{"id":29624,"date":"2020-08-27T10:37:31","date_gmt":"2020-08-27T14:37:31","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=29624"},"modified":"2020-08-27T10:37:34","modified_gmt":"2020-08-27T14:37:34","slug":"taxacao-de-livros-vai-dificultar-a-formacao-de-leitores-nas-periferias-dizem-escritores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/08\/27\/taxacao-de-livros-vai-dificultar-a-formacao-de-leitores-nas-periferias-dizem-escritores\/","title":{"rendered":"Taxa\u00e7\u00e3o de livros vai dificultar a forma\u00e7\u00e3o de leitores nas periferias, dizem escritores"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" data-attachment-id=\"29625\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/08\/27\/taxacao-de-livros-vai-dificultar-a-formacao-de-leitores-nas-periferias-dizem-escritores\/image-36-9\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-36.jpeg?fit=1024%2C683\" data-orig-size=\"1024,683\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-36\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-36.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-36.jpeg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-36.jpeg?resize=600%2C400\" alt=\"\" class=\"wp-image-29625\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-36.jpeg?w=1024 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-36.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-36.jpeg?resize=768%2C512 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/image-36.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 2007, o escritor Alessandro Buzo, 48,\u00a0 alugou um im\u00f3vel comercial, perto de\u00a0 casa e abriu a livraria Suburbano Convicto. Naquela \u00e9poca, o bairro\u00a0<a href=\"https:\/\/www.agenciamural.org.br\/tag\/itaim-paulista\/\">Itaim Paulista<\/a>, no extremo leste, n\u00e3o tinha bibliotecas p\u00fablicas e nem espa\u00e7os para leitura. As escolas eram os \u00fanicos espa\u00e7os onde a popula\u00e7\u00e3o acessava os livros. A iniciativa durou quase 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Na Ag\u00eancia Mural <\/p>\n\n\n\n<p>Anos depois, ele diz que o acesso aos espa\u00e7os de leitura aumentou, mas n\u00e3o h\u00e1 obras novas e o pre\u00e7o \u00e9 um obst\u00e1culo. \u201cAt\u00e9 existem bibliotecas dispon\u00edveis nos CEUs, para quem precisa ou quer ler, pode correr atr\u00e1s, mas fala o bairro perif\u00e9rico que tenha uma livraria de livros novos, com lan\u00e7amentos\u201d, questiona.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O acesso \u00e0 leitura foi assunto nos \u00faltimos dias por causa da discuss\u00e3o sobre a reforma tribut\u00e1ria no Congresso. Uma das ideias \u00e9 taxar em 12% a compra de obras liter\u00e1rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O receio \u00e9 que, se aprovada, a taxa dificulte ainda mais o acesso da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda aos livros e inviabilize projetos de fomento \u00e0 literatura nas periferias.<\/p>\n\n\n\n<p>Um levantamento feito pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Mural&nbsp;<\/strong>mostrou que, com a taxa de 12%, as obras mais vendidas no Brasil ficariam em m\u00e9dia R$ 5,48 mais caros. Um valor maior do que o da passagem de \u00f4nibus na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dia de pre\u00e7o passaria de R$ 45,60 para R$ 51,08, um valor maior do que o disponibilizado pelo cart\u00e3o vale-cultura do governo federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram consideradas as 10 obras mais vendidas no Brasil durante o m\u00eas de julho segundo o portal PublishNews, especializado na ind\u00fastria do livro.<a href=\"https:\/\/www.agenciamural.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/109083307_1382652675262937_2289151397050287574_n.jpg\"><\/a>Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3oBuzo critica ideia de taxar livros<\/p>\n\n\n\n<p>A possibilidade gerou rea\u00e7\u00e3o de entidades ligadas ao mercado editorial. \u201cAs institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o plenamente conscientes da necessidade da reforma e simplifica\u00e7\u00e3o tribut\u00e1rias no Brasil. Mas n\u00e3o ser\u00e1 com a eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos livros que se resolver\u00e1 a quest\u00e3o\u201d, diz o manifesto assinado por entidades como a C\u00e2mara Brasileira do Livro e a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Livrarias.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 sendo bem vista por aqueles que h\u00e1 anos trabalham para incentivar a leitura nos bairros das periferias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor ser [um produto] caro, priorizam abrir livraria em shoppings e bairros de alta renda\u201d, completa Buzo. \u201cHoje existem v\u00e1rios saraus, slams, escritores da periferia. Eles deveriam ser contratados para atuar junto aos alunos das escolas p\u00fablicas, pois isso iria ser uma revolu\u00e7\u00e3o, mas a quem interessa um povo que l\u00ea?\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>POBRE N\u00c3O L\u00ca?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o ministro da economia, Paulo Guedes, os mais pobres \u201cnum primeiro momento, quando fizeram o aux\u00edlio emergencial, estavam mais preocupados em sobreviver do que em frequentar as livrarias que n\u00f3s frequentamos\u201d, argumentou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma coisa \u00e9 voc\u00ea focalizar a ajuda. Outra coisa \u00e9 voc\u00ea, a t\u00edtulo de ajudar os mais pobres, na verdade, isentar gente que pode pagar\u201d, continuou em audi\u00eancia virtual com deputados e senadores na quarta-feira (5).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cN\u00e3o acredito que o rico leia mais que o pobre. Vai no entorno de um sarau na periferia. Tem muito perif\u00e9rico lendo. sim. O rico tem mais acesso ao livro, pelas livrarias estarem perto de suas casas e terem dinheiro para comprar, mas ler \u00e9 outros quinhentos\u201d, compara Alexandre Buzo.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Paulo, segundo dados do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.redesocialdecidades.org.br\/br\/SP\/sao-paulo\/regiao\/+itaim-paulista\/acervo-de-livros-para-adultos\">Observat\u00f3rio Cidad\u00e3o<\/a>, no acervo de livros para adultos, dispon\u00edveis em acervos de bibliotecas municipais por habitante com 15 anos ou mais, os bairros centrais da capital ocupam as primeiras posi\u00e7\u00f5es no maior n\u00famero de obras, como Liberdade, Rep\u00fablica e Consola\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro lado, com menos obras, est\u00e3o distritos como Marsilac, zona sul, S\u00e3o Lucas, zona leste, e Anhanguera, zona noroeste.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa falta tem sido muitas vezes supridas por coletivos culturais que criaram bibliotecas comunit\u00e1rias, como as de Cidade Tiradentes, Penha, Ermelino Matarazzo, Parais\u00f3polis e Suzano, entre outras. H\u00e1 at\u00e9 uma dentro de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.agenciamural.org.br\/biblioteca-comunitaria-funciona-dentro-de-cemiterio-em-parelheiros-na-zona-sul-de-sp\/\">um cemit\u00e9rio em Paralheiros.\u00a0<\/a><br><\/p>\n\n\n\n<p>Incentivada a ler pela m\u00e3e e pela av\u00f3 desde a inf\u00e2ncia, a revisora formada em letras Let\u00edcia Souza discorda de Guedes. \u201cEsse pensamento \u00e9 absolutamente incoerente. Inclusive, acho que considerar que quem compra livro tem um poder aquisitivo mais alto colabora para o afastamento da popula\u00e7\u00e3o mais pobre \u00e0 leitura e \u00e0 cultura num geral\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DESIGUALDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para membros de grupos que trabalham com literatura nas periferias, a taxa\u00e7\u00e3o pode aumentar ainda mais a desigualdade no acesso. Dados da \u00faltima pesquisa do Instituto Pr\u00f3-Livro lan\u00e7ada em 2016, mostram que os compradores est\u00e3o nas classes mais altas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os que disseram ganhar at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo, a porcentagem de pessoas que n\u00e3o compram livros chega a 82%. A l\u00f3gica s\u00f3 se inverte com os entrevistados que responderam ganhar mais de 10 sal\u00e1rios m\u00ednimos. Nessa faixa o n\u00famero de n\u00e3o compradores chega a 42%.<a href=\"https:\/\/www.agenciamural.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/jo%C3%A3o_claudio_de_sena2.jpg\"><\/a>Cr\u00e9dito: Jos\u00e9 Cl\u00e1udio de Sena\/Divulga\u00e7\u00e3oSuzi Soares v\u00ea com temor ideia de que o governo decida o que as pessoas devem ler<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m critica as falas do ministro, a organizadora do Sarau do Binho e da Felizs (Feira Liter\u00e1ria da Zona Sul), Suzi Soares, v\u00ea com desconfian\u00e7a a ideia do governo doar livros. \u201cAs pessoas tem que ler o que elas t\u00eam vontade, ningu\u00e9m tem que determinar o que voc\u00ea tem que ler\u201d, atesta.<\/p>\n\n\n\n<p>Suzi lembra da pr\u00f3pria hist\u00f3ria quando, na inf\u00e2ncia, as publica\u00e7\u00f5es que ela lia eram emprestados de uma amiga at\u00e9 que come\u00e7ou a trabalhar. \u201cQuando me sobrava um pouco de dinheiro era uma felicidade de entrar na livraria e comprar o livro que eu quisesse. Quando eu tive a oportunidade de comprar, eu fui muito feliz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas apesar de tudo, Suzi diz acreditar que as periferias continuar\u00e3o a ler. \u201cA gente vai acabar buscando alternativas como a gente buscou. Reciclando, passando de um para o outro, fazendo os livros que est\u00e3o parados na estante circularem, para a gente poder ler\u201d, enfatiza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2007, o escritor Alessandro Buzo, 48,\u00a0 alugou um im\u00f3vel comercial, perto de\u00a0 casa e abriu a livraria Suburbano Convicto. Naquela \u00e9poca, o bairro\u00a0Itaim Paulista, no extremo leste, n\u00e3o tinha bibliotecas p\u00fablicas e nem espa\u00e7os para leitura. As escolas eram os \u00fanicos espa\u00e7os onde a popula\u00e7\u00e3o acessava os livros. 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