{"id":29748,"date":"2020-09-11T07:59:23","date_gmt":"2020-09-11T11:59:23","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=29748"},"modified":"2020-09-11T07:59:26","modified_gmt":"2020-09-11T11:59:26","slug":"a-amazonia-degradada-ja-e-maior-que-a-desmatada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/09\/11\/a-amazonia-degradada-ja-e-maior-que-a-desmatada\/","title":{"rendered":"A Amaz\u00f4nia degradada j\u00e1 \u00e9 maior que a desmatada"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" data-attachment-id=\"29749\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/09\/11\/a-amazonia-degradada-ja-e-maior-que-a-desmatada\/image-9-11\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/image-9.jpeg?fit=640%2C427\" data-orig-size=\"640,427\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-9\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/image-9.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/image-9.jpeg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/image-9.jpeg?resize=600%2C400\" alt=\"\" class=\"wp-image-29749\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/image-9.jpeg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/image-9.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/image-9.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea de selva alterada por extra\u00e7\u00e3o de madeira ou fogo superou a desmatada nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>El Pa\u00eds<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 florestas que deixam de s\u00ea-lo mesmo sem desaparecer. \u00c9 o que adverte um grupo de cientistas sobre o estado da\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-09-07\/jose-gregorio-ou-preservamos-a-floresta-amazonica-ou-ela-se-vingara.html\" target=\"_blank\">regi\u00e3o amaz\u00f4nica<\/a>. Seu amplo desmatamento \u00e9 bem conhecido, mas igualmente dram\u00e1tica (e mais complexa de medir) \u00e9 a degrada\u00e7\u00e3o do que resta. Com dados de mais de duas d\u00e9cadas, os pesquisadores comprovaram que a por\u00e7\u00e3o de floresta empobrecida j\u00e1 \u00e9 maior que a desaparecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base em dados de sat\u00e9lite reunidos desde 1992, o grupo de pesquisadores mediu o impacto humano sobre a\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/amazonia\/\" target=\"_blank\">Amaz\u00f4nia<\/a>. O mais f\u00e1cil \u00e9 calcular quanto da vegeta\u00e7\u00e3o desapareceu para que suas terras fossem destinadas a outra coisa, em sua maioria a pastagem. Segundo o estudo publicado na revista\u00a0<em>Science<\/em>, entre 1992 e 2014 desapareceram 308.311 km\u00b2. A curva do desmatamento foi ascendente ano ap\u00f3s ano, at\u00e9 atingir o pico em 2003, quando foram perdidos 29.000 km\u00b2 \u2015uma superf\u00edcie quase equivalente \u00e0 da Catalunha ou a 75% do Estado do Rio de Janeiro. Seja pela press\u00e3o internacional ou pela a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica interna, o ritmo diminuiu at\u00e9 o patamar dos 6.000 km\u00b2 perdidos anualmente desde 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais dif\u00edcil de calcular \u2015e de medir as consequ\u00eancias\u2015 \u00e9 a degrada\u00e7\u00e3o da floresta remanescente. Entre uma vegeta\u00e7\u00e3o intocada e outra que deu lugar a pastagens, h\u00e1 um amplo leque de paisagens florestais mais ou menos empobrecidos. A degrada\u00e7\u00e3o pode assumir distintas formas: uma menor densidade de \u00e1rvores, uma perda de continuidade entre florestas cada vez menores e mais isoladas ou a queima de sub-bosque, entre outras. Uma s\u00e9rie de algoritmos considerou as varia\u00e7\u00f5es de reflet\u00e2ncia da luz de cada paisagem para determinar o grau de altera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma floresta degradada \u00e9 aquela que foi alterada de forma significativa ou que sofreu o impacto das atividades humanas. Continua contando com um dossel arb\u00f3reo, mas com biomassa reduzida\u201d, explica David Skole, pesquisador do Observat\u00f3rio Global de Servi\u00e7os ao Ecossistema da Universidade Estatal de Michigan (EUA) e coautor do estudo. \u201cUm bom exemplo de degrada\u00e7\u00e3o florestal \u00e9 quando a floresta \u00e9 submetida ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/06\/29\/ciencia\/1467211200_184288.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">desmatamento seletivo<\/a>, cortando-se algumas \u00e1rvores e deixando-se outras.\u201d Nas zonas desmatadas, a degrada\u00e7\u00e3o se concentra nos limites entre a floresta e a terra nua. \u201cEssas \u00e1rvores que sobrevivem nas bordas dos terrenos desmatados s\u00e3o afetadas por mudan\u00e7as no microclima. E h\u00e1 provas de que, no longo prazo, sofrem um colapso em sua biomassa. \u00c9 o que chamamos de efeito-limite\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/P-FGOTdd9WsIVDjRtXraiSvYJZk%3D\/768x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/EJPN7AAXEZBPHKNLAI4YYVTXRU.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\u00c1rea degradada da floresta amaz\u00f4nica. Cada cor corresponde a um fator degradante. Verde: desmatamento. Vermelho: inc\u00eandios. Azul: efeito-limite. Amarelo: fragmenta\u00e7\u00e3o florestal. O tom indica a intensidade da perturba\u00e7\u00e3o. \n\"\/><figcaption>\u00c1rea degradada da floresta amaz\u00f4nica. Cada cor corresponde a um fator degradante. Verde: desmatamento. Vermelho: inc\u00eandios. Azul: efeito-limite. Amarelo: fragmenta\u00e7\u00e3o florestal. O tom indica a intensidade da perturba\u00e7\u00e3o.&nbsp;MATRICARDI ET AL\/SCIENCE<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os autores do estudo estimam que a por\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica degradada j\u00e1 superou os 337.000 km\u00b2. Ou seja, a superf\u00edcie empobrecida excede a afetada pelo desmatamento. E se este provoca o desaparecimento da floresta e de todas as fun\u00e7\u00f5es associadas, o empobrecimento tamb\u00e9m tem suas consequ\u00eancias: libera\u00e7\u00e3o de gases do efeito estufa, altera\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio da \u00e1gua e dos nutrientes, queda da biodiversidade e surgimento de doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o quatro os agentes degradantes principais: corte mais ou menos seletivo, inc\u00eandios, efeito-limite ou fragmenta\u00e7\u00e3o e isolamento de por\u00e7\u00f5es de floresta. At\u00e9 2003, auge do desmatamento, estes dois \u00faltimos agentes foram os protagonistas. Desde ent\u00e3o, por\u00e9m,\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-08-29\/salles-anuncia-suspensao-de-operacoes-contra-desmatamento-por-falta-de-verba-e-recua-horas-depois.html\" target=\"_blank\">o desmatamento e o fogo t\u00eam sido mais importantes<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos anos anteriores, o desmatamento e a degrada\u00e7\u00e3o geralmente ocorriam no mesmo espa\u00e7o\u201d, afirma Skole. Como se fosse uma condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via ou um estado precedente, \u201co que levou muitos a verem a degrada\u00e7\u00e3o como um atalho para o desmatamento, n\u00e3o uma interfer\u00eancia diferente a ser considerada, medida e gerenciada. Demonstramos que agora existe degrada\u00e7\u00e3o, sobretudo por corte ilegal, que \u00e9 uma perturba\u00e7\u00e3o espacialmente diferente\u201d. De fato, mais da metade das \u00e1reas degradadas pelas derrubadas, por exemplo, mantiveram-se nesse estado praticamente durante as duas d\u00e9cadas englobadas pelo estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ra\u00fal S\u00e1nchez, pesquisador florestal da Universidade Pablo de Olavide (Espanha), diz que \u201cat\u00e9 agora coloc\u00e1vamos no mesmo saco o desmatamento e a degrada\u00e7\u00e3o, e este trabalho mostra que n\u00e3o \u00e9 assim.\u201d O que ele n\u00e3o esperava eram as dimens\u00f5es do problema \u2015mesmo com o patamar de 2014. \u201cEste ano, o fator principal tem sido o inc\u00eandio de baixa intensidade, primeiro passo para a degrada\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00e1rea de selva alterada por extra\u00e7\u00e3o de madeira ou fogo superou a desmatada nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-29748","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7JO","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29748"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29748\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29750,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29748\/revisions\/29750"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}