{"id":28995,"date":"2020-06-29T18:41:46","date_gmt":"2020-06-29T22:41:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=28995"},"modified":"2020-06-29T18:41:54","modified_gmt":"2020-06-29T22:41:54","slug":"como-frigorificos-propagaram-o-coronavirus-em-pequenas-cidades-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/06\/29\/como-frigorificos-propagaram-o-coronavirus-em-pequenas-cidades-do-pais\/","title":{"rendered":"Como frigor\u00edficos propagaram o coronav\u00edrus em pequenas cidades do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"450\" data-attachment-id=\"28996\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/06\/29\/como-frigorificos-propagaram-o-coronavirus-em-pequenas-cidades-do-pais\/image-84-6\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-84.jpeg?fit=640%2C480\" data-orig-size=\"640,480\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-84\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-84.jpeg?fit=300%2C225\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-84.jpeg?fit=600%2C450\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-84.jpeg?resize=600%2C450\" alt=\"\" class=\"wp-image-28996\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-84.jpeg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-84.jpeg?resize=300%2C225 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-84.jpeg?resize=400%2C300 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>No Norte, quatro trabalhadores da JBS infectados fizeram o teste por conta pr\u00f3pria para conseguir afastamento. Dos 30 munic\u00edpios ga\u00fachos que lideram em covid-19, 28 cedem m\u00e3o de obra a frigor\u00edficos<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>No El Pa\u00eds, por <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/agencia-publica\/\">RUTE PINA (AG\u00caNCIA P\u00daBLICA)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda quinzena de maio, ap\u00f3s quatro membros de sua fam\u00edlia terem contra\u00eddo o\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-06-05\/centenas-de-novos-coronavirus-sao-achados-em-morcegos-da-china.html\" target=\"_blank\">novo coronav\u00edrus<\/a>, a dona de casa S\u00f4nia* decidiu que deveria procurar ajuda. Moradora de S\u00e3o Miguel do Guapor\u00e9, em Rond\u00f4nia, ela estava preocupada com a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus na cidade de 23.000 habitantes. Em comum, os familiares tinham o emprego no frigor\u00edfico da\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/grupo-jbs\/\" target=\"_blank\">JBS<\/a>\u00a0no munic\u00edpio. S\u00f4nia resolveu, ent\u00e3o, denunciar ao sindicato da categoria a escalada dos n\u00fameros de casos de\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/covid-19\/\" target=\"_blank\">covid-19<\/a>\u00a0na empresa. \u201cEstava todo mundo adoecendo e ningu\u00e9m fazia nada, a empresa n\u00e3o parava nem prestava socorro. E a gente n\u00e3o sabia o que era. Entrei em p\u00e2nico. Foi a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o [denunciar] que encontrei\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>O filho mais velho de S\u00f4nia foi o primeiro da fam\u00edlia a sentir os sintomas da doen\u00e7a. Come\u00e7ou com uma gripe, que acometeu muitos colegas da empresa ao mesmo tempo. \u201cNesse momento, eu j\u00e1 fiquei em alerta porque a epidemia j\u00e1 estava rodando o mundo inteiro. Mas, para eles, no frigor\u00edfico, era s\u00f3 uma gripe\u201d, afirma a dona de casa. A m\u00e3e conta que o rapaz teve febre e chegou a desmaiar no banheiro, enquanto se arrumava para o trabalho. \u201cEle sentiu muita fraqueza. Foi para o hospital e tomou medica\u00e7\u00e3o, mas no dia seguinte j\u00e1 estava dentro da empresa de novo. Ele n\u00e3o foi afastado\u201d, conta. Na mesma semana, ele e colegas s\u00f3 conseguiram um atestado ap\u00f3s fazer o teste da covid-19 por iniciativa pr\u00f3pria. \u201cA empresa n\u00e3o deu assist\u00eancia para ningu\u00e9m\u201d, diz S\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio j\u00e1 se repetia em diversos frigor\u00edficos pelo pa\u00eds: no in\u00edcio de maio, a Procuradoria-Geral do Trabalho (PGT) anunciou inspe\u00e7\u00f5es em mais de 60 frigor\u00edficos em 11 estados, entre eles Rond\u00f4nia, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Segundo relat\u00f3rio do Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Federal (SIF), do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa), oito abatedouros paralisaram suas atividades durante o m\u00eas em decorr\u00eancia da propaga\u00e7\u00e3o da covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00edvio de S\u00f4nia, no dia 27 de maio, a Justi\u00e7a do Trabalho determinou a suspens\u00e3o imediata das atividades da JBS em S\u00e3o Miguel do Guapor\u00e9. Al\u00e9m de seus dois filhos, a nora e a irm\u00e3 de S\u00f4nia tamb\u00e9m contra\u00edram a doen\u00e7a. \u201cFiquei com muito medo e preocupada. Tenho problema de sa\u00fade, press\u00e3o alta. E eu cuido do meu neto de 2 anos, filho da minha nora e do meu filho, que foram infectados\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o dia 17 de junho, a cidade tinha seis mortes e 617 casos de covid-19 confirmados, 280 ainda monitorados pelas autoridades de sa\u00fade. Segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT), ao menos 260 dos casos confirmados s\u00e3o de trabalhadores do frigor\u00edfico. Para S\u00f4nia, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que a planta da JBS, que n\u00e3o reduziu o quadro de funcion\u00e1rios por turnos no per\u00edodo de&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/pandemia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pandemia<\/a>, foi o propulsor da contamina\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Miguel do Guapor\u00e9: \u201cO frigor\u00edfico aqui n\u00e3o deu tr\u00e9gua. \u00c9 de segunda a s\u00e1bado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira semana de junho, a Justi\u00e7a do Trabalho de Rond\u00f4nia decidiu que a empresa s\u00f3 poderia retomar as atividades frigor\u00edficas ap\u00f3s a ado\u00e7\u00e3o de medidas de seguran\u00e7a, como a testagem em massa de seus trabalhadores. A empresa anunciou, no dia 5 de junho, que reabriu a unidade ap\u00f3s realizar \u201cuma triagem rigorosa em 100% dos seus funcion\u00e1rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Frigor\u00edficos ajudaram interioriza\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, diz MPT<\/h3>\n\n\n\n<p>A 300 quil\u00f4metros de S\u00e3o Miguel do Guapor\u00e9, o munic\u00edpio de Chupinguaia (RO) registrou o aparecimento da covid-19 na primeira semana de junho. Em quinze dias, a prefeitura contabilizou nove casos da doen\u00e7a \u2015apesar de pequeno, o n\u00famero assusta a popula\u00e7\u00e3o, estimada em 11.000 habitantes em 2019. \u201cAqui parece a cidadezinha do pica-pau: se fechar alguma coisa, fica s\u00f3 a bolinha de palha correndo pela cidade\u201d, brinca a faqueira Fernanda Fernandes, de 32 anos, que trabalha no setor de abate da Marfrig \u2015uma das maiores do setor frigor\u00edfico no pa\u00eds, e que registrou um caso da doen\u00e7a em seu alojamento em Chupinguaia.<\/p>\n\n\n\n<p>O medo dos moradores \u00e9 que a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus venha a colapsar um sistema de sa\u00fade j\u00e1 fr\u00e1gil na regi\u00e3o, relata Fernanda. \u201cPrincipalmente por ser uma cidade pequena, n\u00e3o ter recursos de sa\u00fade. Voc\u00ea tem que sair da cidade para poder ter um atendimento melhor. Aqui \u00e9 uma cidade muito pequenininha, s\u00f3 tem postos de sa\u00fade, n\u00e3o tem um grande hospital que tenha todos os recursos. Uma contamina\u00e7\u00e3o muito grande aqui seria bastante complicada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para evitar cont\u00e1gio r\u00e1pido, a Marfrig afastou pessoas que tiveram contato com o funcion\u00e1rio exposto ao v\u00edrus, caso de Fernanda. \u201cMas, antes de saber que eu poderia ter tido contato com coronav\u00edrus, trabalhei o dia inteiro na empresa\u201d, diz a trabalhadora, que ficou em casa por 15 dias at\u00e9 conseguir fazer o teste, que deu negativo.<\/p>\n\n\n\n<p>E ainda que a empresa esteja aplicando medidas preventivas, como a orienta\u00e7\u00e3o do distanciamento de 1,5 metro, a profissional relata que ainda existe receio entre os trabalhadores, j\u00e1 que muitos trabalham no mesmo ambiente. \u201cS\u00e3o mais de 80 funcion\u00e1rios no meu setor, e queira ou n\u00e3o queira, n\u00e3o ter contato f\u00edsico \u00e9 imposs\u00edvel quando estamos trabalhando\u201d, afirma. No \u00faltimo m\u00eas, a produ\u00e7\u00e3o nem o ritmo diminu\u00edram: \u201cN\u00e3o parou: s\u00e3o 1.000 bois por dia, 2.000 pe\u00e7as desossadas\u2026 Continua a todo vapor, n\u00e3o para n\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2020-04-03\/novo-coronavirus-se-multiplica-1000-vezes-mais-na-garganta-que-o-virus-da-sars.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">potencial de dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus<\/a>&nbsp;na regi\u00e3o aumenta pela quantidade de trabalhadores da Marfrig que vivem em outros munic\u00edpios. O caso ocorrido no alojamento da empresa, por exemplo, n\u00e3o entrou nas estat\u00edsticas oficiais de Chupinguaia porque o funcion\u00e1rio mora no alojamento da empresa, mas fez o teste no munic\u00edpio onde vive com a fam\u00edlia. Trabalhadores de cidades diferentes da regi\u00e3o, como Vilhena e Alta Floresta d\u2019Oeste, passam a semana nos tr\u00eas alojamentos da empresa e voltam para suas casas em \u00f4nibus fretados, \u00e0s sextas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Cianorte, munic\u00edpio de 82.000 habitantes localizado no noroeste do Paran\u00e1, as atividades do frigor\u00edfico Avenorte foram suspensas por 14 dias ap\u00f3s uma decis\u00e3o da Justi\u00e7a do Trabalho, no dia 22 de junho. Na liminar, o juiz Rodrigo da Costa Clazer pontua que, de 19 de maio a 9 de junho, 193 trabalhadores do abatedouro tiveram diagn\u00f3stico positivo para a covid-19. O n\u00famero representa 62% dos casos de contamina\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus na cidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/jSYUo7ClLGU8m7WvxqI1pw2fB1c%3D\/768x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/DGJRGO6DBVGMLA673S47LD2H6I.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Em entrevista \u00e0 P\u00fablica, trabalhadores relatam que o ritmo de produ\u00e7\u00e3o dos frigor\u00edficos n\u00e3o diminuiu durante a pandemia\"\/><figcaption>Em entrevista \u00e0 P\u00fablica, trabalhadores relatam que o ritmo de produ\u00e7\u00e3o dos frigor\u00edficos n\u00e3o diminuiu durante a pandemiaBRUNO CECIM\/AG.PAR\u00c1<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O deslocamento de trabalhadores de diversos munic\u00edpios para cidades com sedes de frigor\u00edficos \u00e9 uma caracter\u00edstica do setor em todo o pa\u00eds \u2015e isso tem contribu\u00eddo para a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus por cidades do interior, pontua a procuradora Priscila Dibi Schvarcz, do MPT no Rio Grande do Sul. Os n\u00fameros da regi\u00e3o Sul, que abriga a maior quantidade de abatedouros do pa\u00eds, chama aten\u00e7\u00e3o: em Conc\u00f3rdia, no oeste catarinense, trabalhadores de frigor\u00edficos s\u00e3o mais da metade do n\u00famero de casos de covid-19 da cidade. No estado do Rio Grande do Sul, um ter\u00e7o dos casos confirmados da doen\u00e7a no Estado, no fim de maio, eram trabalhadores de frigor\u00edficos. Dos 30 munic\u00edpios ga\u00fachos que lideram o n\u00famero de covid-19 no Estado, 28 s\u00e3o sede de frigor\u00edficos ou cedem trabalhadores para as empresas, informou a procuradora do MPT. \u201cO setor tem se apresentado como uma importante mola propulsora de casos, importante para a dispers\u00e3o e interioriza\u00e7\u00e3o da covid-19 no Rio Grande do Sul\u201d, sentencia a procuradora do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>No Estado, a situa\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica ocorreu no munic\u00edpio de Lajeado. A cidade de 84.000habitantes contabilizou 1.585 casos da covid-19 at\u00e9 o dia 22 de junho e registrou 21 \u00f3bitos. A incid\u00eancia de casos no munic\u00edpio, de 1.873,5 a cada 100.000 habitantes, \u00e9 bem mais alta que a da capital ga\u00facha, Porto Alegre, onde o \u00edndice \u00e9 de 114,2 casos a cada 100.000 habitantes. Devido aos surtos em frigor\u00edficos, houve testagem em massa nas empresas: s\u00f3 na sede da BRF foram contabilizados 959 casos ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o dos exames. Na unidade da empresa Minuano, foram 432 casos positivos para o novo coronav\u00edrus. No momento, a prefeitura monitora 12 casos ativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma reportagem do site\u00a0<em>O Joio e O Trigo<\/em>\u00a0apontou que ao menos 80% dos frigor\u00edficos de inspe\u00e7\u00e3o nacional est\u00e3o localizados em cidades com menos de 100.000 habitantes, e 42% deles, em cidades com menos de 30.000 habitantes. O levantamento mostra tamb\u00e9m que mais de 90% dos munic\u00edpios brasileiros com frigor\u00edficos de inspe\u00e7\u00e3o federal t\u00eam casos de covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados mais recentes do boletim epidemiol\u00f3gico do Rio Grande do Sul informam que o Estado ainda acompanha 24 surtos em frigor\u00edficos e latic\u00ednios, que somam mais de 26.3.000 trabalhadores. Entre eles, mais de 3.000 tiveram o diagn\u00f3stico confirmado laboratorialmente. Foram registrados quatro \u00f3bitos de trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Relut\u00e2ncia \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es<\/h3>\n\n\n\n<p>Recomenda\u00e7\u00f5es foram expedidas para o setor quando ainda n\u00e3o havia casos da doen\u00e7a registrados nas empresas. \u201cMesmo antes desses casos aparecerem no Brasil, n\u00f3s est\u00e1vamos acompanhando esta situa\u00e7\u00e3o porque o MPT acompanha o setor em raz\u00e3o de outros problemas que s\u00e3o caracter\u00edsticos, como doen\u00e7as osteomusculares\u201d, explica a procuradora do MPT-RS.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 31 de mar\u00e7o, por exemplo, um documento elaborado pelo MPT apontou quais medidas preventivas espec\u00edficas deveriam ser tomadas pelos abatedouros brasileiros. A orienta\u00e7\u00e3o foi dada devido ao impacto da covid-19 observado em empresas do setor nos EUA. No pa\u00eds, grandes empresas como Cargill e Smithfield Foods tiveram que fechar f\u00e1bricas por causa de surtos da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O CDC, ag\u00eancia que monitora dados epidemiol\u00f3gicos nos EUA, informou que quase 5.000 funcion\u00e1rios de frigor\u00edficos haviam sido infectados at\u00e9 o final de maio no pa\u00eds, mas a ONG Food &amp; Environment Reporting Network estima que esse n\u00famero, na verdade, pode ter ultrapassado 17.000 trabalhadores e mais de 60 mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo domingo (21), a China tamb\u00e9m suspendeu as importa\u00e7\u00f5es de aves de uma das f\u00e1bricas da Tyson Foods devido aos casos de covid-19 entre os funcion\u00e1rios. A Tyson, a maior empresa de carne dos EUA em vendas, est\u00e1 analisando o relat\u00f3rio de suspens\u00e3o chin\u00eas, focado em uma f\u00e1brica de frango em Springdale, Arkansas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a atividade entrou no rol de servi\u00e7os essenciais pelo decreto nacional assinado pelo presidente\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/jair-messias-bolsonaro\/\" target=\"_blank\">Jair Bolsonaro<\/a>, em mar\u00e7o. Segundo o MPT, a recomenda\u00e7\u00e3o pedia que as empresas considerassem o isolamento de trabalhadores, quando poss\u00edvel para manter a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o \u00f3rg\u00e3o orientava os frigor\u00edficos a adotar e ampliar as escalas de trabalho para reduzir fluxos e o n\u00famero de trabalhadores por turno. A reorganiza\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios de entrada e sa\u00edda dos funcion\u00e1rios tamb\u00e9m era uma instru\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O MPT, no entanto, encontrou relut\u00e2ncia das empresas para efetivar as a\u00e7\u00f5es. \u201cEm um primeiro momento, tivemos uma resist\u00eancia bem grande do setor justamente porque supunham que n\u00e3o existiam casos ainda e que as medidas eram um tanto quanto exageradas e inexequ\u00edveis\u201d, lembra a procuradora. Ela diz que a dimens\u00e3o que os casos ganharam poderia ter sido evitada com busca ativa de casos pelas empresas e afastamentos precoces. \u201cN\u00e3o t\u00ednhamos nenhuma planta ainda com surto, n\u00e3o existia nenhuma dessas situa\u00e7\u00f5es que hoje identificamos quando fizemos a primeira recomenda\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Priscila, era quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que os primeiros casos aparecessem. \u201cEra uma bomba-rel\u00f3gio\u201d, diz a procuradora. \u201c\u00c9 um grande quantitativo de trabalhadores, que desempenham suas atividades de forma muito pr\u00f3xima. E, fora da linha de produ\u00e7\u00e3o, existem muitos pontos de aglomera\u00e7\u00e3o que facilitam a dispers\u00e3o da covid-19\u201d, completa. Al\u00e9m disso, ela lista os ambientes refrigerados, pouco arejados e com baixa taxa de renova\u00e7\u00e3o de ar como determinantes para a&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2020-03-20\/como-o-novo-coronavirus-se-propaga.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o final de maio, o MPT somava mais de 172 den\u00fancias trabalhistas, em todo o Brasil, relativas a empresas de \u201cabate de reses\u201d e \u201cabate de su\u00ednos e aves, categoria em que se encaixam os abatedouros. No Rio Grande do Sul, o MPT entrou com a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas contra quatro plantas de frigor\u00edficos. Foram interditadas duas unidades da JBS, em Passo Fundo e Caxias do Sul, al\u00e9m dos dois frigor\u00edficos epicentro dos casos em Lajeado, o da BRF e o da Minuano. Em \u00e2mbito nacional, o \u00f3rg\u00e3o firmou Termos de Ajuste de Conduta (TACs) com mais de 70 frigor\u00edficos no pa\u00eds para a readequa\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos funcion\u00e1rios durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Dez empresas que empregam, juntas, cerca de 170.000 trabalhadores assinaram o compromisso, como BRF, Marfrig e Aurora. A JBS, maior ind\u00fastria de carnes do pa\u00eds, n\u00e3o aceitou pactuar o acordo com o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ag\u00eancia P\u00fablica entrou em contato com a JBS, que afirmou que a empresa adota \u201cum rigoroso protocolo de controle e preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a em suas unidades\u201d, que foi definido de acordo com os \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade e com a consultoria de m\u00e9dicos especializados. \u201cCom essas medidas, a empresa est\u00e1 confiante em garantir o abastecimento e a oferta de produtos da mais alta qualidade a seus clientes e consumidores no pa\u00eds e no mundo\u201d, diz a nota da assessoria de imprensa.<\/p>\n\n\n\n<p>No Mato Grosso do Sul, como mostrou reportagem da P\u00fablica, a contamina\u00e7\u00e3o de pelo menos 86 ind\u00edgenas da reserva Francisco Horta Barbosa, em Dourados, partiu de uma planta da JBS que recebe trabalhadores de v\u00e1rios munic\u00edpios da regi\u00e3o. No Paran\u00e1 e em Santa Catarina, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), em conjunto com o MPT, recomendou que as empresas afastassem trabalhadores ind\u00edgenas sem cortes nos sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Freio na produ\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Entre os acordos realizados com o MPT, est\u00e1 o plano de redu\u00e7\u00e3o de atividades dos frigor\u00edficos. Uma das empresas que assinou esse termo foi a Agroara\u00e7\u00e1, localizada em Nova Ara\u00e7\u00e1, pequena cidade de 4.000 habitantes na serra ga\u00facha, a 200 quil\u00f4metros de Porto Alegre. No dia 29 de maio, a empresa suspendeu as atividades por tr\u00eas dias ap\u00f3s constata\u00e7\u00e3o de um surto de covid-19 entre os trabalhadores: mais de 150 funcion\u00e1rios haviam sido diagnosticados.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o dia 19 de junho, a cidade contabilizou 439 casos confirmados, al\u00e9m de 26 casos suspeitos. O munic\u00edpio registrou uma morte, de Lorimar Oliveira, gerente de produ\u00e7\u00e3o do frigor\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do acordo, a f\u00e1brica fez testagem em massa nos trabalhadores e detectou 447 casos do novo coronav\u00edrus na empresa, 396 que j\u00e1 estavam imunes e 51 ativos e assintom\u00e1ticos. Os n\u00fameros de trabalhadores contaminados na empresa est\u00e3o dissolvidos nos boletins epidemiol\u00f3gicos dos munic\u00edpios vizinhos. A auxiliar de produ\u00e7\u00e3o Elena Maria Bastiani, de 48 anos, trabalha h\u00e1 15 anos no frigor\u00edfico e foi uma das trabalhadoras afastadas. At\u00e9 o surgimento do primeiro caso, ela conta que medidas de preven\u00e7\u00e3o, como o&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/aislamiento-social\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">distanciamento social<\/a>, eram tomadas \u2015mas n\u00e3o foram suficientes para evitar o surto na empresa que emprega 1.600 funcion\u00e1rios. \u201cA gente mantinha dist\u00e2ncia uns dos outros, nossa temperatura era medida antes de entrar, a gente lavava as m\u00e3os. Mas o primeiro caso que houve foi no dia 4 de maio e, a partir dali, s\u00f3 foi aumentando\u201d, lembra. Ela, que trabalha no departamento de corte e embalagem, estima que s\u00e3o 200 colegas na mesma sala. \u201c\u00c9 muita gente, um ambiente que n\u00e3o tem ventila\u00e7\u00e3o. Acredito que seja por isso tamb\u00e9m que o v\u00edrus se espalhou por l\u00e1\u201d, disse. \u201cN\u00e3o houve rotatividade, todo mundo estava trabalhando normalmente, menos quem era grupo de risco e gr\u00e1vidas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Dois dias ap\u00f3s o exame, ela come\u00e7ou a sentir os primeiros sintomas: \u201cEu estava espirrando muito e n\u00e3o conseguia respirar pelo nariz. Tamb\u00e9m fiquei com dor de cabe\u00e7a forte, eu achava que ia surtar a qualquer momento\u201d, lembra. Por conta da pandemia, Elena n\u00e3o v\u00ea h\u00e1 tr\u00eas meses o filho de 11 anos, que aguarda o fim do isolamento social na cidade de Montenegro, a 150 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia de Nova Ara\u00e7\u00e1. \u201cEle foi passar as f\u00e9rias na casa da tia, em mar\u00e7o. Mas, como come\u00e7ou o surto no frigor\u00edfico, achamos melhor ele ficar l\u00e1, porque eu estava exposta\u201d, explica a funcion\u00e1ria. \u201cEu chorava e pensava que eu nunca mais fosse ver meu filho.\u201d Ap\u00f3s acordo com o MPT, o Agroara\u00e7\u00e1 voltou a funcionar, operando com 40% do seu quadro de funcion\u00e1rios, no in\u00edcio de junho.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 19 de junho, os minist\u00e9rios da Agricultura, da Economia e da Sa\u00fade publicaram no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o uma portaria conjunta com as medidas destinadas \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e ao controle da covid-19 nos frigor\u00edficos. Mas a testagem em massa e a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de funcion\u00e1rios por turnos, que t\u00eam sido recomendadas pelo MPT, ficaram de fora das obrigatoriedades das empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de trabalhadores por turnos tamb\u00e9m \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o defendida pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores nas Ind\u00fastrias de Alimenta\u00e7\u00e3o e Afins, que re\u00fane federa\u00e7\u00f5es e sindicatos que representam trabalhadores do setor de alimentos de todo o pa\u00eds. O presidente da entidade, Artur Bueno de Camargo, argumenta que a solu\u00e7\u00e3o pode manter a seguran\u00e7a do trabalhador enquanto a produ\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias \u00e9 mantida. \u201cA gente exige todas as medidas de seguran\u00e7a e higiene, mas, principalmente, a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de trabalhadores nas empresas. Entendemos que, por causa do n\u00famero de funcion\u00e1rios, \u00e9 imposs\u00edvel evitar aglomera\u00e7\u00e3o numa condi\u00e7\u00e3o normal\u201d, explica Camargo.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado Paulo Roberto Lemgruber Ebert, que representa sindicatos de trabalhadores do setor frigor\u00edfico em Santa Catarina, Paran\u00e1 e Mato Grosso do Sul, afirmou que alguns abatedouros ainda n\u00e3o cumprem os acordos firmados com o MPT, o que impede a interrup\u00e7\u00e3o do ciclo de novos casos em v\u00e1rias unidades do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele pondera que o descumprimento pode gerar san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para as empresas. \u201cCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0s normas da economia e da sa\u00fade, eles podem sofrer san\u00e7\u00f5es por parte da auditoria fiscal do trabalho e por parte da vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria. A inspe\u00e7\u00e3o do trabalho e a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, dependendo da gravidade, podem autuar esses frigor\u00edficos e, dependendo da gravidade da situa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 fech\u00e1-los\u201d, avalia. \u201cAl\u00e9m disso, os sindicatos e os pr\u00f3prios trabalhadores, dependendo dos danos que eles tiverem experimentado, podem ajuizar a\u00e7\u00f5es pedindo pagamento de danos materiais e danos morais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da pandemia e dos n\u00fameros negativos de infec\u00e7\u00f5es entre trabalhadores nos frigor\u00edficos, o setor parece n\u00e3o sentir os&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2020-04-13\/como-sera-a-economia-apos-o-coronavirus.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">impactos econ\u00f4micos da crise<\/a>&nbsp;gerada pelo coronav\u00edrus: segundo dados da Secretaria de Com\u00e9rcio Exterior, s\u00f3 o faturamento das exporta\u00e7\u00f5es de carne bovina no pa\u00eds aumentou 34% em um m\u00eas, acumulando 682 milh\u00f5es de d\u00f3lares de receita em maio deste ano. O n\u00famero \u00e9 41,5% superior a maio de 2019, quando o com\u00e9rcio do produto no exterior faturou 482 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*O nome foi alterado a pedido da entrevistada.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Norte, quatro trabalhadores da JBS infectados fizeram o teste por conta pr\u00f3pria para conseguir afastamento. 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