{"id":29209,"date":"2020-07-18T22:00:46","date_gmt":"2020-07-19T02:00:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=29209"},"modified":"2020-07-18T22:00:50","modified_gmt":"2020-07-19T02:00:50","slug":"seria-o-amor-apenas-uma-reacao-quimica-no-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/07\/18\/seria-o-amor-apenas-uma-reacao-quimica-no-cerebro\/","title":{"rendered":"Seria o amor apenas uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica no c\u00e9rebro?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"410\" height=\"230\" data-attachment-id=\"29210\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/07\/18\/seria-o-amor-apenas-uma-reacao-quimica-no-cerebro\/image-34-9\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-34.jpeg?fit=410%2C230\" data-orig-size=\"410,230\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-34\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-34.jpeg?fit=300%2C168\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-34.jpeg?fit=410%2C230\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-34.jpeg?resize=410%2C230\" alt=\"\" class=\"wp-image-29210\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-34.jpeg?w=410 410w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/image-34.jpeg?resize=300%2C168 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A ess\u00eancia do amor, pelo menos do amor rom\u00e2ntico, \u00e9 revelada em sua pr\u00f3pria gram\u00e1tica. \u00c9 comum dizer que estamos \u201cperdidamente\u201d apaixonados por algu\u00e9m \u2014 o que pode acontecer, muitas vezes, \u201d\u00e0 primeira vista&#8221;. Nos apaixonamos \u201cloucamente, cegamente\u201d pelo outro, sem qualquer avalia\u00e7\u00e3o cuidadosa ou racional de suas virtudes.\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Na BBC <\/p>\n\n\n\n<p>O amor rom\u00e2ntico \u00e9 avassalador, irresist\u00edvel, arrebatador. Ele controla a gente, muito mais do que temos controle sobre ele. Por um lado, \u00e9 um mist\u00e9rio; por outro, pura simplicidade \u2014 seu curso, uma vez estabelecido, previs\u00edvel e inevit\u00e1vel; sendo sua express\u00e3o cultural praticamente homog\u00eanea ao longo do tempo e do espa\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O impulso de atribuir suas causas precede a ci\u00eancia. Basta lembrar da flecha do Cupido, das po\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas \u2014 o amor parece elementar.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o amor n\u00e3o \u00e9 facilmente dominado pela ci\u00eancia. Vamos entender a raz\u00e3o. Os ferom\u00f4nios sexuais, subst\u00e2ncias qu\u00edmicas liberadas para \u201ccomunicar\u201d a disponibilidade para o acasalamento, s\u00e3o frequentemente citados como os principais instrumentos de atra\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma ideia atraente. Mas enquanto os ferom\u00f4nios desempenham um papel importante na comunica\u00e7\u00e3o dos insetos, h\u00e1 muito pouca evid\u00eancia de que eles sequer existam nos seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se uma subst\u00e2ncia qu\u00edmica \u00e9 capaz de enviar sinais de atra\u00e7\u00e3o para fora do corpo, por que n\u00e3o dentro dele? O neuropept\u00eddeo ocitocina, descrito de forma imprecisa como &#8220;horm\u00f4nio do amor&#8221; e conhecido por seu papel na amamenta\u00e7\u00e3o e no trabalho de parto, \u00e9 o principal candidato neste quesito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse horm\u00f4nio foi amplamente estudado, principalmente em ratazanas da pradaria, roedores adeptos \u00e0 monogamia e a demonstra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de afeto, o que faz deles a cobaia ideal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se bloquear a ocitocina, o v\u00ednculo entre os casais de roedores se quebra, e as ratazanas se tornam mais contidas para expressar emo\u00e7\u00f5es. De modo inverso, a indu\u00e7\u00e3o de ocitocina em esp\u00e9cies n\u00e3o-monog\u00e2micas de ratazana diminui seu apetite por aventuras sexuais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos seres humanos, por\u00e9m, os efeitos s\u00e3o muito menos dram\u00e1ticos \u2014 h\u00e1 apenas uma mudan\u00e7a sutil na prefer\u00eancia rom\u00e2ntica por manter o que \u00e9 familiar, em vez de buscar novidade. Portanto, a ocitocina est\u00e1 longe de ser essencial para amar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/410\/cpsprodpb\/1190F\/production\/_113515917_casal.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Casal de homens de m\u00e3os dadas\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que, mesmo que consegu\u00edssemos identificar tal subst\u00e2ncia, qualquer mensagem \u2014 seja qu\u00edmica ou n\u00e3o \u2014 precisa de um destinat\u00e1rio. Onde est\u00e1 ent\u00e3o a caixa de correio do amor no c\u00e9rebro? E como identificamos \u201ca pessoa certa&#8221; para n\u00f3s, considerando que nenhuma mol\u00e9cula no c\u00e9rebro \u00e9 capaz de codific\u00e1-la?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o amor rom\u00e2ntico \u00e9 analisado com base em imagens do c\u00e9rebro, as \u00e1reas que se \u201ciluminam\u201d se sobrep\u00f5em \u00e0quelas que d\u00e3o suporte a comportamentos de busca e recompensa e orientados por resultado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o fato de que essas partes do c\u00e9rebro se \u201cacedem&#8221; por alguma raz\u00e3o n\u00e3o nos indica se est\u00e3o igualmente entusiasmadas por outra coisa completamente diferente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E os padr\u00f5es observados de amor rom\u00e2ntico n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o diferentes daqueles do amor materno, tampouco da paix\u00e3o por um time de futebol. Sendo assim, s\u00f3 podemos concluir que a neuroci\u00eancia ainda est\u00e1 longe de explicar essa emo\u00e7\u00e3o &#8220;arrebatadora&#8221; em termos neurais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos simplesmente de mais experimentos? Sim, geralmente essa \u00e9 a resposta dos cientistas, mas isso pressup\u00f5e que o amor seja simples o suficiente para ser decifrado por uma descri\u00e7\u00e3o mecanicista. Cada decis\u00e3o reprodutiva n\u00e3o pode ser simples tampouco uniforme, pois n\u00e3o podemos ser guiados por uma \u00fanica caracter\u00edstica, que dir\u00e1 pela mesma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que pessoas altas sejam consideradas universalmente atraentes, se a biologia nos permitisse selecionar o parceiro apenas pela altura, todos n\u00f3s ter\u00edamos gigantismo a esse ponto. E se as decis\u00f5es s\u00e3o complexas, o aparato neural que as torna poss\u00edveis tamb\u00e9m precisa ser.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora isso explique por que a atra\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica deve ser complexa, n\u00e3o explica por que se apaixonar parece ser t\u00e3o instintivo e espont\u00e2neo \u2014 ao contr\u00e1rio do modo deliberativo que reservamos para nossas decis\u00f5es mais importantes. Ser\u00e1 que a racionalidade fria e imparcial n\u00e3o seria melhor?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender por que n\u00e3o, vamos analisar o racioc\u00ednio. Desenvolvida depois dos nossos instintos, a racionalidade \u00e9 necess\u00e1ria apenas para nos distanciar dos motivos que levam a uma decis\u00e3o, para que outras pessoas possam registr\u00e1-la, entend\u00ea-la e aplic\u00e1-la independentemente de n\u00f3s.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/410\/cpsprodpb\/1260C\/production\/_112667257_52910461.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Assim como nossos pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e comportamentos, o amor depende de uma intera\u00e7\u00e3o complexa de mecanismos neurais\"\/><figcaption>Image captionAssim como nossos pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e comportamentos, o amor depende de uma intera\u00e7\u00e3o complexa de mecanismos neurais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o h\u00e1 necessidade de mais ningu\u00e9m entender por que amamos algu\u00e9m; na verdade, a \u00faltima coisa que queremos \u00e9 compartilhar com os outros a receita para alcan\u00e7ar nosso objeto de desejo. Da mesma forma, ao ceder o controle \u00e0s pr\u00e1ticas culturais, a evolu\u00e7\u00e3o depositaria muita &#8220;confian\u00e7a&#8221; em uma capacidade \u2013 a racionalidade coletiva \u2013 que \u00e9, em termos evolutivos, muito nova.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 um equ\u00edvoco pensar no instinto como algo simples e inferior \u00e0 racionalidade. O fato de ser t\u00e1cito torna-o potencialmente mais sofisticado do que a an\u00e1lise racional, ativando uma variedade t\u00e3o ampla de fatores que jamais seriamos capazes de manter simultaneamente em nossas mentes conscientes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade est\u00e1 diante dos nossos olhos: pense em como temos mais facilidade em reconhecer uma fisionomia do que em descrev\u00ea-la. Por que a identifica\u00e7\u00e3o do amor seria diferente?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u00faltima inst\u00e2ncia, se os mecanismos neurais do amor fossem simples, voc\u00ea poderia induzi-lo com uma inje\u00e7\u00e3o, extirpa-lo com um bisturi. A l\u00f3gica fria e dura da biologia evolutiva torna isso imposs\u00edvel. Se o amor n\u00e3o fosse complicado, nunca ter\u00edamos, de in\u00edcio, evolu\u00eddo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isto, o amor \u2014 assim como todos os nossos pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e comportamentos \u2014 depende de processos f\u00edsicos no c\u00e9rebro, com intera\u00e7\u00f5es muito complexas. Mas dizer que o amor \u00e9 &#8220;apenas&#8221; uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do c\u00e9rebro \u00e9 como falar que o romance&nbsp;<em>Romeu e Julieta<\/em>&nbsp;\u00e9 &#8220;apenas&#8221; uma cole\u00e7\u00e3o de palavras, o que n\u00e3o \u00e9 verdade. Assim como a arte, o amor \u00e9 mais do que a soma de suas partes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, quem teve a sorte de experimentar seu caos, deve se deixar levar pelas ondas do amor. E se acabar naufragando nessa jornada, serve de consolo saber que a raz\u00e3o n\u00e3o te levaria mais longe.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Parashkev Nachev \u00e9 professor de neurologia na Universi<\/em><em>dade<\/em><em>&nbsp;College London (UCL), no Reino Unido<\/em><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ess\u00eancia do amor, pelo menos do amor rom\u00e2ntico, \u00e9 revelada em sua pr\u00f3pria gram\u00e1tica. \u00c9 comum dizer que estamos \u201cperdidamente\u201d apaixonados por algu\u00e9m \u2014 o que pode acontecer, muitas vezes, \u201d\u00e0 primeira vista&#8221;. Nos apaixonamos \u201cloucamente, cegamente\u201d pelo outro, sem qualquer avalia\u00e7\u00e3o cuidadosa ou racional de suas virtudes.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-29209","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7B7","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29209","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29209"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29209\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29211,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29209\/revisions\/29211"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}