{"id":28034,"date":"2020-05-10T10:24:33","date_gmt":"2020-05-10T14:24:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=28034"},"modified":"2020-05-10T10:24:42","modified_gmt":"2020-05-10T14:24:42","slug":"diante-da-pandemia-maes-se-desdobram-ainda-mais-para-dar-conta-de-familia-e-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/05\/10\/diante-da-pandemia-maes-se-desdobram-ainda-mais-para-dar-conta-de-familia-e-trabalho\/","title":{"rendered":"Diante da pandemia, m\u00e3es se desdobram ainda mais para dar conta de fam\u00edlia e trabalho"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"270\" data-attachment-id=\"28035\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/05\/10\/diante-da-pandemia-maes-se-desdobram-ainda-mais-para-dar-conta-de-familia-e-trabalho\/image-35-7\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-35.jpeg?fit=800%2C360\" data-orig-size=\"800,360\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-35\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-35.jpeg?fit=300%2C135\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-35.jpeg?fit=600%2C270\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-35.jpeg?resize=600%2C270\" alt=\"\" class=\"wp-image-28035\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-35.jpeg?w=800 800w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-35.jpeg?resize=300%2C135 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-35.jpeg?resize=768%2C346 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-35.jpeg?resize=667%2C300 667w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Segundo IBGE, mulheres se dedicam 18,5 horas para afazeres dom\u00e9sticos e cuidados; com a covid-19 o trabalho aumentou<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Marina Duarte de Souza &#8211; Brasil de Fato<br><\/p>\n\n\n\n<p>Diante da quarentena de preven\u00e7\u00e3o do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/minuto-a-minuto\/coronavirus-no-brasil\">novo coronav\u00edrus<\/a>, os tradicionais almo\u00e7os familiares de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/05\/07\/mulheres-organizam-debates-online-sobre-maternidade-no-mes-das-maes\">Dia das M\u00e3es<\/a>&nbsp;v\u00e3o ter que ser modestamente adaptados para encontros digitais via aplicativos, ainda rendendo homenagens a elas. Mas a realidade do dia a dia \u00e9 mais pesada,&nbsp;com as medidas de conten\u00e7\u00e3o da pandemia, os relatos que trazem essas mulheres ao&nbsp;<strong>Brasil de Fato<\/strong>&nbsp;s\u00e3o de rotina extenuante, sobrecarga e ainda mais responsabilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente chega na pandemia j\u00e1 com uma situa\u00e7\u00e3o que todos os indicadores mostram que as mulheres s\u00e3o as principais respons\u00e1veis pelo trabalho dom\u00e9stico e de cuidados. Isso se mostra na jornada de trabalho total, quando junta o remunerado e o n\u00e3o remunerado, que \u00e9 sempre maior para as mulheres\u201d, analisa a soci\u00f3loga Tica Moreno, que integra a Sempreviva Organiza\u00e7\u00e3o Feminista (SOF).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/04\/23\/maes-enfrentam-sobrecarga-ainda-maior-durante-a-quarentena\">:: M\u00e3es enfrentam sobrecarga ainda maior durante a quarentena ::<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)&nbsp;do ano passado, mulheres dedicam em m\u00e9dia 18,5 horas semanais aos afazeres dom\u00e9sticos e cuidados de pessoas, na compara\u00e7\u00e3o com 10,3 horas semanais gastas nessas atividades pelos homens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNesse per\u00edodo da quarentena \u00e9 justamente uma sobrecarga das mulheres, porque uma parte da vida passou a se concentrar nas casas. Ent\u00e3o, tudo o que significa dessa rela\u00e7\u00e3o&nbsp;\u2013&nbsp;da sa\u00fade mental e como as coisas v\u00e3o se desenvolvendo \u2013, mas a gente tamb\u00e9m tem o concreto de todo dia, da limpeza da casa, de tirar o lixo, de tirar poeira, de lavar as roupas, dar comida junto com a presen\u00e7a em tempo integral das crian\u00e7as de diferentes idades em casa\u201d, contextualiza Moreno.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do trabalho dom\u00e9stico e de cuidado, h\u00e1 ainda a carga mental do trabalho emocional, ainda mais invis\u00edvel. S\u00e3o as mulheres que, em geral, tomam a frente no planejamento e no gerenciamento da casa e do cotidiano, tentando prever as necessidades de todos e se preocupando com a sa\u00fade da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso da secret\u00e1ria&nbsp;Miriam Herm\u00f3genes dos Santos, de 47 anos, que aponta que \u201cas mulheres que carregam o piano\u201d. Ela trabalha na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/04\/26\/movimentos-de-moradia-organizam-acoes-de-solidariedade-em-comunidades-em-todo-o-pais\">Central de Movimentos Populares (CMP)<\/a>, que, desde o in\u00edcio da pandemia, intensificou o trabalho com o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/topicos\/todo-mundo-junto\">solidariedade<\/a>&nbsp;para as fam\u00edlias mais vulner\u00e1veis diante da crise sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica. M\u00e3e de quatro filhos, av\u00f3 de dois netos e filha de uma m\u00e3e no grupo de risco com 83 anos e c\u00e2ncer, ela se desdobra para dar conta da fam\u00edlia, do trabalho e da milit\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/04\/06\/menos-renda-mais-violencia-mulheres-estao-entre-os-mais-afetados-pela-pandemia\">:: Menos renda, mais viol\u00eancia: mulheres est\u00e3o entre os mais afetados pela pandemia ::<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO volume de trabalho com a central \u00e9 muito grande, a gente tem iniciado muito cedo, encerrado muito tarde para dar conta dos projetos. O piano \u00e9 grande, a casa, as desaven\u00e7as com a filha, que \u00e0s vezes quer sair por n\u00e3o quer compreender que tem que ficar [em casa]\u201d, relata Santos, que \u00e9 divorciada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.brasildefato.com.br\/media\/4bbdf685a261c1b95e3d4acd4a026b87.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Miriam Herm\u00f3genes dos Santos acompanha a\u00e7\u00f5es de solidariedade da Central de Movimentos Populares \/ Arquivo Pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>Ela acompanha e faz a ponte das arrecada\u00e7\u00f5es de mantimentos e das contribui\u00e7\u00f5es recebidas pelo portal&nbsp;<a href=\"https:\/\/movimentoscontracovid19.com\/\">movimentoscontracovid19.com<\/a>, em que as doa\u00e7\u00f5es s\u00e3o recebidas em mais de 280 pontos de distribui\u00e7\u00e3o de todo o pa\u00eds e, em S\u00e3o Paulo, ela coordena a distribui\u00e7\u00e3o da sede para as demais regi\u00f5es do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para dar conta da intensidade do servi\u00e7o, Miriam mudou com a m\u00e3e e a filha de 15 anos para a sede da organiza\u00e7\u00e3o. O filho de 24 anos ficou na casa dela no centro de S\u00e3o Paulo, devido ao trabalho deix\u00e1-lo mais exposto ao v\u00edrus. Os outros dois filhos n\u00e3o moram com ela, o de 28 anos est\u00e1 h\u00e1 mais de quatro anos nos Estados Unidos, e a de 26 anos mora no interior de S\u00e3o Paulo com o marido e o neto mais novo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodo s\u00e1bado eu vou pra casa lavo a roupa, a do meu filho que est\u00e1 l\u00e1, trago a roupa molhada na sacola e estendo aqui, deixo uma comida mais ou menos organizada. O tempo todo apavorava porque meu filho que mora em Washigton trabalha com aplicativo. \u00c9 preocupa\u00e7\u00e3o tentando falar todo dia e o medo dele ligar e falar que n\u00e3o est\u00e1\u00a0bem. Eu fico toda hora apavorada, uma coisa que n\u00e3o quero receber esse tipo de not\u00edcia\u201d, desabafa.<\/p>\n\n\n\n<p>O ritmo da milit\u00e2ncia, para ela, \u00e9 uma forma de se sentir bem e, tamb\u00e9m, de retribuir toda a solidariedade que teve quando passou por grandes dificuldades h\u00e1 23 anos, quando&nbsp;estava com quatro filhos pequenos, desempregada e sem casa para morar.&nbsp;\u201cEu me conhecendo como me conhe\u00e7o, a melhor escolha que eu fiz foi fazer isso, por mais que eu redobrei meu trabalho. Mas eu estaria muito frustrada e depressiva se eu estivesse em casa sem poder fazer nada. \u00c9 muito trabalho, mas \u00e9 muito pouco perante a tudo que est\u00e1 acontecendo a\u00ed fora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem isolamento<\/p>\n\n\n\n<p>Para sustentar a filha de 4 anos e ajudar a fam\u00edlia, a bab\u00e1&nbsp;Bruna Mendon\u00e7a Carvalho, de 30 anos, n\u00e3o pode parar de trabalhar. Ap\u00f3s o in\u00edcio da quarentena, ela tamb\u00e9m teve que se mudar provisoriamente.&nbsp;Sua casa fica no Graja\u00fa,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/03\/24\/em-quarentena-1-a-cada-3-moradores-de-favela-tera-dificuldade-para-comprar-alimentos\">periferia<\/a>&nbsp;da zona sul de S\u00e3o Paulo (SP), ao lado da casa dos pais&nbsp;e, agora, est\u00e1 na zona oeste, na casa do namorado.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a n\u00e3o foi uma escolha. Como trabalham\u00a0<em>home office<\/em>, os patr\u00f5es precisaram que ela continuasse trabalhando durante a semana no cuidado do filho deles\u00a0de oito meses. Para n\u00e3o se arriscar no transporte p\u00fablico a contrair a covid-19, ela passou a morar mais perto do trabalho para que fosse poss\u00edvel o pagamento do motorista de aplicativo pelos patr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, s\u00f3 v\u00ea a filha aos finais de semana quando vai para a casa dos pais, onde deixa a pequena aos cuidados da av\u00f3. \u201cEu tive que vir para um lugar mais perto, que \u00e9 a casa do meu namorado. Da\u00ed eu fico na semana no meu namorado e volto final de semana para minha casa, que fica a uma casa da casa da minha m\u00e3e. Da\u00ed eu vou l\u00e1 vejo ela, cuido dela, vou na feira, no mercado, porque praticamente a fam\u00edlia toda n\u00e3o est\u00e1 trabalhando, s\u00f3 eu\u201d, conta Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.brasildefato.com.br\/media\/165a8425205d711d032da7737425eebf.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Bruna Mendon\u00e7a Carvalho, de 30 anos, e a filha de 4 anos durante os encontros aos finais de semana \/ Arquivo Pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>Ela faz parte do grupo de 11 milh\u00f5es de fam\u00edlias no Brasil compostas por m\u00e3es solo, segundo o IBGE, que n\u00e3o tem com quem compartilhar o trabalho dentro de casa&nbsp;e, antes da pandemia, o cotidiano do trabalho j\u00e1 n\u00e3o permitia que m\u00e3e e filha estivessem pr\u00f3ximas. Ela pagava uma outra pessoa para cuidar da crian\u00e7a e perua para ir a creche,&nbsp;al\u00e9m de contar com o apoio da m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 dif\u00edcil, mas antes da pandemia, eu j\u00e1 me separei muito tempo, ent\u00e3o eu j\u00e1 ficava muito distante dela. Ficava mais com ela no final de semana, porque eu tenho que trabalhar.&nbsp;A minha filha me manda mensagem, a gente conversa por celular\u201d, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais preocupa \u00e9 o<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/04\/07\/sem-renda-periferia-esta-vulneravel-a-covid-19-e-a-fome\">\u00a0sustento da fam\u00edlia<\/a>. Os pais s\u00e3o trabalhadores informais, do ramo do com\u00e9rcio e da constru\u00e7\u00e3o civil, e n\u00e3o tem conseguido renda devido ao isolamento. Apenas ela est\u00e1 com emprego e renda no momento. \u201cComo na minha fam\u00edlia ningu\u00e9m est\u00e1 trabalhando, ent\u00e3o est\u00e1 um pouco dif\u00edcil, porque o psicol\u00f3gico da gente fica um pouco afetado\u201d, relata.\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 dist\u00e2ncia<\/p>\n\n\n\n<p>Outro foco de sobrecarga&nbsp;est\u00e1 nas m\u00e3es que tamb\u00e9m s\u00e3o profissionais de sa\u00fade.&nbsp;Al\u00e9m da intensidade do trabalho com a covid-19, tamb\u00e9m passam pelo peso das mudan\u00e7as em casa para preven\u00e7\u00e3o e cuidado da fam\u00edlia. As mulheres s\u00e3o 70% dos trabalhadores da \u00e1rea de sa\u00fade e do terceiro setor no mundo, segundo estima um relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) do ano passado. No Brasil, cerca de 85% das enfermeiras s\u00e3o mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dica obstetra e ginecologista&nbsp;Daniela Menezes, de 32 anos, tem um filho de quase dois anos, e h\u00e1&nbsp;mais de quarenta dias v\u00ea o filho apenas por aplicativo de v\u00eddeo.&nbsp;Assim que o aumento do n\u00famero de casos e a quarentena do novo coronav\u00edrus ficaram&nbsp;evidentes na cidade de S\u00e3o Paulo, ela e o marido, que tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e9dico, resolveram lev\u00e1-lo para ficar com os av\u00f3s paternos na cidade de Aruj\u00e1, interior de S\u00e3o Paulo, como medida de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente levou nosso filho para os pais dele&nbsp;exatamente porque n\u00e3o ter\u00edamos como cuidar dele em casa sem acabar comprometendo a seguran\u00e7a e a sa\u00fade de uma terceira pessoa, que fosse uma bab\u00e1 contratada ou algo do tipo, e, ao mesmo tempo, a gente n\u00e3o tinha como e nem passou pela nossa cabe\u00e7a, por um direito \u00e9tico, de n\u00e3o trabalhar nessa pandemia\u201d, pontua Menezes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.brasildefato.com.br\/media\/7248f97d108591eca001f42e3d04f3e8.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Daniela acompanha partos humanizados em hospitais pelo Coletivo Nascer e relata que o trabalho aumentou muito, visto que os profissionais de sa\u00fade est\u00e3o mais vulner\u00e1veis ao v\u00edrus. Al\u00e9m disso, alguns obstetras que tiveram contato com a covid ou est\u00e3o no grupo de risco foram substitu\u00eddos. Al\u00e9m da multiplica\u00e7\u00e3o dos cuidados, seja nos atendimentos mais rigorosos com a triagem dos sintomas da covid, seja na paramenta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A sobrecarga de trabalho acompanha a saudades do filho. \u201cTem dias melhores, tem dias piores, eu costumo ficar bastante emotiva quando falo disso. Mas ele \u00e9 muito beb\u00ea, ent\u00e3o entende muito pouco, para n\u00e3o dizer nada, sobre a pandemia, sobre os motivos da gente estar isolado, ent\u00e3o isso acaba sendo um pouco mais dolorido. Ao mesmo tempo, a gente conversa bastante pelos aplicativos de v\u00eddeo e, por mais que a gente esteja longe, sabe que ele est\u00e1 melhor do que estivesse com a gente. Ele est\u00e1 menos exposto e estamos expondo menos pessoas&nbsp;em todo esse processo tamb\u00e9m\u201d, conta a m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das mudan\u00e7as, Menezes compreende que ainda tem um espa\u00e7o de privil\u00e9gio por poder deixar o filho com os av\u00f3s e reflete que a pandemia escancarou o que a romantiza\u00e7\u00e3o da maternidade de \u201cbelas tardes de sol no parque\u201d esconde. \u201cSe \u00e9 para falar em maternidade e maternagem real, eu acho que \u00e9 um bom momento para refletir ainda mais sobre ela, esse momento que n\u00e3o existem respostas certas, nunca existiram, na verdade,\u00a0mas agora mostra isso de modo mais escrachado mesmo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mudan\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p>Para&nbsp;compreender&nbsp;a reorganiza\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica e da sustentabilidade da vida no contexto da pandemia, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.surveymonkey.com\/r\/avidanapandemia\">Sempreviva Organiza\u00e7\u00e3o Feminista (SOF)<\/a>&nbsp;est\u00e1 coletando experi\u00eancias das mulheres.&nbsp;A ideia \u00e9 formatar uma pesquisa, prevista para ser lan\u00e7ada em julho, que auxilie a trilhar caminhos para o enfrentamento as desigualdades de g\u00eanero, classe e ra\u00e7a em face da covid-19.&nbsp;<br><br>Integrante da organiza\u00e7\u00e3o, Tica Moreno&nbsp;ressalta&nbsp;que a sobrecarga da divis\u00e3o do&nbsp;trabalho e do cuidado para as mulheres n\u00e3o \u00e9 individual, mas que faz parte de como a sociedade est\u00e1 estruturada. \u201cA divis\u00e3o sexual do trabalho&nbsp;separa e hierarquiza o trabalho de homens e mulheres e, no caso do trabalho dom\u00e9stico e de cuidados, tem essa nega\u00e7\u00e3o de que \u00e9 um trabalho. Parece que as mulheres fazem isso porque amam os outros e n\u00e3o porque \u00e9 uma tarefa fundamental para que a vida exista&nbsp;no cotidiano\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, na an\u00e1lise da soci\u00f3loga, \u00e9 importante n\u00e3o normalizar o que est\u00e1 acontecendo na pandemia&nbsp;e, este momento, em que o trabalho dom\u00e9stico est\u00e1 sendo visibilizado e reconhecido fora das casas, deve ser aproveitado para apontar para a necessidade de transforma\u00e7\u00e3o da estrutura da sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO desafio justamente \u00e9 a gente conseguir dar visibilidade ao que est\u00e1 acontecendo e questionar as estruturas para fazer essa disputa. Para transformar essa situa\u00e7\u00e3o durante e depois da pandemia. Sem d\u00favida, com a l\u00f3gica do governo Bolsonaro, a gente n\u00e3o tem como transformar essa divis\u00e3o sexual do trabalho. Pelo contr\u00e1rio, a l\u00f3gica dele \u00e9 de subordina\u00e7\u00e3o das mulheres e explora\u00e7\u00e3o do trabalho de forma geral, ent\u00e3o a gente precisa tamb\u00e9m tirar o Bolsonaro para conseguir tirar a vida das mulheres\u201d, encerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Vivian Fernandes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo IBGE, mulheres se dedicam 18,5 horas para afazeres dom\u00e9sticos e cuidados; com a covid-19 o trabalho aumentou<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-28034","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7ia","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28034"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28034\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28036,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28034\/revisions\/28036"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}