{"id":29459,"date":"2020-08-10T15:49:31","date_gmt":"2020-08-10T19:49:31","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=29459"},"modified":"2020-08-10T15:49:35","modified_gmt":"2020-08-10T19:49:35","slug":"25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/08\/10\/25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro\/","title":{"rendered":"25 anos do Massacre de Corumbiara (RO)"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"503\" data-attachment-id=\"29460\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/08\/10\/25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro\/0cd097fb-0b95-448f-bcf9-771acaa4f560\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/0CD097FB-0B95-448F-BCF9-771ACAA4F560.jpeg?fit=640%2C537\" data-orig-size=\"640,537\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"0CD097FB-0B95-448F-BCF9-771ACAA4F560\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/0CD097FB-0B95-448F-BCF9-771ACAA4F560.jpeg?fit=300%2C252\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/0CD097FB-0B95-448F-BCF9-771ACAA4F560.jpeg?fit=600%2C503\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/0CD097FB-0B95-448F-BCF9-771ACAA4F560.jpeg?resize=600%2C503\" alt=\"\" class=\"wp-image-29460\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/0CD097FB-0B95-448F-BCF9-771ACAA4F560.jpeg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/0CD097FB-0B95-448F-BCF9-771ACAA4F560.jpeg?resize=300%2C252 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/0CD097FB-0B95-448F-BCF9-771ACAA4F560.jpeg?resize=358%2C300 358w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>No dia 09 de agosto de 1995, \u00e0s tr\u00eas horas da madrugada, 300 pistoleiros e policiais investiram contra o acampamento na ocupa\u00e7\u00e3o da Fazenda Santa Elina, em Corumbiara (RO), com bombas e tiroteio por cerca de quatro horas. Dois policiais morreram no confronto, diante da rea\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, pegos de surpresa enquanto dormiam. Do lado dos sem-terra, aproximadamente 20 trabalhadores desaparecidos, 350 lavradores gravemente feridos, 200 presos e 8 mortos, incluindo uma crian\u00e7a. Vanessa dos Santos Silva (crian\u00e7a), Nelsi Ferreira, Enio Rocha Borges, Jos\u00e9 Marcondes da Silva, Erc\u00edlio Oliveira Campos, Odilon Feliciano, Ari Pinheiro Santos e Alcino Correia da Silva foram as v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>Por Josep Iborra Plans*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Per\u00edcia apontou casos de execu\u00e7\u00e3o entre os mortos e de espancamento entre os sobreviventes. Relatos apontam que mesmo ap\u00f3s dominados, os acampados foram arrastados, pisoteados, enfileirados e chutados, al\u00e9m de receberem tiros na orelha e em v\u00e1rias partes do corpo. At\u00e9 o final da d\u00e9cada, foram intensas as mobiliza\u00e7\u00f5es pelo julgamento e para que o massacre de Corumbiara n\u00e3o fosse esquecido.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote1sym\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Quando o tribunal julgou os fatos, em 2000, \u201cResumindo de maneira simpl\u00f3ria, a acusa\u00e7\u00e3o levou ao julgamento de dois posseiros e de 12 agentes de seguran\u00e7a. Do lado dos ocupantes, sa\u00edram condenados C\u00edcero Pereira Leite Neto, seis anos e dois meses de reclus\u00e3o, e Claudemir Gilberto Ramos, oito anos e meio. Entre os PMs, foram sentenciados os soldados Airton Ramos de Morais, a 18 anos, e Daniel da Silva Furtado, a 16 anos, e o ent\u00e3o capit\u00e3o Vit\u00f3rio R\u00e9gis Mena Mendes, a 19 anos e meio.\u201d<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote2sym\">2<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ind\u00edgenas tamb\u00e9m foram massacrados em 1985 na Gleba Corumbiara<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o apenas pequenos agricultores foram massacrados na Gleba Corumbiara, os povos ind\u00edgenas isolados da regi\u00e3o sofreram dez anos antes, em 1985 (no mesmo ano do mart\u00edrio do Pe. Ezequiel Ramin na regi\u00e3o de Cacoal) um ataque brutal dos latifundi\u00e1rios colonizadores. O Massacre dos Omer\u00ea, como ficou conhecido, foi denunciado pelo indigenista Marcelo Santos e relatado d\u00e9cadas depois pelo cineasta Vincent Carelli no filme \u201cCorumbiara\u201d, mostrando como Marcelo e sua equipe levaram anos para encontrar apenas sete sobreviventes.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote3sym\">3<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Massacres e mortes em Rond\u00f4nia, antes e depois do massacre de Corumbiara<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como mostram os gr\u00e1ficos 1 e 2 das mortes registradas em Rond\u00f4nia pela CPT, quatro \u00e9pocas marcam com especial intensidade os assassinatos de camponeses no campo em Rond\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>No final do s\u00e9culo passado, em 1987, precederam Corumbiara tr\u00eas massacres. Em Jaru tr\u00eas posseiros foram assassinados na fazenda Belo Horizonte: Jo\u00e3o Ribeiro dos Anjos, Elizeu Bento Franco e Osmar Soares Sindra. O crime foi cometido por dois jagun\u00e7os provavelmente a mando de madeireiros que invadiram a terra, pertencente, \u00e0 \u00e9poca, ao Seringal Bom Futuro. O INCRA n\u00e3o sabia se a propriet\u00e1ria havia vendido a terra para algum dos madeireiros.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote4sym\">4<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo ano, no dia 03\/06\/1987, foram mortos seis posseiros em confronto: Valdir Viana, Ant\u00f4nio de Jesus, Jos\u00e9 Alves da Silva, Francisco F. da Silva, Jos\u00e9 Luiz de Oliveira F. e Dalvino Viana. O atrito ocorreu por causa de poss\u00edvel limite das posses de cada agrupamento, diante da morosidade no processo de desapropria\u00e7\u00e3o e assentamento das 400 fam\u00edlias residentes nesta \u00e1rea de 10 mil hectares no munic\u00edpio de Pimenta Bueno (RO). O INCRA alegava que n\u00e3o havia conflito na regi\u00e3o e que faltava recursos para implanta\u00e7\u00e3o do projeto. A terra estava sob conflito pelo menos desde 1980, quando um tiroteio em conflito pela terra deixara 8 mortos.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote5sym\">5<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, outras seis pessoas foram mortas em conflito na \u00e1rea ind\u00edgena Roosevelt por tentarem tomar a posse da terra, em disputa entre os \u00edndios Cinta Larga e fazendeiros denunciados desde 1975 por lotear as terras para pr\u00e1ticas de desmatamento e para a entrada de posseiros. Os posseiros mortos foram Jos\u00e9 Carneiro, Claudinei Elias de Morais, Josias Ribeiro Gomes, Valdemir Pereira, Davi de Jesus Gomes e Diomar Ferreira Maia. No decorrer dos anos diversos ind\u00edgenas foram mortos em armadilhas. Ap\u00f3s este massacre, a Justi\u00e7a Federal estabeleceu liminar que anulava as permiss\u00f5es para explora\u00e7\u00e3o da reserva ind\u00edgena por madeireiras que, mesmo assim, chegaram a construir pontes sobre o rio Aripuana para passagem de madeira.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote6sym\">6<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cptnacional.org.br\/images\/2020\/Captura_de_Tela_2020-08-10_as_153242.png?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Gr\u00e1fico 1: Dados do CEDOC\/CPT e gr\u00e1fico do autor.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor Ariovaldo Ubelino de Oliveira, nos anos noventa que come\u00e7ou a emergir \u201cuma nova componente pol\u00edtica na luta pela terra, que \u00e9 a den\u00fancia da grilagem pelos latifundi\u00e1rios. Em Corumbiara foi assim: as terras do fazendeiro que se dizia propriet\u00e1rio j\u00e1 deveria ter sido retomada pelo Estado porque ele n\u00e3o cumpriu o que a Lei, que permitiu o acesso \u00e0quela terra, institu\u00eda.\u201d. Dentro do MST, as lideran\u00e7as de Santa Elina defendiam uma radicaliza\u00e7\u00e3o da luta, dos partid\u00e1rios do antigo lema das Ligas dos anos sessenta, retomado pelo MST em 1988: \u201cReforma Agr\u00e1ria: na lei ou na marra\u201d.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote7sym\">7<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m em Santa Elina parte uma pol\u00edtica cada vez mais agressiva de interven\u00e7\u00e3o das for\u00e7as do Estado contra os sem-terra, que t\u00eam que enfrentar n\u00e3o mais apenas os jagun\u00e7os do latif\u00fandio, mas diretamente o pr\u00f3prio Estado ao lado deles. Como ficou comprovado pela diversidade dos pistoleiros, fazendeiros, policiais e at\u00e9 policiais de f\u00e9rias que participaram do massacre de Corumbiara, como cita o importante relat\u00f3rio de 2004 da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote8sym\">8<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Do antigo grupo do MST mais radicalizado de Santa Elina surgiu o Movimento Campon\u00eas de Corumbiara, em fevereiro de 1996, e mais tarde destes, a Liga dos Camponeses Pobres LCPT-RO, em 1999, que sem esperar mais pelo Incra, nem pelo governo, partem para divis\u00e3o aut\u00f4noma em lotes das \u00e1reas ocupadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O acirramento da viol\u00eancia no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Compunham estes grupos na luta pela terra formam boa parte dos camponeses assassinados depois do ano 2000. Ap\u00f3s picos de aumento de assassinatos em Rond\u00f4nia nos anos 2002 e 2003, cada vez mais, s\u00e3o lideran\u00e7as pr\u00f3ximas ao LCP as v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, no dia 20\/11\/2008, em Porto Velho (RO), em novo massacre, pistoleiros mataram tr\u00eas trabalhadores rurais sem-terra: Evandro Dutra Pinto, Edmilson Gomes de Oliveira e Adauto da Silva Filho. O conflito ocorreu na Fazenda Mutum, ocupada pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) dois meses antes, quando tamb\u00e9m um ataque de policiais militares afligiu as mais de 30 fam\u00edlias presentes com amea\u00e7as, tortura e pris\u00f5es ilegais, criminalizando e insultando os camponeses.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote9sym\">9<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Em 27 de maio de 2011 \u00e9 assassinado um dos principais sobreviventes de Corumbiara, Adelino Ramos, o Dinho (conhecido em Santa Elina como \u201cBuritis\u201d) em Vista Alegre do Abun\u00e3, Porto Velho. Adelino era a principal lideran\u00e7a que personalizou o Movimento Campon\u00eas de Corumbiara (MCC), que praticamente terminou de se extinguir com a morte dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2012, no contexto do debate do Novo C\u00f3digo Florestal, registram-se 8 assassinatos em Rond\u00f4nia. A atitude da LCP de apoiar os acampamentos \u201cmais combativos\u201d e a estrat\u00e9gia do autocorte, com terceiriza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a e ocupa\u00e7\u00e3o das fazendas, marcam a estrat\u00e9gia de ocupa\u00e7\u00e3o de terras da primeira quinzena do s\u00e9culo XXI, que provocam tamb\u00e9m o aumento da rea\u00e7\u00e3o dos fazendeiros e da criminaliza\u00e7\u00e3o dos sem-terra, convertendo Rond\u00f4nia no estado do Brasil com mais assassinatos registrados pela CPT em 2015.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cptnacional.org.br\/images\/2020\/Captura_de_Tela_2020-08-10_as_153257.png?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Figura 1:Fonte Cedoc\/CPT com gr\u00e1fico do autor<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O assassinato de camponeses de 2015, 2016 e 2017 ocorrem maioritariamente na regi\u00e3o de Buritis e de Ariquemes, no Vale do Jamari, e pelo menos vinte deles s\u00e3o de componentes da LCP ou de pessoas pr\u00f3ximas ao movimento, como Renato Nathan (2012), Enilson Ribeiro dos Santos, e o casal conhecido como Paulo e Edilene (2016).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Assentados em Santa Elina, em 2011<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A chegada do PT ao governo federal em 2003 n\u00e3o significou o esperado assentamento de mais fam\u00edlias pela reforma agr\u00e1ria, ao contr\u00e1rio, acampamentos \u00e0 beira da estrada languidescem entre cestas b\u00e1sicas e ajudas compensat\u00f3rias. Do MCC foram alguns dos maiores assentamentos os criados no governo do PT em Rond\u00f4nia, como o Flor do Amazonas, em Candeias do Jamari, e o Joana d Arc, em Porto Velho.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea de Santa Elina tinha sido reocupada novamente em maio de 2008, logo depois de an\u00fancio do INCRA de ter realizado acordo para compra da fazenda. A ocupa\u00e7\u00e3o realizada pela Associa\u00e7\u00e3o CODEVISE (Comit\u00ea em Defesa das V\u00edtimas da Santa Elina), apoiada pela Liga dos Camponeses Pobres, dificultou o processo de vistoria do INCRA e desatou um tenso conflito com outros grupos de sem-terra dos acampamentos Rio das Pedras, Zigol\u00e2ndia e Cambar\u00e1, apoiados por sindicato da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores de Rond\u00f4nia, Fetagro. Todos eles representando remanescentes da Massacre de Corumbiara de 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, finalmente em 2011, dezesseis anos ap\u00f3s o massacre, foi cumprido ao final do mandato a promessa de Lula de entregar Santa Elina para reforma agr\u00e1ria, com assentamento de umas 400 fam\u00edlias. A \u00e1rea, que primeiro foi entregue pelo estado aos latifundi\u00e1rios na \u00e9poca de FHC, posteriormente foi comprada com uma desapropria\u00e7\u00e3o milion\u00e1ria. Segundo a AGU (Advogacia Geral da Uni\u00e3o): &#8220;O im\u00f3vel foi declarado de interesse social para fins de reforma agr\u00e1ria em 2010 por decreto do presidente Lula. Em julho deste ano (2011), o Incra realizou o pagamento das terras, desapropriando 14.550 hectares, avaliados em aproximadamente 53 milh\u00f5es de reais&#8221;. O INCRA sempre declarou que as fam\u00edlias remanescentes do massacre teriam prioridade no assentamento, nos projetos de Assentamento \u00c1gua Viva e Maranat\u00e1, duas das tr\u00eas fazendas em que foi desmembrada a fazenda Santa Elina.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote10sym\">10<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ju\u00edzo, anistia e sem indeniza\u00e7\u00f5es para os atingidos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento dos fatos do Massacre de Corumbiara aconteceu em Porto Velho entre 14 de agosto e 6 de setembro de 2000, em oito grupos de audi\u00eancias, e foram julgados 12 policiais e dois trabalhadores rurais, resultando condenados os dois \u00faltimos e 4 dos policiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os recursos dos sem-terras a inst\u00e2ncias superiores do Judici\u00e1rio n\u00e3o tiveram \u00eaxito, mas a Comiss\u00e3o Interamericana dos Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA), no Relat\u00f3rio 32\/04,<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote11sym\">11<\/a><\/sup>condenou o Brasil pelo epis\u00f3dio e recomendou que medidas de repara\u00e7\u00e3o fossem tomadas.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote12sym\">12<\/a><\/sup>&nbsp;Um dos trabalhadores condenados, o Pantera, esteve fugitivo por anos, at\u00e9 que o CCJ aprovou em 24 de abril de 2013 una anistia a sem-terras, que acabou se estendendo tamb\u00e9m aos policiais condenados pelo Massacre.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi em base a este relat\u00f3rio da OEA que em janeiro de 2020, depois de 25 anos, a justi\u00e7a reconheceu a morte do jovem Darli Martins que estava na Fazenda Santa Elina durante o Massacre de Corumbiara, em 1995.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote13sym\">13<\/a><\/sup>Por\u00e9m as repara\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0s v\u00edtimas ou seus familiares, recomendadas pela OEA em 2004, nunca foram cumpridas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os casos das v\u00edtimas e as sequelas do massacre foram relatados numa audi\u00eancia p\u00fablica na Assembleia Legislativa de Rond\u00f4nia, em 29 de setembro de 2013, que reuniu representantes do Poder P\u00fablico e \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos trabalhadores sobreviventes do massacre, por\u00e9m com aus\u00eancia de representantes do Executivo estadual.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote14sym\">14<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro de 2014 foram consideradas prescritas pelo juiz Danilo Augusto. \u201cEle declarou que n\u00e3o houve crime contra a humanidade, ou seja, que n\u00e3o houve morte, desaparecimento e tortura. Al\u00e9m disso, considerou que o caso foi prescrito. Mas, n\u00e3o vamos desistir, porque n\u00e3o podemos permitir que fique impune a viol\u00eancia que o Estado cometeu contra simples agricultores e os familiares deles\u201d, disse na \u00e9poca F\u00e1bio Menezes \u2013 presidente da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores na Agricultura de Rond\u00f4nia (Fetagro).<\/p>\n\n\n\n<p>O Deputado Lazinho da Fetagro declarou na ocasi\u00e3o \u201cAo Estado de Rond\u00f4nia \u00e9 atribu\u00edda toda a responsabilidade\u201d (&#8230;) \u201cPortanto, a indeniza\u00e7\u00e3o pleiteada \u00e9 leg\u00edtima, quando se comprova que houve uma conduta excessiva dos policiais que tinham condi\u00e7\u00f5es de executar a ordem judicial de forma pac\u00edfica, sem que o resultado fosse o massacre. Os agricultores n\u00e3o tiveram nenhuma rea\u00e7\u00e3o; eles estavam totalmente indefesos. A a\u00e7\u00e3o foi iniciada durante a madruga e se estendeu durante todo o dia. Esses danos precisam ser reparados. \u00c9 mais do que justo, mesmo sendo 19 anos depois. Na ocasi\u00e3o havia muitas crian\u00e7as que hoje j\u00e1 s\u00e3o jovens; pessoas que morreram durante a investida; pessoas que morreram ao longo desses anos v\u00edtimas de graves sequelas. H\u00e1 pessoas que a gente n\u00e3o consegue nem conversar sobre o assunto \u2013 s\u00e3o v\u00edtimas que ainda est\u00e3o psicologicamente abaladas. A indeniza\u00e7\u00e3o pleiteada no processo al\u00e9m de ser uma necessidade e uma obriga\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 para subsidiar tratamentos de sa\u00fade para essas pessoas\u201d.&nbsp;<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote15sym\">15<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Apenas 07 menores de idade que na \u00e9poca tinham entre 03 e 14 anos, conseguiram num primeiro julgamento, realizado no ano de 2016, indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais no valor de R$ 10 mil para cada um deles, com decis\u00e3o favor\u00e1vel em Bras\u00edlia em Julho de 2020. Segundo o advogado Neumayer de Souza, a decis\u00e3o de prescri\u00e7\u00e3o dos adultos foi apelada e h\u00e1 mais de quatro anos se encontra em grau de recurso no Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), aguardando julgamento.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote16sym\">16<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os conflitos Agr\u00e1rios na Gleba Corumbiara e no Cone Sul de Rond\u00f4nia continuam<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Gleba Corumbiara envolve 18 munic\u00edpios, em terras p\u00fablicas acobertadas pelas CATPs um milh\u00e3o e 55 mil hectares, somente em Vilhena 155.000 hectares: Chupinguaia, 263.000 hectares; 186.000 hectares em Pimenta Bueno, e em Parecis, 174.000 hectares. Terras p\u00fablicas com ocupantes e tamb\u00e9m com grandes grileiros pretendendo regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote17sym\">17<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o numerosas as disputas entre pequenos agricultores e posseiros com grandes grileiros e\/ou supostos titulares das CATPs, muitas delas canceladas administrativamente pelo Terra Legal, em fun\u00e7\u00e3o do n\u00e3o cumprimento de cl\u00e1usulas resolutivas. Esta situa\u00e7\u00e3o continua acirrando conflitos na imensa Gleba Corumbiara onde, segundo dados preliminares do \u201cAtlas de Conflitos S\u00f3cioterritoriais da Panamaz\u00f4nia\u201d, a CPT registrou 46 conflitos ativos entre 2017 e 2018 nos munic\u00edpios de Cerejeiras, Cabixi, Chupinguaia, Corumbiara, Espig\u00e3o d&#8217;Oeste, Pimenta Bueno, Pimenteiras do Oeste e Vilhena.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns em situa\u00e7\u00e3o de mais risco neste momento, como as 70 fam\u00edlias da Associa\u00e7\u00e3o de Pequenos Produtores Rurais da Linha Oitenta e Cinco, nos Lotes 62, 63 e 64 da Gleba Corumbiara, setor 7, na Linha 85, no Distrito de S\u00e3o Louren\u00e7o, em Vilhena, tamb\u00e9m conhecidos como Fazenda Vilhena. Local que registrou diversas mortes e massacres em 2015 e em 2017<sup><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5306-25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro#sdfootnote18sym\">18<\/a><\/sup>&nbsp;e que onde atualmente h\u00e1 den\u00fancias de atua\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias armadas e uma pol\u00eamica amea\u00e7a de despejo, recorrida pela Defensoria P\u00fablica de Vilhena.<\/p>\n\n\n\n<p>*agente da CPT\/RO e membro da Equipe de Articula\u00e7\u00e3o das CPTs da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 09 de agosto de 1995, \u00e0s tr\u00eas horas da madrugada, 300 pistoleiros e policiais investiram contra o acampamento na ocupa\u00e7\u00e3o da Fazenda Santa Elina, em Corumbiara (RO), com bombas e tiroteio por cerca de quatro horas. Dois policiais morreram no confronto, diante da rea\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, pegos de surpresa enquanto dormiam. Do lado&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/08\/10\/25-anos-do-massacre-de-corumbiara-ro\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-29459","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7F9","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29459"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29459\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29461,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29459\/revisions\/29461"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}