{"id":30037,"date":"2020-11-22T20:07:17","date_gmt":"2020-11-23T00:07:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=30037"},"modified":"2020-11-22T20:07:26","modified_gmt":"2020-11-23T00:07:26","slug":"a-percepcao-de-racismo-na-versao-do-general-mourao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/11\/22\/a-percepcao-de-racismo-na-versao-do-general-mourao\/","title":{"rendered":"A percep\u00e7\u00e3o de racismo na vers\u00e3o do general Mour\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"328\" height=\"240\" data-attachment-id=\"30038\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/11\/22\/a-percepcao-de-racismo-na-versao-do-general-mourao\/6c7fa09e-77f9-482a-b49e-1116c8162168\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/6C7FA09E-77F9-482A-B49E-1116C8162168.jpeg?fit=328%2C240\" data-orig-size=\"328,240\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"6C7FA09E-77F9-482A-B49E-1116C8162168\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/6C7FA09E-77F9-482A-B49E-1116C8162168.jpeg?fit=300%2C220\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/6C7FA09E-77F9-482A-B49E-1116C8162168.jpeg?fit=328%2C240\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/6C7FA09E-77F9-482A-B49E-1116C8162168.jpeg?resize=328%2C240\" alt=\"\" class=\"wp-image-30038\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/6C7FA09E-77F9-482A-B49E-1116C8162168.jpeg?w=328 328w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/6C7FA09E-77F9-482A-B49E-1116C8162168.jpeg?resize=300%2C220 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 328px) 100vw, 328px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>247 &#8211; O general Mour\u00e3o d\u00e1 palpite sobre tudo na esfera social e pol\u00edtica. Confrontado com um presidente da Rep\u00fablica que s\u00f3 diz besteira, passa por erudito. E um erudito corajoso. No caso do racismo ele foi de uma extrema coragem porque, alegando que n\u00e3o h\u00e1 racismo no Brasil, se revelou contra a corrente do senso comum da maioria esmagadora dos negros, pardos e mulatos. Mas o fato \u00e9 que ele foi porta-voz de uma meia verdade. O racismo no Brasil \u00e9 realmente muito diferente do racismo norte-americano. Mas existe.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Quem me ensinou isso foi um amigo dileto, negro retinto, casado com uma branca simpatic\u00edssima, a quem afirmei que n\u00e3o havia racismo no Brasil, sendo que o casamento dele, assim como v\u00e1rios amigos meus desde a inf\u00e2ncia, pretos, davam provas vivas. \u201cMeu amigo, disse ele, vou lhe ensinar o que \u00e9 racismo. Estava um dia desses conversando numa esquina com dois colegas brancos, e um guarda se aproximou. Pediu meus documentos. Mas n\u00e3o pediu documentos dos dois brancos. Isso, inequivocamente, \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de racismo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0O exemplo parece trivial, mas teve significado para mim. Os negros brasileiros n\u00e3o mais enfrentam, em geral, racismo radicalizado, como os norte-americanos, mas est\u00e3o sujeitos a formas mais sutis de racismo. E algumas vezes expl\u00edcitas. O caso do advogado Frederick Wassef, defensor da fam\u00edlia Bolsonaro e de seus esbirros, \u00e9 paradigm\u00e1tico. Seu ataque verbal, insultuoso, absolutamente est\u00fapido a uma gar\u00e7onete mulata num restaurante em Bras\u00edlia foge a todas as classifica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 um racista. \u00c9 um canalha.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, h\u00e1 formas de racismo que s\u00f3 ser\u00e3o superadas com o tempo. N\u00e3o adiantam leis, repress\u00e3o, movimentos sociais para reprimi-las no curto prazo. E isso o erudito Mour\u00e3o n\u00e3o consegue compreender. A motorista de \u00f4nibus, no Rio, a quem foi recusado emprego por ser preta \u00e9 indiscutivelmente um caso de discrimina\u00e7\u00e3o social em raz\u00e3o de racismo. E a\u00ed est\u00e1 a chave da quest\u00e3o: racismo leva \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, e nem sempre discrimina\u00e7\u00e3o leva ao racismo. Discrimina-se tamb\u00e9m contra o branco pobre, e isso o erudito Mour\u00e3o parece saber, mas n\u00e3o comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0No fundo racismo e discrimina\u00e7\u00e3o prov\u00eam de conceitos est\u00e9ticos, derivados dos gregos, nas artes, e dos arianos, da cor da pele. A discrimina\u00e7\u00e3o e o racismo, nesses casos, para grande parte da popula\u00e7\u00e3o branca, est\u00e1 inscrita no DNA, mesmo que sejamos um povo majoritariamente negro, mulato ou pardo. \u00c9 nesse sentido que a arte presta enorme servi\u00e7o no combate ao racismo. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o e a publicidade est\u00e3o absorvendo crescentemente atrizes e atores negros, difundindo no pa\u00eds seus valores est\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o \u00e9 um processo generalizado nem de dimens\u00e3o profunda. Em muitas situa\u00e7\u00f5es a atriz ou ator mais valorizados s\u00e3o os que se parecem com branco. Trata-se, por\u00e9m, de um come\u00e7o, na medida em que a audi\u00eancia e a publicidade entendam que o grande mercado de consumo, embora de renda mais baixa, est\u00e1 entre negros, mulatos e pardos. E \u00e9 necess\u00e1rio, como j\u00e1 acontece, que artistas negros assumam abertamente sua negritude.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fen\u00f4meno paralelo ocorre quando a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9, ela pr\u00f3pria, negra. Temos um exemplo hist\u00f3rico fant\u00e1stico que \u00e9 o de Machado de Assis, criador da Academia Brasileira de Letras &#8211; que, entretanto, abandonou a tradi\u00e7\u00e3o e em geral s\u00f3 \u201cimortaliza\u201d brancos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A discrimina\u00e7\u00e3o pode ser objetivamente combatida mediante leis, regras sociais e puni\u00e7\u00f5es. O racismo \u00e9 mais evasivo. Muitas vezes \u00e9 a express\u00e3o da intimidade da alma, n\u00e3o dos movimentos do corpo. Enfrent\u00e1-lo requer um alto grau de civiliza\u00e7\u00e3o que parece existir na Europa do Norte, por raz\u00f5es hist\u00f3ricas, mas n\u00e3o nos Estados Unidos ou no Brasil, herdeiros da escravid\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O processo para reduzi-los \u00e9 cultural, de longo prazo. Come\u00e7a na escola. Mas \u00e9 claro que enquanto negros n\u00e3o tiverem dinheiro para cursar as mesmas creches e escolas de brancos, ou enquanto n\u00e3o houver creches e escolas gratuitos para todo o mundo, o racismo subsistir\u00e1 por for\u00e7a da desigualdade social, n\u00e3o apenas por causa da cor da pele. E nisso o erudito Mour\u00e3o est\u00e1 correto, embora eu nunca o tenha visto combater concretamente a desigualdade, preferindo, com sua erudi\u00e7\u00e3o, seguir os caminhos socialmente perversos do neoliberalismo concentrador de renda e de riqueza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>247 &#8211; O general Mour\u00e3o d\u00e1 palpite sobre tudo na esfera social e pol\u00edtica. Confrontado com um presidente da Rep\u00fablica que s\u00f3 diz besteira, passa por erudito. E um erudito corajoso. 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