{"id":29562,"date":"2020-08-20T20:20:00","date_gmt":"2020-08-21T00:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=29562"},"modified":"2020-08-20T20:20:08","modified_gmt":"2020-08-21T00:20:08","slug":"esplanada-da-morte-xiv-militares-levam-covid-19-a-amazonia-mas-recusam-termo-genocidio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/08\/20\/esplanada-da-morte-xiv-militares-levam-covid-19-a-amazonia-mas-recusam-termo-genocidio\/","title":{"rendered":"Esplanada da Morte (XIV) \u2014 Militares levam Covid-19 \u00e0 Amaz\u00f4nia, mas recusam termo \u201cgenoc\u00eddio\u201d"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"450\" data-attachment-id=\"29563\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/08\/20\/esplanada-da-morte-xiv-militares-levam-covid-19-a-amazonia-mas-recusam-termo-genocidio\/image-23-9\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-23.jpeg?fit=1024%2C768\" data-orig-size=\"1024,768\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-23\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-23.jpeg?fit=300%2C225\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-23.jpeg?fit=600%2C450\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-23.jpeg?resize=600%2C450\" alt=\"\" class=\"wp-image-29563\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-23.jpeg?w=1024 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-23.jpeg?resize=300%2C225 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-23.jpeg?resize=768%2C576 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-23.jpeg?resize=400%2C300 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Titulares da Defesa, do Ex\u00e9rcito, da Marinha e da Aeron\u00e1utica reagiram a fala de Gilmar Mendes, do STF, exatamente pelo uso da palavra; mas tropa verde-oliva aparelhou Funai e retomou esp\u00edrito mission\u00e1rio que lembra os piores tempos da ditadura de 1964<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Por&nbsp;<strong>Bruno Stankevicius Bassi<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/de-olho-nos-mil-parceiros\/\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/deolhonosruralistas.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/DEOLHO2017-chamada-meio-texto.png?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3364\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Rea\u00e7\u00f5es exaltadas, amea\u00e7as, pedidos de retrata\u00e7\u00e3o. As declara\u00e7\u00f5es do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes sobre as For\u00e7as Armadas estarem \u201cse associando\u201d ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-53424937\">genoc\u00eddio<\/a>&nbsp;posto em marcha pelo governo de Jair Bolsonaro, realizadas durante um debate online no dia 11 de julho, ca\u00edram como uma bomba no meio militar. De Olho nos Ruralistas mostra, nesta reportagem e nesta s\u00e9rie, de onde o ministro do STF tirou essa percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota conjunta, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e os chefes do Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica, classificaram a fala de Gilmar como um \u201cataque gratuito\u201d, chamando a acusa\u00e7\u00e3o de \u201cirrespons\u00e1vel e sobretudo leviana\u201d. Tr\u00eas dias depois, o alto comando militar protocolou uma representa\u00e7\u00e3o contra o ministro na Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2020\/07\/14\/ministerio-da-defesa-protocola-na-pgr-representacao-contra-gilmar-mendes.ghtml\">PGR<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"148\" width=\"600\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/deolhonosruralistas.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/esplanadadamorte-1-1024x252.png?resize=600%2C148&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-16663\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A crise entre as institui\u00e7\u00f5es for\u00e7ou o presidente Jair Bolsonaro, conhecido por seu perfil incendi\u00e1rio, a assumir um papel in\u00e9dito de \u201capaziguador\u201d, tentando acalmar o \u00edmpeto dos militares \u2014 dois meses depois da reuni\u00e3o, revelada pela revista&nbsp;<a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/vou-intervir\/\">Piau\u00ed<\/a>, em que pediu apoio das For\u00e7as Armadas para fechar o STF.<\/p>\n\n\n\n<p>Comandando onze minist\u00e9rios, os militares superam o Centr\u00e3o e o n\u00facleo ideol\u00f3gico como principal bloco de poder dentro do governo e s\u00e3o tema central da s\u00e9rie&nbsp;<a href=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/2020\/07\/28\/serie-destaca-o-papel-de-cada-ministro-no-governo-genocida-de-jair-bolsonaro\/\">Esplanada da Morte<\/a>&nbsp;que, desde o dia 28 de julho, vem detalhando o papel de cada ministro (entre outros executivos do governo Bolsonaro) na matan\u00e7a que j\u00e1 vitimou 111 mil brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre eles, dois militares: o general&nbsp;<a href=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/2020\/08\/10\/esplanada-da-morte-ix-eduardo-pazuello-o-ministro-das-100-mil-mortes-e-o-gestor-da-matanca\/\">Eduardo Pazuello<\/a>, ministro interino da Sa\u00fade, e o&nbsp;coronel&nbsp;<a href=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/2020\/08\/12\/explanada-da-morte-xi-militar-comanda-secretaria-que-assiste-a-massacre-de-indigenas-por-covid-19\/\">Robson Santos da Silva<\/a>, chefe da&nbsp;Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai).<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00e9cima quarta reportagem da s\u00e9rie foca na pasta da Defesa, respons\u00e1vel por articular as a\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica. Acusados de disseminar a Covid-19 entre os povos ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia, os militares voltam a emular o passado sombrio da ditadura.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">MISS\u00d5ES CONTRIBUEM PARA DISSEMINA\u00c7\u00c3O DA PANDEMIA<\/h3>\n\n\n\n<p>A log\u00edstica prec\u00e1ria e as grandes dist\u00e2ncias entre as aldeias e os centros urbanos \u2014 onde se concentra boa parte dos leitos hospitalares&nbsp;\u2014 faz as For\u00e7as Armadas terem um papel central na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de sa\u00fade aos povos ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia, em articula\u00e7\u00e3o com a Sesai. Um protagonismo que cresceu com a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a publica\u00e7\u00e3o da Portaria N\u00ba 1.232\/GM-MD em 18 de mar\u00e7o, que implementou a&nbsp;<a href=\"https:\/\/operacaocovid19.defesa.gov.br\/a-operacao\/a-operacao-covid-19\">Opera\u00e7\u00e3o Covid-1<\/a>9, militares protagonizaram diversas miss\u00f5es de atendimento \u00e0 comunidades remotas. No Parque Ind\u00edgena do Tumucumaque, na divisa entre Par\u00e1 e Amap\u00e1 e pr\u00f3ximo da fronteira com o Suriname, profissionais de sa\u00fade do Ex\u00e9rcito realizaram, em julho, o atendimento m\u00e9dico e distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas a cerca de trezentos ind\u00edgenas das etnias Tiriy\u00f3 e Kaxuyana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/deolhonosruralistas.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/mulheres-de-militares-aplicaram-maquiagem-em-indias-yanomami-durante-visita-1595002864206_v2_985x833.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-17541\"\/><figcaption>Miss\u00e3o militar causou aglomera\u00e7\u00e3o na TI Yanomani. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O local serve de base para o 1\u00ba Pelot\u00e3o Especial de Fronteira, onde, segundo l\u00edderes locais, dois ind\u00edgenas, funcion\u00e1rios de uma empresa de limpeza que presta servi\u00e7os para a Aeron\u00e1utica, contaminaram-se e levaram a Covid-19 para a aldeia Miss\u00e3o Tiriy\u00f3, dando in\u00edcio ao surto na regi\u00e3o. \u00c0&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2020\/06\/militares-levam-covid-19-a-terra-indigena-remota-da-amazonia-afirmam-liderancas.shtml\">Folha<\/a>, o Comando Militar do Norte confirmou que um militar do Ex\u00e9rcito apresentou sintomas graves e teve diagn\u00f3stico confirmado para a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra miss\u00e3o, desta vez na Terra Ind\u00edgena Yanomami, em Roraima, tamb\u00e9m foi cercada de pol\u00eamica. Realizada entre 30 de junho e 1\u00ba de julho, a delega\u00e7\u00e3o levou ao territ\u00f3rio \u2014 que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o tinha nenhum caso confirmado de Covid-19 \u2014 o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e o ministro&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/defesa\/pt-br\/assuntos\/noticias\/apoio-dos-militares-a-indigenas-na-fronteira-norte-do-pais-e-elogiada-pelo-ministro-barroso-do-stf\">Roberto&nbsp;Barroso<\/a>, do STF, al\u00e9m de uma equipe inteira de jornalistas e fot\u00f3grafos da ag\u00eancia AFP. A miss\u00e3o contou com a presen\u00e7a de esposas de militares, que, conforme relatou o&nbsp;<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/rubens-valente\/2020\/07\/17\/militares-coronavirus-indigenas.htm\">UOL<\/a>, distribu\u00edram roupas, maquiaram e pintaram as unhas de mulheres ind\u00edgenas, causando aglomera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o portal&nbsp;<a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/missao-com-ministro-da-defesa-leva-66-mil-comprimidos-de-cloroquina-para-indigenas-de-roraima\/\">Amaz\u00f4nia Real<\/a>, o Minist\u00e9rio da Defesa aproveitou a ocasi\u00e3o para distribuir 66 mil comprimidos de cloroquina entre os ind\u00edgenas das TIs Yanomami e Raposa Serra do Sol. O n\u00famero responde por dois ter\u00e7os dos 100.500 comprimidos do medicamento, amplamente rejeitado por infectologistas, que foram entregues a ind\u00edgenas, como contamos em julho: \u201c<a href=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/2020\/07\/25\/governo-federal-distribuiu-100-mil-unidades-de-cloroquina-para-indigenas\/\">Governo federal distribuiu 100 mil unidades de cloroquina para ind\u00edgenas<\/a>\u201c.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria rocambolesca levou o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) a abrir um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/internacional\/2020\/07\/03\/interna_internacional,1162612\/ministerio-publico-investiga-missao-militar-contra-covid-19-em-terras.shtml\">inqu\u00e9rito<\/a>&nbsp;para investigar se a miss\u00e3o violou as regras de distanciamento social e apurar como se deu a distribui\u00e7\u00e3o da cloroquina entre os ind\u00edgenas da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">PESQUISADOR ALERTA PARA MILITARIZA\u00c7\u00c3O DA POL\u00cdTICA INDIGENISTA<br><\/h3>\n\n\n\n<p>O papel dos militares no governo Bolsonaro vai muito al\u00e9m da condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de sa\u00fade durante a pandemia. Membros das For\u00e7as Armadas, incluindo reformados, controlam onze dos 23 minist\u00e9rios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/deolhonosruralistas.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/defesa-azevedo.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-17562\"\/><figcaption>Fernando Azevedo em sua despedida do Ex\u00e9rcito, em 2018. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Fernando Azevedo na Defesa e Eduardo Pazuello na Sa\u00fade, militares comandam as pastas de Infraestrutura (Tarc\u00edsio Gomes de Freitas), Minas e Energia (Bento Albuquerque), Educa\u00e7\u00e3o (Milton Ribeiro), Ci\u00eancia e Tecnologia (Marcos Pontes) e Seguran\u00e7a Institucional (Augusto Heleno). S\u00e3o eles os principais articuladores do governo, chefiando a Casa Civil (Walter Souza Braga Netto), a Secretaria de Governo (Luiz Eduardo Ramos), a Controladoria-Geral da Uni\u00e3o (Wagner Ros\u00e1rio) e a Secretaria-Geral da Presid\u00eancia (Jorge Oliveira).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a ocupa\u00e7\u00e3o militar vai muito al\u00e9m da Esplanada. Bolsonaro bateu o recorde de ocupa\u00e7\u00e3o de cargos comissionados por militares: 2.558 em 18 \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, um aumento de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2020\/07\/presenca-de-militares-da-ativa-no-governo-federal-cresce-33-sob-bolsonaro-e-mais-que-dobra-em-20-anos.shtml\">33%<\/a>em rela\u00e7\u00e3o ao governo de Michel Temer (2016-2018). \u00c9 o maior n\u00famero desde a ditadura civil-militar iniciada em 1964.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma l\u00f3gica de ocupa\u00e7\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o do Estado\u201d, afirma Marcelo Zelic, representante do grupo Tortura Nunca Mais. \u201cO sentido de obedi\u00eancia militar, em que um soldado segue as ordens de seu superior, refor\u00e7a uma vis\u00e3o de m\u00e3o dura do governo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o h\u00e1 outro setor em que esta ocupa\u00e7\u00e3o seja t\u00e3o not\u00f3ria quanto na pol\u00edtica indigenista. Desde o fim de 2019, a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/blog\/matheus-leitao\/post\/2020\/02\/04\/funai-ja-trocou-comando-de-20-coordenadorias-regionais-maioria-dos-nomeados-e-militar.ghtml\">Funai<\/a>) trocou o comando de 20 das 39 das coordenadorias regionais. Feitas sem consulta pr\u00e9via \u00e0s comunidades, boa parte das nomea\u00e7\u00f5es \u00e9 de militares da ativa ou da reserva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO aparelhamento da Funai por militares \u00e9 um dado hist\u00f3rico\u201d, pondera Zelic. \u201cA gest\u00e3o dos povos ind\u00edgenas sempre foi tutelada pelas For\u00e7as Armadas de forma muito direta. N\u00e3o \u00e9 a toa que, num primeiro momento, o Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o do \u00cdndio fica sob o Minist\u00e9rio da Guerra [1934-1939] antes de migrar para o Minist\u00e9rio da Agricultura, uma insanidade que o governo Bolsonaro tentou repetir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador coordena o projeto&nbsp;<a href=\"http:\/\/armazemmemoria.com.br\/\">Armaz\u00e9m Mem\u00f3ria<\/a>, uma biblioteca digital sobre a resist\u00eancia do povo brasileiro durante a ditadura, com destaque para a resist\u00eancia ind\u00edgena. Para Zelic, essa inger\u00eancia das For\u00e7as Armadas sobre a pol\u00edtica indigenista no governo Bolsonaro retoma uma no\u00e7\u00e3o desenvolvimentista de integra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada do ind\u00edgena \u00e0 \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2014 A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) mostrou o que o conceito de integra\u00e7\u00e3o apregoado pelos militares trouxe aos ind\u00edgenas: genoc\u00eddio, perda de territ\u00f3rios e a morte de culturas inteiras. Essa vis\u00e3o tutelar, segundo a qual o Estado sabe o que \u00e9 bom para os povos ind\u00edgenas, foi derrubada na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 mas permanece em v\u00e1rios setores da sociedade, especialmente no meio militar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador, isso traz de volta a ideia do vazio demogr\u00e1fico, que est\u00e1 de novo no centro das pol\u00edticas de desenvolvimento do governo Bolsonaro. \u201cO ind\u00edgena, o ribeirinho ou o pequeno agricultor que n\u00e3o estiver no modelo que eles pensam para o pa\u00eds ser\u00e1 tratorado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">MILITARES DIZIMARAM MAIS DE 8 MIL IND\u00cdGENAS DURANTE DITADURA<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/deolhonosruralistas.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/defesa-ditadura.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-17563\"\/><figcaption>Livro \u2018Os fuzis e as flechas\u2019, de Rubens Valente, contou hist\u00f3rias de repress\u00e3o. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A devasta\u00e7\u00e3o causada pela Covid-19 nas comunidades ind\u00edgenas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico genoc\u00eddio enfrentado pelos povos origin\u00e1rios. Da invas\u00e3o portuguesa at\u00e9 a redemocratiza\u00e7\u00e3o, foram v\u00e1rios os momentos em que popula\u00e7\u00f5es inteiras foram dizimadas pela a\u00e7\u00e3o direta ou pela omiss\u00e3o do Estado. Boa parte desses crimes ocorreu durante governos comandados por militares.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso dos Waimiri Atroari \u00e9 ilustrativo. Visando liberar o caminho para a constru\u00e7\u00e3o da BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, militares jogaram veneno e lan\u00e7aram explosivos de helic\u00f3pteros sobre as aldeias da etnia. Os ind\u00edgenas eram ent\u00e3o atacados por terra, antes que tratores destru\u00edssem os vest\u00edgios da matan\u00e7a. Entre os relatos que integram a&nbsp;<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/leonardo-sakamoto\/2020\/07\/15\/militares-se-chocam-com-genocidio-apos-o-genocidio-indigena-na-ditadura.htm\">A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica<\/a>&nbsp;movida pelo MPF contra a Uni\u00e3o e a Funai, sobreviventes contam que aqueles que n\u00e3o conseguiam fugir para dentro da mata eram degolados ou fuzilados por soldados.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra pol\u00edtica amplamente adotada durante a ditadura consistia na cria\u00e7\u00e3o de campos de concentra\u00e7\u00e3o, onde ind\u00edgenas eram submetidos a trabalhos for\u00e7ados e tortura. O principal deles, localizado no munic\u00edpio de Resplendor (MG), ficou conhecido como&nbsp;<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2014\/04\/ditadura-criou-campos-de-concentracao-indigenas\/\">Reformat\u00f3rio Krenak<\/a>, para onde foram enviados, entre 1968 e 1973, ind\u00edgenas de 21 etnias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro de 2019, 46 anos ap\u00f3s o fechamento do centro de deten\u00e7\u00e3o, o MPF denunciou formalmente um oficial reformado da Pol\u00edcia Militar de Minas Gerais, Manoel dos Santos Pinheiro, pelo crime de&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.mpf.mp.br\/mg\/sala-de-imprensa\/noticias-mg\/mpf-em-minas-denuncia-chefe-da-antiga-guarda-rural-indigena-por-genocidio-contra-o-povo-krenak\">genoc\u00eddio<\/a>&nbsp;contra a etnia Krenak.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo levantamento da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, pelo menos 8.350 ind\u00edgenas foram mortos durante a ditadura militar, doze vezes mais que o n\u00famero de mortos pela Covid-19, entre 146 etnias, at\u00e9 o momento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reformat\u00f3rio Krenak (2016)\" width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Qpx8nKVXOAo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Titulares da Defesa, do Ex\u00e9rcito, da Marinha e da Aeron\u00e1utica reagiram a fala de Gilmar Mendes, do STF, exatamente pelo uso da palavra; mas tropa verde-oliva aparelhou Funai e retomou esp\u00edrito mission\u00e1rio que lembra os piores tempos da ditadura de 1964<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-29562","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7GO","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29562","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29562"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29562\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29564,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29562\/revisions\/29564"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}