{"id":29184,"date":"2020-07-15T16:33:39","date_gmt":"2020-07-15T20:33:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=29184"},"modified":"2020-07-15T16:33:47","modified_gmt":"2020-07-15T20:33:47","slug":"negros-sao-alvo-de-metade-dos-registros-de-violencia-contra-populacao-lgbt-no-brasil-diz-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/07\/15\/negros-sao-alvo-de-metade-dos-registros-de-violencia-contra-populacao-lgbt-no-brasil-diz-pesquisa\/","title":{"rendered":"Negros s\u00e3o alvo de metade dos registros de viol\u00eancia contra popula\u00e7\u00e3o LGBT no Brasil, diz pesquisa"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"338\" data-attachment-id=\"29185\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/07\/15\/negros-sao-alvo-de-metade-dos-registros-de-violencia-contra-populacao-lgbt-no-brasil-diz-pesquisa\/image-29-9\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-29.jpeg?fit=600%2C338\" data-orig-size=\"600,338\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-29\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-29.jpeg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-29.jpeg?fit=600%2C338\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-29.jpeg?resize=600%2C338\" alt=\"\" class=\"wp-image-29185\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-29.jpeg?w=600 600w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-29.jpeg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-29.jpeg?resize=533%2C300 533w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Levantamento in\u00e9dito mostra que, de 2015 a 2017, ocorreram 22 notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancias contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT por dia em todo o pa\u00eds, segundo dados do SUS.<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Por Patr\u00edcia Figueiredo, G1 SP<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa in\u00e9dita analisou as notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT brasileira entre 2015 e 2017 e verificou que&nbsp;<strong>metade das agress\u00f5es teve pessoas negras como alvo<\/strong>. Nos tr\u00eas anos analisados, foram registradas<strong>24.564 notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancias contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT,<\/strong>&nbsp;o que resulta em uma m\u00e9dia de mais de 22 notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancias interpessoais e autoprovocadas por dia, ou seja,&nbsp;<strong>quase<\/strong>&nbsp;<strong>uma notifica\u00e7\u00e3o a cada hora.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), das secretarias de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria em Sa\u00fade e de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) coletaram as notifica\u00e7\u00f5es feitas pelo Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), que faz parte do SUS, e que, portanto, inclui diversos casos de viol\u00eancia que n\u00e3o foram denunciados.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte dos indiv\u00edduos alvo dessas agress\u00f5es era jovem (69% tinham entre 20 e 59 anos de idade) e metade era negra (50%). Do total, 46% das v\u00edtimas eram transexuais ou travestis e 57% eram homossexuais, dos quais 32% l\u00e9sbicas e 25% gays.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em todas as faixas et\u00e1rias, a natureza de viol\u00eancia mais frequente foi a f\u00edsica (75%) e, em 66% dos casos o prov\u00e1vel autor \u00e9 do sexo masculino. O principal v\u00ednculo das v\u00edtimas com o agressor \u00e9 o de parceiro \u00edntimo (27%), seguido do de desconhecido (16%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Contexto de preconceitos<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o coordenador do N\u00facleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), a pesquisa mostra como a viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o negra LGBTQI+ \u00e9 agravada por quest\u00f5es de g\u00eanero, classe e ra\u00e7a. \u201cCertamente considerar tamb\u00e9m indicadores sobre a renda e o tipo de habita\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas de viol\u00eancia evidenciaria um quadro ainda mais dram\u00e1tico para a popula\u00e7\u00e3o negra LGBTQI+\u201d, avalia Cleber Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Delton Aparecido Felipe, da Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM), afirma que a pesquisa ilustra como ocorre o ac\u00famulo de marcadores sociais geradores de preconceito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cHistoricamente tanto a popula\u00e7\u00e3o negra como a popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+ foram marginalizados e vivem uma situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a social. Quando esses marcadores sociais de ra\u00e7a, g\u00eanero e sexualidade incidem sobre o mesmo corpo, ocorre o que a pesquisa demonstra\u201d, explica Aparecido.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cMulheres e homens trans negros e negras, mulheres lesbianas negras, homens negros gays, entre outros sujeitos da comunidade LGBTQI+, est\u00e3o mais vulner\u00e1veis por terem menor prote\u00e7\u00e3o do Estado\u201d, afirma o coordenador o Cons\u00f3rcio Nacional de N\u00facleos de Estudos Afro-Brasileiros na Regi\u00e3o Sul.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para os dois estudiosos, reconhecer a intersec\u00e7\u00e3o entre esses diversos processos de viol\u00eancia e opress\u00e3o \u00e9 essencial para combat\u00ea-los.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO movimento das bixas pretas, como denomina Linn da Quebrada, tem demostrado que a luta contra o racismo que n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o as viol\u00eancias a partir da sexualidade e identidade de g\u00eanero faz com que as pessoas negras que est\u00e3o nesses grupos continuem marginalizadas\u201d, afirma Delton Aparecido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c\u00c9 fundamental chamar aten\u00e7\u00e3o para uma aprendizagem que o movimento negro teve de que n\u00e3o se combate racismo sem lutar contra homofobia, machismo, sexismo e intoler\u00e2ncia religiosa. Afinal, n\u00f3s negros e negras n\u00e3o somos uma massa am\u00f3rfica\u201d, completa.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Import\u00e2ncia da notifica\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo os autores do estudo, o trabalho \u201crefor\u00e7a a import\u00e2ncia da notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria e a necessidade de preenchimento adequado dos campos sobre orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero\u201d por parte de m\u00e9dicos e outros profissionais de sa\u00fade. Isto porque esses dados produzem evid\u00eancias menos subnotificadas do que os dados de delegacias, que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o procuradas pelas v\u00edtimas de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo destaca que uma de suas limita\u00e7\u00f5es \u00e9 contar apenas com os dados das viol\u00eancias atendidas e notificadas nos servi\u00e7os de sa\u00fade. \u201cPortanto, presume-se que h\u00e1 subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos e que os dados apresentados n\u00e3o revelam a preval\u00eancia de viol\u00eancia vivenciada pela popula\u00e7\u00e3o LGBT\u201d, afirmam os autores. Apesar disso, o n\u00famero \u00e9 considerado mais abrangente do que os dados coletados em delegacias ou em den\u00fancias por telefone.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>De acordo com os dados do Disque 100, servi\u00e7o que recebe, analisa e encaminha den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, entre 2011 e 2017 foram registradas 22.899 viola\u00e7\u00f5es cometidas a popula\u00e7\u00e3o LGBT no Brasil. No entanto, esses dados referem-se apenas \u00e0s viola\u00e7\u00f5es reportadas por meio de den\u00fancia telef\u00f4nica.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Apesar de mais completos, os dados do SUS publicados no novo estudo mostraram elevados percentuais de n\u00e3o preenchimento nos campos orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero das notifica\u00e7\u00f5es. Para os autores, essa lacuna \u201cpode ser consequ\u00eancia de preconceitos e dificuldades de abordagem dessas quest\u00f5es por profissionais de sa\u00fade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 recorrente o relato de pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias nos estabelecimentos, o que impacta de forma negativa o acesso da popula\u00e7\u00e3o LGBT aos servi\u00e7os de sa\u00fade, especialmente das pessoas travestis e transg\u00eaneras\u201d, afirmam os pesquisadores.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento in\u00e9dito mostra que, de 2015 a 2017, ocorreram 22 notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancias contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT por dia em todo o pa\u00eds, segundo dados do SUS.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-29184","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7AI","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29184","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29184"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29184\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29186,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29184\/revisions\/29186"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29184"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29184"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29184"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}