{"id":27785,"date":"2020-04-27T17:42:35","date_gmt":"2020-04-27T21:42:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=27785"},"modified":"2020-04-27T17:42:39","modified_gmt":"2020-04-27T21:42:39","slug":"enquanto-gabriela-pugliesi-cai-dez-se-levantam-no-mundo-da-lacracao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/04\/27\/enquanto-gabriela-pugliesi-cai-dez-se-levantam-no-mundo-da-lacracao\/","title":{"rendered":"Enquanto Gabriela Pugliesi cai, dez se levantam no mundo da lacra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/publisher-publish.s3.eu-central-1.amazonaws.com\/pb-brasil247\/swp\/jtjeq9\/media\/20200427180416_a5aab38a-466c-4c90-831a-5324fecf9efa.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Por Leandro Fortes, do <\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.catarse.me\/jornalistaspelademocracia\"><strong>Jornalistas pela Democracia<\/strong><\/a>\u00a0&#8211; A internet era, em meados dos anos 1990, a anuncia\u00e7\u00e3o de um admir\u00e1vel mundo novo onde a intercomunica\u00e7\u00e3o pessoal direta e o acesso irrestrito ao conhecimento nos elevariam a uma nova era. Parecia, por assim dizer, uma interface perdida do socialismo real resgatada dos escombros daquela d\u00e9cada feroz do Consenso de Washington, da primeira onda do neoliberalismo, no Brasil. N\u00e3o existiam, naquele nascedouro digital, influenciadores. Cada internauta \u2013 era assim que se chamavam \u2013 era um pioneiro, um intermediador. <\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Naquela fase ut\u00f3pica, est\u00e1vamos t\u00e3o cegos e animados que n\u00e3o percebemos que a captura da internet pela sociedade de consumo acabaria, no rastro das novidades virtuais e na consolida\u00e7\u00e3o do e-commerce, no abandono completo da leitura e, ato cont\u00ednuo, da transmiss\u00e3o da cultura por meio de filtros de reflex\u00e3o e cr\u00edtica. Quando nos demos conta, o mundo n\u00e3o estava mais discutindo grandes autores, artigos, contos, teses, romances. Primeiro pelos blogs, depois pelo YouTube, uma gera\u00e7\u00e3o inteira de jovens passou a viver a reboque das ideias de influenciadores digitais.<\/p>\n\n\n\n<p>O grande problema \u00e9 que esses s\u00e1bios das montanhas digitais formam uma esmagadora maioria de repetidores de clich\u00eas de autoajuda, dondocas versadas em modinhas, patricinhas cheias de positividade e filhinhos de papai regurgitando estilos de vida inerentes a uma classe m\u00e9dia enquadrada exatamente na defini\u00e7\u00e3o da fil\u00f3sofa Marilena Chau\u00ed: uma abomina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, por fascista; uma abomina\u00e7\u00e3o \u00e9tica, por violenta; e uma abomina\u00e7\u00e3o cognitiva, por ignorante.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso de Gabriela Pugliese \u00e9 altamente ilustrativo. Ela \u00e9 o que se chama de \u201cblogueirinha\u201d de estilo de vida. Branca, magra, rica, passa os dias gravando v\u00eddeos falando bem dos produtos de beleza e de roupas que recebe de marcas famosas e descoladas. De quebra, d\u00e1 conselhos sobre a vida para seus milh\u00f5es de seguidores, que acabam replicando as baboseiras que aprendem, mesmo que elas n\u00e3o fa\u00e7am nenhum sentido e sejam resultado de um profundo vazio existencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse mundo de fantasia, Gabriela, positiva para a Covid-19, fez disso um \u201ccase\u201d para os f\u00e3s e, na semana passada, achou por bem fazer uma festa com amigos, em plena pandemia, e postar a tert\u00falia no Instagram. De uma hora para outra, a blogueirinha aprendeu, na marra, como funciona o capitalismo: uma dezena de patrocinadores que, por meio dela, enfiavam de pipoca gourmet a carne vegana goela abaixo do p\u00fablico, cancelou contratos com ela. De uma s\u00f3 vez, a influenciadora perdeu 100 mil seguidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas para cada Gabriela que cai, outras dez se levantam, no mundo da superficialidade e da lacra\u00e7\u00e3o. Das tr\u00eas finalistas do Big Brother Brasil 20, duas s\u00e3o influenciadoras. Uma delas, Manu Gavassi, \u00e9 uma m\u00e1quina de clich\u00eas, l\u00e1grimas, maquiagem para os olhos e sapatos plataforma. A outra, Rafaella Kalimann, estrela de videoclipes sertanejos, tamb\u00e9m se diz mission\u00e1ria na \u00c1frica, onde costuma ir para postar fotos no Instagram e passar mensagens humanit\u00e1rias como a que postou, desde Mo\u00e7ambique, com um rec\u00e9m-nascido no colo:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa del\u00edcia perdeu a mam\u00e3e no ciclone com 7 dias de vida.. Eu esmaguei muuito ele.. de presente ele fez xixi na Tia Rafa. Meu \u00fatero co\u00e7a!!! Queria levar pra mim!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d3timas influ\u00eancias, como se pode notar.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Leandro Fortes, do Jornalistas pela Democracia\u00a0&#8211; A internet era, em meados dos anos 1990, a anuncia\u00e7\u00e3o de um admir\u00e1vel mundo novo onde a intercomunica\u00e7\u00e3o pessoal direta e o acesso irrestrito ao conhecimento nos elevariam a uma nova era. 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