{"id":29446,"date":"2020-08-09T06:51:06","date_gmt":"2020-08-09T10:51:06","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=29446"},"modified":"2020-08-09T06:51:11","modified_gmt":"2020-08-09T10:51:11","slug":"a-tropa-de-choque-de-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/08\/09\/a-tropa-de-choque-de-bolsonaro\/","title":{"rendered":"A TROPA DE CHOQUE DE BOLSONARO"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"800\" data-attachment-id=\"29447\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/08\/09\/a-tropa-de-choque-de-bolsonaro\/image-1153\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image.gif?fit=1200%2C800\" data-orig-size=\"1200,800\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image.gif?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image.gif?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image.gif?fit=600%2C400\" alt=\"\" class=\"wp-image-29447\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Pesquisa in\u00e9dita tra\u00e7a perfil de policiais que, em postagens p\u00fablicas nas redes, defendem ideias como fechamento do Supremo e do Congresso&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>RENATO S\u00c9RGIO DE LIMA E SAMIRA BUENO<\/strong>, Revista Piau\u00ed <\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cGilmar Mendes \u00e9 um vaga****. Bolsonaro t\u00e1 certo sim se quiser mandar tropas pra fechar o STF\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><br>a naturaliza\u00e7\u00e3o do realismo fant\u00e1stico que toma conta do pa\u00eds, frases como as que servem de ep\u00edgrafe deste artigo s\u00e3o banalizadas e nem sempre transmitem com clareza da gravidade do que est\u00e1 sendo dito; nem sempre \u00e9 poss\u00edvel perceber as consequ\u00eancias do que est\u00e1 sendo dito e, sobretudo, as consequ\u00eancias de express\u00e1-las publicamente.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas frases acima foram extra\u00eddas das redes sociais por um amplo estudo que o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica est\u00e1 desenvolvendo, cujos primeiros resultados foram recentemente divulgados. S\u00e3o coment\u00e1rios p\u00fablicos de policiais brasileiros aceitando que institui\u00e7\u00f5es da Rep\u00fablica como o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) sejam fechadas e que o presidente Jair Bolsonaro intervenha para romper com a ordem constitucional democr\u00e1tica do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>E esses n\u00e3o s\u00e3o casos isolados, infelizmente. Frases como essas s\u00e3o compartilhadas sem pudor por ao menos 12% de policiais militares, 7% de policiais civis e 2% de policiais federais que possuem contas nas redes sociais e interagem publicamente em grupos e p\u00e1ginas do Facebook. S\u00e3o, se extrapolada a amostra do estudo, estatisticamente representativas de um grupo de cerca de 15,3 mil policiais analisados, de um total de 141.717 policiais pesquisados.<\/p>\n\n\n\n<p>E este n\u00famero pode ser ainda maior, pois a pesquisa s\u00f3 analisou postagens p\u00fablicas e n\u00e3o captou manifesta\u00e7\u00f5es em perfis privados. Se aceit\u00e1ssemos que os policiais que se manifestam publicamente nas redes s\u00e3o um retrato dos demais, estamos falando, em rela\u00e7\u00e3o aos 885.730 mil integrantes efetivos das pol\u00edcias dispon\u00edveis nos Portais da Transpar\u00eancia, de algo como ao menos 120 mil policiais convertidos para discursos golpistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, a tropa de choque de Bolsonaro nas pol\u00edcias seria, hoje, equivalente a \u2153 do efetivo ativo das For\u00e7as Armadas. E, com um agravante, trata-se de uma tropa experiente e treinada, com acesso a material b\u00e9lico e com poucos canais formais de controle externo. Se optarem pelo enfrentamento, dificilmente as demais for\u00e7as de seguran\u00e7a e defesa do pa\u00eds, se aceitassem se contrapor a elas, conseguiriam subjug\u00e1-las sem grandes baixas e risco de convuls\u00e3o social e guerra civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse movimento e no entusiasmo muitas vezes panflet\u00e1rio, os pr\u00f3prios militares das For\u00e7as Armadas v\u00e3o contra a doutrina de defesa nacional engendrada quando da cria\u00e7\u00e3o da Escola Superior de Guerra (ESG) e que tinha, como par\u00e2metro, a manuten\u00e7\u00e3o da integridade territorial do Brasil e o controle da capacidade b\u00e9lica e da autonomia das pol\u00edcias. Isso foi feito para se evitar novas crises como a Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista, de 1932, que antagonizou tropas federais e a Pol\u00edcia Paulista.<\/p>\n\n\n\n<p>No atual quadro, al\u00e9m de quest\u00f5es operacionais e tecnol\u00f3gicas associadas a um conflito, uma nova crise pode nascer de onde menos se espera, j\u00e1 que a tropa de choque bolsonarista est\u00e1 distribu\u00edda em todo o territ\u00f3rio nacional e n\u00e3o se resume a uma \u00fanica corpora\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 submetida \u00e0 incerteza e, mais do que defender que um golpe \u00e9 iminente, \u00e9 nosso objetivo explicitar os riscos envolvidos e mobilizar os olhares para eles.<\/p>\n\n\n\n<p>E isso n\u00e3o significa rotular todos os policiais apoiadores de Bolsonaro de golpistas, pois esse n\u00famero seria ainda maior, por\u00e9m incorreto e injusto. Nem todo policial que acredita em Bolsonaro \u00e9 golpista, mas a parcela radicalizada e que reproduz discursos antidemocr\u00e1ticos preocupa e deveria ser objeto, essa sim, de monitoramentos de intelig\u00eancia para se avaliar os riscos reais \u00e0 institucionalidade democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a ades\u00e3o ao bolsonarismo n\u00e3o seria um problema para a ordem social democr\u00e1tica se parte do universo policial e das institui\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a n\u00e3o flertasse com a extrema direita e com concep\u00e7\u00f5es reacion\u00e1rias, como demonstram grandes te\u00f3ricos sobre pol\u00edcia no mundo, como Robert Reiner, Jerome Skolnick, dentre outros. Uma pesquisa de Robert Reiner com policiais ingleses ainda na d\u00e9cada de 1970 indicou que 80% da for\u00e7a policial se descrevia como conservadora, sendo que 18% destes alinhados \u00e0 extrema direita e, muitas vezes, manifestamente contr\u00e1rios as pautas LGBTI+, marcados ainda pelo racismo e pelo tratamento discriminat\u00f3rio a dependentes qu\u00edmicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os exemplos recentes da Alemanha e da Fran\u00e7a, que detectaram e agiram para conter movimentos extremistas formados por policiais e ex-policiais desses dois pa\u00edses, comprovam esse fen\u00f4meno e mostram que n\u00e3o h\u00e1 exagero em cobrar controle e, por que n\u00e3o, autocontrole daqueles que representam a face mais forte do Estado. Todavia, no Brasil, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de apenas converg\u00eancia ideol\u00f3gica dos policiais; temos que considerar que as pol\u00edcias, sobretudo as militares, gozam de uma grande autonomia operacional e caracterizam-se por um forte insulamento institucional e pela baixa transpar\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos seus protocolos e mecanismos internos de supervis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema est\u00e1, portanto, no imponder\u00e1vel: no c\u00e1lculo pol\u00edtico que desconsidera vari\u00e1veis que n\u00e3o est\u00e3o totalmente claras e\/ou que se acreditam ausentes. A nosso ver, esse \u00e9 o principal risco da radicaliza\u00e7\u00e3o policial. Pol\u00edcias s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es de Estado e n\u00e3o podem servir ao projeto de poder A ou B. Elas s\u00e3o o bra\u00e7o armado do Estado em tempos de paz e, se n\u00e3o reguladas, viram-se contra, at\u00e9 mesmo, os seus integrantes que destoam do pensamento hegem\u00f4nico, a exemplo da lista de policiais antifascismo produzida pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica e distribu\u00edda \u00e0s Unidades da Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, o debate sobre a lista est\u00e1 concentrado no Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, mas poucos se deram conta de que a justificativa mobilizada pela pasta informa que a a\u00e7\u00e3o se d\u00e1 no \u00e2mbito do SISBIN, Sistema Brasileiro de Intelig\u00eancia, coordenado pelo Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional, cujo titular, general Augusto Heleno, \u00e9 pe\u00e7a-chave do bolsonarismo. Dito de outro modo, se o MJSP produziu o relat\u00f3rio e informou ao GSI, a quest\u00e3o \u00e9 ainda mais grave, pois \u00e9 o reconhecimento de que o SISBIN foi acionado para espionar advers\u00e1rios pol\u00edticos e nada foi feito para coibir tal pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o GSI n\u00e3o foi informado, o argumento do ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a se fragiliza ainda mais, pois a opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o contaria, em tese, com o guarda-chuva legal do SISBIN e n\u00e3o poderia ser usada em uma investiga\u00e7\u00e3o criminal \u2013 lembremos que a Opera\u00e7\u00e3o Satiagraha foi anulada pelo Judici\u00e1rio exatamente por produzir provas por meio da coopera\u00e7\u00e3o de agentes de intelig\u00eancia e policiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o ponto mais sens\u00edvel \u00e9 que, no caso da lista dos policiais antifascismo e ex-secret\u00e1rios nacionais, houve, em tese, o compartilhamento das informa\u00e7\u00f5es com as unidades da federa\u00e7\u00e3o, para a apura\u00e7\u00e3o de eventuais desvios de conduta e procedimentos administrativos. E, voltando \u00e0 gravidade da ades\u00e3o de policiais ao bolsonarismo mais radical, essa lista n\u00e3o foi denunciada por nenhuma secretaria e\/ou pol\u00edcia estadual, nem mesmo as subordinadas a governadores de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, estamos submetidos a um sistema de seguran\u00e7a profundamente opaco e com institui\u00e7\u00f5es policiais quase sem nenhum controle efetivo sobre o que elas podem ou devem fazer. E, pior, um sistema no qual as demais institui\u00e7\u00f5es ou se omitem ou aceitam que policiais sejam aut\u00f4nomos e decidam eles pr\u00f3prios seus mandatos e suas atribui\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 perverso tanto para a popula\u00e7\u00e3o que tem que conviver com padr\u00f5es operacionais geradores, muitas vezes, de mais viol\u00eancia, quanto \u00e9 cruel at\u00e9 mesmo com os pr\u00f3prios policiais, cuja atividade cotidiana fica dependente de fatores que muitas vezes os punem de forma seletiva ou injustificada.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, soa repetitivo mas necess\u00e1rio lembrar que, em uma democracia, n\u00e3o basta o voto; as institui\u00e7\u00f5es precisam acreditar na transpar\u00eancia, na presta\u00e7\u00e3o de contas e na import\u00e2ncia dos mecanismos democr\u00e1ticos de controle e supervis\u00e3o do poder. Se nada for feito por elas para conter manifesta\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas, pouco adiantar\u00e1 lamentarmos a atual hegemonia do sectarismo de extrema direita no pa\u00eds e os avisos sobre os riscos do discurso salvacionista de Bolsonaro engolir os Robespierres do Congresso e do STF que hoje lhe d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e instaurar um novo \u201cregime do Terror\u201d \u2013 s\u00f3 que agora no Brasil.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa in\u00e9dita tra\u00e7a perfil de policiais que, em postagens p\u00fablicas nas redes, defendem ideias como fechamento do Supremo e do Congresso&nbsp; RENATO S\u00c9RGIO DE LIMA E SAMIRA BUENO, Revista Piau\u00ed \u201cGilmar Mendes \u00e9 um vaga****. 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