{"id":29178,"date":"2020-07-15T10:44:42","date_gmt":"2020-07-15T14:44:42","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=29178"},"modified":"2020-07-15T10:44:47","modified_gmt":"2020-07-15T14:44:47","slug":"brasil-gado-bovino-criado-ilegalmente-na-amazonia-encontrado-na-cadeia-de-fornecimento-da-jbs","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/07\/15\/brasil-gado-bovino-criado-ilegalmente-na-amazonia-encontrado-na-cadeia-de-fornecimento-da-jbs\/","title":{"rendered":"BRASIL: GADO BOVINO CRIADO ILEGALMENTE NA AMAZ\u00d3NIA ENCONTRADO NA CADEIA DE FORNECIMENTO DA JBS"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" data-attachment-id=\"29179\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/07\/15\/brasil-gado-bovino-criado-ilegalmente-na-amazonia-encontrado-na-cadeia-de-fornecimento-da-jbs\/image-27-8\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-27.jpeg?fit=960%2C640\" data-orig-size=\"960,640\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-27\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-27.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-27.jpeg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-27.jpeg?resize=600%2C400\" alt=\"\" class=\"wp-image-29179\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-27.jpeg?w=960 960w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-27.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-27.jpeg?resize=768%2C512 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-27.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Anistia Internacional- Gado bovino criado ilegalmente em \u00e1reas protegidas da floresta Amaz\u00f3nica brasileira entrou na cadeia de fornecimento da maior produtora de carne bovina do mundo, a JBS, disse a Amnistia Internacional hoje no relat\u00f3rio,\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.amnistia.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/FromForestToFarmland_PT.pdf\" target=\"_blank\"><em>Da Floresta \u00e0 Fazenda<\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Ao n\u00e3o fiscalizar efetivamente a entrada de gado bovino na sua cadeia de fornecimento, a JBS falha na ado\u00e7\u00e3o de um processo adequado de dilig\u00eancia pr\u00e9via como estabelecido nos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.business-humanrights.org\/en\/node\/86613\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Princ\u00edpios Orientadores das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos<\/a>. De acordo com os Princ\u00edpios Orientadores da ONU, a JBS contribui para abusos de direitos humanos dos povos ind\u00edgenas e moradores de reservas ao participar nos incentivos econ\u00f3micos para o gado bovino criado ilegalmente em \u00e1reas protegidas, afirma a Amnistia Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesde pelo menos 2009 a JBS tem conhecimento dos riscos do gado bovino criado ilegalmente em \u00e1reas protegidas entrar na sua cadeia de fornecimento\u201d, disse Richard Pearshouse, diretor de Crises e Meio Ambiente da Amnistia Internacional.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Desde pelo menos 2009 a JBS tem conhecimento dos riscos dogado bovino criado ilegalmente em \u00e1reas protegidas entrar nasua cadeia de fornecimento. A JBS deixou de implementar um sistema de monitoriza\u00e7\u00e3o efetiva na sua cadeia de fornecimento, inclusive de seus fornecedores indiretos. Ela precisa reparar os danos causados e implementar imediatamente sistemas para evitar que isso volte a ocorrer.<\/h4>\n\n\n\n<p>Richard Pearshouse, diretor de Crises e Meio Ambiente da Amnistia Internacional<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA JBS deixou de implementar um sistema de monitoriza\u00e7\u00e3o efetiva na sua cadeia de fornecimento, inclusive de seus fornecedores indiretos. Ela precisa reparar os danos causados e implementar imediatamente sistemas para evitar que isso volte a ocorrer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a Amnistia Internacional n\u00e3o tenha encontrado provas de envolvimento direto da JBS em abusos de direitos humanos nos tr\u00eas locais investigados, constatou que o gado bovino criado ilegalmente em \u00e1reas protegidas entrou na cadeia de fornecimento da empresa. A organiza\u00e7\u00e3o exorta a JBS a adotar medidas at\u00e9 o final de 2020 para reparar essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Maior exportadora mundial de carne bovina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tem cerca de 214 milh\u00f5es de bovinos, mais que qualquer outro pa\u00eds. A ind\u00fastria de carne bovina movimenta 618 mil milh\u00f5es de reais brasileiros (124 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares americanos), sendo respons\u00e1vel por 8% do PIB nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de tr\u00eas quartos da carne bovina brasileira \u00e9 consumida no pa\u00eds, mas o quarto remanescente entra na cadeia de fornecimento global em quantidades suficientes para fazer do pa\u00eds o maior exportador mundial de carne bovina. Os principais destinos da carne brasileira incluem China, Hong Kong, Egito, Chile, Uni\u00e3o Europeia, Emirados \u00c1rabes Unidos e R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o Amaz\u00f3nica tem vindo a assistir \u00e0 maior expans\u00e3o da ind\u00fastria brasileira da pecu\u00e1ria bovina. Desde 1988 o n\u00famero de bovinos na regi\u00e3o quase quadruplicou, chegando a 86 milh\u00f5es em 2018 \u2013 40% do total nacional. Parte dessa expans\u00e3o tem sido \u00e0s custas de grandes \u00e1reas de floresta protegida situada em terras ind\u00edgenas e reservas naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao todo, 63% da \u00e1rea desflorestada entre 1988 e 2014 transformou-se em pastagem para gado bovino \u2013 uma superf\u00edcie cinco vezes a de Portugal. A Amnistia Internacional&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.amnesty.org\/en\/documents\/amr19\/1401\/2019\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">documentou esse processo com detalhes num&nbsp;<em>briefing<\/em><\/a>&nbsp;em novembro de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com dados governamentais, as terras ind\u00edgenas na Amaz\u00f3nia perderam 497km\u00b2 de floresta entre agosto de 2018 e julho de 2019 \u2013 um aumento de 91% em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Abusos de direitos humanos em tr\u00eas \u00e1reas protegidas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Amnistia Internacional visitou tr\u00eas locais durante a investiga\u00e7\u00e3o: a Terra Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau e as reservas Rio Jacy-Paran\u00e1 e Rio Ouro Preto, todas no estado de Rond\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o encontrou qualquer evid\u00eancia que indicasse envolvimento direto da JBS em abusos de direitos humanos nos tr\u00eas locais investigados.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, em todas as tr\u00eas \u00e1reas, recentes apropria\u00e7\u00f5es ilegais de terras levaram a uma perda de terras tradicionais, protegidas pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira. Os direitos dos povos ind\u00edgenas \u00e0s suas terras s\u00e3o protegidos ao abrigo da legisla\u00e7\u00e3o internacional de direitos humanos. A pecu\u00e1ria bovina comercial \u00e9 proibida por lei nos tr\u00eas locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Amea\u00e7as, intimida\u00e7\u00f5es e viol\u00eancia frequentemente acompanham essas apropria\u00e7\u00f5es ilegais de terras, que ocorrem num contexto mais amplo de viol\u00eancia rural. Segundo uma estimativa, em 2019 ocorreram sete assassinatos, sete tentativas de assassinato e 27 amea\u00e7as de morte contra ind\u00edgenas na regi\u00e3o Amaz\u00f3nica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro de 2019, alguns ind\u00edgenas Ueu-Eu-Wau-Wau, enquanto patrulhavam oseu territ\u00f3rio, encontraram uma \u00e1rea de cerca de 200 hectares desflorestada e queimada recentemente. Araruna, um Uru-Eu-Wau-Wau de cerca de 20 anos, disse \u00e0 Amnistia Internacional:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos \u00faltimos meses a nossa preocupa\u00e7\u00e3o tem aumentado diariamente com as invas\u00f5es, cada vez mais perto das aldeias. Descobrimos, recentemente, uma grande \u00e1rea desflorestada e vimos um helic\u00f3ptero a semear erva para, no futuro, alimentar o gado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Nos \u00faltimos meses a nossa preocupa\u00e7\u00e3o tem aumentado diariamente com as invas\u00f5es, cada vez mais perto das aldeias. Descobrimos, recentemente, uma grande \u00e1rea desflorestada e vimos um helic\u00f3ptero a semear erva para, no futuro, alimentar o gado.<\/h4>\n\n\n\n<p>Araruna, um indidena Uru-Eu-Wau-Wau de cerca de 20 anos<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 2019, outro grupo de Uru-Eu-Wau-Wau deparou-se com cerca de 40 invasores armados, provavelmente&nbsp;<em>grileiros<\/em>, na Terra Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau, a apenas dois quil\u00f3metros de uma aldeia ind\u00edgena. Outros descreveram anteriormente que ouviram tiros durante a noite ou que receberam amea\u00e7as de morte \u00e0s suas crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Noutros lugares, comunidades inteiras foram expulsas da terra e temem a morte se voltarem. A maioria dos moradores da Reserva Natural do Rio Jacy-Paran\u00e1 foi expulsa nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas para dar lugar a fazendas de gado bovino. Segundo uma antiga moradora, restam apenas tr\u00eas pessoas entre as cerca de 60 fam\u00edlias que antes habitavam a reserva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVirou tudo fazenda\u201d, contou Sara, antiga moradora da reserva que foi expulsa dasua terra em 2017, \u00e0 Amnistia Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagens de sat\u00e9lite analisadas pela Amnistia Internacional corroboram os depoimentos dos antigos moradores: gado bovino e bebedouros de \u00e1gua agora s\u00e3o vis\u00edveis em terras que antes estavam cobertas por florestas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os dados n\u00e3o mentem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A lei brasileira exige que as ag\u00eancias estaduais recolham dados detalhados sobre a pecu\u00e1ria bovina. Esses dados incluem informa\u00e7\u00f5es sobre a localiza\u00e7\u00e3o das fazendas de gado bovino, inclusive das que se situam em \u00e1reas protegidas; o n\u00famero, faixa et\u00e1ria e sexo dos bovinos do rebanho, e as movimenta\u00e7\u00f5es de animais entre fazendas. Apesar desses dados serem de interesse p\u00fablico, eles n\u00e3o est\u00e3o atualmente dispon\u00edveis ao p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>A Amnistia Internacional apresentou \u00e0 IDARON, a ag\u00eancia de defesa sanit\u00e1ria animal de Rond\u00f4nia, sete pedidos de informa\u00e7\u00e3o com base na Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados fornecidos pela IDARON indicam uma expans\u00e3o forte da pecu\u00e1ria bovina comercial em \u00e1reas protegidas em que a atividade \u00e9 ilegal. Entre novembro de 2018 e abril de 2020, o n\u00famero de bovinos subiu 22%, de 125 560 para 153 566 animais.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados da IDARON tamb\u00e9m mostram que ao longo de 2019 foram transferidos 89 406 bovinos de fazendas situadas em \u00e1reas protegidas em que a pecu\u00e1ria bovina comercial \u00e9 ilegal. A grande maioria desses animais \u00e9 enviada para outras fazendas antes de ir para o abate. Isso significa que mesmo o gado bovino de fazendas em situa\u00e7\u00e3o legal pode ter sido criado anteriormente de modo ilegal em \u00e1reas protegidas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Amnistia Internacional considera que as ag\u00eancias estaduais de defesa sanit\u00e1ria animal como a IDARON efetivamente facilitam a pecu\u00e1ria bovina comercial ilegal, ao registar fazendas comerciais de gado bovino e emitir documentos para movimenta\u00e7\u00f5es de gado, apesar das fazendas estarem situadas numa reserva ou e terra ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs dados a que tiv\u00e9mos acesso e que e analis\u00e1mos\u2013 dados fornecidos pelos pr\u00f3prios \u00f3rg\u00e3os governamentais \u2013 fazem soar o alarme\u201d, disse Richard Pearshouse. \u201cEssa informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ficar escondida do olhar p\u00fablico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Os dados a que tivemos acesso e que e analis\u00e1mos \u2013 dados fornecidos pelos pr\u00f3prios \u00f3rg\u00e3os governamentais \u2013 fazem soar o alarme. Essa informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ficar escondida do olhar p\u00fablico.<\/h4>\n\n\n\n<p>Richard Pearshouse<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo acabar com a cria\u00e7\u00e3o ilegal de gado bovino na Amaz\u00f3nia brasileira? Um bom ponto de partida seria parar oficialmente de registar fazendas comerciais em \u00e1reas protegidas e parar de emitir guias de tr\u00e2nsito para o gado bovino oriundo dessas fazendas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A cadeia de fornecimento contaminada da JBS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O gado bovino brasileiro \u00e9 frequentemente transferido entre diferentes fazendas. As que vendem gado aos frigor\u00edficos s\u00e3o chamadas de fornecedores diretos, e outras em que o gado pastou antes disso s\u00e3o conhecidas como fornecedores indiretos. Investigadores estimam que at\u00e9 entre 91%-95% das fazendas compram gado de fornecedores indiretos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Amnistia Internacional, em colabora\u00e7\u00e3o com a ONG&nbsp;<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>, analisou documentos oficiais de controlo de sa\u00fade animal que revelam que a JBS comprou gado bovino diretamente de uma fazenda situada na Reserva Natural do Rio Ouro Preto em duas ocasi\u00f5es em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, em 2019 a JBS comprou gado bovino v\u00e1rias vezes a dois fazendeiros que operam tanto em fazendas ilegais em \u00e1reas protegidas como em fazendas legais fora dessas \u00e1reas. Um dos fazendeiros cria gado ilegalmente na Reserva Natural do Rio Jacy-Paran\u00e1 e o outro na Terra Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ambos os casos, os fazendeiros movimentaram gado bovino de uma fazenda no interior de uma das \u00e1reas protegidas para uma fazenda fora da \u00e1rea protegida e, em seguida, registaram movimenta\u00e7\u00f5es separadas de gado bovino da fazenda legal para a JBS.<\/p>\n\n\n\n<p>Em duas ocasi\u00f5es, a segunda movimenta\u00e7\u00e3o foi assinalada alguns minutos ap\u00f3s a primeira. As duas movimenta\u00e7\u00f5es envolveram um n\u00famero id\u00eantico de animais, da mesma faixa et\u00e1ria e do mesmo sexo. Os animais tinham mais de 36 meses de idade, uma faixa et\u00e1ria comum do gado bovino que \u00e9 levado para o abate. De acordo com especialistas entrevistados pela Amnistia Internacional, isso pode ser ind\u00edcio da pr\u00e1tica de lavagem de gado.<\/p>\n\n\n\n<p>A lavagem de gado \u2013 transferir gado entre fazendas intermedi\u00e1rias para dar uma apar\u00eancia de legalidade aos animais \u2013 burla os sistemas demonitoriza\u00e7\u00e3o existentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A Amnistia Internacional solicitou informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas da JBS para saber se em 2019 a empresa processou animais vindos de fazendas situadas nas tr\u00eas \u00e1reas protegidas. A empresa respondeu: \u201cN\u00e3o compramos gado bovino de qualquer fazenda envolvida na pecu\u00e1ria ilegal em \u00e1reas protegidas\u201d e disse ainda que a empresa adota uma \u201cabordagem inequ\u00edvoca de desfloreta\u00e7\u00e3o zero em toda sua cadeia de fornecimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA JBS monitoriza de perto os seus fornecedores para verificar o cumprimento de todos os aspectos de nossa Pol\u00edtica de Compra Respons\u00e1vel e n\u00e3o identificou previamente quaisquer problemas relacionados com abusos de direitos humanos de comunidades ind\u00edgenas ou outros grupos protegidos\u201d, refere ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>A JBS n\u00e3o respondeu a uma pergunta sobre o controlo dos seus fornecedores indiretos, destacando em lugar disso que \u201ca rastreabilidade de toda a cadeia de fornecimento \u00e9 um desafio de toda a ind\u00fastria e uma tarefa complexa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A JBS tem conhecimento dos riscos de o gado bovino ilegal entrar na sua cadeia de fornecimento \u2013 em 2009 a empresa assinou dois acordos contra a desfloresta\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e, em separado, com o Greenpeace \u2013, mas tomou medidas insuficientes para resolver o problema. Auditorias externas observaram que a JBS n\u00e3o controla os seus fornecedores indiretos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Amnistia Internacional exorta a JBS a adotar prontamente um sistema de monitoriza\u00e7\u00e3o efetiva, inclusive dos seus fornecedores indiretos, e a garantir que o gado bovino criado ilegalmente em \u00e1reas protegidas durante alguma etapa de sua vida n\u00e3o entra na cadeia de fornecimento da empresa. Idealmente, esse sistema deve ser implementado at\u00e9 o final de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Um procurador federal no Par\u00e1 concluiu em 2019 que: \u201cHoje nenhuma empresa que compra da Amaz\u00f3nia pode afirmar que n\u00e3o tem gado oriundo de \u00e1reas desflorestadas na sua atividade produtiva (\u2026) Nenhuma empresa frigor\u00edfica e nenhum supermercado tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Com a desfloresta\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f3nia no n\u00edvel mais alto da \u00faltima d\u00e9cada, cabe agora \u00e0 JBS e outros frigor\u00edficos no Brasil adotar processos de verifica\u00e7\u00e3o para garantir que os seus fornecedores diretos e indiretos n\u00e3o estejam a contribuir para abusos de direitos humanos contra povos ind\u00edgenas e moradores tradicionais da Amaz\u00f3nia<\/h4>\n\n\n\n<p>Erika Guevara-Rosas, diretora para as Am\u00e9ricas da Amnistia Internacional<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom a desfloresta\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f3nia no n\u00edvel mais alto da \u00faltima d\u00e9cada, cabe agora \u00e0 JBS e outros frigor\u00edficos no Brasil adotar processos de verifica\u00e7\u00e3o para garantir que os seus fornecedores diretos e indiretos n\u00e3o estejam a contribuir para abusos de direitos humanos contra povos ind\u00edgenas e moradores tradicionais da Amaz\u00f3nia\u201d, disse Erika Guevara-Rosas, diretora para as Am\u00e9ricas da Amnistia Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Informa\u00e7\u00e3o adicional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sobre o uso de nomes<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por preocupa\u00e7\u00f5es com a seguran\u00e7a, foram utilizados pseud\u00f3nimos para identificar as pessoas ind\u00edgenas e moradores tradicionais de reservas naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste relat\u00f3rio, a Amnistia Internacional tamb\u00e9m omitiu os nomes dos fazendeiros de gado bovino em \u00e1reas protegidas e outras informa\u00e7\u00f5es que os identificassem para proteger a seguran\u00e7a de pessoas que partilharam informa\u00e7\u00f5es sobre pecu\u00e1ria bovina comercial em \u00e1reas protegidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sobre a investiga\u00e7\u00e3o da Amnistia Internacional<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o realizada pela Amnistia Internacional ao longo de 18 meses abrangeu v\u00e1rios estados da regi\u00e3o Amaz\u00f3nica brasileira. Foram entrevistados 24 ind\u00edgenas e moradores tradicionais de reservas natuaris, al\u00e9m de 18 representantes de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e outros especialistas. A organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m analisou imagens de sat\u00e9lite de \u00e1reas desflorestadas recentemente e analisou dados oficiais de registro de animais e de movimenta\u00e7\u00f5es de gado bovino fornecidos por v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>Este relat\u00f3rio d\u00e1 continuidade \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o anterior realizada pela Amnistia Internacional em 2019 em \u00e1reas protegidas da Amaz\u00f3nia,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.amnesty.org\/en\/latest\/news\/2019\/05\/brazil-risk-of-bloodshed-in-the-amazon-unless-government-protects-indigenous-peoples-from-illegal-land-seizures-and-logging\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">alertando para o risco iminente de conflitos e desfloresta\u00e7\u00e3o<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/amazon-violence.amnesty.org\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">documentando viol\u00eancia contra povos ind\u00edgenas<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.amnesty.org\/en\/documents\/amr19\/1401\/2019\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">expondo a pecu\u00e1ria bovina como o principal fator<\/a>&nbsp;que impulsiona a nova onda de desfloresta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sobre a JBS<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A JBS \u00e9 uma empresa multinacional brasileira fundada em 1953 no estado de Goi\u00e1s. Apresenta-se como \u201cuma das l\u00edderes globais da ind\u00fastria de alimentos\u201d. Sendo a maior produtora mundial de carne bovina, a JBS ocupa uma posi\u00e7\u00e3o \u00fanica para exercer influ\u00eancia e controlo para prevenir ou mitigar os impactos de sua cadeia de fornecimento sobre os direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo maior acionista da JBS \u00e9 o BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f3mico e Social, com 21% das a\u00e7\u00f5es da JBS.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, a JBS afirmou que opera 37 f\u00e1bricas de processamento de carne no Brasil, com capacidade total de abate de 33 500 bovinos por dia. No mesmo ano, a JBS registrou receita l\u00edquida de 32 mil milh\u00f5es de reais brasileiros (6 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares americanos) a partir da venda de carne bovina e produtos relacionados. Os seus produtos de carne bovina s\u00e3o vendidos (no Brasil e em mercados externos) sob marcas diferentes, incluindo Friboi, Maturatta Friboi, Do Chef Friboi, Swift Black e 1953 Friboi.<\/p>\n\n\n\n<p>A Amnistia Internacional escreveu \u00e0 JBS em junho de 2020 para apresentar seus resultados e uma lista de perguntas especificas. As partes mais relevantes da resposta da empresa est\u00e3o inclu\u00eddas no relat\u00f3rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anistia Internacional- Gado bovino criado ilegalmente em \u00e1reas protegidas da floresta Amaz\u00f3nica brasileira entrou na cadeia de fornecimento da maior produtora de carne bovina do mundo, a JBS, disse a Amnistia Internacional hoje no relat\u00f3rio,\u00a0Da Floresta \u00e0 Fazenda.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-29178","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7AC","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29178","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29178"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29178\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29180,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29178\/revisions\/29180"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}