{"id":28422,"date":"2020-05-27T17:41:16","date_gmt":"2020-05-27T21:41:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=28422"},"modified":"2020-05-27T17:41:20","modified_gmt":"2020-05-27T21:41:20","slug":"brasil-sofre-de-fetiche-da-farda","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/05\/27\/brasil-sofre-de-fetiche-da-farda\/","title":{"rendered":"Brasil sofre de fetiche da farda"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/MBwIv-BszAo47h3vKo8E8XGQpBI%3D\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/AOF6VYQTM5GEFECMO3SSURBDPM.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Apoiadora de Bolsonaro durante manifesta\u00e7\u00e3o contra o STF, em 9 de maio em Bras\u00edlia.\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Sem superar os traumas da ditadura, parte das institui\u00e7\u00f5es e da imprensa se comporta como ref\u00e9m diante do Governo militar liderado por Bolsonaro, demonstrando subservi\u00eancia e aliena\u00e7\u00e3o dos fatos.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>El Pa\u00eds &#8211; Eliane Brum<\/p>\n\n\n\n<p>O bolsonarismo revelou em todo o seu estupor um fen\u00f4meno cujos sintomas podiam ser percebidos durante a democracia, mas que foram apenas timidamente diagnosticados. Vou cham\u00e1-lo de \u201cfetiche da farda\u201d. Trata-se de uma constru\u00e7\u00e3o mental sem lastro na realidade que faz com que algo se torne o seu oposto no funcionamento individual ou coletivo de uma pessoa, um grupo ou mesmo de um povo. O mecanismo psicol\u00f3gico guarda semelhan\u00e7as com o que \u00e9 chamado de \u201cS\u00edndrome de Estocolmo\u201d, quando a v\u00edtima se alia ao sequestrador como forma de suportar a terr\u00edvel press\u00e3o de estar subjugada a um outro que claramente \u00e9 um perverso, seguidamente imprevis\u00edvel, do qual depende a sua vida na condi\u00e7\u00e3o de ref\u00e9m. O fetiche da farda tem se mostrado em toda a sua gravidade desde o in\u00edcio do&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/jair-messias-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Governo de Jair Bolsonaro<\/a>&nbsp;e, durante o m\u00eas de maio, tornou-se assustador: mesmo \u00e0 esquerda e ao centro, os militares s\u00e3o descritos como aquilo que os fatos provam que n\u00e3o s\u00e3o \u2015 nem foram nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u2015, e tratados com uma solenidade que suas a\u00e7\u00f5es \u2015 e suas omiss\u00f5es \u2015 n\u00e3o justificam.<\/p>\n\n\n\n<p>O fetiche da farda n\u00e3o \u00e9 uma curiosidade a mais na cr\u00f4nica pol\u00edtica do Brasil, j\u00e1 repleta de bizarrices. O fen\u00f4meno molda a pr\u00f3pria&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/democracia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">democracia<\/a>&nbsp;e est\u00e1 determinando o presente do pa\u00eds. Criou-se uma narrativa fantasiosa de que, no Governo Bolsonaro, os militares s\u00e3o uma \u201creserva moral\u201d, uma \u201cfonte de equil\u00edbrio\u201d em meio ao \u201cdescontrole\u201d de Bolsonaro. O debate se d\u00e1 em torno de o quanto os generais seriam capazes de conter ou n\u00e3o o man\u00edaco que ajudaram \u2015 e muito \u2015 a botar no&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/palacio-do-planalto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planalto<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Categorizou-se o Governo em \u201calas\u201d, em que existiria a \u201cideol\u00f3gica\u201d, composta pelo chanceler\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/ernesto-henrique-fraga-araujo\/\" target=\"_blank\">Ernesto Ara\u00fajo<\/a>\u00a0e outros pupilos do guru\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/olavo_luiz_pimentel_de_carvalho\" target=\"_blank\">Olavo de Carvalho<\/a>, e a \u201cala militar\u201d, entre outras, forjando assim uma fantasmagoria de que os militares no Governo n\u00e3o tivessem\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/ideologias\/\" target=\"_blank\">ideologia<\/a>\u00a0e que a palavra \u201cmilitar\u201d j\u00e1 estivesse qualificada em si mesma e por si mesma. A cada flatul\u00eancia do antipresidente, a imprensa espera ansiosamente a manifesta\u00e7\u00e3o da\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-05-12\/ala-militar-do-planalto-depoe-sob-o-risco-de-ser-processada.html\" target=\"_blank\">\u201cala militar\u201d<\/a>. N\u00e3o pelo que efetivamente s\u00e3o e representam os militares, mas porque seriam uma esp\u00e9cie de \u201cor\u00e1culo\u201d do presente e do futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Colunistas por quem tenho grande respeito, ao se referir \u00e0s&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/fuerzas-armadas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">For\u00e7as Armadas<\/a>, penduram nelas adjetivos como \u201chonrosas\u201d e \u201crespeit\u00e1veis\u201d. Quando algum dos generais diz algo ainda mais truculento do que o habitual afirmam que est\u00e1 destoando da tropa, porque as For\u00e7as Armadas supostamente se pautariam pela \u201chonra\u201d e pela \u201cverdade\u201d. Ao longo do Governo desenhou-se uma imagem dos militares como algo pr\u00f3ximo dos \u201cpais da na\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cguardi\u00f5es da ordem\u201d, e tudo isso confundido com a ideia de que seriam tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de pais do incorrig\u00edvel garoto Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel? Qual \u00e9 o mecanismo psicol\u00f3gico que produz essa mistifica\u00e7\u00e3o em tempos t\u00e3o agudos? O fen\u00f4meno \u00e9 fascinante, n\u00e3o estivesse nos empurrando para um n\u00edvel ainda mais fundo do po\u00e7o sem fundo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 uma anomalia das For\u00e7as Armadas, mas sim seu fiel produto<\/h3>\n\n\n\n<p>Tenho escrito desde o in\u00edcio do Governo, e mesmo antes, que Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 uma anomalia das For\u00e7as Armadas, algo que deu errado e que nega a sua origem. Ao contr\u00e1rio. Desde sua g\u00eanese, ele \u00e9 tanto o produto quanto a express\u00e3o daquilo que os militares representam no Brasil das \u00faltimas d\u00e9cadas \u2015 ou possivelmente em toda a hist\u00f3ria republicana do pa\u00eds. Bolsonaro cont\u00e9m toda a deforma\u00e7\u00e3o do papel e do lugar dos militares numa democracia. (Leia em\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/01\/30\/opinion\/1548867475_387353.html\" target=\"_blank\"><em>Mour\u00e3o, o Moderado<\/em><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Bolsonaro \u00e9 o&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/19\/politica\/1539969259_171085.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">garoto de classe m\u00e9dia baixa que adorava fardas<\/a>&nbsp;e viu no ex\u00e9rcito uma possibilidade de ganhar posi\u00e7\u00e3o e import\u00e2ncia. Como a hist\u00f3ria mostrou, entendeu tudo certinho. Sua trajet\u00f3ria \u00e9 muito bem contada no livro&nbsp;<a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books\/about\/O_cadete_e_o_capit%C3%A3o.html?id=A9OiDwAAQBAJ&amp;redir_esc=y\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>O cadete e o capit\u00e3o: a vida de Jair Bolsonaro no quartel<\/em><\/a>(Todavia), do jornalista Luiz Maklouf Carvalho, morto por c\u00e2ncer em 16 de maio. Na obra, o rep\u00f3rter mostra, a partir de rigorosa pesquisa nos autos, como o julgamento de Bolsonaro por planejar colocar bombas em quart\u00e9is ignorou provas inequ\u00edvocas. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/stm_superior_tribunal_militar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Superior Tribunal Militar<\/a>&nbsp;absolveu-o num julgamento constrangedor, desde que ele deixasse a corpora\u00e7\u00e3o. Bolsonaro assim o fez, j\u00e1 eleito vereador do Rio de Janeiro com o voto de seus colegas, que depois o reelegeriam tamb\u00e9m como deputado federal durante os quase 30 anos que passou no Congresso. (Leia em&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/01\/30\/opinion\/1548867475_387353.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Por que Bolsonaro tem problemas com furos<\/em><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Bolsonaro existe politicamente e est\u00e1 no poder porque a c\u00fapula militar absolveu um membro da corpora\u00e7\u00e3o que trabalhava na execu\u00e7\u00e3o de um plano terrorista para chamar a aten\u00e7\u00e3o para uma reinvindica\u00e7\u00e3o salarial. Tivesse sido condenado pelo que de fato era e fez, a hist\u00f3ria seria outra. Foi a impunidade que os militares seguiram autorizados a cultivar, em fun\u00e7\u00e3o de seus interesses corporativos, mesmo ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-05-15\/militares-no-poder-sao-cumplices-de-mais-um-ato-irresponsavel-do-macabro-governo-bolsonaro.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">que gestou o personagem Bolsonaro<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele, que tanto fala em impunidade, \u00e9 produto da impunidade que supostamente critica. J\u00e1 est\u00e1 mais do que claro que, para Bolsonaro, seus filhos e seus amigos, a impunidade \u00e9 a pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser do poder. Responsabiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 para os outros. N\u00e3o tenho informa\u00e7\u00e3o para afirmar que aprendeu essa li\u00e7\u00e3o com seus pais, mas h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o suficiente para afirmar que a aprimorou com seus superiores. Se um&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/terrorismo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">plano terrorista<\/a>&nbsp;n\u00e3o \u00e9 motivo suficiente para condenar algu\u00e9m, ent\u00e3o nada \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante todos os seus anos como parlamentar, Bolsonaro sempre defendeu a&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/dictadura_brasilena\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ditadura (1964-1985)<\/a>, n\u00e3o s\u00f3 normalizando o sequestro, a tortura e a morte de civis, mas defendendo que os militares deveriam ter matado \u201cpelo menos uns 30 mil\u201d. Votou pelo impeachment de Dilma Rousseff&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/06\/20\/opinion\/1466431465_758346.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">homenageando o \u00fanico torturador reconhecido pela Justi\u00e7a como torturador<\/a>, o coronel fac\u00ednora Carlos Alberto Brilhante Ustra. E naquele momento lan\u00e7ou simbolicamente a sua candidatura \u2015 e mais uma vez foi beneficiado pela impunidade garantida tanto pelos seus pares como pelo judici\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A candidatura de Bolsonaro tinha por vice um general,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/antonio-hamilton-martins-mourao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hamilton Mour\u00e3o<\/a>, que em v\u00e1rias ocasi\u00f5es expressou sua voca\u00e7\u00e3o golpista, inclusive durante a campanha. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar ou n\u00e3o que Bolsonaro foi eleito devido ao apoio de uma parcela estrelada de militares \u00e0 sua campanha, mas \u00e9 poss\u00edvel afirmar que esse apoio foi importante e deu legitimidade a Bolsonaro. Em troca, ele militarizou o Governo, que hoje tem nove ministros militares e quase 3 mil militares ocupando o segundo escal\u00e3o. E crescendo. Bolsonaro tornou poss\u00edvel que os militares voltassem ao poder num pa\u00eds em que ainda h\u00e1&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/11\/politica\/1544556828_547799.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mais de duas centenas de corpos de pessoas desaparecidas<\/a>&nbsp;pela a\u00e7\u00e3o criminosa do Governo dos generais durante o regime de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Bolsonaro e os generais que o sustentam n\u00e3o s\u00e3o feitos de mat\u00e9ria diferente. N\u00e3o h\u00e1 uma e outra coisa. \u00c9 a mesma coisa e o mesmo projeto de poder. Por que raz\u00e3o foi feita essa dissocia\u00e7\u00e3o mental \u00e9 tema para historiadores e soci\u00f3logos. Talvez mais ainda para a psiquiatria e para a psican\u00e1lise.&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-05-15\/militares-no-poder-sao-cumplices-de-mais-um-ato-irresponsavel-do-macabro-governo-bolsonaro.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bolsonaro \u00e9 criatura do militarismo brasileiro<\/a>. E n\u00e3o como o monstro de Frankenstein, que na obra de fic\u00e7\u00e3o de Mary Shelley foi renegado pelo criador. N\u00e3o. Bolsonaro \u00e9 o rebento bem sucedido que foi estimulado e apoiado para virar o presidente do Brasil e ent\u00e3o redimir seus pais inconformados, que queriam n\u00e3o s\u00f3 voltar ao poder, mas tamb\u00e9m eliminar a mancha hist\u00f3rica de assassinos e ditadores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A perigosa opera\u00e7\u00e3o mental que dissocia a imagem dos militares de seus atos<\/h3>\n\n\n\n<p>Mais grave que a dissocia\u00e7\u00e3o entre Bolsonaro e os generais de sua entourage, por\u00e9m, \u00e9 a dissocia\u00e7\u00e3o entre o que os militares efetivamente fizeram e fazem no poder \u2015 e a forma como essa a\u00e7\u00e3o \u00e9 descrita e convertida em imagem p\u00fablica. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio analisar todo o per\u00edodo republicano, desde 1889. Se olharmos apenas para as \u00faltimas d\u00e9cadas,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/07\/opinion\/1554640987_633381.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">em 1964 os militares deram um golpe na democracia<\/a>. Tiraram do poder um presidente eleito democraticamente. Jo\u00e3o Goulart era vice-presidente at\u00e9 1961. Com a ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros, assumiu a presid\u00eancia. E ent\u00e3o veio o golpe. Jango, como era chamado, viveu no ex\u00edlio at\u00e9 a sua controvertida morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Os militares tomaram o poder pela for\u00e7a, num golpe cl\u00e1ssico, e permaneceram no poder pela for\u00e7a por 21 anos, com o apoio de parte do empresariado nacional. Em dezembro de 1968, com&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2019-11-27\/o-ai-5-ja-se-instala-na-amazonia-e-nas-periferias-urbanas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o Ato Institucional n\u00famero 5<\/a>, hoje amplamente revivido como amea\u00e7a expl\u00edcita nos discursos dos bolsonaristas, o Governo de exce\u00e7\u00e3o endureceu. O AI-5 eliminou o que ainda restava dos instrumentos democr\u00e1ticos e inaugurou a \u00e9poca mais violenta do regime, tornando o sequestro, a tortura e a morte de opositores instrumentos de Estado, executados por agentes do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante esse per\u00edodo tenebroso, h\u00e1 amplas provas e depoimentos mostrando que, al\u00e9m dos milhares de adultos, v\u00e1rios deles mulheres gr\u00e1vidas, pelo menos 44 crian\u00e7as foram torturadas (leia em<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/12\/08\/opinion\/1418042130_286849.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Aos que defendem a volta da ditadura<\/em><\/a>). Uma delas, Carlos Alexandre Azevedo, o Cac\u00e1, torturado quando tinha 1 ano e oito meses de vida, n\u00e3o suportou as marcas psicol\u00f3gicas e se suicidou em 2013, depois de uma exist\u00eancia muito penosa. H\u00e1 fam\u00edlias de brasileiros que ainda n\u00e3o conseguiram encontrar os cad\u00e1veres dos mais de 200 desaparecidos pela ditadura. S\u00e3o pais, m\u00e3es, irm\u00e3os e filhos que h\u00e1 d\u00e9cadas procuram um corpo para sepultar. \u201cA Ponta da Praia\u201d,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/27\/opinion\/1553688411_058227.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">para onde Bolsonaro amea\u00e7ou mandar os opositores em discurso durante a campanha de 2018<\/a>, era um desses lugares de tortura e de desova de civis no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a ditadura militar, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/censura_informativa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">imprensa foi censurada<\/a>; filmes, livros e pe\u00e7as de teatro foram proibidos; as universidades sofreram interven\u00e7\u00f5es; milhares de brasileiros foram obrigados a viver no ex\u00edlio para n\u00e3o serem mortos pelo Estado. Durante a ditadura,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/03\/18\/politica\/1426706268_112230.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">houve ampla corrup\u00e7\u00e3o nas obras p\u00fablicas<\/a>, como h\u00e1 farta bibliografia para comprovar. Foi tamb\u00e9m&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/03\/28\/politica\/1522247105_599766.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">durante a ditadura que as grandes empreiteiras, que mais tarde estariam nas manchetes pelo esquema de corrup\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;conhecido como \u201cmensal\u00e3o\u201d, cresceram, multiplicam-se e locupletaram-se em obras megal\u00f4manas do \u201cBrasil Grande\u201d e em seus esquemas nos Governos militares.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/indigenas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A ditadura torturou e matou milhares de ind\u00edgenas<\/a>. As \u201cgrandes obras\u201d na Amaz\u00f4nia, que mais tarde seriam conhecidas como \u201celefantes brancos\u201d do regime, foram constru\u00eddas por essas empreiteiras sobre cad\u00e1veres da floresta e sangue de seres humanos. A ditadura militar inaugurou o&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/desforestacion\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">desmatamento como projeto de Estado&nbsp;<\/a>e tornou o exterm\u00ednio dos ind\u00edgenas uma pol\u00edtica ao ignorar sua exist\u00eancia na propaganda oficial da Amaz\u00f4nia, como no slogan \u201cterra sem homens para homens sem terra\u201d. O Ex\u00e9rcito promoveu alguns dos mais cru\u00e9is massacres da hist\u00f3ria, como o dos&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/11\/politica\/1554971346_439815.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Waimiri Atroari, que quase foram dizimados nos anos 1970.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel que algu\u00e9m que viveu ou estudou esse per\u00edodo possa tratar a crescente ocupa\u00e7\u00e3o militar do Governo Bolsonaro como algo remotamente semelhante a uma \u201creserva moral\u201d ou a uma \u201cfonte de equil\u00edbrio\u201d ou a um \u201cexemplo de honradez\u201d? S\u00e9rio? Al\u00e9m do fetiche da farda devemos investigar um poss\u00edvel&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/06\/internacional\/1541528094_805836.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico<\/a>&nbsp;no fen\u00f4meno. Ou talvez uma parcela dos brasileiros tenha tanto medo que o horror se repita que distor\u00e7a o que enxerga porque a realidade alcan\u00e7ou o n\u00edvel da insuportabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns v\u00e3o afirmar, como t\u00eam afirmado, que os militares hoje no poder, diferentemente de seus antecessores e mestres, s\u00e3o amantes da democracia. Qual \u00e9 o lastro nos fatos para fazer tal afirma\u00e7\u00e3o? H\u00e1 in\u00fameros exemplos de comportamentos golpistas por v\u00e1rios dos personagens do militarismo, come\u00e7ando pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/eduardo-dias-da-costa-villas-boas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">general Eduardo Villas B\u00f4as<\/a>, uma mistura de conselheiro e fiador do atual Governo, e terminando no vil\u00e3o de quadrinhos chamado&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/augusto-heleno-ribeiro-pereira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Augusto Heleno<\/a>, que se houver justi\u00e7a um dia responder\u00e1 pelo que as tropas brasileiras comandadas por ele fizeram no Haiti. Cit\u00e9 Soleil, a maior favela de Porto Pr\u00edncipe, \u00e9 um nome que provoca tremores ao ser pronunciado em alguns c\u00edrculos. Mour\u00e3o, por sua vez, antes de se tornar vice-presidente, j\u00e1 era uma metralhadora girat\u00f3ria de declara\u00e7\u00f5es golpistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em qual momento do Governo Bolsonaro os militares deram um exemplo de respeito \u00e0 democracia? Basta examinar um epis\u00f3dio seguido do outro. A rela\u00e7\u00e3o entre crescimento dos militares e&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020\/05\/17\/album\/1589743637_169021.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aumento das manifesta\u00e7\u00f5es golpistas<\/a>&nbsp;\u00e9 diretamente proporcional. O n\u00famero de militares s\u00f3 aumenta e o Governo s\u00f3 piora seu n\u00edvel de bo\u00e7alidade, de autoritarismo e tamb\u00e9m de incompet\u00eancia. Tudo isso culmina no momento atual, no qual Jair Bolsonaro se tornou o vil\u00e3o n\u00famero um da pandemia e&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2020-05-25\/estados-unidos-suspendem-a-entrada-de-pessoas-vindas-do-brasil-por-causa-do-coronavirus.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">os brasileiros passaram a ser recusados at\u00e9 nos Estados Unidos<\/a>&nbsp;de Donald Trump. E o que temos hoje?&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-05-26\/o-ministerio-da-saude-sob-intervencao-militar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A militariza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade<\/a>. Dois ministros civis, m\u00e9dicos, recusaram-se a ceder \u00e0 press\u00e3o de Bolsonaro para usar&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/cloroquina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">cloroquina<\/a>, medicamento sem efic\u00e1cia cient\u00edfica comprovada para tratar de&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">covid-19<\/a>. Deixaram o Governo. Bolsonaro colocou ent\u00e3o um militar como ministro da Sa\u00fade e conseguiu empurrar a cloroquina, jogando com a sa\u00fade de 210 milh\u00f5es de pessoas. Em vez de quadros t\u00e9cnicos, com experi\u00eancia na \u00e1rea, na crise sanit\u00e1ria mais s\u00e9ria em um s\u00e9culo, o Brasil transforma o&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-05-26\/o-ministerio-da-saude-sob-intervencao-militar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade num quartel do Ex\u00e9rcito<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/pandemia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pandemia<\/a>, o Governo militar de Bolsonaro provocava o horror do mundo pela destrui\u00e7\u00e3o acelerada da&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/amazonia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Amaz\u00f4nia<\/a>. Com a covid-19,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-05-26\/exercito-vai-gastar-em-um-mes-de-acao-na-amazonia-o-orcamento-anual-do-ibama-para-fiscalizacao.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">os alertas apontam que o desmatamento explodiu<\/a>. \u00c9 vis\u00edvel que os grileiros se aproveitam da necessidade de isolamento daqueles que sempre combateram suas a\u00e7\u00f5es, seus pistoleiros e suas motosserras colocando seus corpos na linha de frente.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que temos hoje? A militariza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental na Amaz\u00f4nia. O Ibama e o ICMBio passaram a ser subordinados ao Ex\u00e9rcito, como numa ditadura cl\u00e1ssica. Na primeira investida, segundo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2020\/05\/exercito-ignora-ibama-mobiliza-97-agentes-e-faz-vistoria-sem-punicao.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">relat\u00f3rio obtido pela Folha de S. Paulo<\/a>, mais de 90 agentes em dois helic\u00f3pteros e v\u00e1rias viaturas foram mobilizados para uma opera\u00e7\u00e3o no Mato Grosso contra madeireiras e serrarias que terminou sem multas, pris\u00f5es ou apreens\u00f5es. O Ibama havia sugerido outro alvo na regi\u00e3o que, segundo fiscais, contava com fortes evid\u00eancias de ilegalidades. Foi ignorado. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-05-26\/exercito-vai-gastar-em-um-mes-de-acao-na-amazonia-o-orcamento-anual-do-ibama-para-fiscalizacao.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">rec\u00e9m-criado Conselho Nacional da Amaz\u00f4nia<\/a>, comandado por Mour\u00e3o, tem 19 integrantes: todos militares.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade mostra os grileiros atuando com desenvoltura s\u00f3 vista na ditadura, todos eles apoiadores entusi\u00e1sticos de Bolsonaro e dos militares no poder. Invadem, destroem e pressionam pela legaliza\u00e7\u00e3o do roubo de \u00e1reas p\u00fablicas de floresta, legaliza\u00e7\u00e3o anunciada pela MP da grilagem de Bolsonaro, no final de 2019, e agora pelo PL da grilagem em discuss\u00e3o no Congresso. O projeto dos militares para a Amaz\u00f4nia \u00e9 o mesmo da ditadura e todos n\u00f3s j\u00e1 sabemos como acaba. Ou, no caso, como continua.<\/p>\n\n\n\n<p>Se algu\u00e9m ainda pudesse ter alguma d\u00favida sobre o car\u00e1ter dos militares no governo,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-05-23\/video-da-reuniao-de-bolsonaro-evidencia-descaso-com-pandemia-que-ja-matou-mais-de-21000.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o show de horrores exposto na reuni\u00e3o ministerial de 22 de abril<\/a>&nbsp;escancarou o n\u00edvel do generalato que l\u00e1 est\u00e1. O v\u00eddeo da reuni\u00e3o, apresentado por&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/sergio-fernando-moro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sergio Moro&nbsp;<\/a>como prova de que Bolsonaro tentou interferir na Pol\u00edcia Federal, teve o sigilo retirado pelo ministro&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/jose_celso_de_mello_filho\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal<\/a>. S\u00f3 ser conivente com aquela atmosfera e com aqueles pronunciamentos j\u00e1 seria uma overdose de desonra capaz de fazer uma pessoa com n\u00edveis medianos de honestidade pessoal vomitar por dias. Mas, n\u00e3o. Os militares s\u00e3o patrocinadores da meleca toda de baix\u00edssimo n\u00edvel intelectual e moralidade abaixo de zero. A reuni\u00e3o ministerial exp\u00f5e um cotidiano de desrespeito \u00e0 democracia em ritmo de bo\u00e7alidade m\u00e1xima. N\u00e3o daria para aturar o n\u00edvel de estupidez daqueles caras nem no boteco mais s\u00f3rdido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A deforma\u00e7\u00e3o da democracia instalada nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas tem as digitais dos militares<\/h3>\n\n\n\n<p>A qualidade da democracia que o Brasil obteve entre o final dos anos 1980 e o&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/proceso-destitucion-dilma-rousseff\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">impeachment de Dilma Rousseff (PT)<\/a>, em 2016, \u00e9 resultado das negocia\u00e7\u00f5es que costuraram o fim da ditadura e a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Diferentemente de outros pa\u00edses que amargaram ditaduras militares, como a&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/dictadura-argentina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Argentina<\/a>, o Brasil n\u00e3o julgou os crimes do regime de exce\u00e7\u00e3o. Assim, assassinos, torturadores e sequestradores a servi\u00e7o do Estado seguiram impunes, ocupando fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e ganhando sal\u00e1rios p\u00fablicos. Suas v\u00edtimas podiam encontr\u00e1-los tanto no elevador como na padaria da esquina como na escola dos filhos, e encontros macabros como estes aconteceram mais de uma vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o, o Brasil seguiu tamb\u00e9m tolerando a anomalia que \u00e9 uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/policia-militar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pol\u00edcia militar<\/a>. Hoje, parte dela se transformou em&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/milicias\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mil\u00edcia<\/a>, controlando e explorando comunidades pobres, nas periferias das cidades. No Rio de Janeiro, onde as mil\u00edcias e o Estado se confundem,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-02-12\/precisamos-saber-quem-esta-no-poder.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bolsonaro e sua fam\u00edlia j\u00e1 provaram ter rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas<\/a>&nbsp;com alguns milicianos famosos, uma das raz\u00f5es pelas quais o presidente tanto quer controlar a Pol\u00edcia Federal. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/13\/opinion\/1552485039_897963.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">assassinato de Marielle Franco<\/a>, vereadora do PSol no Rio de Janeiro, segue n\u00e3o solucionado h\u00e1 mais de 800 dias, com ind\u00edcios de envolvimento de mil\u00edcias pr\u00f3ximas de Bolsonaro e seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra parte dos policiais militares&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-02-26\/o-golpe-de-bolsonaro-esta-em-curso.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tem se tornado cada vez mais aut\u00f4noma<\/a>, respondendo apenas a si mesma. A recente greve de PMs no Cear\u00e1 revelou a gravidade desse fen\u00f4meno. Em 2017, o cen\u00e1rio j\u00e1 tinha ficado evidente na greve dos PMs do Esp\u00edrito Santo, quando a popula\u00e7\u00e3o se tornou ref\u00e9m das for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edcia militar tem seu DNA cravado no&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-01-01\/quando-falamos-em-genocidio-da-juventude-negra-precisamos-incluir-tambem-a-morte-dos-jovens-policiais.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">genoc\u00eddio da juventude negra<\/a>&nbsp;e pobre das favelas, em massacres de presos como o do Carandiru, em 1992, e em chacinas de camponeses como o de Eldorado dos Caraj\u00e1s, em 1996. Nos protestos de junho de 2013, a a\u00e7\u00e3o violenta da pol\u00edcia militar contra os manifestantes tornou-se vis\u00edvel tamb\u00e9m para uma parcela da classe m\u00e9dia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que h\u00e1 policiais militares honestos, competentes e bem intencionados. Mas n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o apenas da qualidade dos indiv\u00edduos \u2015 e sim da incompatibilidade entre um regime democr\u00e1tico e uma pol\u00edcia militarizada atuando junto aos cidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>A democracia instalada no Brasil sempre tolerou tanto os abusos das pol\u00edcias, civil inclu\u00edda, quanto o genoc\u00eddio do negros e dos ind\u00edgenas, e isso mesmo durante os governos de centro-esquerda de&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/luiz_inacio_da_silva\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lula<\/a>&nbsp;e de Dilma Rousseff (PT). Essa mesma democracia p\u00f3s-ditadura convive com as torturas nas pris\u00f5es e as condi\u00e7\u00f5es torturantes das pris\u00f5es superlotadas de jovens negros,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2020-05-27\/falta-de-hospitais-perto-de-casa-custou-a-vida-de-gilmar-vitima-do-coronavirus-em-duque-de-caxias.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">hoje morrendo tamb\u00e9m por covid-19<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em parte, a democracia brasileira \u00e9 deformada porque n\u00e3o foi capaz de julgar os crimes da ditadura e eliminar as excresc\u00eancias da ditadura, mantendo uma rela\u00e7\u00e3o de temerosa subservi\u00eancia com os militares. A mesma que hoje faz o pa\u00eds inteiro esperar a manifesta\u00e7\u00e3o desses generais no poder, como se dependesse do humor deles cumprir a lei ou n\u00e3o, apoiar ou n\u00e3o o golpismo, manter ou n\u00e3o a democracia. Claramente as elites, uma parcela da imprensa inclu\u00edda, se comporta como se fosse normal que os militares tivessem a \u00faltima palavra sobre o destino da democracia no Brasil, como se fosse natural um tipo de manchete como as que t\u00eam destacado os humores verde-oliva como se fossem o or\u00e1culo de Delfos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 subservi\u00eancia embrulhada em liturgia e travestida de respeito. N\u00e3o s\u00e3o os militares que precisam \u201cenquadrar\u201d Bolsonaro, algo que j\u00e1 ficou provado que n\u00e3o podem nem querem fazer. S\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas que precisam enquadrar os militares e bot\u00e1-los no seu lugar. E todas as inst\u00e2ncias de poder, imprensa inclu\u00edda, t\u00eam de parar de se curvar como se fosse levar uma botinada na testa a qualquer momento. Vejo&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2019-12-20\/protejam-erasmo-ele-pode-ser-assassinado-a-qualquer-momento.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">camponeses pobres e desamparados na Amaz\u00f4nia<\/a>&nbsp;enfrentarem os fardados com muito mais firmeza. No final do ano passado testemunhei uma lideran\u00e7a comunit\u00e1ria enfrentar de peito aberto um coronel armado de fuzil que queria censurar seus cartazes durante uma audi\u00eancia p\u00fablica em&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/altamira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Altamira<\/a>. Ele disse que n\u00e3o admitia uma cena como aquela porque o Brasil ainda era uma democracia. E n\u00e3o admitiu. Isso \u00e9 dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2020\/05\/forte-presenca-militar-no-estado-reflete-fragilidade-da-democracia-no-brasil.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo na Folha de S. Paulo de 24 de maio<\/a>, o cientista pol\u00edtico Jorge Zaverucha mostrou o quanto \u201ca forte presen\u00e7a militar no Estado reflete a fragilidade da democracia no Brasil\u201d. Mesmo a&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/constituicao_brasileira\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o de 1988<\/a>, a carta-magna que marcou a retomada do processo democr\u00e1tico depois da ditadura, foi solapada pela subservi\u00eancia aos militares, determinada pelo entendimento de l\u00edderes constituintes como Ulysses Guimar\u00e3es de que n\u00e3o seria poss\u00edvel retomar a democracia sem tais concess\u00f5es. Ainda que seja poss\u00edvel eventualmente concordar com as dificuldades do momento, houve mais de tr\u00eas d\u00e9cadas para que os autoritarismos sobreviventes fossem deletados, como foi feito em pa\u00edses vizinhos, mas nada disso foi levado adiante no Brasil. Nesse sentido, em alguns momentos a democracia pareceu uma concess\u00e3o dos generais \u2015 e n\u00e3o uma conquista da sociedade civil, o que \u00e9 p\u00e9ssimo para a cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.senado.leg.br\/atividade\/const\/con1988\/con1988_atual\/art_142_.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo 142 da Constitui\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;determina que as For\u00e7as Armadas \u201cs\u00e3o institui\u00e7\u00f5es nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da Rep\u00fablica, e destinam-se \u00e0 defesa da p\u00e1tria, \u00e0 garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem\u201d. Como \u00e9 poss\u00edvel, questiona o pesquisador Jorge Zaverucha, se submeter e garantir algo simultaneamente? E, citando o fil\u00f3sofo italiano&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/giorgio-agamben\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Giorgio Agamben<\/a>: \u201co soberano, tendo o poder legal de suspender a lei, coloca-se legalmente fora da lei\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para pesquisadores do per\u00edodo, como Jorge Zaverucha, a elite brasileira \u201cn\u00e3o possui um ethos democr\u00e1tico\u201d. Ela aposta, desde o princ\u00edpio, em um governo democr\u00e1tico eleitoral, mas n\u00e3o em um regime democr\u00e1tico. \u201cNo Brasil, as For\u00e7as Armadas deixaram o Governo, mas n\u00e3o o poder\u201d, afirma o cientista pol\u00edtico. E, hoje, como qualquer um \u00e9 capaz de constatar, voltaram tamb\u00e9m ao Governo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">E agora?<\/h3>\n\n\n\n<p>A ambiguidade do artigo 142 da Constitui\u00e7\u00e3o resulta nesses dias em ambiguidade alguma. Claramente gente demais se comporta no pa\u00eds como se os militares n\u00e3o apenas estivessem fora da lei, mas teriam o direito de estar fora da lei. A ambiguidade da Constitui\u00e7\u00e3o, no que se refere ao papel das For\u00e7as Armadas, se desfez na pr\u00e1tica dos dias. Guardadas as exce\u00e7\u00f5es, o cotidiano mostra que em todas as institui\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m em uma parcela da&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/prensa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">imprensa<\/a>&nbsp;h\u00e1 predomin\u00e2ncia de lambe-botas de generais, como se a ditadura nunca tivesse acabado. Se faz obrigat\u00f3ria a pergunta: a democracia ent\u00e3o come\u00e7ou? Votar a cada elei\u00e7\u00e3o \u00e9 suficiente para fazer um pa\u00eds ser considerado democr\u00e1tico?<\/p>\n\n\n\n<p>O fetiche da farda pode nos levar a muitos caminhos de investiga\u00e7\u00e3o. Tem qualquer coisa mais prosaica, tamb\u00e9m, de homenzinhos que gostam da m\u00edstica da masculinidade, a est\u00e9tica da testosterona pelo uso de armas e pelo monop\u00f3lio do uso da for\u00e7a costuma ficar em alta em momentos de grande inseguran\u00e7a. Quando leio&nbsp;<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/ultimas-noticias\/2020\/05\/24\/militares-reserva-stf-apoio-augusto-heleno-jair-bolsonaro-guerra-civil.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a carta dos militares de pantufa<\/a>&nbsp;em solidariedade a Augusto Heleno, o amea\u00e7ador-mor da Rep\u00fablica, parece mesmo que eles acreditam serem, como arrotam, os guardi\u00f5es da honra. Que se ponham no seu lugar. \u201cChega\u201d dizemos n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso dinheiro paga suas&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/jubilacion\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aposentadorias<\/a>&nbsp;e a reforma da previd\u00eancia deles foi de filho para pai. Quem esses homens pensam que s\u00e3o para amea\u00e7ar o Supremo Tribunal Federal, a institui\u00e7\u00e3o? S\u00e3o funcion\u00e1rios p\u00fablicos aposentados e n\u00e3o ungidos por nenhum deus para decidir o destino de ningu\u00e9m, muito menos de um pa\u00eds. Tampouco foram formados por \u201cSAGRADA CASA\u201d nenhuma, como ostentam em caixa alta, confundindo conceitos b\u00e1sicos. Se depois de mais de 30 anos de democracia temos que aguentar esse tipo de declara\u00e7\u00e3o golpista daqueles que deveriam estar servindo \u00e0 democracia \u00e9 porque a democracia que o Brasil conseguiu fazer derrete.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao apoiar Bolsonaro, os generais queriam muito&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/03\/26\/opinion\/1395847968_469405.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">fraudar a hist\u00f3ria do golpe de 1964<\/a>, garantir que a lei de anistia, de 1979, nunca fosse reformada, e se assegurar de que os crimes cometidos durante a ditadura seguissem impunes.&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/27\/opinion\/1553688411_058227.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Quando Bolsonaro tentou festejar o 31 de mar\u00e7o, data do golpe militar, como efem\u00e9ride patri\u00f3tica<\/a>, no primeiro ano do seu mandato, houve protestos de diferentes \u00e1reas da sociedade. O problema, por\u00e9m, era muito mais grave. E o risco, muito maior.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/historia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">fraude da hist\u00f3ria<\/a>&nbsp;est\u00e1 se dando na pr\u00e1tica, na subjetividade que constitui cada um, na naturaliza\u00e7\u00e3o dos militares determinando destinos, proferindo amea\u00e7as e colocando-se acima da lei. Essa \u00e9 a pior fraude, porque se infiltra nas mentes, altera os comportamentos e se converte em verdade. Fica cada vez mais evidente que a ditadura nunca saiu de n\u00f3s, porque ao deixarmos os assassinos impunes, seguimos ref\u00e9ns dos criminosos que nos subjugaram por 21 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vejo no mundo um pa\u00eds mais desafiado que o Brasil. Precisa lutar contra uma pandemia com um perverso no poder que contraria todas as leis sanit\u00e1rias, que est\u00e1 levando o pa\u00eds ao p\u00f3dio em n\u00famero de casos e de mortes por covid-19,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/07\/politica\/1541597534_734796.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">que est\u00e1 destruindo a Amaz\u00f4nia<\/a>, da qual depende o futuro de todo o planeta, como se realmente n\u00e3o houvesse amanh\u00e3, e que est\u00e1 convertendo os brasileiros em p\u00e1rias globais. Ao mesmo tempo,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-01-01\/os-cumplices.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o Brasil tem que restaurar a democracia<\/a>&nbsp;que nunca se completou e, em plena crise, vestir as pantufas nos generais que foram infectados pela febre messi\u00e2nica do poder e do autoritarismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pen\u00faltima vez que os generais estivaram no poder, deixaram um rastro de desaparecidos, torturados e mortos por assassinato. Isso sem contar a&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/inflacion\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">infla\u00e7\u00e3o explodindo<\/a>&nbsp;e a corrup\u00e7\u00e3o vicejando. Na atual, deixar\u00e3o um rastro de&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-05-27\/ao-vivo-ultimas-noticias-sobre-o-coronavirus-e-a-crise-politica-no-brasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dezenas de milhares de mortos por covid-19<\/a>, um n\u00famero que poderia ser consideravelmente reduzido tivesse o governo seguido as normas sanit\u00e1rias da&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/oms-organizacion-mundial-salud\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/a>, mantivesse no&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/ms-ministerio-saude-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>&nbsp;um quadro t\u00e9cnico composto por profissionais experientes em sa\u00fade p\u00fablica e epidemiologia e estivesse concentrando todos os seus melhores esfor\u00e7os para construir um plano consistente para enfrentar a pandemia. Poder\u00e3o ainda, caso se mantenha o atual ritmo de destrui\u00e7\u00e3o, levar a floresta amaz\u00f4nica ao ponto de n\u00e3o retorno. Abra\u00e7ados, claro, com os&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-05-22\/centrao-ja-administra-73-bilhoes-de-reais-no-governo-bolsonaro.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vendilh\u00f5es do Centr\u00e3o<\/a>, no que j\u00e1 \u00e9 chamado de Centr\u00e3o Verde-Oliva.<\/p>\n\n\n\n<p>Lamento. Mas ou desdobramos a espinha agora ou pe\u00e7am desculpas aos seus filhos porque seus pais s\u00e3o, como diria elegantemente Bolsonaro, uns bostas.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Eliane Brum<\/strong><\/em><em>&nbsp;\u00e9 escritora, rep\u00f3rter e documentarista. Autora de Brasil, Construtor de Ru\u00ednas: um olhar sobre o pa\u00eds, de Lula a Bolsonaro (Arquip\u00e9lago). Site:&nbsp;<\/em><em><strong>elianebrum.com |<\/strong><\/em><em>&nbsp;Email:&nbsp;<\/em><em><strong>elianebrum.coluna@gmail.com |<\/strong><\/em><em>&nbsp;Twitter, Instagram e Facebook:&nbsp;<\/em><em><strong>@brumelianebrum<\/strong><\/em><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem superar os traumas da ditadura, parte das institui\u00e7\u00f5es e da imprensa se comporta como ref\u00e9m diante do Governo militar liderado por Bolsonaro, demonstrando subservi\u00eancia e aliena\u00e7\u00e3o dos fatos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-28422","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7oq","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28422"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28422\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28423,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28422\/revisions\/28423"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}