{"id":27063,"date":"2020-03-23T07:59:05","date_gmt":"2020-03-23T11:59:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=27063"},"modified":"2020-03-23T07:59:12","modified_gmt":"2020-03-23T11:59:12","slug":"sera-que-comecamos-a-nos-sentir-mais-iguais-diante-do-medo-de-uma-nova-guerra-viral","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/03\/23\/sera-que-comecamos-a-nos-sentir-mais-iguais-diante-do-medo-de-uma-nova-guerra-viral\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que come\u00e7amos a nos sentir mais iguais diante do medo de uma nova guerra viral?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"338\" data-attachment-id=\"27064\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/03\/23\/sera-que-comecamos-a-nos-sentir-mais-iguais-diante-do-medo-de-uma-nova-guerra-viral\/image-65-3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-65.jpeg?fit=640%2C360\" data-orig-size=\"640,360\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-65\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-65.jpeg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-65.jpeg?fit=600%2C338\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-65.jpeg?resize=600%2C338\" alt=\"\" class=\"wp-image-27064\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-65.jpeg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-65.jpeg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-65.jpeg?resize=533%2C300 533w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>De repente, ningu\u00e9m se sente seguro diante desse mal invis\u00edvel. Todos n\u00f3s estamos igualmente desarmados.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>No El Pa\u00eds &#8211; Juan Arias<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo est\u00e1 passando por uma prova global de medo diante da\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/coronavirus\/\" target=\"_blank\">nova epidemia<\/a>\u00a0viral que amea\u00e7a a todos por igual e que nos mostra que, para ela, n\u00e3o existem muros nem fronteiras. \u00c9 um inimigo que domina o espa\u00e7o e o tempo, e a humanidade n\u00e3o ser\u00e1 a mesma depois deste enigma que ningu\u00e9m \u00e9 capaz de resolver. Se ser\u00e1 melhor ou pior, depender\u00e1 de n\u00f3s e de como sejamos capazes de entender sua mensagem.<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 certo \u00e9 que, de repente, ningu\u00e9m se sente seguro diante desse mal invis\u00edvel. Todos n\u00f3s estamos igualmente desarmados. Pessoas importantes e simples, famosas e an\u00f4nimas se veem for\u00e7adas a lavar igualmente as m\u00e3os, a cobrir comicamente o rosto e a sofrer a\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/smoda\/2020-03-18\/sob-o-mesmo-teto-e-sem-sair-guia-para-superar-a-quarentena-em-casal.html\" target=\"_blank\">quarentena at\u00e9 amorosa<\/a>\u00a0imposta pelo temor do cont\u00e1gio. Todos sentem medo. Descobrimos ser igualmente vulner\u00e1veis diante de um inimigo invis\u00edvel que n\u00e3o pede nossa identidade de g\u00eanero, pol\u00edtica ou religiosa para nos atacar ou nos salvar. O presidente de um banco importante morre e seu motorista se salva. Morrem o pol\u00edtico e o pedreiro, o crente e o ateu. O mundo, as coisas, a vida e seus velhos paradigmas est\u00e3o mudando vertiginosamente, para nosso assombro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que esta guerra sem nome servir\u00e1 para algo? Ser\u00e1 que nos far\u00e1 mais humanos, com menos \u00f3dio, ou endurecer\u00e1 ainda mais nosso cora\u00e7\u00e3o? Nestas horas de ang\u00fastia global em que as crian\u00e7as nos olham com estranhamento, fazem-nos perguntas sem respostas e n\u00e3o entendem por que n\u00e3o podemos mais beij\u00e1-las, prefiro apostar que o v\u00edrus diab\u00f3lico que chega sem bater \u00e0 porta nos trar\u00e1 o paradoxo de nos ajudar a refletir se vale a pena cultivar no cora\u00e7\u00e3o tantos \u00f3dios pol\u00edticos, tanta vontade de acumular.&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2020-03-22\/hora-da-verdade-para-o-novo-capitalismo.html?ssm=TW_BR_CM\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ele nos obriga a repensar nosso moderno e cruel capitalismo,<\/a>&nbsp;assim como nos obriga a olhar nos olhos as v\u00edtimas da pobreza e o abandono dos discriminados. Desta vez, todos n\u00f3s, sem distin\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00e3o social, sentimos medo e vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja uma miragem, mas parece que alguma coisa j\u00e1 est\u00e1 mudando. Estamos, por exemplo, mais sens\u00edveis ao que possa acontecer com nossa fam\u00edlia e amigos. De repente, n\u00f3s os sentimos mais pr\u00f3ximos enquanto somos obrigados a nos distanciar fisicamente deles. Nunca t\u00ednhamos nos comunicado tanto atrav\u00e9s das redes para saber como est\u00e3o aqueles que amamos ou que hav\u00edamos esquecido. Nunca estivemos t\u00e3o distantes e com tanta vontade de estar juntos, de poder voltar a nos abra\u00e7ar e a nos beijar sem medo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como se descobr\u00edssemos que somos mais iguais diante do perigo e se despertasse em n\u00f3s um sentimento de compaix\u00e3o que t\u00ednhamos esquecido. Eu mesmo vejo agora com uma ternura especial, por exemplo, aqueles que passam para coletar o lixo, os m\u00e9dicos e enfermeiros que tamb\u00e9m est\u00e3o morrendo, os que n\u00e3o podem parar de descer das favelas para o asfalto porque precisam trabalhar, e fazem isso utilizando um transporte coletivo abarrotado, expondo-se mais do que ningu\u00e9m ao cont\u00e1gio. Eles, os mais pobres, o novo proletariado da modernidade, ser\u00e3o certamente os que ter\u00e3o de suportar o fardo mais pesado da dor.\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2020-03-21\/escalda-do-coronavirus-no-brasil-poe-demissoes-e-recessao-a-vista.html\" target=\"_blank\">Ainda v\u00eam por a\u00ed muito desemprego<\/a>\u00a0\u2212que atinge os mais fracos da cadeia social\u2212 e muito sofrimento. Ainda mais em um pa\u00eds como o Brasil, com tantos bols\u00f5es de pobreza e mis\u00e9ria e com milh\u00f5es de pessoas\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2020-03-20\/moradores-de-rua-a-margem-da-prevencao-contra-a-covid-19-lavamos-as-maos-nas-pocas-quando-chove.html\" target=\"_blank\">sem servi\u00e7os b\u00e1sicos de higiene<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ao mesmo tempo, estou sentindo que, embora as vozes mais estridentes do \u00f3dio pol\u00edtico e religioso que infectou o Brasil n\u00e3o tenham se calado, come\u00e7a a ser percebida nas redes sociais, assim como nos coment\u00e1rios dos leitores na imprensa, uma agressividade menor, como uma tenta\u00e7\u00e3o de escutar e entender que, diante do medo da nova praga, precisamos nos unir em vez de nos dividir. Come\u00e7amos a distinguir melhor o essencial do in\u00fatil que vamos acumulando na vida, assim como a import\u00e2ncia de defender nosso planeta dos ataques que amea\u00e7am sua exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como se, de repente, uma parte da sociedade estivesse mudando de registro, deixando de ser raivosa e ofensiva e abra\u00e7ando um desejo mais forte de comunh\u00e3o, como se o novo inimigo come\u00e7asse a derrubar as trincheiras levantadas pelas ideologias.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta epidemia que nos atingiu como um l\u00fagubre e imprevis\u00edvel fantasma da morte ter\u00e1 consequ\u00eancias pol\u00edticas e sociais tanto mundiais como locais. Inclusive aqui no Brasil, um pa\u00eds que, al\u00e9m disso, n\u00e3o tem um l\u00edder \u00e0 altura da gravidade do momento. Uma trag\u00e9dia que nos afetar\u00e1 a todos tamb\u00e9m no campo humano e emocional. Ser\u00e1 que sairemos deste inferno melhores ou piores? Ser\u00e1 que teremos menos rancores, mais consci\u00eancia de que todos nascemos nus e iguais, mais vontade de lutar, de agora em diante, por uma vida melhor para todos, de m\u00e3os dadas como em uma festa, menos apegados \u00e0s coisas in\u00fateis e sup\u00e9rfluas, ou continuaremos olhando um para o outro com olhos de sangue?<\/p>\n\n\n\n<p>Meu pressentimento \u00e9 o de que, se o v\u00edrus nos perdoar, sairemos desta com mais vontade de construir um mundo menos cruel, mais feliz e mais de todos, onde, como afirma o profeta Isa\u00edas, \u201cas espadas se transformem em arados e os lobos possam conviver com os cordeiros\u201d. E onde \u201cnenhuma na\u00e7\u00e3o se levantar\u00e1 contra outra e ningu\u00e9m mais se preparar\u00e1 para a guerra\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mantenhamos a raiva contra tudo que nos oprime e tenta nos alienar. Gritemos nossa indigna\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia contra os tiranos do momento, porque essa raiva e esse grito s\u00e3o justos e terap\u00eauticos. Mas devemos nos despojar do \u00f3dio e da viol\u00eancia que atingem principalmente os mais desamparados, e ser capazes de nos olhar mais nos olhos, sem medo. Talvez acabemos descobrindo que somos todos filhos da mesma luz e v\u00edtimas da mesma cegueira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De repente, ningu\u00e9m se sente seguro diante desse mal invis\u00edvel. 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