{"id":27162,"date":"2020-03-27T08:32:11","date_gmt":"2020-03-27T12:32:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=27162"},"modified":"2020-03-27T08:32:15","modified_gmt":"2020-03-27T12:32:15","slug":"como-acabam-as-epidemias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/03\/27\/como-acabam-as-epidemias\/","title":{"rendered":"Como acabam as epidemias"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"387\" data-attachment-id=\"27163\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/03\/27\/como-acabam-as-epidemias\/image-84-3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-84.jpeg?fit=640%2C413\" data-orig-size=\"640,413\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-84\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-84.jpeg?fit=300%2C194\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-84.jpeg?fit=600%2C387\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-84.jpeg?resize=600%2C387\" alt=\"\" class=\"wp-image-27163\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-84.jpeg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-84.jpeg?resize=300%2C194 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/image-84.jpeg?resize=465%2C300 465w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Adapta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a se soma \u00e0s medidas para mitigar a transmiss\u00e3o e a busca por rem\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>No El Pa\u00eds <\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Contam os mais velhos de Palacios de la Sierra, um povoado da prov\u00edncia espanhola de Burgos, que\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2020-03-16\/em-1918-gripe-espanhola-espalhou-morte-e-panico-e-gerou-a-semente-do-sus.html\" target=\"_blank\">durante a gripe de 1918<\/a>\u00a0um pastor de cabras conhecido como Sansan\u00e9 levou seus cinco filhos para um monte onde deveriam permanecer escondidos de um mal que estava dizimando a cidadezinha. Aquele homem rural,\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-03-25\/espanha-supera-a-china-em-mortes-por-coronavirus-com-3434-obitos.html\" target=\"_blank\">numa Espanha t\u00e3o diferente da atual<\/a>, aplicou por conta pr\u00f3pria uma pol\u00edtica extrema de confinamento que, um s\u00e9culo depois, continua sendo\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-03-25\/coronavirus-confina-um-terco-da-humanidade.html\" target=\"_blank\">a principal ferramenta contra a grande pandemia<\/a>. Como agora, aquelas crian\u00e7as sobreviveram escondendo-se de qualquer um que se aproximasse, provavelmente se perguntando quando aquilo tudo terminaria e eles voltariam \u00e0s suas vidas normais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, como em grande parte das epidemias da hist\u00f3ria da humanidade,<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-03-25\/isolamento-vertical-proposto-por-bolsonaro-pode-acelerar-contagios-por-coronavirus-e-comprometer-sistema-de-saude.html\" target=\"_blank\">\u00a0o distanciamento social foi um modo de reduzir os cont\u00e1gios<\/a>. Quando um determinado n\u00famero de pessoas j\u00e1 superou a doen\u00e7a e est\u00e1 imune a ela, o cont\u00e1gio fica mais dif\u00edcil, e a enfermidade m\u00edngua. Historicamente, esse \u00e9 o final das epidemias. \u201c\u00c0s vezes acontece isso&#8221;, explica Jos\u00e9 Prieto, catedr\u00e1tico de microbiologia da Universidade Complutense de Madri, &#8220;mas em outros casos o que acontece \u00e9 que o v\u00edrus, conforme vai se adaptando e mudando, perde virul\u00eancia\u201d. Esconder-se, como intu\u00eda Sansan\u00e9, \u00e9 uma forma de ganhar tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos anos depois, em 2009, num mundo muito mais avan\u00e7ado, uma nova cepa da gripe H1N1, similar \u00e0 de 1918,\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>voltou a p\u00f4r o mundo em alerta. A&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/oms-organizacion-mundial-salud\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/a>&nbsp;declarou em junho daquele ano que um novo v\u00edrus de origem su\u00edna tinha provocado uma pandemia global pela primeira vez em quatro d\u00e9cadas. Para responder \u00e0 amea\u00e7a, a OMS ativou seus acordos com empresas farmac\u00eauticas para a produ\u00e7\u00e3o de vacinas, precavendo-se para uma doen\u00e7a que deixasse milh\u00f5es de mortos. A vacina chegou quando a gripe j\u00e1 estava recuando, e milh\u00f5es de doses ficaram sem usar. A expectativa de um v\u00edrus que foi&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2020-03-26\/bolsonaro-espelha-trump-ao-buscar-inimigos-mas-esta-longe-de-oferecer-mesma-resposta-economica-a-pandemia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">anunciado como uma epidemia devastadora<\/a>&nbsp;fez que as advert\u00eancias fossem encaradas como um exagero e que proliferassem as cr\u00edticas pelos v\u00ednculos de alguns assessores da OMS com fabricantes de antivirais. Depois de deixar mais de 250.000 mortos, principalmente na \u00c1frica e Sudeste Asi\u00e1tico, a gripe A, como foi batizada, perdeu intensidade, mas, como muitos outros v\u00edrus que um dia passaram de animais a humanos, continua a nos infectar como um v\u00edrus sazonal.<\/p>\n\n\n\n<p>Miriam Al\u00eda, respons\u00e1vel por vacina\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o a epidemias na ONG M\u00e9dicos sem Fronteiras, tem experi\u00eancia no combate a surtos em pa\u00edses com circunst\u00e2ncias dif\u00edceis, mas tamb\u00e9m nestes, uma interven\u00e7\u00e3o ordenada pode ter sucesso. Um primeiro pilar \u00e9 a coordena\u00e7\u00e3o entre todos os atores. O segundo, contar com todos os dados poss\u00edveis. \u201cTer capacidade de diagn\u00f3stico, de fazer testes\u201d, observa Al\u00eda, em conformidade com o que recomendava a OMS para combater o coronav\u00edrus, mas que na Espanha durante muito tempo se considerou desnecess\u00e1rio.&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-03-24\/com-gargalo-de-testes-para-coronavirus-brasil-ve-so-a-ponta-do-iceberg-com-seus-2201-casos-e-46-mortes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Na falta desses testes<\/a>, em pa\u00edses como o I\u00eamen, onde o MSF atua h\u00e1 dois anos contra uma epidemia de difteria, foi preciso supri-los por um diagn\u00f3stico a partir dos sintomas.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro pilar \u00e9 o tratamento,<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-03-25\/italia-pagou-preco-alto-ao-resistir-a-medidas-de-isolamento-social-para-conter-coronavirus.html\" target=\"_blank\">\u00a0que nem sempre existe<\/a>. No caso da gripe A de 2009, foi pol\u00eamica a compra de antivirais como o Tamiflu e Relenza por milh\u00f5es de euros, para tratamentos com uma efic\u00e1cia questionada, entre outros, por um artigo publicado na revista\u00a0<em>British Medical Journal<\/em>. Agora, o Remdesivir, um f\u00e1rmaco criado inicialmente para combater o ebola, j\u00e1 se est\u00e1 sendo testado em pacientes de v\u00e1rios pa\u00edses para a Covid-19, e h\u00e1 outros que come\u00e7ar\u00e3o a ser submetidos a testes nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n\n\n\n<p>O quarto pilar \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c0s vezes h\u00e1 uma vacina, como acontece com o c\u00f3lera e a difteria, mas tamb\u00e9m pode-se preveni-las atrav\u00e9s das pol\u00edticas de \u00e1gua e saneamento, como o c\u00f3lera e a dengue\u201d, prossegue Alia. No caso do coronav\u00edrus, estima-se que&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-03-25\/com-bolsonaro-e-coronavirus-amanha-pode-ser-tarde-demais-no-brasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ser\u00e1 preciso pelo menos um ano ou um ano e meio<\/a>&nbsp;para que se obtenha uma vacina. Como se trata de uma nova doen\u00e7a, ainda n\u00e3o se pode descartar que perca impulso com no ver\u00e3o do Hemisf\u00e9rio Norte ou quando infectar uma maior parcela da popula\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 muito prov\u00e1vel que a vacina seja muito \u00fatil mais adiante, ao menos para a popula\u00e7\u00e3o de risco. Porque o v\u00edrus, muito provavelmente, ficar\u00e1 entre n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, Al\u00eda destaca um aspecto fundamental que aprendeu em sua luta contra doen\u00e7as como o ebola. \u201c\u00c9 a comunidade que para a epidemia, no caso do ebola indo aos centros de tratamento quando tiveram contato com alguma pessoa doente ou respeitando a quarentena de 21 dias.<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/politica\/2020-03-25\/doria-abre-duelo-com-bolsonaro-e-marca-posicao-dos-governadores-e-justo-abandonar-idosos-a-propria-sorte.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">No caso da Covid-19, ficando em casa e lavando as m\u00e3os<\/a>\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia mostra que as epidemias ou inclusive as pandemias,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-03-26\/ao-vivo-ultimas-noticias-sobre-o-coronavirus-no-brasil-e-no-mundo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">por mais tem\u00edveis que pare\u00e7am<\/a>, sempre acabam. \u201cHaver\u00e1 duas ondas de Covid, talvez tr\u00eas, mas em um ano a partir de agora, mesmo sem vacina, 40% a 50% da popula\u00e7\u00e3o mundial j\u00e1 ter\u00e1 sido infectada, o que dar\u00e1 lugar a que o v\u00edrus freie sua propaga\u00e7\u00e3o\u201d, dizia na quarta-feira neste jornal o virologista espanhol Adolfo Garc\u00eda Sastre. Outro assunto diferente s\u00e3o as sequelas que pode deixar na sociedade. Jos\u00e9 Prieto recorda as pragas que os europeus levaram \u00e0 Am\u00e9rica e deixaram aquelas civiliza\u00e7\u00f5es \u00e0 beira do colapso, prontas para o ataque dos rec\u00e9m-chegados. E recorda a cicatriz psicol\u00f3gica do medo e seus efeitos sobre a confian\u00e7a nos estranhos. \u201cPela caridade entram as pestes, dizia-se.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFicar\u00e3o alguns h\u00e1bitos, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 higiene, ao comportamento em aglomera\u00e7\u00f5es e algumas medidas pol\u00edticas e sanit\u00e1rias\u201d, observa Prieto, mas \u201cquando tudo passar,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-03-25\/o-virus-somos-nos-ou-uma-parte-de-nos.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tamb\u00e9m chegar\u00e1 o esquecimento<\/a>, \u00e9 inevit\u00e1vel\u201d. Neste sentido, o catedr\u00e1tico recorda uma hist\u00f3ria sobre as epidemias de c\u00f3lera do final do s\u00e9culo XIX na Europa \u201cQuando chegava uma destas epidemias a um pa\u00eds vizinho, os deputados corriam a propor a cria\u00e7\u00e3o de uma Dire\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade. Destinavam-se verbas, mas n\u00e3o tinham passado tr\u00eas meses e esta j\u00e1 estava amortizada. [Na Espanha] o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade s\u00f3 voltou na Transi\u00e7\u00e3o [para a democracia ap\u00f3s a morte do ditador Franco, em 1975]\u201d, quase um s\u00e9culo depois.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adapta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a se soma \u00e0s medidas para mitigar a transmiss\u00e3o e a busca por rem\u00e9dio. 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