{"id":28225,"date":"2020-05-19T09:29:50","date_gmt":"2020-05-19T13:29:50","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=28225"},"modified":"2020-05-19T09:29:59","modified_gmt":"2020-05-19T13:29:59","slug":"editorial-do-le-monde-sobre-o-brasil-o-perigoso-voo-as-escuras-de-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/05\/19\/editorial-do-le-monde-sobre-o-brasil-o-perigoso-voo-as-escuras-de-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Editorial do Le Monde sobre o Brasil: o perigoso voo \u00e0s escuras de Bolsonaro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"327\" data-attachment-id=\"28226\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/05\/19\/editorial-do-le-monde-sobre-o-brasil-o-perigoso-voo-as-escuras-de-bolsonaro\/image-67-5\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-67.jpeg?fit=792%2C432\" data-orig-size=\"792,432\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-67\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-67.jpeg?fit=300%2C164\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-67.jpeg?fit=600%2C327\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-67.jpeg?resize=600%2C327\" alt=\"\" class=\"wp-image-28226\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-67.jpeg?w=792 792w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-67.jpeg?resize=300%2C164 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-67.jpeg?resize=768%2C419 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/image-67.jpeg?resize=550%2C300 550w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>247 &#8211;<\/strong>&nbsp;O editorial do Le Monde desta segunda-feira (18) foi dedicado ao Brasil. O jornal franc\u00eas critica as opini\u00f5es e a condi\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro na crise sanit\u00e1ria que j\u00e1 infectou 254.220 brasileiros e matou matou 16.792. Leia a \u00edntegra, na tradu\u00e7\u00e3o de Sylvie Giraud.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que h\u00e1 algo de podre no reino do Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro, consegue afirmar, sem vacilar, que o coronav\u00edrus \u00e9 uma &#8220;gripezinha&#8221; ou uma &#8220;histeria&#8221; nascida da &#8220;imagina\u00e7\u00e3o&#8221; das m\u00eddias\u201d, diz o&nbsp;<a href=\"https:\/\/https\/\/www.lemonde.fr\/idees\/article\/2020\/05\/18\/bresil-la-dangereuse-fuite-en-avant-de-bolsonaro_6040012_3232.html\"><strong>editorial<\/strong>.<\/a>&nbsp;Algo de podre quando ele vai ao encontro de aglomera\u00e7\u00f5es de seus partid\u00e1rios, quando ele incita as autoridades locais a eliminarem as restri\u00e7\u00f5es, quando pretende que a epidemia tenha &#8220;come\u00e7ado a desaparecer&#8221; enquanto que os cemit\u00e9rios em todo o pa\u00eds registram um recorde in\u00e9dito de enterros. Quando seu ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ernesto Ara\u00fajo, defende o &#8220;comunav\u00edrus&#8221;, alegando que a pandemia \u00e9 o resultado de uma conspira\u00e7\u00e3o comunista. Quando o ministro da Sa\u00fade, Nelson Teich, renuncia em 15 de maio, quatro semanas ap\u00f3s sua nomea\u00e7\u00e3o para esse minist\u00e9rio crucial, por &#8220;diferen\u00e7as de opini\u00e3o&#8221;, justamente no dia em que o pa\u00eds alcan\u00e7ava 240.000 casos confirmados e mais de 16.000 mortos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para muitos, as horas sombrias que o Brasil \u2013 quinta na\u00e7\u00e3o mais afetada pela pandemia &#8211; atravessa hoje, relembram as da ditadura militar, quando o pa\u00eds foi submetido ao medo e \u00e0 arbitrariedade. Com uma diferen\u00e7a significativa: enquanto os generais da \u00e9poca reivindicavam a defesa de uma democracia atacada, segundo eles, pelo comunismo, o Brasil de Bolsonaro vive em um mundo paralelo, um teatro do absurdo onde os fatos e a realidade deixaram de existir. Nesse universo sob tens\u00e3o, nutrido por cal\u00fanias, incoer\u00eancias e provoca\u00e7\u00f5es mort\u00edferas, a opini\u00e3o se polariza em torno de um nevoeiro de ideias simples mas falsas.<\/p>\n\n\n\n<p>A denega\u00e7\u00e3o impulsionada pelo governo demove metade da popula\u00e7\u00e3o de confinar-se, enquanto os pedidos de distanciamento social lan\u00e7ados pelos profissionais de sa\u00fade, governadores e prefeitos s\u00e3o seguidos frouxamente. Bolsonaro, que n\u00e3o parece apreender a real dimens\u00e3o da pandemia, diz que a atividade econ\u00f4mica deve continuar a qualquer pre\u00e7o e enquanto isso faz um c\u00e1lculo pol\u00edtico insano, esperando que efeitos devastadores da crise ser\u00e3o atribu\u00eddos \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caos sanit\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Oficial subalterno expulso do ex\u00e9rcito e obscuro deputado de extrema-direita, zombado por seus pares durante tr\u00eas d\u00e9cadas, Bolsonaro, claramente, n\u00e3o possu\u00eda as qualidades necess\u00e1rias de um estadista. Uma vez no poder, devorado pela amargura e pela nostalgia fascista, o ex-capit\u00e3o da reserva n\u00e3o cessou de acusar o eternamente odiado &#8220;sistema&#8221;. Postura que durante uma pandemia aguda causa caos na sa\u00fade e semeia a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>De tanto trair os fatos, os governantes populistas acabam por acreditar em suas pr\u00f3prias mentiras. Vemos isso em outras partes do mundo. Mas aqui, neste pa\u00eds que saiu da ditadura h\u00e1 apenas vinte e cinco anos, onde a democracia permanece fr\u00e1gil e at\u00e9 disfuncional, o fato de politizar, sem limites, uma crise sanit\u00e1ria dessa magnitude \u00e9 algo totalmente irrespons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma base eleitoral de 25%, Bolsonaro sabe que sua margem de manobra \u00e9 estreita. Alguns evocam hoje o cen\u00e1rio de um golpe institucional. Ali\u00e1s, diante da multid\u00e3o que veio apoi\u00e1-lo em Bras\u00edlia, o presidente deixou claro no dia 3 de maio que se o Supremo Tribunal Federal o investigasse &#8211; a ele ou a seus parentes -, ele n\u00e3o respeitaria a decis\u00e3o dos ju\u00edzes. Ap\u00f3s ter praticado o negacionismo hist\u00f3rico ao elogiar a ditadura, negado a exist\u00eancia dos inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia e a gravidade da pandemia de Covid-19, Bolsonaro e sua tenta\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria t\u00eam grandes chances de mergulhar o pa\u00eds em um perigoso voo \u00e0s escuras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>247 &#8211;&nbsp;O editorial do Le Monde desta segunda-feira (18) foi dedicado ao Brasil. O jornal franc\u00eas critica as opini\u00f5es e a condi\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro na crise sanit\u00e1ria que j\u00e1 infectou 254.220 brasileiros e matou matou 16.792. 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