{"id":29181,"date":"2020-07-15T16:24:07","date_gmt":"2020-07-15T20:24:07","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=29181"},"modified":"2020-07-15T16:24:15","modified_gmt":"2020-07-15T20:24:15","slug":"os-polemicos-videos-de-medicos-que-recomendam-tratamentos-sem-comprovacao-para-a-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/07\/15\/os-polemicos-videos-de-medicos-que-recomendam-tratamentos-sem-comprovacao-para-a-covid-19\/","title":{"rendered":"Os pol\u00eamicos v\u00eddeos de m\u00e9dicos que recomendam tratamentos sem comprova\u00e7\u00e3o para a Covid-19"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"338\" data-attachment-id=\"29182\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/07\/15\/os-polemicos-videos-de-medicos-que-recomendam-tratamentos-sem-comprovacao-para-a-covid-19\/image-28-9\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-28.jpeg?fit=984%2C554\" data-orig-size=\"984,554\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-28\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-28.jpeg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-28.jpeg?fit=600%2C338\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-28.jpeg?resize=600%2C338\" alt=\"\" class=\"wp-image-29182\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-28.jpeg?w=984 984w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-28.jpeg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-28.jpeg?resize=768%2C432 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-28.jpeg?resize=533%2C300 533w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Sociedades m\u00e9dicas brasileiras alertam para riscos de publica\u00e7\u00f5es que incentivam uso de determinados medicamentos contra novo coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>No G1<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Bom dia! Est\u00e3o recomendando tomar esse rem\u00e9dio. H\u00e1 alguma contraindica\u00e7\u00e3o no meu caso?&#8221;, perguntou um paciente para o infectologista Alexandre Naime, por meio de um aplicativo de mensagens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O paciente, sem qualquer sintoma, manifestou interesse em consumir o antiparasit\u00e1rio ivermectina para, segundo ele, evitar uma poss\u00edvel infec\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus. O homem disse que havia assistido a um v\u00eddeo no qual a m\u00e9dica Lucy Kerr compartilhou um &#8220;protocolo para a ivermectina contra a Covid-19&#8221;. Na publica\u00e7\u00e3o, ela orienta sobre o modo como os pacientes devem consumir o rem\u00e9dio para obter bons resultados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Em resposta ao paciente, Naime informou que n\u00e3o h\u00e1 qualquer comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre o medicamento para combater a Covid-19. O m\u00e9dico tamb\u00e9m alertou que at\u00e9 o momento n\u00e3o h\u00e1 nenhum rem\u00e9dio comprovadamente eficaz para prevenir o novo coronav\u00edrus ou evitar que casos leves se agravem.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Naime classifica como &#8220;show de horrores&#8221; as constantes publica\u00e7\u00f5es sobre indica\u00e7\u00f5es de tratamentos para a Covid-19 nas redes sociais. Para ele, a situa\u00e7\u00e3o dificulta ainda mais as a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e combate ao novo coronav\u00edrus, que j\u00e1 infectou quase 2 milh\u00f5es de pessoas e deixou mais de 70 mil mortos no Brasil, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Naime, outros m\u00e9dicos tamb\u00e9m relatam que v\u00eddeos e textos, que afirmam que alguns rem\u00e9dios podem curar ou prevenir a Covid-19, t\u00eam gerado d\u00favidas entre os pacientes sobre o tratamento para a doen\u00e7a causada pelo novo coronav\u00edrus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os m\u00e9dicos que compartilham tratamentos precoces ou profilaxia para a Covid-19 nas redes sociais defendem que h\u00e1 alguns estudos e casos de regi\u00f5es que obtiveram bons resultados com determinada medica\u00e7\u00e3o. Em raz\u00e3o disso, afirmam que \u00e9 importante que esses rem\u00e9dios sejam adotados no tratamento da doen\u00e7a e, por isso, compartilham relatos positivos sobre esses medicamentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/organizacao-mundial-de-saude\/\">OMS<\/a>) e outras entidades de sa\u00fade internacionais frisam que n\u00e3o h\u00e1, ao menos por enquanto, comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de que uma medica\u00e7\u00e3o que possa prevenir a Covid-19 ou evitar, se usada no in\u00edcio dos sintomas, o agravamento do quadro de um paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todo o mundo, h\u00e1 diversos estudos com poss\u00edveis medicamentos para combater a covid-19. No entanto, ainda n\u00e3o h\u00e1 tempo h\u00e1bil para a conclus\u00e3o de qualquer investiga\u00e7\u00e3o aprofundada sobre o tema. Isso porque s\u00e3o necess\u00e1rios diversos n\u00edveis de testes para chegar a um poss\u00edvel medicamento que possa trazer benef\u00edcios aos pacientes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, a principal orienta\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas \u00e9 que os tratamentos sejam feitos de forma individualizada, conforme as respostas de cada paciente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entidades m\u00e9dicas se preocupam com esses v\u00eddeos que defendem determinadas medica\u00e7\u00f5es contra a Covid-19, pois consideram que eles propagam tratamentos que n\u00e3o t\u00eam evid\u00eancia cient\u00edfica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">V\u00eddeos sobre a Covid-19<\/h2>\n\n\n\n<p>Os v\u00eddeos de m\u00e9dicos defendendo tratamentos sem comprova\u00e7\u00e3o costumam citar rem\u00e9dios como a cloroquina e a hidroxicloroquina, a ivermectina e o antibi\u00f3tico azitromicina. Essas medica\u00e7\u00f5es costumam ser as mais citadas entre aqueles que defendem o suposto tratamento preventivo contra o novo coronav\u00edrus \u2014 mesmo sem respaldo cient\u00edfico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos v\u00eddeos, m\u00e9dicos defendem situa\u00e7\u00f5es como o uso desses rem\u00e9dios logo nos primeiros sintomas da doen\u00e7a, para, segundo eles, evitar que o quadro de sa\u00fade do paciente se agrave. H\u00e1 ainda conte\u00fados que aconselham que essas medica\u00e7\u00f5es sejam usadas de modo profil\u00e1tico, para impedir que o paciente seja infectado pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/bemestar\/coronavirus\/noticia\/2020\/03\/24\/coronavirus-covid-19-sars-cov-2-e-mais-veja-a-explicacao-para-16-termos-usados-na-pandemia.ghtml\">Sars-Cov-2<\/a>, nome oficial do novo coronav\u00edrus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No fim de junho, por exemplo, a live &#8220;Tratamento precoce salva vidas&#8221; reuniu m\u00e9dicos que afirmam que existe um tratamento que pode evitar que pacientes desenvolvam quadros graves da Covid-19. No v\u00eddeo, os profissionais defendem o uso de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, o antibi\u00f3tico azitromicina e os antiparasit\u00e1rios nitazoxanida e ivermectina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os profissionais de sa\u00fade que participam da live afirmam que o paciente pode evitar que seu quadro de sa\u00fade se agrave se, logo nos primeiros sintomas, come\u00e7ar a tomar um dos rem\u00e9dios citados. Segundo eles, essa \u00e9 a \u00fanica forma de evitar mortes pela Covid-19 neste momento. Sem respaldo cient\u00edfico, dizem que tiveram bons resultados em seus locais de trabalho ao adotar protocolos que envolvem os medicamentos que defendem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na live, que durou mais de duas horas, os especialistas afirmam que n\u00e3o h\u00e1 nenhum vi\u00e9s pol\u00edtico por tr\u00e1s das informa\u00e7\u00f5es, apesar de adotarem discurso semelhante ao do presidente&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/politico\/jair-bolsonaro\/\">Jair Bolsonaro<\/a>&nbsp;sobre o tratamento da Covid-19. Todo o v\u00eddeo \u00e9 conduzido pelo jornalista Alexandre Garcia, grande apoiador do presidente. No Twitter, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) compartilhou a live, que atualmente tem mais de 1,8 milh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es no YouTube, e a classificou como &#8220;esclarecedora&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como os m\u00e9dicos, Bolsonaro tamb\u00e9m defende o uso de medicamentos mesmo sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Meses atr\u00e1s, o presidente exigiu que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade criasse um protocolo de tratamento contra a Covid-19 no qual recomenda o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina para todos os casos, dos mais leves aos mais graves. Ele tamb\u00e9m j\u00e1 se mostrou favor\u00e1vel ao uso de ivermectina em tratamento precoce contra o novo coronav\u00edrus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto abordado sobre o tratamento da Covid-19 na live &#8220;Tratamento precoce salva vidas&#8221; \u00e9 o uso de medicamentos como forma de profilaxia, para impedir que uma pessoa seja infectada pelo v\u00edrus. No v\u00eddeo, os profissionais de sa\u00fade citam a ivermectina para essa finalidade. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 qualquer comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de medicamento que possa impedir que algu\u00e9m seja infectado pelo Sars-Cov-2.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, entre os in\u00fameros v\u00eddeos de m\u00e9dicos defendendo determinados tratamentos para a covid-19, publica\u00e7\u00f5es nas quais s\u00e3o dadas orienta\u00e7\u00f5es sobre o modo como a pessoa deve consumir os rem\u00e9dios. Nos coment\u00e1rios desses v\u00eddeos, muitos discutem, sem qualquer orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, como tomar as medica\u00e7\u00f5es para ter um melhor resultado, para prevenir ou tratar o Sars-Cov-2.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das publica\u00e7\u00f5es mais famosas na internet sobre a ivermectina \u00e9 da m\u00e9dica Lucy Kerr, especializada na \u00e1rea de ultrassonografia. Em um v\u00eddeo do YouTube, com mais de 1 milh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es, a m\u00e9dica defende o uso do medicamento e orienta como utiliz\u00e1-lo de modo profil\u00e1tico ou nas fases iniciais da covid-19.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lucy diz que os v\u00eddeos s\u00e3o fundamentais, pois, segundo ela, &#8220;a grande m\u00eddia n\u00e3o fala sobre a ivermectina&#8221;. A m\u00e9dica afirma que teve bons resultados ao tratar pacientes com o medicamento. &#8220;H\u00e1 um monte de trabalho comprovando a efic\u00e1cia da ivermectina. Na Rep\u00fablica Dominicana, por exemplo, foram tratadas 1,3 mil pessoas com a covid-19 e isso mostrou que h\u00e1 99% de chances de cura com a ivermectina&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das afirma\u00e7\u00f5es da m\u00e9dica, os estudos com a ivermectina est\u00e3o em fase inicial em todo o mundo. Portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel atestar a efic\u00e1cia do medicamento, nem os efeitos colaterais que ele pode ter no tratamento do novo coronav\u00edrus. A Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) n\u00e3o reconhece o medicamento, ou qualquer outro, como indicado para a Covid-19, por n\u00e3o haver, at\u00e9 o momento, estudos conclusivos sobre o tema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cr\u00edticas a v\u00eddeos<\/h2>\n\n\n\n<p>Os v\u00eddeos compartilhados por profissionais de sa\u00fade que defendem tratamentos precoces ou profilaxia contra a covid-19 s\u00e3o duramente criticados por sociedades m\u00e9dicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No fim de junho, a Sociedade Brasileira e Pneumologia e Tisiologia (SBPT) lan\u00e7ou uma nota, logo ap\u00f3s a live &#8220;Tratamento precoce salva vidas&#8221;. No comunicado, a entidade afirmou que h\u00e1 quantidade enorme de informa\u00e7\u00f5es falsas &#8220;sobre o tratamento da covid-19 circulando nas m\u00eddias sociais, as quais, n\u00e3o raro, envolvem m\u00e9dicos que alegam ser pneumologistas&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) tamb\u00e9m se manifestou ap\u00f3s a live. &#8220;Nos \u00faltimos dias, muito tem se divulgado nas redes sociais a respeito do uso de medicamentos para a covid-19. V\u00e1rias destas divulga\u00e7\u00f5es que circulam nas m\u00eddias sociais s\u00e3o inadequadas, sem evid\u00eancia cient\u00edfica e desinformam o p\u00fablico&#8221;, disse nota da entidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A SBI ressaltou ainda que o pa\u00eds vive &#8220;uma s\u00e9ria crise de sa\u00fade p\u00fablica&#8221; e afirmou que o compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es de tratamento sem evid\u00eancia cient\u00edfica coloca em risco a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o brasileira. &#8220;A avalia\u00e7\u00e3o do uso de qualquer medicamento fora de sua indica\u00e7\u00e3o aprovada (off-label) deve ser uma decis\u00e3o individual do m\u00e9dico, analisando caso a caso e compartilhando os poss\u00edveis benef\u00edcios e riscos com o paciente, por\u00e9m \u00e9 vedado a publicidade sobre tal conduta.&#8221;, afirmou a SBI.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como a SBI e a SBPT, outras sociedades brasileiras da \u00e1rea da sa\u00fade \u2014 como a de bio\u00e9tica, a de cardiologia, a de imunologia e a de Medicina da fam\u00edlia \u2014 tamb\u00e9m criticam a divulga\u00e7\u00e3o de conte\u00fados sem respaldo cient\u00edfico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Membro da SBI, o infectologista Alexandre Naime, chefe de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), explica por que os m\u00e9dicos n\u00e3o devem tornar p\u00fablico tratamentos sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O m\u00e9dico pode prescrever uma medica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o esteja s\u00f3lida na ci\u00eancia, mas deve fazer isso no ato m\u00e9dico em particular, durante uma consulta. Isso se chama prescri\u00e7\u00e3o. Mas ele n\u00e3o pode fazer apologia ou indicar em redes sociais. Ao falar sobre isso em lives ou v\u00eddeos, eles est\u00e3o divulgando abertamente tratamentos sem benef\u00edcios comprovados e incentivando as pessoas a recorrerem a esses rem\u00e9dios, que podem ter efeitos colaterais&#8221;, diz Naime \u00e0 BBC News Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O temor de entidades m\u00e9dicas \u00e9 que publica\u00e7\u00f5es como os v\u00eddeos que defendem tratamentos n\u00e3o comprovados cientificamente possam culminar em automedica\u00e7\u00e3o, induzir alguns m\u00e9dicos a receitarem determinado medicamento mesmo sem respaldo cient\u00edfico e trazer a falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a \u00e0queles que adotam determinadas medica\u00e7\u00f5es de modo profil\u00e1tico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos medicamentos mais citados nos v\u00eddeos dos m\u00e9dicos, a SBI ressalta que grandes estudos com a cloroquina e a hidroxicloroquina n\u00e3o trouxeram bons resultados no combate \u00e0 covid-19 e ainda apontaram para riscos de sa\u00fade, principalmente para o cora\u00e7\u00e3o. Muitos testes com o medicamento pelo mundo foram suspensos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a azitromicina, a SBI ressalta que at\u00e9 o momento n\u00e3o foi comprovado o benef\u00edcio do medicamento em pacientes com a Covid-19.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos antiparasit\u00e1rios ivermectina e nitazoxanida (comercializada como o verm\u00edfugo Annita), estudos&nbsp;<em>in vitro<\/em>&nbsp;(em laborat\u00f3rio) apontaram que os medicamentos podem ter atividade contra o Sars-Cov-2. No entanto, essa \u00e9 apenas a primeira fase das pesquisas Ainda s\u00e3o necess\u00e1rias outras in\u00fameras avalia\u00e7\u00f5es at\u00e9 chegar aos testes em humanos. Por isso, entidades de sa\u00fade consideram que \u00e9 altamente arriscado que pacientes consumam a medica\u00e7\u00e3o por conta pr\u00f3pria, se baseando em v\u00eddeos da internet.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os estudos com o corticoide dexametasona apontaram que ele pode ser eficaz em casos graves, para pacientes que necessitam de oxig\u00eanio suplementar ou ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica. Sobre casos leves de Covid-19, n\u00e3o h\u00e1 qualquer evid\u00eancia cient\u00edfica de que a medica\u00e7\u00e3o possa ajudar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas apontam que muitas pessoas podem sentir melhoras depois de usar determinada medica\u00e7\u00e3o, mas ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter certeza, ao menos por ora, se isso se deve ao rem\u00e9dio ou ao curso natural da Covid-19. Isso porque a taxa de letalidade da doen\u00e7a mostra que a imensa maioria dos infectados vai sobreviver \u2014 estudos mostram que somente 5% deles desenvolvem quadro grave, que pode levar \u00e0 morte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Posicionamento do CFM<\/h2>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica, do Conselho Federal de Medicina (CFM), afirma que \u00e9 proibido que m\u00e9dicos divulguem, fora do meio cient\u00edfico, &#8220;processo de tratamento ou descoberta cujo valor n\u00e3o esteja expressamente reconhecido cientificamente por \u00f3rg\u00e3o competente&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem procurou o CFM para saber o posicionamento do conselho sobre as diversas lives e outros v\u00eddeos compartilhados por m\u00e9dicos que usam as redes sociais para defender medica\u00e7\u00f5es sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. A entidade n\u00e3o respondeu especificamente sobre o tema, mas encaminhou um texto com perguntas e respostas sobre a conduta dos profissionais de sa\u00fade nas redes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O texto encaminhado pelo CFM recomenda que os m\u00e9dicos usem, nas redes sociais, informa\u00e7\u00f5es validadas cientificamente, no intuito de &#8220;promover a ado\u00e7\u00e3o de comportamentos e h\u00e1bitos saud\u00e1veis&#8221;. Ainda segundo o texto do CFM, &#8220;n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel aos m\u00e9dicos e a qualquer outra pessoa distribuir informa\u00e7\u00f5es sem que as fontes sejam confi\u00e1veis&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os m\u00e9dicos devem agir de acordo com o que \u00e9 preconizado pelo C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica, ou seja, sem utilizar de artif\u00edcios que estimulam o sensacionalismo ou o p\u00e2nico, por exemplo. Por isso, devem buscar abrigo na ci\u00eancia, em m\u00e9todos, t\u00e9cnicas e procedimentos que s\u00e3o reconhecimentos pela comunidade m\u00e9dica e cient\u00edfica&#8221;, diz o texto do conselho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o CFM, se uma pessoa identificar que um m\u00e9dico infringiu o C\u00f3digo de \u00c9tica, pode denunciar ao Conselho Regional de Medicina (CRM) do Estado em que o profissional trabalha. &#8220;Com base nisso, o CRM que vai apurar o assunto e tomar as medidas cab\u00edveis&#8221;, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a entidade, a den\u00fancia faz com que o CRM abra uma sindic\u00e2ncia para apurar os fatos. Caso as irregularidades sejam confirmadas, \u00e9 aberto um processo \u00e9tico-profissional, &#8220;no qual s\u00e3o asseguradas \u00e0s partes direito \u00e0 ampla de defesa e contradit\u00f3rio&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em caso de condena\u00e7\u00e3o, o acusado pode receber penalidades que v\u00e3o da advert\u00eancia confidencial at\u00e9 a cassa\u00e7\u00e3o do seu CRM. Esse processo corre no \u00e2mbito do CRM. Ap\u00f3s a decis\u00e3o, caso esteja insatisfeito com o resultado, qualquer uma dos envolvidos &#8211; denunciado ou denunciante &#8211; pode recorrer ao CFM, que funciona em grau de recurso&#8221;, explica trecho do texto do Conselho Federal de Medicina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O CFM n\u00e3o informou se h\u00e1 apura\u00e7\u00e3o em algum estado referente a poss\u00edvel den\u00fancia de m\u00e9dicos que compartilham tratamentos para a Covid-19 sem respaldo cient\u00edfico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta semana, o Conselho Regional de Medicina do Estado de S\u00e3o Paulo (Cremesp), Estado em que atuam muitos dos m\u00e9dicos que divulgam v\u00eddeos sobre rem\u00e9dios para a covid-19, emitiu um alerta sobre o tema. A entidade afirmou que a divulga\u00e7\u00e3o e &#8220;prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos\/protocolos informais e sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica relevante, no contexto da covid-19, por meio de canais p\u00fablicos, como redes sociais e imprensa, pode configurar infra\u00e7\u00e3o ao C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Pela falta de evid\u00eancias, o profissional n\u00e3o pode divulgar o tratamento com tais medicamentos como eficaz&#8221;, diz o comunicado do Cremesp.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nas redes, os m\u00e9dicos que compartilham v\u00eddeos nos quais defendem tratamentos contra a covid-19 negam que estejam cometendo qualquer irregularidade. Isso porque alegam que falar sobre o assunto \u00e9 fundamental para informar a popula\u00e7\u00e3o sobre o tema, pois, segundo eles, os benef\u00edcios das medica\u00e7\u00f5es que defendem comprovam que h\u00e1 cura para a covid-19.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O impacto dos v\u00eddeos e publica\u00e7\u00f5es na rede<\/h2>\n\n\n\n<p>M\u00e9dicos ouvidos pela reportagem relatam que esses v\u00eddeos de profissionais da sa\u00fade que defendem tratamentos sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica t\u00eam mudado a rotina em consult\u00f3rios. Isso porque eles consideram que essas publica\u00e7\u00f5es influenciam na opini\u00e3o do paciente sobre os tratamentos contra a covid-19.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com uma pesquisa online da Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Medicina (APM), 48,9% dos m\u00e9dicos que est\u00e3o na linha de frente contra a covid-19 afirmam que t\u00eam sido pressionados por pacientes ou familiares a prescreverem tratamentos sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo o levantamento, 69,2% dos m\u00e9dicos disseram que as fake news, informa\u00e7\u00f5es sensacionalistas ou sem comprova\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica interferem negativamente no combate ao novo coronav\u00edrus, pois podem incentivar as pessoas a minimizar ou negar o v\u00edrus, deixar de seguir recomenda\u00e7\u00f5es de isolamento social ou n\u00e3o procurar servi\u00e7os de sa\u00fade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa da APM, divulgada na semana passada, foi feita por meio de um question\u00e1rio respondido por 1.984 profissionais que est\u00e3o na linha de frente contra a covid-19 em todo o pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das cr\u00edticas de sociedades m\u00e9dicas, as lives e os outros v\u00eddeos que divulgam tratamentos para a Covid-19 sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica continuam se multiplicando pela internet.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem entrou em contato com representantes das redes sociais, que afirmam que est\u00e3o atentos aos conte\u00fados propagados em meio \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 um posicionamento oficial das redes sociais sobre os v\u00eddeos dos m\u00e9dicos que defendem tratamentos para a covid-19 com medicamentos que n\u00e3o t\u00eam, ao menos por enquanto, comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Enquanto outros tipos de publica\u00e7\u00f5es recebem alertas nas redes ou at\u00e9 s\u00e3o apagadas por propagar not\u00edcias falsas ou duvidosas sobre o novo coronav\u00edrus, os compartilhamentos sobre tratamentos sem comprova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas se propagam sem qualquer interfer\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s03.video.glbimg.com\/x240\/8682182.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Natalia Pasternak fala sobre coquetel de medicamentos com ivermectina\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sociedades m\u00e9dicas brasileiras alertam para riscos de publica\u00e7\u00f5es que incentivam uso de determinados medicamentos contra novo coronav\u00edrus.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-29181","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7AF","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29181"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29181\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29183,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29181\/revisions\/29183"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}