{"id":28037,"date":"2020-05-10T12:09:59","date_gmt":"2020-05-10T16:09:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=28037"},"modified":"2020-05-10T12:10:07","modified_gmt":"2020-05-10T16:10:07","slug":"o-ano-em-que-os-beijos-foram-virtuais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/05\/10\/o-ano-em-que-os-beijos-foram-virtuais\/","title":{"rendered":"O ano em que os beijos foram virtuais"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"424\" data-attachment-id=\"28038\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/05\/10\/o-ano-em-que-os-beijos-foram-virtuais\/image-36-6\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-36.jpeg?fit=980%2C692\" data-orig-size=\"980,692\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-36\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-36.jpeg?fit=300%2C212\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-36.jpeg?fit=600%2C424\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-36.jpeg?resize=600%2C424\" alt=\"\" class=\"wp-image-28038\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-36.jpeg?w=980 980w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-36.jpeg?resize=300%2C212 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-36.jpeg?resize=768%2C542 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-36.jpeg?resize=425%2C300 425w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Vamos fazer uma viagem, mesmo que nestes dias de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/coronavirus\/\">confinamento pelo coronav\u00edrus<\/a>\u00a0seja um mero exerc\u00edcio mental. <br><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>El Pa\u00eds, por Belinda Saile<br><\/p>\n\n\n\n<p>Vamos ao sul da Su\u00e9cia para passear por uma maravilhosa floresta de faias que a Funda\u00e7\u00e3o Wanas encheu de obras de arte de criadores como Marina Abramovic e Yoko Ono. Avan\u00e7amos entre esculturas de \u00e1rvores met\u00e1licas, misteriosas silhuetas humanas e bolas vermelhas gigantes suspensas nas copas. E de repente um grito. \u201cMamma\u201d, ouve-se uma voz. Depois outra. E outra. E outra. Vozes de crian\u00e7as e de adultos, em um tom doce ou divertido, mas tamb\u00e9m com medo, irrita\u00e7\u00e3o, d\u00favida&#8230; Uma \u00fanica palavra. Multid\u00e3o de mensagens. \u00c9 de arrepiar, acredite em mim. A instala\u00e7\u00e3o sonora da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarianneLindbergDeGeer\/\">artista sueca Marianne Lindberg De Geer<\/a>\u00a0provoca uma esp\u00e9cie de rea\u00e7\u00e3o at\u00e1vica mesmo naquelas que n\u00e3o s\u00e3o m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Hora de aterrissar novamente no ch\u00e3o da nossa casa, o \u00fanico que a maioria pisar\u00e1, enquanto as estat\u00edsticas da covid-19 n\u00e3o melhorarem. Tudo muito estranho. Mas continuamos com as m\u00e3es, porque o Dia das M\u00e3es tamb\u00e9m promete ser estranho. Sem beijos nem abra\u00e7os, s\u00f3 pode ser estranho. Uma observa\u00e7\u00e3o positiva: embora continuemos em quarentena neste dia 3 de maio (na Espanha a festa acontece no primeiro domingo desse m\u00eas desde os anos sessenta, no Brasil, desde 1932 o Dia das M\u00e3es \u00e9 comemorado no segundo domingo do mesmo m\u00eas, mas no resto do mundo existem mais de vinte datas diferentes), as flores podem ser compradas online. Mas n\u00e3o se engane, as filas virtuais s\u00e3o caprichosas e \u00e9 imposs\u00edvel fur\u00e1-las. Para as crian\u00e7as a coisa tamb\u00e9m fica um pouco mais complicada sem professores para organizar a confec\u00e7\u00e3o do presente (o do Dia dos Pais \u2013que na Espanha foi comemorado em 19 de mar\u00e7o\u2013 foi trazido por muitas delas no \u00faltimo dia de aula gra\u00e7as a alguns professores previdentes).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Flores? Presentes? Ent\u00e3o, tudo continua como sempre?<\/h3>\n\n\n\n<p>Muitos de n\u00f3s estamos separados de nossas m\u00e3es nestes dias. Mais perto ou mais longe do que nunca f\u00edsica, mental e emocionalmente. Alguns ligam para ela todos os dias para terem certeza de que n\u00e3o h\u00e1 tosses suspeitas. Pode ser algo assim: \u201cComo voc\u00ea est\u00e1, mam\u00e3e? Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 saindo na rua, certo?\u201d. Outros telefonam muito, mas n\u00e3o diariamente, porque tantos conselhos de sa\u00fade e receitas para estar em boas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e mentais n\u00e3o podem ser assumidas nem materializadas em 24 horas. \u201cTe mandei uma lista de Spotify com m\u00fasicas relaxantes. Voc\u00ea est\u00e1 comendo bem?\u201d. \u201cSim, sim, mam\u00e3e\u201d. Tamb\u00e9m haver\u00e1 quem tenha a m\u00e3e sem muitas possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o, internada pela Covid-19 em algum hospital, ou, d\u00f3i at\u00e9 imaginar, que tenha tido que se despedir dela por estes dias, de longe, para sempre. Maldito v\u00edrus.&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/estilo\/2020-05-10\/eva-millet-maes-e-pais-nao-necessitam-ser-perfeitos-nao-precisam-tirar-a-melhor-nota-no-confinamento.html\">Outros a ter\u00e3o em casa, mais perto do que nunca, as 24 horas do dia.<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o: nada continua igual.<\/h3>\n\n\n\n<p>Mas o que \u00e9 ser m\u00e3e? \u201cM\u00e3e: 1. Mulher que concebeu ou deu \u00e0 luz um ou mais filhos. 2. Mulher em rela\u00e7\u00e3o com seus filhos. 3. M\u00e3e considerada em sua fun\u00e7\u00e3o protetora e afetiva. 4. Mulher que exerce o papel de m\u00e3e\u201d, aponta o Dicion\u00e1rio da Real Academia. \u00d3bvio demais. Eu pergunto aos meus filhos. \u201cM\u00e3e \u00e9 muitas coisas\u201d, diz meu filho de oito anos, pensativo. \u201cEla \u00e9 a pessoa que est\u00e1 sempre l\u00e1 quando preciso dela\u201d, diz minha filha de 11. \u201c\u00c9 a forma de amor mais honesta, incondicional e bestial que existe\u201d, acrescenta uma amiga psic\u00f3loga. \u201c\u00c9 quem sempre me acompanhou sem nunca reclamar de nada\u201d, insiste outra amiga, que acaba de perder a dela, e que diz que se tornar m\u00e3e mudou completamente suas prioridades na vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Vou aos grupos de bate-papo das m\u00e3es da escola e, para n\u00e3o arrumar confus\u00e3o, pe\u00e7o que me digam quais palavras ou conceitos elas associam a ser m\u00e3es. Bing, bing, bing&#8230; Rapidamente come\u00e7am a chegar mensagens sem parar (aqui est\u00e1 uma sele\u00e7\u00e3o): flexibilidade, generosidade, multifun\u00e7\u00f5es, hero\u00edna, abrigo, surpresa, incerteza, felicidade, improvisa\u00e7\u00e3o, ternura, alegria, irrita\u00e7\u00e3o, instinto, medo, sacrif\u00edcio, amor, supera\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, carinho, respeito, prote\u00e7\u00e3o, for\u00e7a, ansiedade, risos, paci\u00eancia, l\u00e1grimas, paz, adapta\u00e7\u00e3o, aceita\u00e7\u00e3o, aventura, apoio, orgulho, const\u00e2ncia, reinven\u00e7\u00e3o, loucura, aprendizado, coragem, vida, bondade, caminho, fam\u00edlia, dedica\u00e7\u00e3o, entusiasmo, lar, v\u00ednculo&#8230; Aquele \u201cm\u00e3e \u00e9 muitas coisas\u201d, que parecia uma resposta para resolver a situa\u00e7\u00e3o, revela-se digno de um fil\u00f3sofo. Talvez existam tantas defini\u00e7\u00f5es quanto m\u00e3es. Na Espanha s\u00e3o cerca de 13 milh\u00f5es. \u201cSomos maravilhosos\u201d, conclui uma m\u00e3e no bate-papo diante de semelhante demonstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O psicanalista Erich Fromm disse que o amor de uma m\u00e3e \u00e9 felicidade e paz, e acrescentou que n\u00e3o deve ser conquistado nem merecido. Desde que os gregos antigos renderam homenagem a Rea, m\u00e3e de Zeus, Poseidon e Hades, ou a ativista norte-americana Julia Ward Howe promoveu a homenagem a essas mulheres no s\u00e9culo 19, mostrar afeto \u00e0s m\u00e3es ou \u00e0quelas que exercem esse papel \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o. \u201cDoce como o t\u00edmido frescor \/ do sol nas regi\u00f5es de tempestade, \/ lampadazinha pequena, \/ se apagando, \/ incendiando-se \/ para que todos vejam o caminho\u201d, escreveu o poeta Pablo Neruda sobre sua madrasta. Ele a chamava de \u201cMamadre\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, que homenagem fazemos a elas nesta primavera [no hemisf\u00e9rio norte] estranha de coronav\u00edrus? Um aplauso das varandas? Uma enorme videoconfer\u00eancia familiar? Algo nos ocorrer\u00e1. \u201cMam\u00e3e, mas o Dia das M\u00e3es \u00e9 todo dia\u201d, diz minha filha, talvez um pouco preocupada com a quest\u00e3o do presente. \u201cVoc\u00ea tem toda a raz\u00e3o\u201d. \u201cEu amo voc\u00ea, mam\u00e3e\u201d. Algumas palavras t\u00eam superpoderes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos fazer uma viagem, mesmo que nestes dias de\u00a0confinamento pelo coronav\u00edrus\u00a0seja um mero exerc\u00edcio mental.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-28037","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7id","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28037"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28037\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28039,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28037\/revisions\/28039"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}