{"id":26679,"date":"2020-03-02T11:28:57","date_gmt":"2020-03-02T15:28:57","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=26679"},"modified":"2020-03-02T11:29:09","modified_gmt":"2020-03-02T15:29:09","slug":"nas-maternidades-a-dor-tambem-tem-cor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/03\/02\/nas-maternidades-a-dor-tambem-tem-cor\/","title":{"rendered":"Nas maternidades, a dor tamb\u00e9m tem cor"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"375\" data-attachment-id=\"26680\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/03\/02\/nas-maternidades-a-dor-tambem-tem-cor\/image-3-7\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-3.jpeg?fit=768%2C480\" data-orig-size=\"768,480\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-3\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-3.jpeg?fit=300%2C188\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-3.jpeg?fit=600%2C375\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-3.jpeg?resize=600%2C375\" alt=\"\" class=\"wp-image-26680\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-3.jpeg?w=768 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-3.jpeg?resize=300%2C188 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-3.jpeg?resize=480%2C300 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 vamos voltar com seu remedinho\u201d foi a promessa que Michele Monteiro ouviu ao pedir anestesia a uma m\u00e9dica de plant\u00e3o no final da tarde. J\u00e1 passava das 22 horas do dia 24 de janeiro quando enfermeiras finalmente chegaram para ministrar um medicamento supostamente para amenizar as dores intensas que ela sentia. Gr\u00e1vida do seu quinto filho aos 42 anos, Michele estava em trabalho de parto h\u00e1 pelo menos 12 horas, em jejum, no Hospital Municipal Dr. Moys\u00e9s Deutsch, na estrada do M\u2019Boi Mirim, zona sul da cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Conte\u00fado Original&nbsp;<a href=\"https:\/\/apublica.org\/2020\/03\/nas-maternidades-a-dor-tambem-tem-cor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ag\u00eancia P\u00fablica<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA \u00fanica coisa que eu consegui enxergar era que a dosagem era de 100 miligramas\u201d, lembra. No prontu\u00e1rio de Michele, est\u00e1 registrada a prescri\u00e7\u00e3o via vaginal de duas doses de misoprostol, protocolo do medicamento quando usado para a indu\u00e7\u00e3o do trabalho de parto. Mas ela relata que, em vez da anestesia que pediu \u00e0 equipe m\u00e9dica, tamb\u00e9m foi ministrada a ocitocina sint\u00e9tica, subst\u00e2ncia comumente usada para aumentar as contra\u00e7\u00f5es. A recomenda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) \u00e9 que o horm\u00f4nio seja utilizado, na realidade, no p\u00f3s-parto para reduzir o sangramento excessivo em mulheres com risco de hemorragia \u2014 o \u00f3rg\u00e3o considera que a administra\u00e7\u00e3o sem controle e a qualquer momento antes do parto \u00e9 uma conduta prejudicial e ineficaz. \u201cDepois que aquilo entrou na minha veia, eu me senti esquartejada. Eu nunca senti uma coisa t\u00e3o horr\u00edvel na minha vida. Era uma dor como se eu estivesse levando v\u00e1rias pancadas no abd\u00f4men. Meu filho se encolhia de uma forma\u2026 Era uma contra\u00e7\u00e3o horr\u00edvel. E eu s\u00f3 pensava que iria morrer, ou ele iria morrer. Um dos dois\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Michele e Leonardo Brito, seu companheiro, receberam a reportagem da&nbsp;<strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong>no in\u00edcio de uma tarde de fevereiro, no meio da rotina de pais de um rec\u00e9m-nascido. Pesando 4,5 quilos e 54 cent\u00edmetros ao nascer, o calmo Leozinho, chamado no diminutivo para diferenciar do nome do pai, n\u00e3o aparenta ter t\u00e3o poucos dias de vida. \u201cNem acredito que tive ele\u201d, diz a m\u00e3e ao amamentar o beb\u00ea, enquanto se recupera da cirurgia e das viol\u00eancias vividas no processo. \u201cEu ainda tenho algum abalo e tem coisas que tamb\u00e9m n\u00e3o quero ficar lembrando porque machuca muito\u201d, desabafa. \u201cEu me sentia desamparada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/nas-maternidades-a-dor-tambem-tem-cor-img2-1.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-63997\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Michele Monteiro, de 42 anos, segura o seu quinto filho; a gestante relata que sofreu com dores por mais de 14 horas at\u00e9 conseguir autoriza\u00e7\u00e3o para ces\u00e1rea&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diagnosticada com sopro e press\u00e3o alta, o que caracterizava sua gravidez como de alto risco, Michele tentou interna\u00e7\u00e3o em ao menos quatro hospitais da regi\u00e3o. Entre o Hospital Benefic\u00eancia, onde j\u00e1 havia tido seus outros quatro filhos, e o Hospital do M\u2019Boi Mirim, decidiu pelo \u00faltimo por ter a autoriza\u00e7\u00e3o da companhia do marido durante o parto \u2014 obrigatoriedade j\u00e1 estabelecida pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/legis.senado.leg.br\/norma\/570557\/publicacao\/15722854\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei do Acompanhante<\/a>, de 2005. Assim que pisou no hospital \u00e0s 10h05 da manh\u00e3, a gestante informou que n\u00e3o queria o parto normal por conta da dificuldade em outras gravidezes.<\/p>\n\n\n\n<p>A autoriza\u00e7\u00e3o para a ces\u00e1rea veio \u00e0s 00h20. A todo momento, enquanto implorava pela ces\u00e1rea e pela anestesia, Michele insistia que ela j\u00e1 havia ultrapassado o limite do seu corpo. Como resposta, ouvia frequentemente: \u201cMas como? Voc\u00ea teve quatro filhos, dois normais, dois f\u00f3rceps. Por que voc\u00ea n\u00e3o tenta mais um? Voc\u00ea \u00e9 forte, vai conseguir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/nas-maternidades-a-dor-tambem-tem-cor-img3-1.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-63998\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Leonardo Brito, companheiro de Michele, mostra foto do nascimento do filho A cor da dor&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMulheres pretas t\u00eam quadris mais largos e, por isso, s\u00e3o parideiras por excel\u00eancia\u201d, \u201cnegras s\u00e3o fortes e mais resistentes \u00e0 dor\u201d. Percep\u00e7\u00f5es falsas como essas, sem base cient\u00edfica, foram ouvidas em salas de maternidades brasileiras e chamaram aten\u00e7\u00e3o da pesquisadora Maria do Carmo Leal, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>\n\n\n\n<p>Doutora em sa\u00fade p\u00fablica, ela decidiu pesquisar se esse senso comum resultava em um pior atendimento \u00e0s mulheres negras, como Michele, durante a gesta\u00e7\u00e3o e o parto. Em 2017, Maria do Carmo e uma equipe de pesquisadores da Fiocruz \u2014 Silvana Granado Nogueira da Gama, Ana Paula Esteves Pereira, Vanessa Eufrauzino Pacheco, Cleber Nascimento do Carmo e Ricardo Ventura Santos \u2014 analisaram o recorte de ra\u00e7a e cor dos dados de uma ampla pesquisa nacional sobre partos e nascimentos, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/nascer-no-brasil-fiocruz.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cNascer no Brasil\u201d<\/a>, realizada com prontu\u00e1rios m\u00e9dicos de 23.894 mulheres coletados entre 2011 e 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>Fruto dessa an\u00e1lise, o artigo&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/csp\/v33s1\/1678-4464-csp-33-s1-e00078816.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cA cor da dor: iniquidades raciais na aten\u00e7\u00e3o pr\u00e9-natal e ao parto no Brasil\u201d<\/a>&nbsp;examinou, tamb\u00e9m, a aplica\u00e7\u00e3o da anestesia local para a realiza\u00e7\u00e3o da episiotomia \u2014 corte feito na regi\u00e3o do per\u00edneo para ampliar a passagem do beb\u00ea em partos vaginais. Os resultados mostraram que, apesar de sofrerem menos episiotomias em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s brancas, mulheres negras tinham chances menores de receber anestesia durante o procedimento. \u201cO que a gente encontrou foi que, durante a episiotomia, que por sinal n\u00e3o \u00e9 mais uma pr\u00e1tica que se recomende que seja feita, a chance de a mulher negra n\u00e3o receber anestesia \u00e9 50% maior. Isso [o corte] \u00e9 algo que realmente d\u00f3i bastante\u201d, pontua a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse grupo de mulheres que receberam o corte no per\u00edneo, em 10,7% das mulheres pretas n\u00e3o foi aplicada a anestesia local para a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento, enquanto no grupo das mulheres brancas a taxa de n\u00e3o recebimento de anestesia foi de 8%.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora afirma, no entanto, que o n\u00famero de casos de episiotomias tem ca\u00eddo no Brasil. A diminui\u00e7\u00e3o, para Maria do Carmo, \u00e9 algo a comemorar porque mostra o resultado de pol\u00edticas p\u00fablicas como a Rede Cegonha, estrat\u00e9gia lan\u00e7ada pelo governo federal em 2011 que estruturou nacionalmente a\u00e7\u00f5es para qualificar o atendimento de mulheres desde o planejamento reprodutivo ao p\u00f3s-parto. Mas o panorama de episiotomias no pa\u00eds carece de dados. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou \u00e0&nbsp;<strong>P\u00fablica<\/strong>&nbsp;que n\u00e3o h\u00e1 registros espec\u00edficos sobre o procedimento por ele ser considerado \u201csecund\u00e1rio ao parto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 anestesia peridural, aplicada para o controle da dor em partos vaginais, a pesquisadora explica que ainda \u00e9 muito baixa no sistema p\u00fablico no Brasil: \u201cN\u00e3o chega a 10% das mulheres\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo da Fiocruz escancarou tamb\u00e9m outras disparidades raciais no atendimento de mulheres gr\u00e1vidas. Segundo a pesquisa, mulheres negras possuem maior risco de ter um pr\u00e9-natal inadequado, realizando menos consultas do que o indicado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade; t\u00eam maior peregrina\u00e7\u00e3o entre maternidades, buscando mais de um hospital no momento de interna\u00e7\u00e3o para o parto; e frequentemente est\u00e3o sozinhas, com aus\u00eancia de acompanhante durante o parto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a pesquisadora, essas disparidades durante o pr\u00e9-natal e o parto expressam o racismo estrutural. \u201cIsso \u00e9 uma quest\u00e3o de racismo, achar que [mulheres negras] s\u00e3o um ser humano diferente, que n\u00e3o sentem dor\u201d, reflete Maria do Carmo. \u201cN\u00e3o \u00e9 um problema s\u00f3 do setor de sa\u00fade. O racismo \u00e9 uma quest\u00e3o muito forte na sociedade brasileira, h\u00e1 um maltrato generalizado a essas popula\u00e7\u00f5es, principalmente de cor negra e ind\u00edgenas. Mas os profissionais da sa\u00fade poderiam fazer coisas para melhorar a abordagem [durante o atendimento]\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/nas-maternidades-a-dor-tambem-tem-cor-img5-1.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-64010\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Racismo na sa\u00fade&nbsp;Michele passou por constrangimento durante o trabalho de parto&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro de 2017, o programa Roda Viva, da&nbsp;<em>TV Cultura<\/em>, dedicou&nbsp;<a href=\"https:\/\/youtu.be\/df5ujgc8be0?t=4596\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">uma edi\u00e7\u00e3o especial<\/a>para discutir quest\u00f5es raciais no Brasil. O epis\u00f3dio trouxe quatro especialistas \u00e0 bancada do programa de entrevistas, entre eles a atriz e escritora Elisa Lucinda. Durante o debate, ela argumentou que negras e negros pobres recebiam menos anestesia em hospitais p\u00fablicos: \u201cQuando eu soube disso, parecia que era fic\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 muito grave\u201d, disse Lucinda. \u201cChegamos a um n\u00edvel alt\u00edssimo de met\u00e1stase do racismo porque houve quem trouxesse a obra da escravid\u00e3o at\u00e9 aqui, h\u00e1 quem a reproduza\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro dias ap\u00f3s o programa ir ao ar, a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) publicou em seu site uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sbahq.org\/nota-de-esclarecimento-da-sba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nota de esclarecimento<\/a>&nbsp;para se posicionar sobre a declara\u00e7\u00e3o veiculada em rede nacional. A entidade, que representa m\u00e9dicos anestesiologistas de todo o Brasil, relacionou o problema da menor taxa de aplica\u00e7\u00e3o de anestesia em episiotomias feitas em mulheres pretas, encontrada no estudo dos especialistas da Fiocruz, ao quadro de vulnerabilidade e iniquidade econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra no pa\u00eds. \u201cQuando se analisa a diversidade racial no Brasil, levando em considera\u00e7\u00e3o a pobreza e outras formas de desigualdade social, a popula\u00e7\u00e3o negra vai receber proporcionalmente uma assist\u00eancia m\u00e9dica mais limitada em todos os seus n\u00edveis, desde a dificuldade em conseguir uma consulta com especialista at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de uma cirurgia e anestesia. Isso n\u00e3o significa, de maneira alguma, que a medicina e os seus m\u00e9dicos s\u00e3o racistas e preconceituosos, e sim que vivemos em uma sociedade em que a desigualdade social compromete o atendimento m\u00e9dico adequado a toda a popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou a institui\u00e7\u00e3o no texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria do Carmo concorda que o problema tem, em sua raiz, uma sociedade desigual com homens e mulheres negras. De fato, dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) mostram que a pobreza no Brasil tamb\u00e9m tem cor: entre os 10% mais pobres do pa\u00eds, 75,2% s\u00e3o negros. Mas a professora n\u00e3o exime a contribui\u00e7\u00e3o direta dos profissionais de sa\u00fade para o cen\u00e1rio de mau atendimento \u2014 j\u00e1 que mesmo mulheres negras com acesso ao sistema privado de sa\u00fade sofrem com discrimina\u00e7\u00e3o e racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o caso da jornalista B. S., que contou sua hist\u00f3ria em condi\u00e7\u00e3o de anonimato. \u201c\u00c9 uma experi\u00eancia muito dif\u00edcil de falar, sabe? Eu n\u00e3o consigo falar ainda abertamente sobre isso\u201d, disse por \u00e1udio em uma troca de mensagem no WhatsApp, uma semana antes de encontrar a reportagem da&nbsp;<strong>P\u00fablica<\/strong>&nbsp;para dar o seu relato.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3e de primeira viagem, na \u00e9poca com 27 anos, ela procurou se munir com toda a informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel sobre humaniza\u00e7\u00e3o e o processo fisiol\u00f3gico do parto. Para passar pelo per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o com mais conforto, por exemplo, passou a frequentar aulas de ioga para gestantes duas vezes por semana \u2014 do grupo de dez mulheres, ela era a \u00fanica negra da turma. Entre suas pesquisas, B. S. escolheu o Hospital S\u00e3o Lucas, em Santos, cidade do litoral norte de S\u00e3o Paulo, para dar \u00e0 luz a sua primeira filha. A institui\u00e7\u00e3o faz parte do projeto Parto Adequado, realizado pela Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) em parceria com Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas toda a informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e o preparo de B. S. n\u00e3o evitaram as viol\u00eancias que a jornalista sofreu durante o parto. \u201cMinha obstetra coordenava esse processo de transforma\u00e7\u00e3o desse hospital particular, que era onde eu tinha nascido, e atendia meu plano. Quando eu falei com ela, eu disse que queria sem anestesia porque o que era importante era minha filha. Mas, na hora do parto, eu n\u00e3o dei conta e implorava por anestesia\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta da equipe m\u00e9dica ao pedido foi negativa. As enfermeiras, relata ela, faziam piadas e soltavam coment\u00e1rios como \u201cser m\u00e3e \u00e9 assim mesmo, ser m\u00e3e d\u00f3i\u201d. \u201cAlgumas cenas hoje doem como uma pancada no peito. Lembro que algu\u00e9m, hoje n\u00e3o sei quem, me fechou no box [do banheiro] e disse: \u2018Fica a\u00ed at\u00e9 voc\u00ea dilatar\u2019. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que eu estava presa\u201d, conta a jornalista. \u201cEu pedia anestesia e n\u00e3o me explicavam o porqu\u00ea n\u00e3o me davam. Eu fui para o hospital \u00e0s 23 horas e, \u00e0s 2 horas da manh\u00e3, eu estava com dilata\u00e7\u00e3o total e gritava de dor.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O parto de B. S. foi feito com episiotomia, com aplica\u00e7\u00e3o de anestesia local. Ela s\u00f3 teve a percep\u00e7\u00e3o de que sofreu uma viol\u00eancia ap\u00f3s algumas semanas, ao encontrar as colegas do grupo de ioga pr\u00e9-natal e que tiveram filhos com a mesma obstetra. \u201cElas me falaram que, quando elas estavam muito cansadas, a mesma equipe m\u00e9dica perguntou se elas queriam anestesia. At\u00e9 ent\u00e3o, eu pensava que era um processo horr\u00edvel mesmo. S\u00f3 que a\u00ed veio essa informa\u00e7\u00e3o e eu senti uma coisa quebrar em mim. Ficou uma dor latente\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o da jornalista, al\u00e9m de quest\u00f5es t\u00e9cnicas, h\u00e1 um despreparo das m\u00e9dicas com rela\u00e7\u00e3o a temas como racismo e sa\u00fade mental. \u201cParece sutil, mas tem tudo a ver. Voc\u00ea n\u00e3o consegue ter um parto humanizado se voc\u00ea n\u00e3o tiver uma rela\u00e7\u00e3o interpessoal adequada com as pessoas. Se o discurso continua violento e voc\u00ea fizer procedimentos que pare\u00e7am humanizados, n\u00e3o adianta nada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Como forma de reconhecer desigualdades raciais no \u00e2mbito da sa\u00fade, como altas taxas de mortalidade materna e infantil e preval\u00eancia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas entre a popula\u00e7\u00e3o negra, o governo federal criou, em 2006, a&nbsp;<a href=\"http:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/politica_nacional_saude_integral_populacao.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral da Popula\u00e7\u00e3o Negra (PNSIPN)<\/a>. A estrat\u00e9gia, resultado direto da press\u00e3o de ativistas do movimento negro, previa a\u00e7\u00f5es como a produ\u00e7\u00e3o de dados racializados e inclus\u00e3o do tema \u201cracismo e sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o negra\u201d na forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica dos trabalhadores do SUS, com o objetivo de orientar e capacitar profissionais da sa\u00fade. A portaria que instituiu o programa foi publicada em 2009. Mas, ap\u00f3s uma d\u00e9cada, o projeto andou pouco. Segundo levantamento do jornal&nbsp;<em>O Globo<\/em>, realizado em 2019,&nbsp;<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/saude\/politica-de-saude-para-populacao-negra-so-existe-em-57-municipios-12-anos-apos-ser-criada-23364705\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">apenas 57 dos mais de 5 mil munic\u00edpios<\/a>&nbsp;tinham projetos para implementar a resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota \u00e0&nbsp;<strong>P\u00fablica<\/strong>, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade pontuou que o programa n\u00e3o possui verba espec\u00edfica, cabendo aos estados e munic\u00edpios a implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica. \u201cAtualmente, existem quatro projetos vigentes com o tema PNSIPN, celebrados com universidades para a oferta de capacita\u00e7\u00f5es para profissionais de sa\u00fade da Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria em Promo\u00e7\u00e3o da Equidade \u00c9tnico-racial no SUS\u201d, informou a pasta. O valor total aprovado para esses projetos \u00e9 de aproximadamente R$ 2,5 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Despreparo&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dica Mariana Prado, residente em ginecologia e obstetr\u00edcia no Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, no Campo Limpo, bairro da zona sul da capital paulista, compartilha a vis\u00e3o de que falta preparo aos profissionais, a maioria brancos, com rela\u00e7\u00e3o ao tema. A profissional diz testemunhar cotidianamente os impactos do preconceito racial no atendimento de mulheres da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAqui a gente recebe a popula\u00e7\u00e3o pobre da zona sul. [Na obstetr\u00edcia], a gente atende muita mulher preta, com certeza a maior incid\u00eancia\u201d, diz a m\u00e9dica. \u201cExiste um diagn\u00f3stico que se chama \u2018neglig\u00eancia materna\u2019. Se uma mulher fez menos consultas de pr\u00e9-natal do que o recomendado, que s\u00e3o seis, ela recebe esse diagn\u00f3stico. E a incid\u00eancia desse diagn\u00f3stico em m\u00e3es negras \u00e9 muito maior\u201d, relata. \u201cEnt\u00e3o, ela \u00e9 julgada, n\u00e3o importa, por exemplo, se foi porque ela descobriu tardiamente a gravidez.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A jovem m\u00e9dica tamb\u00e9m integra o coletivo NegreX, formado por estudantes de medicina e profissionais negros com o objetivo de aprofundar o debate sobre o racismo na \u00e1rea de sa\u00fade. Para ela, que se dedica a entender como as rela\u00e7\u00f5es raciais se manifestam na medicina, a diferen\u00e7a de tratamento de mulheres negras \u00e9 resultado de um processo hist\u00f3rico e estrutural. \u201cNo in\u00edcio da ces\u00e1rea no Brasil, os testes eram feitos em mulheres pretas escravizadas. \u00c9 ir\u00f4nico pensar que testamos uma t\u00e9cnica em corpos negros l\u00e1 atr\u00e1s e, agora, negamos anestesia a uma mulher dizendo \u2018voc\u00ea \u00e9 resistente e vai dar certo\u2019 porque ela \u00e9 preta. Isso vem de muito longe na hist\u00f3ria da obstetr\u00edcia\u201d, comenta em refer\u00eancia ao fato de que o cirurgi\u00e3o Jos\u00e9 Maria Pican\u00e7o (bar\u00e3o de Goi\u00e2nia) teria sido o primeiro a fazer uma opera\u00e7\u00e3o cesariana no Brasil, aplicando a t\u00e9cnica em uma mulher negra escravizada em 1817, no Recife (PE).<\/p>\n\n\n\n<p>Direito a um parto sem dor&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo semestre de 2018, a defensora N\u00e1lida Coelho, coordenadora do N\u00facleo de Defesa da Mulher da Defensoria P\u00fablica (Nudem), ajuizou uma a\u00e7\u00e3o para garantir o direito de uma gestante em receber anestesia. Semanas antes do parto, a mulher havia sido encaminhada a uma maternidade que s\u00f3 oferecia m\u00e9todos n\u00e3o farmacol\u00f3gicos de al\u00edvio da dor, como analg\u00e9sicos. Como j\u00e1 havia passado por outras gesta\u00e7\u00f5es com partos extremamente dolorosos, ela protocolou em seu plano de parto a reivindica\u00e7\u00e3o de anestesia. Mas o pedido foi negado pela maternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No SUS, o acesso \u00e0 anestesia e medicamentos para aliviar a dor e sofrimento em qualquer procedimento \u00e9 garantido pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/conselho.saude.gov.br\/ultimas_noticias\/2009\/01_set_carta.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Portaria n\u00ba 1.820<\/a>, de 2009, emitida pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Em alguns munic\u00edpios, como S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte, existem legisla\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que regulamentam a analgesia em mulheres em trabalho de parto. Na capital paulista, por exemplo, a anestesia ao parto est\u00e1 prevista na&nbsp;<a href=\"http:\/\/legislacao.prefeitura.sp.gov.br\/leis\/lei-15894-de-8-de-novembro-de-2013\/detalhe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei Municipal 15.894<\/a>&nbsp;desde 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>A Defensoria P\u00fablica levou \u00e0 Justi\u00e7a o caso de J., que ocorreu no munic\u00edpio de Mar\u00edlia, interior de S\u00e3o Paulo. Quando ela j\u00e1 estava com quase 39 semanas de gesta\u00e7\u00e3o, a maternidade atendeu aos of\u00edcios da Defensoria P\u00fablica e transferiu a gestante para outra institui\u00e7\u00e3o, para que seu direito fosse assegurado.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e1lida recomenda \u00e0s mulheres procurarem o Nudem e as ouvidorias dos hospitais antes do parto para evitar uma viola\u00e7\u00e3o de direitos ou, se essa viola\u00e7\u00e3o ocorrer, para uma a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da experi\u00eancia que tiveram no Hospital do M\u2019Boi Mirim, Michele Moreira e Leonardo Brito chegaram a pensar, por um momento, na possibilidade de judicializar o caso. \u201cEu entraria em um processo se eu soubesse que poderia tirar essa m\u00e9dica de rede\u201d, diz Michele. Seu marido procurou a ouvidoria do hospital no dia 6 de fevereiro para protocolar uma reclama\u00e7\u00e3o. \u201cEu fui na ouvidoria, mas de ouvidoria n\u00e3o tem nada, n\u00e9? \u00c9 uma \u2018questionadoria\u2019. Eles queriam questionar tudo, se ela realmente estava dentro da lei [para fazer ces\u00e1rea], por estar com 39 semanas. Eles tentaram defender a m\u00e9dica, nem ouviram minha sugest\u00e3o\u201d, criticou o marido.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/poliarquia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/nas-maternidades-a-dor-tambem-tem-cor-img4-1.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-64003\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Casal com o filho em sua casa no Cap\u00e3o Redondo, zona sul de S\u00e3o Paulo; eles n\u00e3o pretendem levar caso \u00e0 Justi\u00e7a&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<strong>P\u00fablica<\/strong>&nbsp;entrou em contato com o Hospital do M\u2019Boi Mirim, que informou que a Secretaria Municipal de Sa\u00fade (SMS) \u00e9 a respons\u00e1vel por posicionamentos \u00e0 imprensa. A SMS, por sua vez, afirmou que Michele \u201cfoi internada para in\u00edcio de tratamento conforme condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, de acordo com as diretrizes vigentes baseadas na melhor evid\u00eancia cient\u00edfica dispon\u00edvel. Ap\u00f3s o parto, a m\u00e3e e o rec\u00e9m-nascido do sexo masculino seguiram internados sob cuidados multidisciplinares em leito de alojamento conjunto na Maternidade. No dia 27 de janeiro, a paciente e o beb\u00ea receberam alta hospitalar em boas condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A SMS informou que a unidade hospitalar em que Michele foi internada faz parte da Rede Cegonha e do Programa Parto Adequado, \u201cutilizando protocolos espec\u00edficos para uso de medicamentos como a ocitocina\u201d. \u201cQualquer rem\u00e9dio administrado no hospital \u00e9 comunicado ao paciente e o mesmo pode recusar sua administra\u00e7\u00e3o\u201d, disse em nota a assessoria de imprensa do \u00f3rg\u00e3o. Quanto ao parto ces\u00e1reo, a meta do munic\u00edpio, segundo a SMS, \u00e9 atingir o preconizado pela OMS, uma taxa de 15%. \u201cA OMS aponta que a ces\u00e1rea \u00e9 um procedimento cir\u00fargico que, quando realizado por raz\u00f5es m\u00e9dicas, pode salvar a vida de uma mulher e de seu beb\u00ea e, quando realizado sem indica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, pode colocar em risco a vida e o bem estar das m\u00e3es e de seus filhos. A escolha da via de parto na rede municipal de S\u00e3o Paulo \u00e9 baseada em crit\u00e9rios cl\u00ednicos, maternos e fetais, com o objetivo de proteger a gestante e o beb\u00ea.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao combate ao racismo no sistema p\u00fablico de sa\u00fade, o \u00f3rg\u00e3o municipal afirmou que existe no \u00e2mbito da SMS a \u00c1rea T\u00e9cnica da Sa\u00fade da Popula\u00e7\u00e3o Negra, \u201ccriada em 2003, com objetivo de promover a sa\u00fade integral da popula\u00e7\u00e3o negra, priorizando a redu\u00e7\u00e3o das iniquidades \u00e9tnico-raciais e o combate ao racismo e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os do SUS no \u00e2mbito municipal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Evang\u00e9lica, Michele conta que ora todos os dias \u00e0 noite. Em suas preces, pede a Deus pela vida das mulheres que passaram ou que ainda v\u00e3o passar pelo mesmo que ela: \u201cMuitas mulheres v\u00e3o entrar e v\u00e3o fazer parte de tudo que eu passei, mas algumas n\u00e3o v\u00e3o sair. Minha cabe\u00e7a fica me incomodando, batendo na tecla que est\u00e1 chegando algu\u00e9m l\u00e1 agora que pode estar na mesma situa\u00e7\u00e3o. Ou que talvez esteja saindo algu\u00e9m que j\u00e1 passou por isso, mas que n\u00e3o vai abrir a boca. E as sequelas que ficam? Quem vai limpar? Quem vai tratar?\u201d, questiona.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cJ\u00e1 vamos voltar com seu remedinho\u201d foi a promessa que Michele Monteiro ouviu ao pedir anestesia a uma m\u00e9dica de plant\u00e3o no final da tarde. J\u00e1 passava das 22 horas do dia 24 de janeiro quando enfermeiras finalmente chegaram para ministrar um medicamento supostamente para amenizar as dores intensas que ela sentia. Gr\u00e1vida do seu&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/03\/02\/nas-maternidades-a-dor-tambem-tem-cor\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-26679","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-6Wj","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26679"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26679\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26681,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26679\/revisions\/26681"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}