{"id":28744,"date":"2020-06-15T07:58:25","date_gmt":"2020-06-15T11:58:25","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=28744"},"modified":"2020-06-15T07:58:29","modified_gmt":"2020-06-15T11:58:29","slug":"o-que-significa-retirar-estatuas-de-escravocratas-do-espaco-publico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/06\/15\/o-que-significa-retirar-estatuas-de-escravocratas-do-espaco-publico\/","title":{"rendered":"O que significa retirar est\u00e1tuas de escravocratas do espa\u00e7o p\u00fablico?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"401\" data-attachment-id=\"28745\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/06\/15\/o-que-significa-retirar-estatuas-de-escravocratas-do-espaco-publico\/image-39-7\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-39.jpeg?fit=800%2C534\" data-orig-size=\"800,534\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-39\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-39.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-39.jpeg?fit=600%2C401\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-39.jpeg?resize=600%2C401\" alt=\"\" class=\"wp-image-28745\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-39.jpeg?w=800 800w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-39.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-39.jpeg?resize=768%2C513 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-39.jpeg?resize=449%2C300 449w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u201cA mem\u00f3ria negra foi varrida e ningu\u00e9m questionou\u201d, afirma Suzane Jardim sobre a derrubada de monumentos<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Caroline Oliveira &#8211; Brasil de Fato\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<p>A est\u00e1tua do bandeirante Borba Gato, em Santo Amaro, na zona sul de S\u00e3o Paulo, agora vive cercada por grades e vigiada pela Guarda Civil Metropolitana. Mais uma vez, \u00e9 o alvo de a\u00e7\u00f5es que defendem a derrubada de monumentos que&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/05\/14\/em-minas-gerais-persiste-a-pratica-perversa-de-seres-humanos-escravizados\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">exaltam personagens da escraviza\u00e7\u00e3o de povos afrodescendentes e ind\u00edgenas<\/a>, como \u00e9 o caso de Manuel de Borba Gato, que fez fortuna, na segunda metade do s\u00e9culo 18, ao ca\u00e7ar ind\u00edgenas pelo sert\u00f5es do Pa\u00eds para escravizar. Em setembro de 2016, a est\u00e1tua amanheceu manchada de tinta, num rep\u00fadio a sua figura, assim como o Monumento \u00e0s Bandeiras, na Pra\u00e7a Armando Salles de Oliveira, no Ibirapuera.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outro lugares do mundo, o movimento \u00e9 o mesmo. Em Richmond, na Virg\u00ednia, nos Estados Unidos, uma est\u00e1tua de Crist\u00f3v\u00e3o Colombo, apontado na hist\u00f3ria como o primeiro conquistador europeu a chegar \u00e0 Am\u00e9rica, foi derrubada, incendiada e jogada em um lago. Na mesma cidade, a est\u00e1tua de Jefferson Davis, militar americano que defendia a manuten\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o nos EUA, tamb\u00e9m foi derrubada. Da mesma maneira, em Bristol, na Inglaterra, uma est\u00e1tua de \u200bEdward Colston, traficante de escravos e membro do Parlamento brit\u00e2nico no s\u00e9culo 17, foi derrubada e jogada em um rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es s\u00e3o reflexo das manifesta\u00e7\u00f5es iniciadas nos EUA que escancararam o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/05\/28\/morte-de-homem-negro-asfixiado-por-policiais-nos-eua-gera-indignacao-internacional\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">racismo que levou George Floyd \u00e0 morte sob o joelho de um policial<\/a>. Segundo Suzane Jardim, historiadora e educadora em quest\u00f5es \u00e9tnico-raciais, trata-se de uma discuss\u00e3o levantada sobre descolonialidade que existe pelo menos desde a d\u00e9cada de 1970. O processo de liberta\u00e7\u00e3o de muitos pa\u00edses do continente africanos passou pela destrui\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos escravocratas e colonializantes, explica a historiadora.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&nbsp;<\/p><p><em><strong>O processo de constru\u00e7\u00e3o de imagem n\u00e3o se desassocia de modo nenhum do processo pol\u00edtico de constru\u00e7\u00e3o do Brasil e o questionamento dos s\u00edmbolos questiona tamb\u00e9m todo esse processo.<\/strong><\/em>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>De acordo com Jardim, a forma\u00e7\u00e3o de uma identidade nacional passa por escolhas de her\u00f3is, s\u00edmbolos, hinos, hist\u00f3rias. No Brasil, n\u00e3o foi diferente. O conjunto das escolhas tentou representar a ra\u00e7a brasileira \u201ccomo o melhor dos tr\u00eas mundos: o amor da natureza do ind\u00edgena, a for\u00e7a para trabalhar do negro e a intelig\u00eancia do branco\u201d, afirma Jardim.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, \u201cse come\u00e7a exatamente a procurar quem foram as pessoas que lutaram de alguma forma para o Brasil ser Brasil. Se a l\u00f3gica \u00e9 que o negro s\u00f3 serve para trabalhar e o ind\u00edgena s\u00f3 serve numa l\u00f3gica id\u00edlica, o branco \u00e9 o panorama da racionalidade de constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds\u201d.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/03\/21\/falar-dos-corpos-indigenas-e-falar-da-historia-do-brasil-diz-ativista-do-rs\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00c9 assim que os monumentos de&nbsp;bandeirantes<\/a>, tidos como a primeira \u201clinha de sangue puro do nosso pa\u00eds\u201d, se tornam alvos priorit\u00e1rios de a\u00e7\u00f5es de protesto contra o racismo estrutural.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/06\/13\/bianca-santana-e-a-pergunta-urgente-quando-o-movimento-negro-convoca-atos-quem-vai\">::Bianca Santana e a pergunta urgente: quando o movimento negro convoca atos, quem vai?::<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mem\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p>Emaranhado a isso, est\u00e1 o processo de embranquecimento da sociedade brasileira, com a vinda de imigrantes, a marginaliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra e a aniquila\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios. \u201cEsse processo de constru\u00e7\u00e3o de imagem n\u00e3o se desassocia de modo nenhum do processo pol\u00edtico de constru\u00e7\u00e3o do Brasil e o questionamento dos s\u00edmbolos questiona tamb\u00e9m todo esse processo\u201d, explica Jardim.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo, a historiadora tamb\u00e9m enxerga o apagamento da mem\u00f3ria negra e ind\u00edgena. \u201c<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/04\/05\/uma-historia-oral-do-movimento-negro-unificado-por-tres-de-seus-fundadores\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A mem\u00f3ria negra foi varrida, como a mem\u00f3ria ind\u00edgena foi varrida<\/a>&nbsp;e ningu\u00e9m questionou (&#8230;) A gente sabe que n\u00e3o tem uma est\u00e1tua de Zeferina do Quilombo do Urubu, por exemplo.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que hoje, diante das manifesta\u00e7\u00f5es antirracistas, esses monumentos passam a ser questionados.&nbsp;\u201cPassa a ser questionado o que \u00e9 aquela tentativa de hist\u00f3ria, que hist\u00f3ria estavam tentando criar para o nosso pa\u00eds e quem foram os esquecidos. Todo esse movimento de questionamento de pensar em derrubar ou em ressignificar tem a ver com isso, \u00e9 algo cont\u00ednuo e que \u00e9 fruto de todas as contradi\u00e7\u00f5es que o colonialismo colocou pra gente at\u00e9 os dias de hoje\u201d, explica Jardim, que v\u00ea como v\u00e1lido o questionamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&nbsp;<\/p><p><em><strong>Quanto maior for o nosso debate e a garantia desse direito \u00e0 mem\u00f3ria, melhor ser\u00e1 nossa a\u00e7\u00e3o para qualificar os espa\u00e7os p\u00fablicos com essas hist\u00f3rias.<\/strong><\/em>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Jardim acredita que o questionamento \u00e9 v\u00e1lido, mas afirma que \u00e9 necess\u00e1rio mostrar que personagens como Borba Gato e \u200bEdward Colston existiram. O contr\u00e1rio tenderia a criar um futuro \u201conde se possa se esquecer que fomos racistas, que a nossa pol\u00edtica e as&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefatopb.com.br\/2019\/05\/31\/bolsonaro-e-o-insustentavel-mito-do-redentor-macho-politico\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nossas institui\u00e7\u00f5es exaltavam torturadores e genocidas<\/a>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images03.brasildefato.com.br\/28b2da0e5050711b92a3f50b74129e96.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>A est\u00e1tua de Edward Colston foi retirada da \u00e1gua pelo governo local de Bristol \/ Handout \/AFP\/ BRISTOL CITY COUNCIL<\/p>\n\n\n\n<p>Este tamb\u00e9m \u00e9 o alerta dado por Helo\u00edsa Starling, professora do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal de Minas Gerais e coautora de \u201cBrasil, uma biografia\u201d. Segundo Starling, o movimento \u00e9 leg\u00edtimo e \u201ccorreto\u201d, mas \u00e9 necess\u00e1rio evitar o risco de uma poss\u00edvel consequ\u00eancia: a de \u201creescrever ou apagar a hist\u00f3ria\u201d. Para a docente, \u201cquanto mais n\u00f3s sabermos sobre o passado, mais forte ser\u00e1 o tipo de a\u00e7\u00e3o que n\u00f3s vamos construir para que n\u00e3o se repita. \u00c9 mais importante construirmos uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que detenha o conhecimento do que simplesmente destruir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por esse caminho que Starling aponta para a necessidade de olhar e conhecer esse passado sem as emo\u00e7\u00f5es e os valores do presente, justamente para n\u00e3o apagar a hist\u00f3ria: \u201cn\u00f3s n\u00e3o podemos esconder tamb\u00e9m essa hist\u00f3ria\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuanto maior for o nosso debate e a garantia desse direito \u00e0 mem\u00f3ria, melhor ser\u00e1 nossa a\u00e7\u00e3o para qualificar os espa\u00e7os p\u00fablicos com essas hist\u00f3rias. Os gregos diziam que o esquecimento \u00e9 pior do que a morte. Ent\u00e3o quando voc\u00ea apaga a mem\u00f3ria das popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias ou das popula\u00e7\u00f5es afrodescendentes voc\u00ea est\u00e1 condenando a um destino pior do que a morte. Qual \u00e9 a hist\u00f3ria que n\u00f3s vamos contar e como n\u00f3s vamos contar essa hist\u00f3ria?\u201d, questiona Starling.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Rodrigo Chagas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA mem\u00f3ria negra foi varrida e ningu\u00e9m questionou\u201d, afirma Suzane Jardim sobre a derrubada de monumentos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-28744","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7tC","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28744","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28744"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28744\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28746,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28744\/revisions\/28746"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}