{"id":26346,"date":"2020-02-04T11:34:30","date_gmt":"2020-02-04T15:34:30","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=26346"},"modified":"2020-02-04T11:34:41","modified_gmt":"2020-02-04T15:34:41","slug":"nao-ha-fascismo-mas-malignidade-no-brasil-diz-sociologo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/02\/04\/nao-ha-fascismo-mas-malignidade-no-brasil-diz-sociologo\/","title":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 \u201cfascismo\u201d, mas \u201cmalignidade\u201d no Brasil, diz soci\u00f3logo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"361\" width=\"600\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Jair-Bolsonaro-Foto-Alan-Santos-PR-1-1200x721.png?resize=600%2C361&#038;ssl=1\" alt=\"Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos\/PR)\"\/><figcaption><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Antonio Cattani, da UFRGS, aponta ra\u00edzes hist\u00f3ricas e econ\u00f4micas do fen\u00f4meno em \u2018A s\u00edndrome do mal\u2019<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Na Carta Capital<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFascistas\u201d e \u201cfascismo\u201d s\u00e3o palavras muito usadas para descrever Jair Bolsonaro, o bolsonarismo e os brasileiros de extrema-direita. S\u00e3o adequadas? N\u00e3o, na vis\u00e3o de um soci\u00f3logo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Antonio David Cattani. Para ele, \u00e9 mais apropriado falar em \u201cmaus\u201d e \u201cmalignidade\u201d, caracter\u00edsticas que seriam fomentadas por \u201cfor\u00e7as econ\u00f4micas poderosas movidas pela gan\u00e2ncia sem limites\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>A tese \u00e9 defendida no rec\u00e9m lan\u00e7ado livro \u201cA S\u00edndrome do Mal\u201d, publicado pela editora Cirkula. Para Cattani, o fascismo foi uma forma de governo marcada por uma rela\u00e7\u00e3o direta entre l\u00edder pol\u00edtico e massas populares e pelo nacionalismo, surgida em alguns pa\u00edses europeus numa \u00e9poca espec\u00edfica (as d\u00e9cadas de 1920 e 1930). Entram a\u00ed a Alemanha de Hitler (no poder de 1934 a 1945), a It\u00e1lia de Mussolini (de 1922 a 1943), a Espanha de Franco (de 1936 a 1975) e Portugal de Oliveira Salazar (de 1932 a 1968).<\/p>\n\n\n\n<p>Mestre e doutor em sociologia pela Universidade de Paris, o autor entende que \u00e9 maldade pura e simples o comportamento dos brasileiros defensores de ideias como a morte de pobres e bandidos, de gays e negros, de rivais pol\u00edticos. \u201cN\u00e3o s\u00e3o fascistas. S\u00e3o pessoas malignas que, agora, com a degrada\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter moral coletivo, manifestam \u00f3dio e intoler\u00e2ncia aos valores da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, disse Cattani a&nbsp;<em>CartaCapital<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u201cmalignidade\u201d caracteriza-se, segundo o livro, pela cren\u00e7a de que h\u00e1 pessoas superiores e inferiores, por autoritarismo, individualismo, ego\u00edsmo, anti-intelectualismo, obsess\u00e3o com a sexualidade e idealiza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e da tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As reflex\u00f5es apresentadas na obra nasceram quando o soci\u00f3logo trabalhou na Universidade de Bologna, na It\u00e1lia, entre 2018 e 2019. Ali, ele observou de perto manifesta\u00e7\u00f5es fascistas promovidas pelo l\u00edder da extrema-direita local, Matteo Salvini, vice-primeiro ministro e ministro do Interior at\u00e9 setembro do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs estrat\u00e9gias que ele&nbsp;<em>[Salvini]<\/em>&nbsp;usa de ati\u00e7ar ressentimentos, intoler\u00e2ncias, racismos \u00e9 o que se observa tamb\u00e9m com&nbsp;<em>[Donald]<\/em>&nbsp;Trump e Bolsonaro. Eles conseguem mobilizar o que tem de pior na sociedade, especialmente quando faltam oportunidades de trabalho e a concorr\u00eancia entre os trabalhadores se acirra\u201d, disse Cattani. \u201cEssas semelhan\u00e7as me estimularam a analisar o comportamentos dos brasileiros, historicamente machistas, racistas, intolerantes e elitistas e que, agora, encontram num presidente desqualificado apoio parar extravasar a malignidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o livro, \u201cna quase totalidade dos casos, as pessoas m\u00e1s s\u00e3o \u2018normais\u2019, dotadas de tiroc\u00ednio, de consci\u00eancia, de valores morais espec\u00edficos\u201d. Apesar de apontar \u201cmalignidade\u201d individual, a obra prop\u00f5e que \u201c\u00e9 o car\u00e1ter moral coletivo que precisa ser posto em quest\u00e3o\u201d. Uma parte da sociedade brasileira estaria degenerada, desumanizada. Essa \u201cmalignidade\u201d \u00e0 brasileira \u00e9 \u201cum fato social, \u00e9 ideologia posta em pr\u00e1tica, \u00e9 a\u00e7\u00e3o intolerante, intencional e violenta dirigida contra alguns\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o soci\u00f3logo, que se graduou em economia, a \u201cmalignidade\u201d \u00e0 brasileira tem sido fomentada e aproveitada pela elite do Pa\u00eds, como bancos, meios de comunica\u00e7\u00e3o, multinacionais. Os donos do grande capital, diz o livro, n\u00e3o precisam de democracia. Recrutam \u201cgrupos obcecados e moralistas\u201d que, por medo e ressentimento, extravasam \u00f3dio, tentam \u201csubjugar e eliminar os vulnerabilizados, os diferentes, os portadores de um projeto mais humano, generoso, solid\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns fatores hist\u00f3ricos explicariam a \u201cmalignidade\u201d de parte do Pa\u00eds. A escravid\u00e3o, por exemplo. E a falta de mea-culpa das For\u00e7as Armadas pela ditadura de 1964-1985. \u201cO Judici\u00e1rio avalizou a ignominiosa Lei da Anistia e os perpetradores n\u00e3os s\u00f3 permaneceram impunes como guardaram legitimidade perante parte da popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o livro.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma data precisa, prossegue a obra, que \u201cpermita identificar quando se acentuaram as manifesta\u00e7\u00f5es de malignidade de muitos brasileiros. Indiv\u00edduos extravasando preconceitos, racismo, intoler\u00e2ncia e \u00f3dio existem desde sempre. Por\u00e9m, os casos mais escabrosos eram contidos pelas normais sociais, pelas pol\u00edticas p\u00fablicas e pelos aparatos legais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O soci\u00f3logo arrisca-se a apontar 2010 como um momento significativo. A partir dali, pol\u00edticos, comunicadores, digital&nbsp;<em>influencers&nbsp;<\/em>e pastores fundamentalistas ganharam exposi\u00e7\u00e3o ao defender ideias intolerantes e discriminat\u00f3rias. Aquele ano, recorde-se foi o da primeira elei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, em uma disputa contra o tucano Jos\u00e9 Serra, o qual usou na campanha o tema \u201caborto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Cattani, 2013 foi o ano em que os brasileiros comuns, aqueles que aplaudiam os pol\u00edticos, comunicadores,&nbsp;<em>influencers<\/em>&nbsp;e bispos do par\u00e1grafo anterior, passaram a brandir eles pr\u00f3prios sua malignidade. \u201cExtravasam \u00f3dio, pedem a volta da ditadura, acham que os defensores da democracia merecem ser torturados, abominam a universidade, acreditam que bandido bom \u00e9 bandido morto, execram os direitos humanos\u201d. Outra recorda\u00e7\u00e3o: 2013 foi o ano dos grandes protestos de junho.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o soci\u00f3logo, \u201cse as for\u00e7as progressistas e democr\u00e1ticas n\u00e3o se mobilizarem para evitar o desastre, as v\u00edtimas&nbsp;<em>[da malignidade \u00e0 brasileira]<\/em>&nbsp;continuar\u00e3o aumentando\u201d.<br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Cattani, da UFRGS, aponta ra\u00edzes hist\u00f3ricas e econ\u00f4micas do fen\u00f4meno em \u2018A s\u00edndrome do mal\u2019<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-26346","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-6QW","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26346"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26346\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26347,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26346\/revisions\/26347"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}