u00e1 no fato de que as unidades militares recebem mais investimentos do que as escolas regulares.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs escolas do Cear\u00e1 contam com alguma autonomia financeira, uma vez que recebem recursos n\u00e3o s\u00f3 da Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, mas tamb\u00e9m da Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica e Defesa Social\u201d, explica Alesandra Benevides. Al\u00e9m disso, as fam\u00edlias dos alunos s\u00e3o obrigadas a pagar uma taxa anual, o que amplia as receitas. Com mais recursos, as escolas n\u00e3o militarizadas n\u00e3o alcan\u00e7ariam \u00edndices semelhantes de aprendizado?&nbsp;H\u00e1 ainda outro fator importante: o acesso \u00e0s escolas militares n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil. Uma esp\u00e9cie de vestibular seleciona os melhores estudantes, processo inexistente nos demais estabelecimentos p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">2.Escolas militares resolver\u00e3o a quest\u00e3o da viol\u00eancia nos territ\u00f3rios mais vulner\u00e1veis<\/h3>\n\n\n\n<p>Educadores atestam que o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia tem que ser encarado a partir de uma \u00f3tica correta e n\u00e3o resumido aos contextos escolares. \u201cA&nbsp;viol\u00eancia \u00e9 estrutural e est\u00e1 ligada a diferentes demandas da sociedade que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o cumpridas. Precisamos discutir a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o, da comunidade, do entorno onde est\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 as escolas, mas os centros de sa\u00fade, de cultura, lazer. A viol\u00eancia est\u00e1 em todos os lugares por aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas. Discuti-la \u00e9 avaliar o que se passa em uma sociedade ref\u00e9m da aus\u00eancia do Estado e o que de fato s\u00e3o a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas qualificadas que cuidem do cidad\u00e3o, o considere, pense na evolu\u00e7\u00e3o de uma sociedade que reduza as desigualdades sociais\u201d, problematiza a&nbsp;educadora e doutora em educa\u00e7\u00e3o pela USP, Irandi Pereira.<br><\/p>\n\n\n\n<p>O\u00a0soci\u00f3logo e educador espanhol Miguel Arroyo tamb\u00e9m questiona a rela\u00e7\u00e3o entre as escolas militarizadas e a redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. \u201cQuais escolas ser\u00e3o militarizadas?\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/educacao\/sete-reflexoes-para-a-educacao-apos-o-ataque-a-escola-em-suzano\/\" target=\"_blank\">N\u00e3o ser\u00e3o as privadas, mas as p\u00fablicas<\/a>, locais que recebem as inf\u00e2ncias populares das favelas, dos campos. Digo isso para que pensemos: que inf\u00e2ncias est\u00e3o sendo pensadas como violentas? Estamos em um momento no qual se busca a criminaliza\u00e7\u00e3o das inf\u00e2ncias e adolesc\u00eancias populares, bem como dos movimentos sociais de luta por terra, teto, transporte, o que eu chamo de pol\u00edtica criminalizante dos pobres. E isso me soa de uma brutalidade assustadora. Portanto, o que ao meu ver legitima a cria\u00e7\u00e3o das escolas militarizadas \u00e9 o discurso de que as inf\u00e2ncias s\u00e3o criminosas, mas n\u00e3o todas, s\u00f3 as populares, ou se criminaliza quem est\u00e1 na escolas privadas? Esse \u00e9 um alerta pol\u00edtico muito s\u00e9rio, mas que n\u00e3o acontece de agora\u201d, avalia.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Arroyo critica a viol\u00eancia atribu\u00edda naturalmente aos estudantes. \u201cN\u00e3o s\u00e3o as inf\u00e2ncias que s\u00e3o violentas. Elas s\u00e3o sim violentadas pela sociedade, pela pobreza, pelas favelas, pelas desigualdades sociais, de ra\u00e7a, g\u00eanero e isso chega \u00e0s escolas. Mas preferem ocultar isso, a olhar com seriedade. As inf\u00e2ncias s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia e respondem da mesma maneira \u00e0s viola\u00e7\u00f5es que sofrem\u201d, atesta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">3.Estudantes precisam de mais ordem e disciplina<\/h3>\n\n\n\n<p>O pesquisador da Faculdade Latino-Americana de Ci\u00eancias Sociais (Flacso), Andr\u00e9 L\u00e1zaro, entende que as escolas n\u00e3o devem lidar com seus estudantes a partir de uma linguagem violenta.&nbsp;\u201cA escola n\u00e3o \u00e9 ambiente de obedi\u00eancia e hierarquia cega, mas de di\u00e1logo. A escola militarizada \u00e9 aquela onde n\u00e3o se discute, se obedece. N\u00e3o se constitui cidadania se as pessoas n\u00e3o pensam, se constitui ditadura\u201d, sentencia.<\/p>\n\n\n\n<p>Arroyo entende que o modelo pode impactar negativamente no desenvolvimento de crian\u00e7as e adolescentes e de suas identidades. \u201cUma das formas das inf\u00e2ncias e adolesc\u00eancias se afirmarem \u00e9 por meio de seus corpos. Eu costumo dizer que n\u00e3o temos corpos, somos corpos. Trazemos nele a marca do nosso tempo, o corpo \u00e9 a marca de cada tempo, da identidade. O que eu quero dizer com isso \u00e9 que quando o menino usa bon\u00e9, ou quando meninos e meninas optam por usar adere\u00e7os ou at\u00e9 por um tipo de corte de cabelo eles est\u00e3o simbolizando suas identidades, os corpos passam a ser afirma\u00e7\u00e3o de identidade, entende? E a\u00ed vem a escola militar e diz: basta! N\u00e3o existe cabelo, corpo, nada. Isso \u00e9 terr\u00edvel, porque n\u00e3o reconhece as mudan\u00e7as e as lutas que se acumulam na inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia e juventude\u201d, atesta. Ao que acrescenta: \u201cHoje a inf\u00e2ncia tem voz, a adolesc\u00eancia \u00e9 o tempo da afirma\u00e7\u00e3o, da orienta\u00e7\u00e3o sexual, das experi\u00eancias que culminam, por exemplo, em tantos movimentos organizados pela juventude. E se estamos diante de novos tempos para esses indiv\u00edduos, a educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deve ser outra. Ao tentar destruir identidades de corpos, ra\u00e7a, g\u00eanero, se destr\u00f3i a identidade humana e isso n\u00e3o \u00e9 pedag\u00f3gico\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">4.As fam\u00edlias querem as escolas militarizadas<\/h3>\n\n\n\n<p>Para Arroyo, a aceita\u00e7\u00e3o de algumas fam\u00edlias ao modelo tem como pano de fundo o fortalecimento de uma pol\u00edtica de estado de medo, exce\u00e7\u00e3o e amea\u00e7a que coloca em xeque a escola e a pr\u00f3pria democracia. \u201cImagine s\u00f3 uma m\u00e3e que precisa trabalhar e deixar o filho na escola, claro que ela vai querer seguran\u00e7a. A quest\u00e3o \u00e9 que se criou um clima de que a escola n\u00e3o d\u00e1 conta de seu papel e isso \u00e9 totalmente intencional e pol\u00edtico, faz com que essas mulheres n\u00e3o confiem mais nas escolas e cedam \u00e0 proposta da militariza\u00e7\u00e3o. Veja, o caminho democr\u00e1tico \u00e9 sempre melhor, mas quando se cria a ideia de que na democracia n\u00e3o h\u00e1 seguran\u00e7a, acabamos flertando com as regras, com as posturas ditatoriais e isso tamb\u00e9m chega \u00e0s escolas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">5.Escolas militares trazem mais seguran\u00e7a aos estudantes e comunidade escolar<\/h3>\n\n\n\n<p><em>CartaCapital<\/em>&nbsp;denunciou casos de viol\u00eancia cometidos por integrantes do corpo militar que atuam em escolas de Manaus. Foram pelo menos um caso de agress\u00e3o contra um professor e tr\u00eas casos de ass\u00e9dio envolvendo uma estudante e duas professoras. Embora encaminhados ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Amazonas no in\u00edcio de outubro para averigua\u00e7\u00e3o, o&nbsp;advogado das Associa\u00e7\u00f5es de Pais, Mestres e Comunit\u00e1rios, Ricardo Gomes, que vem representou grande parte dos casos questionou a conduta da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o e da PM.<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educadores rebatem as narrativas do governo de que as escolas militares resolver\u00e3o a viol\u00eancia e que estudantes precisam de mais rigidez<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-25690","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-6Gm","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25690"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25690\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25691,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25690\/revisions\/25691"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}