{"id":27376,"date":"2020-04-06T11:35:48","date_gmt":"2020-04-06T15:35:48","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=27376"},"modified":"2020-04-06T11:35:52","modified_gmt":"2020-04-06T15:35:52","slug":"o-mercado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/04\/06\/o-mercado\/","title":{"rendered":"O mercado"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"447\" height=\"355\" data-attachment-id=\"27377\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/04\/06\/o-mercado\/e845dc2a-9e22-45ae-bbb3-139a3928d89a\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/E845DC2A-9E22-45AE-BBB3-139A3928D89A.jpeg?fit=447%2C355\" data-orig-size=\"447,355\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"E845DC2A-9E22-45AE-BBB3-139A3928D89A\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/E845DC2A-9E22-45AE-BBB3-139A3928D89A.jpeg?fit=300%2C238\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/E845DC2A-9E22-45AE-BBB3-139A3928D89A.jpeg?fit=447%2C355\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/E845DC2A-9E22-45AE-BBB3-139A3928D89A.jpeg?resize=447%2C355\" alt=\"\" class=\"wp-image-27377\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/E845DC2A-9E22-45AE-BBB3-139A3928D89A.jpeg?w=447 447w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/E845DC2A-9E22-45AE-BBB3-139A3928D89A.jpeg?resize=300%2C238 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/E845DC2A-9E22-45AE-BBB3-139A3928D89A.jpeg?resize=378%2C300 378w\" sizes=\"auto, (max-width: 447px) 100vw, 447px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Xico Piolho em 40ena &#8211; Eu nasci numa aldeia de poucos h\u00e1bitos civilizat\u00f3rios numa casinha de taipa no meio do mato. Vim conhecer os ditames das rela\u00e7\u00f5es sociais atrav\u00e9s do \u201cmercado\u201d onde meus pais tinham uma banca de vender comida feita pros feirantes. Mas minha primeira experi\u00eancia, mesmo, foi na venda de seu Joaquim Lopes. <br><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cinco da manh\u00e3 l\u00e1 estavam meu pai e amigos para uma bicada de zinebra do gato e tira-gosto com papel de embrulho. Diziam que espanta mau olhado. Enquanto isso, eu comia um p\u00e3o doce com cocada de leite ou uma soda preta. A esposa do seu Joaquim, com a vista j\u00e1 meio curta, era quem regulava a bolsa (\u201cmercado\u201d) pra evitar \u201cinfla\u00e7\u00e3o\u201d e poss\u00edveis \u201cbolhas\u201d (nota de duas cabe\u00e7as). Aqui e ali aparecia uma novidade que deixava seu Joaquim nervoso.Maria! Isso \u00e9 \u201cdest\u00f5es\u201d ou dois \u201cminr\u00e9is\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vixe! \u00c9 de duas cabe\u00e7as, Joaquim! E l\u00e1 se vai o desmantelo no mercado (\u201cbolsa\u201d)!<br> Depois veio a bodega de seu Reinaldo. Ah, a\u00ed sim! Muito sortimento: feij\u00e3o, sab\u00e3o, querosene, espoleta, cachete, parafuso de cabo de serrote (Jessie Quirino) e a caderneta (\u201cletra de c\u00e2mbio ao portador\u201d). Essa vers\u00e3o era interessante porque n\u00e3o precisava de dinheiro. S\u00f3 cr\u00e9dito. E eu acreditava tanto que troquei a nota de duas cabe\u00e7as pela caderneta. E haja \u201cinfla\u00e7\u00e3o\u201d! Nunca meu pai conseguia zerar o \u201cd\u00e9bito\u201d pra sair com algum \u201ccr\u00e9dito\u201d. Mais palavras novas no \u201cmercado\u201d e a bodega de seu Reinaldo de vento em polpa! Meu pai desconfiado inventou mais uma caderneta: a que ficava na bodega e uma em casa no bolso dele. Foi a\u00ed que nasceu a \u201cpoupan\u00e7a\u201d.<br> Mais tarde, j\u00e1 na adolesc\u00eancia, veio o \u201cMercado de Caic\u00f3\u201d e a feira livre. Tinha de tudo! Literalmente a primeira vers\u00e3o de um grande Shopping. Era maravilhoso um dia de feira com a gritaria propagandeando o melhor e mais barato, o vendedor de pedra de chifre de \u201cviado gaieiro\u201d pra mordida de cobra, banha do peixe boi pra espinhela ca\u00edda e todo tipo de dor, pomada benzida pra pereba e mau da ferida, muita prosa e a literatura de cordel no gog\u00f3 dos cantadores contando hist\u00f3rias de cabra valente, lobisomem. Eu ia pra banca de meus pais e, como j\u00e1 dominava as 4 opera\u00e7\u00f5es de conta, ficava no caixa. Foi a\u00ed que pensei em ser banc\u00e1rio. Mas o meu pai tinha uma hist\u00f3ria de dizer, e minha m\u00e3e concordava, \u201cquem n\u00e3o vive pra servir n\u00e3o serve para viver\u201d. Sempre que passava algum pedinte aparecia um tal de d\u00e9ficit (nunca gostei dessa palavra).<br> De repente, acordo hoje aos meus 65 anos \u2013 plagiando Duvidier: depois da ditadura, da mal\u00e1ria, do confisco da minha poupan\u00e7a, da dengue, do cunha e de um 7 a 1, e minha fil\u00f3sofa de plant\u00e3o (Marilena Chaui) dizendo \u201cque o meu mercado, de tantas alegrias, \u00e9 dotado de onisci\u00eancia e onipot\u00eancia, seu estado de esp\u00edrito repercute nas pol\u00edticas do planeta e na vida cotidiana dos cidad\u00e3os, quando ele fica nervoso! Ou seja, virou uma coisa viva que come, bebe, rouba, protege rico e mata pobre, faz de tudo e se a gente n\u00e3o for fiel e subserviente a ele o bicho acaba com a nossa ra\u00e7a e \u00e9 capaz de engolir o planeta. PQP!<br> Ent\u00e3o, eu pensei! Ser\u00e1 que esse coronavirus que t\u00e1 azucrinando o mundo todo n\u00e3o \u00e9\u2026<br> Home, pra num perder o ju\u00edzo eu vou fazer agora como minha querida amiga Fatinha de Valdomiro \u201cv\u00e3o tudo p\u00e1 baixa da \u00e9eegua!\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Xico Piolho em 40ena &#8211; Eu nasci numa aldeia de poucos h\u00e1bitos civilizat\u00f3rios numa casinha de taipa no meio do mato. Vim conhecer os ditames das rela\u00e7\u00f5es sociais atrav\u00e9s do \u201cmercado\u201d onde meus pais tinham uma banca de vender comida feita pros feirantes. 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