{"id":26742,"date":"2020-03-06T09:47:02","date_gmt":"2020-03-06T13:47:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=26742"},"modified":"2020-03-06T09:47:20","modified_gmt":"2020-03-06T13:47:20","slug":"amazonia-sob-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/03\/06\/amazonia-sob-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia sob Bolsonaro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2020\/02\/11\/15814462185e42f44a02355_1581446218_3x2_rt.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Queimada em \u00e1rea desmatada no seringal Albracia que havia sido embargada pelo ICMBio ap\u00f3s fiscaliza\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"> A segunda morte de Chico; Mendes Sob Bolsonaro, ex-seringueiros aceleram desmatamento e a troca de extrativismo por gado<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Na FSP<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fabiano MaisonnaveLalo de Almeida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que a borracha, a castanha-do-par\u00e1 \u00e9 um valioso produto extrativista da Amaz\u00f4nia. Apesar da renda assegurada e de a \u00e1rvore majestosa estar protegida por lei, neste ano a fam\u00edlia do ex-seringueiro Francisco Diogo da Silva, 72, decidiu queimar um castanhal para substitu\u00ed-lo por pasto e gado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascido em um seringal que hoje est\u00e1 dentro da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, Silva come\u00e7ou a cortar aos oito anos de idade, seguindo os passos do pai. Dedicou-se \u00e0 atividade ao longo de 58 anos, 49 deles no seringal Albracia, onde vive at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhum dos dez filhos, por\u00e9m, extrai o l\u00e1tex. Cinco est\u00e3o na &#8220;rua&#8221;, express\u00e3o usada como sin\u00f4nimo de cidade. Os demais moram com ele e se dedicam \u00e0 pecu\u00e1ria. \u00c9 a atividade contra a qual a Resex Chico Mendes foi criada em 1990, pouco mais de um ano ap\u00f3s o assassinato do l\u00edder extrativista que lhe d\u00e1 o nome. A morte foi encomendada por um pecuarista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eles acham que o boi tem mais futuro. Se eles puderem vender um ou dois por m\u00eas, j\u00e1 t\u00eam dinheiro pra fazer a feira, rem\u00e9dio. E a borracha \u00e9 cativa. Precisava ter um mercado certo, que n\u00e3o faltasse&#8221;, diz Silva sobre os filhos, em entrevista na casa de madeira e poucos m\u00f3veis, onde a luz estava conectada havia um m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Silva nasceu no tempo &#8220;dos patr\u00f5es&#8221;, quando os seringueiros, isolados na floresta, eram submetidos a um regime de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o pelos seringalistas. Contra\u00edam d\u00edvidas impag\u00e1veis e eram proibidos de fazer ro\u00e7a. Ao contr\u00e1rio dos filhos, ele nunca frequentou uma escola. &#8220;Nem fa\u00e7o nem conhe\u00e7o o meu nome.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Com a cria\u00e7\u00e3o da Resex, as fam\u00edlias se livraram de vez dos patr\u00f5es e, principalmente, conseguiram uma barreira legal contra os fazendeiros de gado, que avan\u00e7avam contra a floresta. As escolas se proliferaram, e a luz chegou pela rede el\u00e9trica ou por placas solares.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2020\/02\/11\/15814457765e42f290e6a1f_1581445776_3x2_rt.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Gado pasta na terra do ex-seringueiro Francisco Diogo da Silva, que v\u00ea a pecu\u00e1ria como a alternativa econ\u00f4mica mais vi\u00e1vel\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Outra grande melhoria foi a constru\u00e7\u00e3o de linhas (estradas de terra), facilitando o acesso \u00e0 cidade. Silva levava cerca de 14 horas para chegar a Xapuri em carro de boi. Hoje, basta 1h30 com o carro ou a moto dos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>No aspecto ambiental, a Resex tamb\u00e9m vem freando o avan\u00e7o do &#8220;arco do desmatamento&#8221;, frente de destrui\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica que vai do Acre ao Maranh\u00e3o e avan\u00e7a rumo ao norte. \u00c0s margens da rodovia que liga Rio Branco a Xapuri, quase tudo virou pasto.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a economia em torno da borracha colapsou. A fam\u00edlia Silva deixou de cortar seringa h\u00e1 seis anos. O ex-seringueiro afirma que a venda era incerta e que s\u00f3 vinha ocorrendo, no m\u00e1ximo, dois meses por ano. Muitas vezes, o l\u00e1tex extra\u00eddo se perdia.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/arte.folha.uol.com.br\/ciencia\/2020\/02\/24\/resex-chico-mendes\/?initialWidth=444&amp;childId=infographic-1&amp;parentTitle=Sob%20Bolsonaro%2C%20ex-seringueiros%20aceleram%20desmatamento%20e%20a%20troca%20de%20extrativismo%20por%20gado%20-%20A%20segunda%20morte%20de%20Chico%20Mendes%20-%20Amaz%C3%B4nia%20sob%20Bolsonaro%20-%20Folha%20de%20S.Paulo&amp;parentUrl=https%3A%2F%2Ftemas.folha.uol.com.br%2Famazonia-sob-bolsonaro%2Fa-segunda-morte-de-chico-mendes%2Fsob-bolsonaro-ex-seringueiros-aceleram-desmatamento-e-a-troca-de-extrativismo-por-gado.shtml\" width=\"100%\" height=\"467px\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>A agricultura tampouco gera renda, afirma o ex-seringueiro: &#8220;O povo na rua se interessa mais no que vem plastificado, de qualidade. Eles dizem que a da gente \u00e9 mal feita. Voc\u00ea leva 500 kg de farinha e passa a semana todinha pelejando pra vender. A outra vem plastificadinha, o cabra j\u00e1 monta na prateleira. N\u00e3o precisa comprar os materiais, ensacar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Silva e muitas fam\u00edlias viram na pecu\u00e1ria a alternativa econ\u00f4mica mais vi\u00e1vel, mesmo que seja ilegal. A atividade \u00e9 permitida de forma bastante limitada.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coloca\u00e7\u00e3o (\u00e1rea destinada por fam\u00edlia) s\u00f3 pode desmatar at\u00e9 30 hectares, e apenas metade pode ser usada para a pecu\u00e1ria. Al\u00e9m disso, o desmatamento precisa de autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do ICMBio, respons\u00e1vel pela gest\u00e3o da Resex. Segundo Silva, um dos filhos foi multado por tombar 200 hectares.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro &#8220;Rainforest Cowboys&#8221; (caub\u00f3is da floresta), de 2015, o antrop\u00f3logo norte-americano Jeffrey Hoelle j\u00e1 apontava a tend\u00eancia de avan\u00e7o ilegal da pecu\u00e1ria como resultado, segundo ele, do fim de incentivos para borracha e agricultura. O gado, por outro lado, \u00e9 visto como a melhor alternativa pelos seringueiros como uma poupan\u00e7a e um produto com grande liquidez.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2020\/02\/11\/15814452315e42f06fdf0c3_1581445231_3x2_rt.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\" Funcion\u00e1rio do frigor\u00edfico Frigo Verde, em Xapuri (AC), acompanha pesagem de carne \"\/><figcaption>Funcion\u00e1rio do frigor\u00edfico Frigo Verde, em Xapuri (AC), acompanha pesagem de carne&nbsp;Lalo de Almeida\/Folhapress<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2020\/02\/11\/15814454525e42f14c5234f_1581445452_3x2_rt.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"O seringueiro Rian Avevedo de Barros, 18, extrai l\u00e1tex no seringal Floresta, na Resex Chico Mendes, no Acre\"\/><figcaption>O seringueiro Rian Avevedo de Barros, 18, extrai l\u00e1tex no seringal Floresta, na Resex Chico Mendes, no Acre&nbsp;Lalo de Almeida\/Folhapress<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Essa troca da floresta pelo capim se acelerou em 2019, no rastro da elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro (sem partido), que prometeu reduzir a prote\u00e7\u00e3o ambiental em favor da agropecu\u00e1ria. Segundo o ex-seringueiro, seus discursos, al\u00e9m do incentivo de um vereador de Xapuri, serviram de sinal verde para o avan\u00e7o do pasto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele disse que o homem do campo, as pessoas de bem podiam usar as suas \u00e1reas. A\u00ed a gente ficou naquela anima\u00e7\u00e3ozinha&#8221;, relembra. &#8220;Ele disse que a pobreza podia trabalhar \u00e0 vontade, n\u00e3o ia ser mais reprimida, ficar com medo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo turno de 2018, o Acre deu a Bolsonaro a sua maior vota\u00e7\u00e3o proporcional, 77% dos votos v\u00e1lidos. O presidente venceu tamb\u00e9m em Xapuri, onde Chico Mendes, l\u00edder hist\u00f3rico do PT no Acre, foi assassinado, com 59%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2020\/02\/11\/15814451805e42f03ce934d_1581445180_3x2_rt.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Foto de Chico Mendes, l\u00edder dos seringueiros assassinado em 1988, pendurada na parede da casa de Rian Avevedo de Barros no seringal Floresta, em Xapuri (AC)\"\/><figcaption>Foto de Chico Mendes, l\u00edder dos seringueiros assassinado em 1988, pendurada na parede da casa de Rian Avevedo de Barros no seringal Floresta, em Xapuri (AC)&nbsp;Lalo de Almeida\/Folhapress<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No primeiro ano do governo Bolsonaro, o desmatamento na Resex cresceu 203% em rela\u00e7\u00e3o a 2018. A \u00e1rea de floresta perdida, 74,5 quil\u00f4metros quadrados, \u00e9 a maior da s\u00e9rie hist\u00f3rica do sistema de monitoramento Prodes (Inpe), iniciado em 2008, e equivale a quase dois Parques Nacionais da Tijuca (RJ). Ao todo, a unidade j\u00e1 perdeu 7,5% da sua cobertura florestal.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/arte.folha.uol.com.br\/graficos\/DTOql\/?initialWidth=444&amp;childId=infographic-2&amp;parentTitle=Sob%20Bolsonaro%2C%20ex-seringueiros%20aceleram%20desmatamento%20e%20a%20troca%20de%20extrativismo%20por%20gado%20-%20A%20segunda%20morte%20de%20Chico%20Mendes%20-%20Amaz%C3%B4nia%20sob%20Bolsonaro%20-%20Folha%20de%20S.Paulo&amp;parentUrl=https%3A%2F%2Ftemas.folha.uol.com.br%2Famazonia-sob-bolsonaro%2Fa-segunda-morte-de-chico-mendes%2Fsob-bolsonaro-ex-seringueiros-aceleram-desmatamento-e-a-troca-de-extrativismo-por-gado.shtml\" width=\"100%\" height=\"442px\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>A sinaliza\u00e7\u00e3o do governo Bolsonaro \u00e9 de que n\u00e3o haver\u00e1 mais incentivos ao extrativismo. Em artigo publicado em novembro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, comparou os seringueiros a &#8220;cobaias humanas&#8221;. Al\u00e9m disso, a deputada federal Mara Rocha (PSDB-AC) protocolou projeto de lei que retira da Resex uma parte j\u00e1 tomada pela pecu\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A libera\u00e7\u00e3o para o desmatamento, no entanto, n\u00e3o ocorreu at\u00e9 agora. Pressionado dentro e fora do Brasil pela onda de destrui\u00e7\u00e3o, o governo Bolsonaro apertou a fiscaliza\u00e7\u00e3o. Silva diz que, em outubro, tr\u00eas filhos receberam multas ambientais que, somadas, chegam a cerca de R$ 880 mil. A quantia \u00e9 impag\u00e1vel para a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que eu vou dizer? Vou me encolher, n\u00e3o sou as autoridades. Era escutar e ficar pedindo a Deus que eles baixassem o cora\u00e7\u00e3o e deixassem ao menos o cara no lugar&#8221;, afirmou, em alus\u00e3o \u00e0 possibilidade de ser expulso da Resex.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionado sobre se o desmatamento n\u00e3o deixa triste, Silva afirma que sim, mas v\u00ea como uma tend\u00eancia inevit\u00e1vel: &#8220;Tenho pena, fui criado s\u00f3 na mata mesmo. Mas o que h\u00e1 de fazer? Voc\u00ea vai na rua, \u00e9 s\u00f3 campo. N\u00e3o tem mata como era.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2020\/02\/11\/15814458115e42f2b307da5_1581445811_3x2_md.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"A extrativista Luzineide Marques da Silva observa uma seringueira perto da sua casa no seringal Albracia\"\/><figcaption>A extrativista Luzineide Marques da Silva observa uma seringueira perto da sua casa no seringal Albracia &#8211;&nbsp;Lalo de Almeida\/Folhapress<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Vizinha de Francisco, Luzineide Marques da Silva, 41, \u00e9 uma das poucas pessoas que cortam seringa no Albracia. H\u00e1 dois anos, sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 comprada pela empresa de sapatos Veja, de capital franc\u00eas e que incentiva pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis. A borracha \u00e9 levada at\u00e9 o Rio Grande do Sul, onde est\u00e1 a f\u00e1brica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Neste momento, a venda da borracha est\u00e1 \u00f3tima. J\u00e1 vendi a R$ 1. Agora, est\u00e1 R$ 13,50, sendo que R$ 8 a empresa paga e R$ 5,50 v\u00eam de subs\u00eddio&#8221;, afirma Luzineide, que tamb\u00e9m quebra castanha, colhida entre dezembro e fevereiro, mant\u00e9m uma ro\u00e7a e cria algumas vacas, dentro do limite legal.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da chegada dos sapatos Veja, a seringueira diz que sua fam\u00edlia atravessava dificuldades. &#8220;No ver\u00e3o, est\u00e1vamos passando necessidade, porque n\u00f3s produzimos o leite, o arroz, o feij\u00e3o, cultivamos o milho pra alimentar as galinhas, mas n\u00f3s precisamos comprar o a\u00e7\u00facar, o sal, o sab\u00e3o, o \u00f3leo, essas outras coisas, n\u00e9? Medica\u00e7\u00e3o n\u00f3s precisamos, manter nossos filhos na escola, principalmente isso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, diz, &#8220;d\u00e1 pra viver, n\u00e3o passamos fome&#8221;. &#8220;Quando estamos em agosto, a seringa diminui, a\u00ed a gente j\u00e1 come\u00e7a a passar um pouco de necessidade se for um ano que n\u00e3o temos legumes. No ano em que temos legumes d\u00e1 pra comer bem, viver normal.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua coloca\u00e7\u00e3o, ela mora com o marido, a quem ensinou a extrair seringa, tr\u00eas filhas, um cunhado e cinco netos. Ela nasceu na Resex e aprendeu a profiss\u00e3o com o pai, por ser a filha mais velha. Vivem em duas casas de madeira, n\u00e3o muito diferentes da do vizinho Francisco.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2020\/02\/11\/15814450815e42efd9b3d5b_1581445081_3x2_rt.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\" \"\/><figcaption>Lalo de Almeida\/Folhapress<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A seringueira diz que a partilha da terra entre os filhos n\u00e3o \u00e9 desculpa para o desmatamento e aponta os \u00edndios como exemplo. &#8220;No ano passado, era um hectare com planta\u00e7\u00e3o de arroz, \u00e9ramos dez pessoas e n\u00e3o conseguimos colher tudo em 20 dias. Perdemos 6.000 quilos. Por a\u00ed a gente j\u00e1 calcula, n\u00e3o precisa derrubar em grande quantidade. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de cada filha minha ter um ro\u00e7ado porque n\u00e3o daremos conta de plantar, de limpar e colher. Um exemplo s\u00e3o os ind\u00edgenas, t\u00eam uma planta\u00e7\u00e3o s\u00f3 e todos vivem daquilo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de satisfeita com o tamanho da ro\u00e7a e com o pre\u00e7o da borracha, ela diz que a maioria dos seringueiros n\u00e3o tem o mesmo c\u00e1lculo e est\u00e1 optando pelo gado. Das 35 coloca\u00e7\u00f5es da sua regi\u00e3o, afirma, apenas tr\u00eas trabalham com a seringa. Com a recente onda de desmate, a sua coloca\u00e7\u00e3o est\u00e1 se transformando em uma ilha de floresta cercada de pasto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso foi o maior crime que aconteceu na face da Terra&#8221;, diz Luzineide, sobre o avan\u00e7o do pasto sobre os seringais e a venda ilegal de lotes. &#8220;Se a Resex continuar indo no patamar que est\u00e1 indo hoje, nesse ritmo vai estar toda no ch\u00e3o. S\u00f3 as fam\u00edlias tradicionais, que nunca venderam um peda\u00e7o de ch\u00e3o, que nunca tiveram a cabe\u00e7a pra criar boi \u00e9 que v\u00e3o manter suas condi\u00e7\u00f5es em p\u00e9 e talvez podem at\u00e9 ser mortas porque v\u00e3o invadir.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao menos nesse ponto, Francisco concorda com a vizinha que o futuro ser\u00e1 sombrio: &#8220;Est\u00e1 mais quente o dobro. Era muito bom. Tinha friagem de oito dias sem ver o Sol. Agora n\u00e3o, passa um dia nublado, dois dias, o Solz\u00e3o j\u00e1 parte, n\u00e3o tem quem aguente. Os diaristas [trabalhadores bra\u00e7ais] s\u00f3 faltam morrer. Uns dizem que foi mais desmata\u00e7\u00e3o da floresta. Outros dizem que estamos no fim das eras.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2020\/02\/18\/15820528205e4c35d4ce9be_1582052820_3x2_rt.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Casa de Chico Mendes em Xapuri (AC), onde ele foi assassinado em 1988;o local funcionava como um museu, mas estava fechado para visita\u00e7\u00e3o por falta de verba do governo estadual\"\/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A segunda morte de Chico; Mendes Sob Bolsonaro, ex-seringueiros aceleram desmatamento e a troca de extrativismo por gado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-26742","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-6Xk","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26742"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26742\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26744,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26742\/revisions\/26744"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}