{"id":26197,"date":"2020-01-25T20:02:22","date_gmt":"2020-01-26T00:02:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=26197"},"modified":"2020-01-25T20:02:30","modified_gmt":"2020-01-26T00:02:30","slug":"um-ano-do-crime-de-brumadinho-vidas-seguem-destruidas-mas-vale-volta-a-lucrar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/01\/25\/um-ano-do-crime-de-brumadinho-vidas-seguem-destruidas-mas-vale-volta-a-lucrar\/","title":{"rendered":"UM ANO DO CRIME DE BRUMADINHO: VIDAS SEGUEM DESTRU\u00cdDAS, MAS VALE VOLTA A LUCRAR"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"198\" data-attachment-id=\"26198\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/01\/25\/um-ano-do-crime-de-brumadinho-vidas-seguem-destruidas-mas-vale-volta-a-lucrar\/image-74-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/image-74.jpeg?fit=965%2C318\" data-orig-size=\"965,318\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-74\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/image-74.jpeg?fit=300%2C99\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/image-74.jpeg?fit=600%2C198\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/image-74.jpeg?resize=600%2C198\" alt=\"\" class=\"wp-image-26198\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/image-74.jpeg?w=965 965w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/image-74.jpeg?resize=300%2C99 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/image-74.jpeg?resize=768%2C253 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/image-74.jpeg?resize=800%2C264 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Empresa j\u00e1 recuperou seu valor de mercado. Sem perspectivas de renda, 93 mil pessoas tiveram aux\u00edlio cortado pela metade<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Brasil de Fato, <em>Por Pedro Stropasolas<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><em>De Brumadinho (MG)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Edilaine Pereira Coimbra nunca teve rela\u00e7\u00e3o com a Vale, mas estava no rio Paraopeba quando chegou a lama, como muitos naquele 25 de janeiro de 2019. S\u00f3 teve tempo de cortar as 25 linhas, juntar os tr\u00eas filhos que criou com o rendimento da pesca da curimba e seguir pela trilha que n\u00e3o teria mais volta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A vida ficou escassa. Hoje a pescadora sobrevive do sal\u00e1rio m\u00ednimo que recebe da Vale e da venda de guloseimas pelas ruas de barro sequer registradas na Prefeitura de Betim, a 25 km de Brumadinho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu garanto a voc\u00ea, todo mundo queria a vida que tinha. N\u00f3s quer\u00edamos nosso rio a\u00ed limpo. Era muito mais do que estar a\u00ed todo m\u00eas pegando um sal\u00e1rio m\u00ednimo, que agora nem um sal\u00e1rio mais \u00e9. Acha que a gente t\u00e1 pedindo esmola. E ningu\u00e9m t\u00e1 pedindo esmola. Se ela fez, a obriga\u00e7\u00e3o dela \u00e9 pagar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Um ano ap\u00f3s o maior crime socioambiental da hist\u00f3ria do Brasil matar 259 pessoas e deixar 11 desaparecidos, em Brumadinho, a Vale cortar\u00e1 pela metade o aux\u00edlio emergencial de pelo menos 93 mil pessoas que vivem ao longo dos 48 munic\u00edpios impactados pela lama despejada na bacia do rio Paraopeba.<\/p>\n\n\n\n<p>Previsto no Termo de Acordo Preliminar (TAP) firmado em fevereiro de 2019, o pagamento emergencial \u2013 com valor limitado a at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo \u2013 \u00e9 atualmente parte do sustento de 108 mil pessoas, que vivem na \u00e1rea entre Brumadinho e o munic\u00edpio de Pomp\u00e9u \u2013 a 273 km do local do rompimento da barragem.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor integral do aux\u00edlio, que j\u00e1 \u00e9 considerado insuficiente pelos atingidos, permanece apenas onde a mineradora definiu como &#8220;zona quente&#8221;, composta pelas comunidades de C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, Parque da Cachoeira, Alberto Flores, Cantagalo, Pires, e do entorno do Ribeir\u00e3o Ferro-Carv\u00e3o, onde vivem entre 10 a 15 mil pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente sabe que sozinhos somos pequenos. Essa no\u00e7\u00e3o de ser pequeno a Vale tamb\u00e9m tinha, porque sen\u00e3o ela n\u00e3o deixaria essa barragem romper no nosso territ\u00f3rio. Porque ela sabia o tempo todo que essa barragem ia romper, mas por ser C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, um bairro rural, pequeno, ela deixou que acontecesse. Porque ali \u00e9 um bando de trabalhador&#8230; \u2018que direitos que eles v\u00e3o ter?\u2019, \u2018que direitos que eles v\u00e3o conquistar?\u2019. Exemplo disso s\u00e3o as indeniza\u00e7\u00f5es. Nessa trag\u00e9dia de Brumadinho, elas s\u00e3o pequenas. Elas n\u00e3o t\u00eam car\u00e1ter punitivo. Pra Vale, isso n\u00e3o \u00e9 nada. Porque ela est\u00e1 pagando indeniza\u00e7\u00e3o, mas sai em super\u00e1vit trimestral\u201d, questiona Jeferson Cust\u00f3dio, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores do C\u00f3rrego do Feij\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na comunidade n\u00e3o circulam mais pessoas, somente caminh\u00f5es carregando poeira e medo do que a Vale n\u00e3o conta aos moradores. Das 272 pessoas mortas no rompimento da barragem, 27 eram do C\u00f3rrego do Feij\u00e3o. Cust\u00f3dio relata que 49 fam\u00edlias j\u00e1 deixaram a comunidade por conta do trauma ou por terem suas propriedades compradas pela mineradora.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos do crime ainda s\u00e3o evidentes nos locais atingidos. Falta \u00e1gua pot\u00e1vel, acesso \u00e0 sa\u00fade e a pol\u00edticas p\u00fabicas, a agricultura definha e o turismo deixou de existir na regi\u00e3o. Moradores sucumbem ao adoecimento f\u00edsico e mental enquanto assistem o desmonte das comunidades rurais e ribeirinhas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hy2MHcri6Ms\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Com os modos de vida destru\u00eddos, n\u00e3o h\u00e1 perspectiva para recomposi\u00e7\u00e3o da renda.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma que a gente n\u00e3o est\u00e1 conseguindo trabalhar, porque est\u00e1 todo mundo \u00e0 base do rem\u00e9dio. Todo mundo. Eu mesma tomo v\u00e1rias quantidades de rem\u00e9dio. Eu fui comprar ficou por R$ 380. A\u00ed, vamos supor que a Vale pague n\u00f3s. Vamos supor n\u00e3o, ela vai pagar s\u00f3 meio sal\u00e1rio, mas R$ 380 \u00e9 para os rem\u00e9dios&#8221;, argumenta a agricultora Maria Aparecida da Silva Soares, da comunidade do Tejuco, zona rural de Brumadinho, que cultivava hortali\u00e7as h\u00e1 21 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, no mundo dos neg\u00f3cios a Vale n\u00e3o demonstra mais sinais de trauma pela trag\u00e9dia que provocou h\u00e1 um ano. A empresa atingiu o valor de mercado de R$ 301 bilh\u00f5es, R$ 5 bi a mais do que registrava quando do rompimento da barragem. A informa\u00e7\u00e3o foi&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/01\/um-ano-apos-brumadinho-vale-recupera-valor-que-tinha-antes-da-tragedia.shtml\">divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes disso, em dezembro, a mineradora anunciou a distribui\u00e7\u00e3o de R$ 7,25 bilh\u00f5es a acionistas, pelos resultados da empresa em 2019. O valor \u00e9 maior que o total investido nas repara\u00e7\u00f5es socioambientais do crime de Brumadinho. Segundo a empresa, no ano passado foram aplicados R$ 6,55 bilh\u00f5es em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2019\/09\/vale-e-condenada-a-pagar-r-12-mi-para-familia-de-mortos-em-pousada-de-brumadinho.shtml\">indeniza\u00e7\u00f5es e obras<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/49437321717_e9899f5a85_o.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"   \"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O vazio do C\u00f3rrego do feij\u00e3o. Ao menos, 49 fam\u00edlias j\u00e1 deixaram a comunidade, segundo a Associa\u00e7\u00e3o de Moradores (Foto: Atamaio Ferreira)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A VIDA DE QUEM SE TORNOU DEPENDENTE DA VALE<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar das propagandas da Vale, que exaltam a\u00e7\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o ao crime nos principais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, a realidade dos atingidos \u00e9 o desalento.<\/p>\n\n\n\n<p>No bairro da agricultora Maria Aparecida da Silva, o Tejuco, h\u00e1 tr\u00eas mineradoras, al\u00e9m da Vale, o que faz com que o tr\u00e1fego de caminh\u00f5es seja intenso \u2013 e incessante dia e noite \u2013 nas ruas da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap\u00f3s o rompimento da barragem, com o fechamento das estradas no entorno do C\u00f3rrego do Feij\u00e3o e do Parque da Cachoeira, o Tejuco passou a ser a principal via de escape para as opera\u00e7\u00f5es de resgate e para os ve\u00edculos das obras emergenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, a poeira coloriu as casas, e atormenta a pele e os pulm\u00f5es dos moradores, que est\u00e3o fora da zona quente definida pela mineradora.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria, o filho, a irm\u00e3 e as duas sobrinhas n\u00e3o dormem sem os comprimidos. \u201cA Vale tirou tudo de n\u00f3s. Tirou o ch\u00e3o, tirou tudo. E agora fica se negando, por causa de um sal\u00e1rio, acha que estamos tirando muito dela.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O tr\u00e2nsito aqui foi infernal, tirou o tr\u00e2nsito de todos os lugares, n\u00e3o tinha ponte do lado de l\u00e1. Abriu a \u00e1rea da mina l\u00e1, e passava tudo aqui. Tudo aqui, a lama de tudo fica aqui dentro do Tejuco. Por isso que agora fica saindo essas doen\u00e7as na gente de pele&#8221;, assinala a trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/49437114266_aa8281567a_o.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\" \"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A prorroga\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio por mais dez meses \u2013 o acordo preliminar venceria em fevereiro deste ano \u2013, mas que cortou pela metade o valor para 86% dos casos, foi definido sem a participa\u00e7\u00e3o direta dos atingidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A audi\u00eancia ocorreu na 6\u00aa Vara da Fazenda P\u00fablica, em novembro de 2019. Al\u00e9m da Vale, participaram da reuni\u00e3o o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Minas Gerais (MPMG), o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), a Defensoria P\u00fablica do Estado de Minas Gerais, a Defensoria P\u00fablica Federal e o Estado de Minas Gerais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De portas fechadas e sem a presen\u00e7a das comiss\u00f5es de atingidos, a legitimidade da audi\u00eancia \u00e9 contestada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O acordo, segundo a entidade, beneficia somente a Vale, diminuindo os custos da empresa com a repara\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>O posicionamento \u00e9 refor\u00e7ado por Joceli Andrioli, coordenador do MAB. Ele afirma que decis\u00e3o \u201ccoloca em jogo\u201d a credibilidade das institui\u00e7\u00f5es de Justi\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra melhor n\u00e3o ter havido acordo naquela audi\u00eancia, do que um acordo mal feito como foi esse. Quando o juiz marcou uma audi\u00eancia posterior a essa, com os atingidos, foi s\u00f3 para anunciar o acordo que j\u00e1 havia sido feito, e n\u00e3o estava mais em discuss\u00e3o. \u00c9 lament\u00e1vel essa postura do Judici\u00e1rio e essa ingenuidade das institui\u00e7\u00f5es de Justi\u00e7a ao fazer esse acordo\u201d, critica Andrioli.<\/p>\n\n\n\n<p>Luiz Paulo Siqueira, da dire\u00e7\u00e3o nacional do Movimento Pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM), analisa que a extens\u00e3o do per\u00edodo de pagamento dos aux\u00edlios emerg\u00eancias foi &#8220;importante e necess\u00e1ria&#8221;. O MAM, por\u00e9m, considera que a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de fam\u00edlias que receber\u00e3o o valor integral responde \u00e0 &#8220;estrat\u00e9gia da Vale para negar os direitos dos atingidos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O promotor de justi\u00e7a do MPMG Andr\u00e9 Sperling Prado, membro da for\u00e7a-tarefa que atua nos casos de Mariana e Brumadinho, concorda que o acordo n\u00e3o \u00e9 o ideal para os atingidos. No entanto, segundo ele, havia o risco de uma decis\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 prorroga\u00e7\u00e3o caso a discuss\u00e3o fosse judicializada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEntendemos que nesse momento era mais seguro para os atingidos ter a prorroga\u00e7\u00e3o durante dez meses, mesmo que em valores inferiores, do que deixar para o Judici\u00e1rio decidir e ter a eventualidade&nbsp;de uma decis\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 gente\u201d, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O membro do MPMG explica que o aux\u00edlio firmado logo ap\u00f3s o crime buscou atender \u00e0 subsist\u00eancia imediata das fam\u00edlias. &#8220;O pagamento emergencial \u00e9 uma forma da pessoa sobreviver at\u00e9 o momento da indeniza\u00e7\u00e3o final, que a gente chama de indeniza\u00e7\u00e3o integral, repara\u00e7\u00e3o integral dos danos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto medida de prote\u00e7\u00e3o social, o aux\u00edlio emergencial, nesses casos, tem natureza semelhante ao Bolsa Fam\u00edlia e ao aux\u00edlio da Lei Org\u00e2nica da Assist\u00eancia Social (Loas), classificadas como pol\u00edticas p\u00fablicas de recomposi\u00e7\u00e3o de renda a popula\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/49437119636_953e47c627_o.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\" \"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A POPULA\u00c7\u00c3O QUE NUNCA RECEBEU O AUX\u00cdLIO<\/h2>\n\n\n\n<p>Josiel Vieira dos Santos \u00e9 pedreiro e desempregado, vive de \u201cbicos\u201d pelo Cruzeiro, bairro rural de Betim. Ao ver o Paraopeba morto ao fundo da casa, ele tem d\u00favida sobre utilizar ou n\u00e3o a cisterna. A inseguran\u00e7a \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade da \u00e1gua, uma vez que a Vale s\u00f3 faz an\u00e1lise at\u00e9 100 metros do leito do rio. Mesmo assim, ele recebeu uma caixa d&#8217;\u00e1gua da mineradora.<\/p>\n\n\n\n<p>Santos n\u00e3o teve nenhum outro apoio. Desde o dia do rompimento, a tentativa de acessar o aux\u00edlio emergencial para a fam\u00edlia est\u00e1 emperrada. O motivo: a rua onde mora n\u00e3o est\u00e1 registrada na Prefeitura.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eles me deram a caixa de \u00e1gua de 5 mil litros, os tanques v\u00eam abastecer pra mim, dia sim, dia n\u00e3o. Eles instalaram ela pra mim, e ainda assim n\u00e3o reconhecem meu endere\u00e7o&#8221;, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>O pedreiro se queixa tamb\u00e9m do que teve que investir para tentar obter o aux\u00edlio. &#8220;Se colocar na ponta do papel, n\u00f3s gastamos foi muito dinheiro atr\u00e1s disso, recorrendo com carro, Uber, para ir at\u00e9 Betim. Voc\u00ea chega em um lugar, e eles mandam para outro. Est\u00e3o fazendo hora com a gente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Situa\u00e7\u00e3o semelhante ocorre com Joana Gon\u00e7alves de Almeida, tamb\u00e9m moradora do Cruzeiro. A diarista comprou o lote sem registro com as economias do trabalho informal em domic\u00edlios de Betim e dos bicos do marido na constru\u00e7\u00e3o civil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois que \u201cn\u00e3o t\u00eam escrita\u201d, como relata o esposo, Juventino de Almeida, mudaram h\u00e1 oito anos para o local com a perspectiva de comer da horta e do pescado do rio. Hoje, est\u00e3o sem perspectiva de renda e com a sa\u00fade fragilizada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu trabalho duas vezes na semana, s\u00f3. Eu tenho que sobreviver com isso. Tudo que eles me pediram, que estava ao meu alcance, eu arrumei. Agora n\u00e3o tem jeito, \u00e9 esperar a boa vontade deles\u201d, relata a diarista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/49436657378_c53d618d26_o.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\" \"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A fam\u00edlia de Josiel ganhou a caixa d&#8217;\u00e1gua da Vale, mas n\u00e3o teve a documenta\u00e7\u00e3o aceita para receber o aux\u00edlio emergencial (Foto: Pedro Stropasolas)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00e3o casos isolados. A defensora p\u00fablica de Minas Gerais Carolina Morishita Mota Ferreira explica que por aus\u00eancia de uma prova de exist\u00eancia ou da resid\u00eancia nas localidades atingidas, muitos t\u00eam dificuldade de comprovar o direito ao aux\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o trabalho de documenta\u00e7\u00e3o e reconhecimento comunit\u00e1rio realizado pela Defensoria, foram identificados pelo menos 12 mil casos de pessoas que n\u00e3o recebem o pagamento por n\u00e3o terem a documenta\u00e7\u00e3o aceita pela Vale<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m est\u00e1 preparado para a Vale destruir a vida. A pessoa n\u00e3o junta todos os comprovantes de cada coisa que ela comprou, de cada centavo que ela ganhava, porque ela n\u00e3o acha que algu\u00e9m vai chegar e, em um estalo, destruir o que ela construiu&#8221;, argumenta a defensora.<\/p>\n\n\n\n<p>Moradores que vivem a mais de 1 km da calha do rio tamb\u00e9m permanecem desassistidos,&nbsp; impedidos de acessar o aux\u00edlio emergencial pago pela mineradora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 assim com o \u201crei do Paraopeba\u201d, como \u00e9 conhecido Robinson Abreu, morador de Juatuba, a 43 km de Brumadinho. Ele \u00e9 um dos muitos pescadores do munic\u00edpio que dependiam do rio para a subsist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A col\u00f4nia de pescadores da cidade foi desmantelada. A comunidade era refer\u00eancia em pesca artesanal na regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte. A atividade atraia turistas de outras localidades e servia como fonte de renda e alimenta\u00e7\u00e3o para os moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o rompimento da barragem, o pescador n\u00e3o voltou mais ao rancho. Sem perspectiva de retomar a atividade e sem acesso ao subs\u00eddio pago pela Vale, hoje \u201co rei do Paraopeba\u201d vive de trabalhos espor\u00e1dicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstou desde dezembro sem trabalhar, nem \u2018bico\u2019 peguei este m\u00eas. Eu era um cara que pescava, dependia do rio. Pescava para sustentar a fam\u00edlia. Eu tenho quatro barcos de madeira, um de motor e um de fibra. Est\u00e3o todos parados. Os barcos de madeira eu nem sei se est\u00e3o no rio, porque n\u00e3o voltei l\u00e1 depois da trag\u00e9dia\u201d, conta Abreu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/49437363602_a4594b95d9_o.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\" \"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O casal Joana Gon\u00e7alves de Almeida e Juventino de Almeida aguarda para acessar o aux\u00edlio (Foto: Pedro Stropasolas)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">TURISMO DESTRU\u00cdDO<\/h2>\n\n\n\n<p>Sem \u00e1gua pot\u00e1vel e distribui\u00e7\u00e3o por parte da Vale, a comunidade de Cachoeira do Choro, no munic\u00edpio de Curvelo, hoje \u00e9 um vilarejo fantasma. Desde que o rejeito t\u00f3xico chegou ao trecho do rio Paraopeba na cidade,&nbsp; a 195 quil\u00f4metros do local do rompimento da barragem, o turismo acabou na localidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom o rio contaminado, n\u00e3o vem mais ningu\u00e9m aqui. Acabou. Hoje n\u00f3s estamos vivendo da esmola da Vale\u201d, desabafa Geneci Cristina Barroso, dona do Bar das Latinhas, de onde vinha a renda da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem os filhos e os \u201cforr\u00f3s\u201d de sexta-feira, que enchiam as 25 mesas do com\u00e9rcio, ela sobrevive atualmente do aux\u00edlio emergencial da mineradora e dos \u201cbiquinhos\u201d que o marido faz como pedreiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA minha filha, o meu filho e a esposa foram embora. Os netos ficaram. S\u00f3 Deus. Porque com o aux\u00edlio do sal\u00e1rio m\u00ednimo j\u00e1 estava apertado, imagina agora que praticamente ficou sem nada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Geneci lamenta tamb\u00e9m n\u00e3o poder mais plantar. &#8220;Hoje voc\u00ea planta, colhe alguma coisinha, mas n\u00e3o vende. Ent\u00e3o acaba-se perdendo, o que n\u00e3o morre, por causa da \u00e1gua que est\u00e1 contaminada. A gente n\u00e3o tem mais como fazer uma horta pra gente comer\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/49436678243_dea8d432f3_o.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\" \"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Dona do bar das latinhas, Geneci Cristina Barroso agora depende da &#8220;esmola&#8221; que recebe da Vale (Foto: Pedro Stropasolas)&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">AGRICULTURA COMPROMETIDA<\/h2>\n\n\n\n<p>A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento de Minas Gerais, em um levantamento preliminar, identificou&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mg\/minas-gerais\/noticia\/2019\/06\/25\/agricultores-denunciam-descaso-do-governo-e-abandono-da-vale-apos-tragedia-em-brumadinho-lama-passou-pela-minha-alma.ghtml\">498 fam\u00edlias de agricultores familiares que foram impactadas direta ou indiretamente pela lama t\u00f3xica<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o reparat\u00f3ria mais efetiva por parte da Vale, por\u00e9m, atendeu apenas 91 produtores rurais da regi\u00e3o. A doa\u00e7\u00e3o de R$ 15 mil foi oferecida para quem tinha suas produ\u00e7\u00f5es nas chamadas Zonas de Salvamento (ZAS), delimitadas por um raio de 10 km a partir da barragem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Dos que dependem do aux\u00edlio emergencial, muitos j\u00e1 come\u00e7aram a abandonar a lavoura para o canteiro de obras da Vale. Para um agricultor, ele \u00e9 insignificante. S\u00f3 uma bomba que bombeia \u00e1gua no per\u00edodo de seca, gasta em m\u00e9dia R$ 500, R$ 530 de energia. S\u00f3 da bomba, fora a energia da sua casa, o seu alimento que voc\u00ea n\u00e3o consegue produzir, que voc\u00ea precisa. Ent\u00e3o, um sal\u00e1rio m\u00ednimo, ele n\u00e3o supre 1\/3 de uma propriedade rural\u201d, argumenta Val\u00e9ria Carneiro, do Assentamento Pastorinhas,&nbsp; localizado a 12 km do centro de Brumadinho, onde a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 agroecol\u00f3gica e cultivada por 20 fam\u00edlias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/49436683533_c372bee02d_o.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\" \"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Antes considerado o cintur\u00e3o verde da Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, o Vale do Paraopeba v\u00ea os agricultores ru\u00edrem pela falta de \u00e1gua pot\u00e1vel, al\u00e9m das d\u00edvidas acumuladas, em especial com o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) (Foto: Pedro Stropasolas)&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo os que recebem a compensa\u00e7\u00e3o da Vale e t\u00eam melhores condi\u00e7\u00f5es para manter a lavoura, quando v\u00e3o \u00e0s feiras de Belo Horizonte quase n\u00e3o vendem os alimentos. O motivo: o preconceito dos clientes com as as frutas e hortali\u00e7as que vem do entorno do Paraopeba, como relata a moradora do Tejuco Maria Aparecida da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSai daqui de madrugada, vai l\u00e1 e entrega a mercadoria. Quando d\u00e1 umas 7h30, j\u00e1 t\u00e1 aqui de novo. A gente n\u00e3o aguenta levar as mercadorias da gente, e n\u00e3o vender. A gente n\u00e3o amarra, pra n\u00e3o perder tempo, porque vai s\u00f3 perdendo a freguesia, s\u00f3 perdendo\u201d, lamenta a agricultora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">VALE BUSCA BARRAR ASSESSORIAS T\u00c9CNICAS<\/h2>\n\n\n\n<p>A l\u00edder comunit\u00e1ria Joelisia Feitosa, do munic\u00edpio de Joatuba, explica que a esperan\u00e7a dos moradores atingidos est\u00e1 na atua\u00e7\u00e3o das assessorias t\u00e9cnicas independentes (ATIs) no munic\u00edpio, formadas por profissionais especializados que produzem diagn\u00f3sticos das comunidades atingidas sem a participa\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios da empresa causadora do dano.<\/p>\n\n\n\n<p>O assessoramento \u00e0s comunidades foi garantido pelo Termo de Acordo Preliminar (TAP), firmado em audi\u00eancia realizada na 6\u00aa Vara da Fazenda P\u00fablica e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte, em fevereiro de 2019, com a participa\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de Justi\u00e7a, do Estado de Minas Gerais e da Vale.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a empresa se nega a respeitar e formalizar os planos de trabalho para a atua\u00e7\u00e3o das assessorias nas cinco regi\u00f5es definidas entre as cidades de Brumadinho e a Usina de Retiro Baixo, em Pomp\u00e9u&nbsp;<strong>(ver infogr\u00e1fico)<\/strong>. As entidades que atuar\u00e3o no territ\u00f3rio j\u00e1 foram escolhidas pelas comiss\u00f5es de atingidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A atua\u00e7\u00e3o em campo, por\u00e9m, ainda depende de uma decis\u00e3o judicial. O promotor Andr\u00e9 Sperling afirma que a Vale tem dificultado a entrada das assessorias. A postura da mineradora, segundo ele, \u00e9 semelhante \u00e0 que foi adotada no caso do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/11\/02\/brasil-de-fato-lanca-tabloide-sobre-os-quatro-anos-do-crime-da-vale-em-mariana-mg\/\">rompimento da barragem de Mariana<\/a>, tamb\u00e9m em Minas Gerais, em 2015. At\u00e9 hoje, apenas tr\u00eas dos 21 territ\u00f3rios afetados receberam assessoria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Evidentemente que quando esses profissionais estiverem ao lado dos atingidos, eles v\u00e3o ter mais consci\u00eancia dos seus direitos e v\u00e3o poder reivindicar eles de uma forma muito mais concreta. E a Vale n\u00e3o quer isso\u201d, comenta o promotor, que espera que as assessorias comecem a atuar ainda no in\u00edcio deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Membro de uma das assessorias escolhidas para atuar nas comunidades do Paraopeba, o engenheiro civil Mauro da Costa Val, especialista em \u00e1guas e avalia\u00e7\u00e3o de impactos ambientais, tamb\u00e9m atuou em Mariana, onde presenciou situa\u00e7\u00f5es que ilustram a desvantagem das v\u00edtimas no processo de negocia\u00e7\u00e3o com a empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As assessorias, elas t\u00eam o objetivo de reduzir essa assimetria de poder, de influenciar nas decis\u00f5es. A Vale, com todo esse dinheiro que ela tem, contrata t\u00e9cnicos do maior gabarito, advogados e tal. L\u00e1 no in\u00edcio do crime de Mariana, a Vale se reunia para discutir dano, valor de dano, com alguns agricultores, por exemplo, ia o agricultor e a esposa dele, sentado na mesa, sem ter acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, ao conhecimento, e a Vale com dez advogados&#8221;, revela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O prefeito de Brumadinho, Avimar de Melo Barcelos (PV), faz coro aos que exigem o trabalho das assessorias. \u201cEnquanto n\u00e3o houver uma assessoria t\u00e9cnica em Brumadinho que comprove quem precisa ou n\u00e3o receber, n\u00f3s n\u00e3o temos par\u00e2metro para decidir sobre isso. A cidade hoje n\u00e3o abre m\u00e3o do 100% do emergencial, n\u00e3o. Isso a\u00ed \u00e9 guerra. Vai comprar guerra. N\u00f3s vamos fechar a prefeitura, vai decretar luto, vai todo mundo pra rua, tem que pagar o dinheiro do povo\u201d, assinala.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cBrumadinho \u00e9 uma cidade totalmente dependente, n\u00e3o tem outra sa\u00edda. A cidade n\u00e3o consegue caminhar sozinha sem as mineradoras\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/49436685218_d7849b3405_o.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\" \"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Enquanto atingidos buscam justi\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o, a minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o para na regi\u00e3o, atormentando a vida de moradores (Foto: Pedro Stropasolas)&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">HIST\u00d3RICO<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 25 de janeiro de 2019,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/07\/25\/brumadinho-seis-meses-de-um-crime-sem-reparacao\/\">uma avalanche de 12 milh\u00f5es de toneladas de metros c\u00fabicos de rejeitos t\u00f3xicos da barragem da Vale destruiu uma \u00e1rea de 300 hectares de terras<\/a>. Casas, hortas e trabalhadores que almo\u00e7avam no restaurante da empresa foram levados pela lama. Al\u00e9m das centenas de vidas ceifadas, 11 corpos ainda n\u00e3o foram encontrados pelo Corpo de Bombeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhum funcion\u00e1rio da Vale teve a pris\u00e3o decretada at\u00e9 o momento. Nesta ter\u00e7a (21), o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais denunciou \u00e0 Justi\u00e7a, por homic\u00eddios duplamente qualificados, o&nbsp;ex-presidente da Vale Fabio Schvartsman e outros 11 funcion\u00e1rios da mineradora, al\u00e9m de cinco empregados da empresa alem\u00e3 Tuv Sud, que atestou a seguran\u00e7a da barragem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A lama atingiu o rio Paraopeba a partir do c\u00f3rrego Ferro-Carv\u00e3o, nas proximidades da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/08\/15\/para-tratar-rejeito-toxico-vale-atormenta-moradores-do-bairro-pires-em-brumadinho\/\">comunidade do Pires, onde a Vale construiu uma esta\u00e7\u00e3o para tratar a \u00e1gua do rio<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 este momento, o Instituto Mineiro das \u00c1guas (Igam) atesta a contamina\u00e7\u00e3o do rio Paraopeba at\u00e9 o munic\u00edpio de Pomp\u00e9u \u2013 a 223 km do local do crime \u2013 e pro\u00edbe o consumo da \u00e1gua para qualquer finalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem an\u00e1lise de \u00e1gua e acesso a exames toxicol\u00f3gicos, uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/10\/25\/brumadinho-sem-acesso-a-exames-1-milhao-de-pessoas-podem-ter-metal-pesado-no-sangue\/\">1,3 milh\u00e3o de pessoas pode estar suscet\u00edvel \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por metais pesados<\/a>, seja por vias a\u00e9reas ou por meio da contamina\u00e7\u00e3o do solo ou da \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<em>Brasil de Fato<\/em>&nbsp;pediu \u00e0 Vale um posicionamento sobre os assuntos expostos nesta reportagem, mas n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FICHA T\u00c9CNICA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Texto, v\u00eddeo e fotos:<\/strong>&nbsp;Pedro Stropasolas |&nbsp;<strong>Edi\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Rodrigo Chagas |&nbsp;<strong>Artes:<\/strong>&nbsp;Fernando Bertolo |&nbsp;<strong>Edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo:<\/strong>&nbsp;Leonardo Rodrigues |&nbsp;&nbsp;<strong>Vers\u00e3o para r\u00e1dio:<\/strong>&nbsp;Geisa Marques |&nbsp;<strong>Coordena\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Camila Maciel, Vivian Fernandes e Jos\u00e9 Bruno Lima |&nbsp;<strong>Coordena\u00e7\u00e3o de R\u00e1dio:<\/strong>&nbsp;Camila Salmazio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empresa j\u00e1 recuperou seu valor de mercado. 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