{"id":27129,"date":"2020-03-26T08:00:13","date_gmt":"2020-03-26T12:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=27129"},"modified":"2020-03-26T08:00:20","modified_gmt":"2020-03-26T12:00:20","slug":"covid-19-estamos-com-medo-de-ser-dizimados-diz-tupinamba-nice-goncalves","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/03\/26\/covid-19-estamos-com-medo-de-ser-dizimados-diz-tupinamba-nice-goncalves\/","title":{"rendered":"Covid-19: &#8220;Estamos com medo de ser dizimados&#8221;, diz Tupinamb\u00e1 Nice Gon\u00e7alves"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"375\" data-attachment-id=\"27130\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/03\/26\/covid-19-estamos-com-medo-de-ser-dizimados-diz-tupinamba-nice-goncalves\/image-77-3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-77.jpeg?fit=800%2C500\" data-orig-size=\"800,500\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"image-77\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-77.jpeg?fit=300%2C188\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-77.jpeg?fit=600%2C375\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-77.jpeg?resize=600%2C375\" alt=\"\" class=\"wp-image-27130\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-77.jpeg?w=800 800w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-77.jpeg?resize=300%2C188 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-77.jpeg?resize=768%2C480 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-77.jpeg?resize=480%2C300 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Funai recua e refaz portaria sobre ind\u00edgenas isolados; no Par\u00e1, MPF exige que \u00f3rg\u00e3o tome provid\u00eancias contra a covid-19<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Catarina Barbosa<\/p>\n\n\n\n<p>Brasil de Fato | Bel\u00e9m (PA)\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Povos ind\u00edgenas foram dizimados por conta de doen\u00e7as trazidas da Europa, sobretudo, no XVII. Em 2020, o medo de ter os parentes extintos toma conta das aldeias e comunidades ind\u00edgenas. Na Bahia, uma patax\u00f3 est\u00e1 isolada com suspeita de ter sido infectada pela covid-19. A Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) afirma que n\u00e3o h\u00e1 nenhum ind\u00edgena confirmado com a doen\u00e7a. O governo Bolsonaro, por sua vez, t\u00eam se mostrado&nbsp;ineficaz nas pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nice Gon\u00e7alves, 30 anos, \u00e9 jornalista e ativista ind\u00edgena&nbsp;da na\u00e7\u00e3o Tupinamb\u00e1. Ela \u00e9 da comunidade Rio- Tocantins, no baixo Tocantins, Guajar\u00e1 de Baixo, em Camet\u00e1, no nordeste do Par\u00e1. A ind\u00edgena Tupinamb\u00e1 relata que um caso de suspeita de cont\u00e1gio pelo novo coronav\u00edrus tem levado preocupa\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena da regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 circulando entre os ind\u00edgenas, eles recebem com muito susto. Est\u00e3o assustados, est\u00e3o com medo, porque no passado doen\u00e7as como essa dizimaram muitos povos. A gente tinha uma suspeita de coronav\u00edrus na aldeia Patax\u00f3, no Sul da Bahia. O primeiro exame deu negativo, mas tem o da contraprova, estamos aguardando esse exame para saber se a parente contraiu ou n\u00e3o o coronav\u00edrus. Tem duas pessoas em isolamento nessa aldeia, que \u00e9 a aldeia Coroa Vermelha. Uma delas teve contato com um turista estrangeiro, porque trabalha em um hotel pr\u00f3ximo da cidade&#8221;, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da Funai n\u00e3o reconhecer oficialmente, a ind\u00edgena da Coroa Vermelha \u2013 a maior das oito aldeias dos ind\u00edgenas Patax\u00f3, em Santa Cruz Cabr\u00e1lia, com uma popula\u00e7\u00e3o de 5 mil ind\u00edgenas \u2013 est\u00e1 isolada. A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o se permita entrar ningu\u00e9m na comunidade, apenas equipes de sa\u00fade que respeitem os protocolos de higiene. O povo patax\u00f3 comumente&nbsp;recebe turistas que visitam as praias do Sul da Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a ind\u00edgena Tupinamb\u00e1, o governo brasileiro \u00e9 negligente n\u00e3o apenas com os ind\u00edgenas, mas com toda a popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo n\u00e3o est\u00e1 cuidando dos povos ind\u00edgenas frente a essa pandemia. Primeiro que o governo n\u00e3o est\u00e1 cuidando nem de quem n\u00e3o \u00e9 ind\u00edgena, porque a pr\u00f3pria postura dele, o exemplo que ele vem dado \u00e9 absurdo diante do problema t\u00e3o grande que estamos vivendo. Ent\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 tendo assist\u00eancia e este governo \u00e9 t\u00e3o danoso para os povos ind\u00edgenas que j\u00e1 tem um plano sendo executado desde que&nbsp;foi eleito de acabar com a pouca estrutura que existia de atendimento \u00e0 sa\u00fade b\u00e1sica dos povos ind\u00edgenas&#8221;, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00edgena conta que a&nbsp;sa\u00edda dos m\u00e9dicos cubanos do Programa Mais M\u00e9dicos gerou&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/11\/16\/um-ano-apos-fim-da-parceria-com-cuba-cidades-do-para-sofrem-com-falta-de-medicos\">uma defici\u00eancia ainda maior no atendimento aos ind\u00edgenas<\/a>, porque muitos dos m\u00e9dicos atendiam \u00e0s comunidades.&nbsp;No estado do Par\u00e1, segundo dados da Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es de Munic\u00edpios do Estado (Famep), de 2013 a 2018, atuavam 542 m\u00e9dicos cubanos de um total de 700 do programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos 144 munic\u00edpios do estado, 59 eram exclusivamente atendidos por cubanos, assim como quatro Distritos Sanit\u00e1rios Especiais Ind\u00edgenas (DSEIs): Altamira, Guam\u00e1, Tocantins e Rio Tapaj\u00f3s. Segundo os \u00faltimos editais dispon\u00edveis no site do Mais M\u00e9dicos, apenas 92 profissionais brasileiros constam como aprovados para atuar no Par\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em 2019 aumentou em 12% a mortalidade de crian\u00e7as e isso \u00e9 uma jun\u00e7\u00e3o da retirada dos m\u00e9dicos e o pr\u00f3prio desmonte da sa\u00fade ind\u00edgena. A dificuldade de acesso, medica\u00e7\u00e3o, profissionais, tudo isso tem contribu\u00eddo para esse aumento da mortalidade, aumento das doen\u00e7as, falta de atendimento adequado.&nbsp;voc\u00ea vai nas CASAIs [Casas de Apoio \u00e0 Sa\u00fade Ind\u00edgena] nos polos e voc\u00ea vai ver a situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria&#8221;, pontua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/img.brasildefato.com.br\/media\/3d4353708185d4e744b9304de2ab061a.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>&#8220;O governo n\u00e3o est\u00e1 cuidando nem de quem n\u00e3o \u00e9 ind\u00edgena. O exemplo que ele vem dado \u00e9 absurdo diante do problema t\u00e3o grande que estamos vivendo&#8221;, diz a ind\u00edgena. \/ Nice Gon\u00e7alves\/Arquivo Pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, o di\u00e1logo com as comunidades ind\u00edgenas \u00e9 uma constante, mas o contato representa um risco para esses povos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que n\u00f3s podemos informar aos ind\u00edgenas&nbsp;estamos informando, mas a gente sabe&nbsp;que o nosso contato com eles nesse per\u00edodo n\u00e3o pode acontecer. Faremos tudo para evitar, inclusive, as nossas equipes est\u00e3o todas fora de \u00e1rea em quarentena, sobretudo, aqueles que est\u00e3o no grupo de risco&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Tupinamb\u00e1, o mais preocupante, nesse momento, \u00e9 criar uma log\u00edstica para os ind\u00edgenas que precisam ir aos centros urbanos. Para isso, a ideia \u00e9 que eles saiam somente&nbsp;quando necess\u00e1rio e respeitando todas as indica\u00e7\u00f5es de higiene. Ela considera que&nbsp;a portaria do governo federal de prote\u00e7\u00e3o aos ind\u00edgenas foi muito tardia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Saiu muito tarde, saiu agora dia 17, a portaria com as medidas de cuidados com os povos ind\u00edgenas e isso depois de uma press\u00e3o dos movimentos sociais, dos ind\u00edgenas. Essa portaria \u00e9 muito rasa. O ind\u00edgena da Amaz\u00f4nia \u00e9 diferente do ind\u00edgena do Sul, vive realidades diferentes. A maioria dos ind\u00edgenas do Norte, da Amaz\u00f4nia, vivem em comunidades ou aldeados. A portaria \u00e9 simplesmente uma coisa geral, que n\u00e3o garante nada. N\u00e3o vai refor\u00e7ar as equipes, n\u00e3o tem material de higiene, n\u00e3o tem \u00e1lcool em gel&#8221;, critica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Haroldo Pinto, membro da coordena\u00e7\u00e3o do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi) nesse momento o objetivo \u00e9 evitar o contato com os povos ind\u00edgenas de forma a preserv\u00e1-los. As equipes, inclusive, est\u00e3o de quarentena, sobretudo, aqueles que est\u00e3o no grupo de risco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s ainda n\u00e3o temos uma avalia\u00e7\u00e3o de como os ind\u00edgenas est\u00e3o encarando essa realidade dentro de suas aldeias, dentro das organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. A gente sabe que h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande de todos, sobretudo, dos que precisam ir para a cidade, dos que precisam ir para os centros urbanos e esse \u00e9 o grande perigo, porque n\u00e3o temos como monitorar isso, n\u00e3o temos como fazer esse acompanhamento agora&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima segunda-feira, 23 de mar\u00e7o, o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), Marcelo Augusto Xavier da Silva&nbsp;recuou da decis\u00e3o anterior publicada no dia 19 de mar\u00e7o que permitia o contato com ind\u00edgenas isolados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ficam suspensas todas as atividades que impliquem o contato com comunidades ind\u00edgenas isoladas.&nbsp;O comando pode ser excepcionado caso a atividade seja essencial \u00e0 sobreviv\u00eancia do grupo isolado, conforme an\u00e1lise feita pela Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de \u00cdndios Isolados e de Recente Contato da Funai&#8221;, diz o documento.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/03\/20\/contra-regra-interna-funai-libera-acesso-a-indigenas-isolados-por-causa-da-covid-19\">A decis\u00e3o anterior da Funai&nbsp;suspendia o trabalho de t\u00e9cnicos da Funai que lidam especificamente com isolados e passa \u00e0s Coordena\u00e7\u00f5es Regionais (CR)<\/a>. A decis\u00e3o contrariava, inclusive, o pr\u00f3prio regimento interno da Funai.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;Plano de Conting\u00eancia Nacional para Infec\u00e7\u00e3o Humana pelo novo Coronav\u00edrus em Povos Ind\u00edgenas da Funai afirma que &#8220;historicamente, observou-se maior vulnerabilidade biol\u00f3gica dos povos ind\u00edgenas a viroses, em especial \u00e0s infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias. As epidemias e os elevados \u00edndices de mortalidade pelas doen\u00e7as transmiss\u00edveis contribu\u00edram de forma significativa na redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de ind\u00edgenas que vivem no territ\u00f3rio brasileiro, estimadas em cerca de 5 milh\u00f5es de pessoas no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII&nbsp;e no exterm\u00ednio de povos inteiros. As doen\u00e7as do aparelho respirat\u00f3rio ainda continuam sendo a principal causa de mortalidade infantil na popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena&#8221;, diz o documento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na an\u00e1lise, a Funai afirma que os ind\u00edgenas isolados&nbsp;s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis&nbsp;\u00e0s doen\u00e7as infectocontagiosas, assim, a pasta, com base na portaria 419\/2020,&nbsp;suspende&nbsp;as autoriza\u00e7\u00f5es de entrada nas Terras Ind\u00edgenas devido \u00e0 chegada&nbsp;do novo coronav\u00edrus no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O monitoramento \u00e9 feito&nbsp;em parceria com a Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai) por meio da rede de atua\u00e7\u00e3o de ambos os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos indigenistas. Ao total s\u00e3o: 225 Coordena\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas Locais;&nbsp;39 Coordena\u00e7\u00f5es Regionais; 11 Frentes de Prote\u00e7\u00e3o Etnoambiental;&nbsp;1.199 Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade Ind\u00edgena (UBSI);&nbsp;67 Casas de Apoio a Sa\u00fade Ind\u00edgena (CASAI); e&nbsp;34 Distritos Sanit\u00e1rios Especiais Ind\u00edgenas (DSEIs).<\/p>\n\n\n\n<p>A Funai diz ainda que o plano de preven\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas contra a covid-19 em terras brasileiras prev\u00ea aten\u00e7\u00e3o diferenciada&nbsp;com base na diversidade sociocultural e nas particularidades epidemiol\u00f3gicas e log\u00edsticas dos povos, mas aponta desafios.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre eles, a aceitabilidade do deslocamento para estabelecimento de refer\u00eancia especializada e&nbsp;hospitaliza\u00e7\u00e3o por parte dos ind\u00edgenas que residem em terras e territ\u00f3rios ind\u00edgenas; o desejo de seguir o tratamento de sa\u00fade tradicional e manter-se pr\u00f3ximo aos cuidadores tradicionais de sua comunidade; \u00e0 falta de confian\u00e7a ou descredibilidade no tratamento ofertado pela equipe de sa\u00fade; \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de isolamento dos demais membros da sua fam\u00edlia e comunidade; o desconforto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s regras que s\u00e3o impostas nos estabelecimentos de sa\u00fade convencionais que conflitam com as pr\u00e1ticas alimentares dos povos,&nbsp;cuidados corporais e espirituais; \u00e0 ambi\u00eancia inadequada, como a imposi\u00e7\u00e3o de dormir em camas para indiv\u00edduos que s\u00e3o acostumados a dormirem somente em redes, entre outros. A Funai diz que a resist\u00eancia, inclusive,&nbsp;\u00e9 maior por parte dos idosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa adequa\u00e7\u00e3o da Funai, por sua vez, precisa ser realizada junto aos planos de conting\u00eancia dos munic\u00edpios e estados brasileiros&nbsp;em colabora\u00e7\u00e3o com os DSEI &#8220;sempre que poss\u00edvel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o \u00faltimo censo (2010), a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no Brasil \u2013 que considerada&nbsp;pessoas que se declararam ind\u00edgenas no quesito cor ou ra\u00e7a e para os residentes em Terras Ind\u00edgenas \u2013 h\u00e1 896 mil pessoas que se declaravam ou se consideravam ind\u00edgenas, 572 mil ou 63,8 %, viviam na \u00e1rea rural e 517 mil, ou 57,5 %, moravam em Terras Ind\u00edgenas oficialmente reconhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Sesai, por sua vez, afirma que existem&nbsp;6.238&nbsp;aldeias&nbsp;ind\u00edgenas , sendo que&nbsp; 114 deles s\u00e3o&nbsp;isolados e 20 povos de recente contato.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sem orienta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das orienta\u00e7\u00f5es da Funai, a&nbsp;ind\u00edgena tupinamb\u00e1 Nice Gon\u00e7alves critica o protocolo, porque afirma que ele&nbsp;deveria ser diferenciado, uma vez que&nbsp;n\u00e3o h\u00e1 direcionamento de como os ind\u00edgenas devem agir caso sejam infectados pelo coronav\u00edrus. Ela conta ainda que, antes mesmo do primeiro caso de coronav\u00edrus no Brasil, j\u00e1 tinha sido iniciado um di\u00e1logo sobre o assunto com diversas etnias para que eles se protegessem. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Onde est\u00e1 chegando a informa\u00e7\u00e3o, onde a gente est\u00e1 conseguindo orientar, eu creio que todas comunidades ind\u00edgenas est\u00e3o sabendo o que est\u00e1 ocorrendo&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O genoc\u00eddio ind\u00edgena<\/p>\n\n\n\n<p>O professor e historiador da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), M\u00e1rcio Couto Henrique explica que o historiador Alfred Crosby, defende o argumento de que al\u00e9m do imperialismo econ\u00f4mico, h\u00e1 o chamado imperialismo ecol\u00f3gico, ou seja, para al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ou europeus trouxeram um conjunto de elementos que foram fundamentais para o dom\u00ednio e consolida\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio europeu na Am\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os europeus trouxeram para c\u00e1 tamb\u00e9m suas ervas, seus animais e as doen\u00e7as. Esses elementos que n\u00e3o s\u00e3o propriamente de cunho econ\u00f4mico \u00e9 o que ele chama de biota port\u00e1til [conjunto de todos seres vivos de um determinado ambiente ou de um determinado per\u00edodo], que veio para c\u00e1 junto com a expans\u00e3o europeia pelo mundo. De fato, essa biota port\u00e1til foi fundamental para desmobiliza\u00e7\u00e3o, desestrutura\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas n\u00e3o s\u00f3 Brasil, mas como na Am\u00e9rica&#8221;, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>Couto explica que as doen\u00e7as mais fatais que atacaram Brasil e Am\u00e9rica a partir das expans\u00f5es das grandes navega\u00e7\u00f5es foram as chamadas bexigas, uma denomina\u00e7\u00e3o ao que hoje conhecemos por varicela, rub\u00e9ola e sobretudo a var\u00edola.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A var\u00edola, especialmente, foi crucial para a extin\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas aqui na Amaz\u00f4nia, especialmente, no s\u00e9culo XVII e esse poder destruidor entre os \u00edndios de baixa imunidade foi t\u00e3o forte na mem\u00f3ria ind\u00edgena, que os ind\u00edgenas criaram um nome para definir essa doen\u00e7a que eles chamaram de catapora, que literalmente significa fogo que salta. Fogo que salta \u00e9 uma refer\u00eancia \u00e0s fortes febres que caracterizavam e caracterizam ainda hoje, entre n\u00f3s, a catapora. No s\u00e9culo XVII n\u00f3s tivemos aqui na Amaz\u00f4nia uma s\u00e9rie de epidemias que massacraram centenas de milhares de pessoas de origem ind\u00edgena&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Leandro Melito<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Funai recua e refaz portaria sobre ind\u00edgenas isolados; no Par\u00e1, MPF exige que \u00f3rg\u00e3o tome provid\u00eancias contra a covid-19<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-27129","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-73z","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27129","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27129"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27129\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27131,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27129\/revisions\/27131"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}