{"id":29922,"date":"2020-10-31T06:12:06","date_gmt":"2020-10-31T10:12:06","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=29922"},"modified":"2020-10-31T06:12:14","modified_gmt":"2020-10-31T10:12:14","slug":"a-amazonia-segundo-lucio-flavio-pinto-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/10\/31\/a-amazonia-segundo-lucio-flavio-pinto-2\/","title":{"rendered":"A Amaz\u00f4nia segundo L\u00facio Fl\u00e1vio Pinto"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1600\" height=\"1019\" data-attachment-id=\"29923\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/10\/31\/a-amazonia-segundo-lucio-flavio-pinto-2\/image-27-10\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/image-27.jpeg?fit=1600%2C1019\" data-orig-size=\"1600,1019\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-27\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/image-27.jpeg?fit=300%2C191\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/image-27.jpeg?fit=600%2C382\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/image-27.jpeg?fit=600%2C382\" alt=\"\" class=\"wp-image-29923\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/image-27.jpeg?w=1600 1600w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/image-27.jpeg?resize=300%2C191 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/image-27.jpeg?resize=1024%2C652 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/image-27.jpeg?resize=768%2C489 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/image-27.jpeg?resize=1536%2C978 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/image-27.jpeg?resize=471%2C300 471w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/image-27.jpeg?w=1200 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>No Amaz\u00f4nia Real &#8211; Amaz\u00f4nia: 80 anos antes<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Em outubro de 1940, 80 anos atr\u00e1s, Get\u00falio Vargas proferiu, em Manaus, o \u201cDiscurso do Rio Amazonas\u201d. O presidente da rep\u00fablica foi a uma cidade distante quase tr\u00eas mil quil\u00f4metros em linha reta do Rio de Janeiro, que era a capital federal, para anunciar a incorpora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia ao territ\u00f3rio nacional, sob o comando do seu governo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Amaz\u00f4nia voltava a ser Brasil, desta vez para n\u00e3o se manter mais apartada, ignorada, maltratada. A palavra de ordem passava a ser: \u201cConquistar a terra, dominar as \u00e1gua, sujeitar a floresta\u201d. A \u00eanfase era pr\u00f3pria do Estado Novo, uma ditadura iniciada tr\u00eas anos antes, com um golpe de Estado desfechado por Vargas, um caudilho autorit\u00e1rio, populista e modernizador, que ainda se manteria no poder por mais cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O famoso discurso tamb\u00e9m poria fim \u00e0 Idade M\u00e9dia amaz\u00f4nica, iniciada em 1912, quando a queda dos pre\u00e7os e da produ\u00e7\u00e3o de borracha na regi\u00e3o a colocara num limbo nacional e internacional. At\u00e9 a popula\u00e7\u00e3o iria diminuir nas duas d\u00e9cadas seguintes, com o refluxo dos imigrantes para seus pontos de origem \u2013 sobretudo nordestinos \u2013 que buscaram os altos rios \u00e0 ca\u00e7a dos melhores seringais, nos 40 anos de maior incremento da economia local em toda a hist\u00f3ria amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a elite da terra parecia que a Amaz\u00f4nia conquistara grandeza mundial, gra\u00e7as ao monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o que lhe conferia, por \u201cdireito natural\u201d, uma \u00e1rvore nativa, a seringueira (<em>Hevea Brasiliensis<\/em>). Um capricho da natureza, no entanto, fazia uma praga (o mal das folhas) se propagar sempre que o adensamento de \u00e1rvores tentava incrementar sua produtividade, \u00e0 custa da sua biodiversidade, homogeneizada \u00e0 for\u00e7a da intromiss\u00e3o humana. A Amaz\u00f4nia n\u00e3o podia competir com os seringais plantados da \u00c1sia. Sequer garantia a autossufici\u00eancia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois anos depois do discurso do Amazonas, que lan\u00e7ou as sementes da integra\u00e7\u00e3o nacional, a a\u00e7\u00e3o do governo foi incrementada pela decis\u00e3o de Vargas de se unir aos pa\u00edses aliados, que combatiam o nazifascismo, na Segunda Guerra Mundial. A Amaz\u00f4nia seria mobilizada a partir da\u00ed a fornecer borracha \u00e0s for\u00e7as militares que foram privadas do suprimento de borracha.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mitos e lendas que havia desde a sua revela\u00e7\u00e3o para a cultura ocidental, com as imagin\u00e1rias guerreiras amazonas, que lhe emprestaram a denomina\u00e7\u00e3o, continuavam ainda a predominar na vis\u00e3o nacional, presa ao exotismo. Era esse o fundamento da palavra de ordem de Get\u00falio Vargas em 1940.<\/p>\n\n\n\n<p>A terra teria que ser \u201cconquistada\u201d, pressupondo a hostilidade natural que nela encontraria o colonizador. As \u00e1guas precisavam ser dominadas para servir ao transporte ou gerar energia. A floresta, tida por hostil, exigia ser sujeitada, posta \u00e0 merc\u00ea do agente da sua transforma\u00e7\u00e3o em bens de valor econ\u00f4mico no com\u00e9rcio de mercadorias.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma novidade em rela\u00e7\u00e3o aos fatos marcantes na hist\u00f3ria regional das duas d\u00e9cadas seguintes: a inaugura\u00e7\u00e3o da primeira grande liga\u00e7\u00e3o terrestre entre a Amaz\u00f4nia e o restante do territ\u00f3rio brasileiro, em 1960, a rodovia Bel\u00e9m-Bras\u00edlia (cujo fluxo dominante seria de Bras\u00edlia a Bel\u00e9m), que modificou completamente a organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica regional. E o in\u00edcio do sistema de estradas troncais na dire\u00e7\u00e3o das \u00e1reas isoladas na terra-firme com a Transamaz\u00f4nica e a Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m, em 1970, na empreitada geopol\u00edtica de \u201cintegrar para n\u00e3o entregar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de produtos de grande aceita\u00e7\u00e3o no mercado internacional, sobretudo os eletrointensivos (o maior deles, o min\u00e9rio de ferro, \u00e9 o 2\u00ba mais importante na pauta de exporta\u00e7\u00f5es do brasil, ocupando \u2013 com maior express\u00e3o e j\u00e1 por mais tempo \u2013 a posi\u00e7\u00e3o que foi da borracha entre os s\u00e9culos XIX e XX), exibiu a face vitoriosa desse projeto estatal ancorado na supremacia do capital sobre o trabalho. Mas sua face negra \u00e9 o desmatamento absurdo, a destrui\u00e7\u00e3o da natureza e a viol\u00eancia humana, que fazem sangrar as estat\u00edsticas de crescimento material.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto do ditador Get\u00falio, que difere da concep\u00e7\u00e3o dos ditadores militares, no poder por mais um golpe uma d\u00e9cada depois que ele se suicidou, foi interrompido pelo fim do Estado Novo, em 1945. O governo eleito democraticamente pelo povo descumpriu, em seu mandato, o compromisso constitucional de dedicar 3% da receita l\u00edquida da Uni\u00e3o para o desenvolvimento amaz\u00f4nico. O vento da democracia nacional sempre chegou rarefeito \u00e0 Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f3rg\u00e3o encarregado de cumprir esse dispositivo, a SPVEA (Superintend\u00eancia do Plano de Valoriza\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica da Amaz\u00f4nia), ainda era letra morta quando o marechal Eurico Gaspar Dutra encerrou a sua gest\u00e3o, em 1951. Dois anos depois, de volta ao poder pelo voto direto, Get\u00falio instalou finalmente a SPVEA.<\/p>\n\n\n\n<p>No comando do \u00f3rg\u00e3o colocou um dos maiores intelectuais da regi\u00e3o, o historiador Arthur Cezar Ferreira Reis. Decis\u00e3o coerente com o desejo do presidente de prestigiar a elite local e favorecer o conhecimento cient\u00edfico da ainda desconhecida Amaz\u00f4nia. A \u201cexplora\u00e7\u00e3o emp\u00edrica\u201d deveria ser substitu\u00edda pela \u201cexplora\u00e7\u00e3o racional\u201d, dando prioridade nos benef\u00edcios ao habitante nativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Oitenta anos depois, a meta permanece ut\u00f3pica \u2013 e distante cada vez mais. A data redonda do discurso do rio Amazonas, antes inscrita no calend\u00e1rio dos grandes acontecimentos, virou poeira de arquivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Amaz\u00f4nia Real &#8211; Amaz\u00f4nia: 80 anos antes<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-29922","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7MC","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29922","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29922"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29922\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29924,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29922\/revisions\/29924"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}