{"id":30255,"date":"2020-12-06T17:05:28","date_gmt":"2020-12-06T21:05:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=30255"},"modified":"2020-12-06T17:05:38","modified_gmt":"2020-12-06T21:05:38","slug":"rondonia-e-mais-uma-a-bola-da-vez-na-destruicao-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/12\/06\/rondonia-e-mais-uma-a-bola-da-vez-na-destruicao-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Rond\u00f4nia \u00e9 mais uma a bola da vez na destrui\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"397\" data-attachment-id=\"30256\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/12\/06\/rondonia-e-mais-uma-a-bola-da-vez-na-destruicao-na-amazonia\/image-1-20\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/image-1.png?fit=779%2C516\" data-orig-size=\"779,516\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/image-1.png?fit=300%2C199\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/image-1.png?fit=600%2C397\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/image-1.png?resize=600%2C397\" alt=\"\" class=\"wp-image-30256\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/image-1.png?w=779 779w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/image-1.png?resize=300%2C199 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/image-1.png?resize=768%2C509 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/image-1.png?resize=453%2C300 453w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>No Blog do Pedloswki<\/strong> &#8211; A minha trajet\u00f3ria como pesquisador est\u00e1 diretamente relacionada com as quase duas d\u00e9cadas que me levaram a mergulhar nas complexas rela\u00e7\u00f5es que regem as mudan\u00e7as no uso e na cobertura florestal do estado de Rond\u00f4nia. Tendo ido pela primeira vez a Rond\u00f4nia em 1991, pude observar com o passar do tempo o lento, mas cont\u00ednuo, avan\u00e7o da franja do desmatamento para \u00e1reas de alto valor ecol\u00f3gico e que abrigam um grande n\u00famero de\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Categoria:Povos_ind%C3%ADgenas_em_Rond%C3%B4nia\">povos ind\u00edgenas<\/a><\/strong>\u00a0e \u00e1reas ocupadas por seringueiros.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>A partir da realiza\u00e7\u00e3o do trabalho de campo que realizei para escrever a minha tese de doutoramento realizada na Virginia Tech e que tinha como objeto a an\u00e1lise da execu\u00e7\u00e3o de um programa financiado pelo Banco Mundial, o&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/vtechworks.lib.vt.edu\/handle\/10919\/30562\">Planafloro<\/a><\/strong>, pude percorrer por meses as estradas empoeiradas distantes da BR-364, onde pude testemunhar a a\u00e7\u00e3o de madeireiros e garimpeiros para quem os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o das florestas e das comunidades tradicionais n\u00e3o passavam de obst\u00e1culos indesejados.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nessas andan\u00e7as e no uso de estudos de imagens de sat\u00e9lite, eu e um grupo de pesquisadores realizamos uma an\u00e1lise sobre o montante desmatado em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, e identificamos ent\u00e3o o que consideramos ser a cria\u00e7\u00e3o de uma nova fronteira do desmatamento em Rond\u00f4nia. Desta pesquisa resultou a publica\u00e7\u00e3o em 2005 de um<strong>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/environmental-conservation\/article\/abs\/conservation-units-a-new-deforestation-frontier-in-the-amazonian-state-of-rondonia-brazil\/45B8B11C2A5CFA110DF98B1E91FDD51F\">artigo<\/a>&nbsp;<\/strong>na prestigiosa revista cient\u00edfica Environmental Conservation.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, em outro artigo documentamos o impacto do&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0044-59672017000100029&amp;lng=en&amp;tlng=en\">avan\u00e7o da monocultura da soja<\/a>&nbsp;<\/strong>n\u00e3o apenas em \u00e1reas antigas de desmatamento, mas tamb\u00e9m em \u00e1reas localizadas no norte de Rond\u00f4nia, principalmente em terras p\u00fablicas, incluindo unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Esse artigo serviu, entre outras coisas, para desmistificar a ideia de que a soja n\u00e3o era um condutor do que se pode chamar de \u201cdesmatamento novo\u201d por supostamente ocorrer em \u00e1reas de pastagens abandonadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todas as minhas visitas que fiz em Rond\u00f4nia, ao que se convenciona chamar de \u201cgrot\u00f5es\u201d pude constatar que os que avan\u00e7am ilegalmente sobre unidades de conserva\u00e7\u00e3o e terras ind\u00edgenas agem de forma articulada, sempre contando com o apoio de representantes dos setores que lucram com as formas mais predat\u00f3rias de explora\u00e7\u00e3o das riquezas naturais existentes.&nbsp; E obviamente esses representantes tinham seus interesses protegidos dentro da Assembleia Legislativa e no governo estadual de Rond\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, n\u00e3o me surpreende nenhum pouco as tentativas que est\u00e3o sendo realizadas pelo governador de Rond\u00f4nia, Marcos Rocha (PSL), e pelo presidente da Assembleia Legislativa de Rond\u00f4nia, Laerte Gomes (PSDB). para efetivamente legalizar a ocupa\u00e7\u00e3o ilegal de terras no interior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente Marcos Rocha, policial militar da reserva, que foi eleito na esteira do vagalh\u00e3o de 2018,&nbsp; j\u00e1 declarou, ao ser perguntado por um jornalista ingl\u00eas se era a favor de acabar com as reservas, respondeu: \u201c<strong><a href=\"https:\/\/www.brasil247.com\/brasil\/governador-de-rondonia-aparece-em-video-garantindo-acabar-com-excesso-de-reservas-ambientais\">sim, porque tem reservas demais. N\u00e3o \u00e9 acabar com as reservas, \u00e9 tirar o excesso de reservas\u201d<\/a><\/strong>. J\u00e1 Laerte Gomes, tem se dito a favor de&nbsp;<strong><a href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/12\/03\/ro-presidente-da-assembleia-legislativa-afirma-que-prefere-rondonia-fora-da-amazonia\/\">transferir Rond\u00f4nia para a regi\u00e3o Centro Oeste<\/a><\/strong>, provavelmente para chegar aos mesmos n\u00edveis de desmatamento que foram alcan\u00e7ados em estados vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas agora Rocha (o governador) e Gomes (o presidente da Assembleia Legislativa) passaram do discurso \u00e0 a\u00e7\u00e3o para tentar aprovar o PLC 080\/20 que altera drasticamente os limites da Reserva Extrativista Jaci-Paran\u00e1 e do Parque Estadual de Guajar\u00e1-Mirim para regularizar invas\u00f5es e de terras p\u00fablicas, e onde hoje est\u00e3o estocadas mais 120 mil cabe\u00e7as de gado.&nbsp; Assim, para \u2018passar a boiada\u2019, como sugeriu o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o&nbsp; governo de Rond\u00f4nia quer diminuir em 160 mil hectares o territ\u00f3rio protegido por essas duas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, o Parque Estadual (PES) Guajar\u00e1 Mirim e a Reserva Extrativista (Resex) Jaci Paran\u00e1 (ver imagens abaixo).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/pedlowski.files.wordpress.com\/2020\/12\/uni-1.jpeg?w=600\" alt=\"uni 1\" class=\"wp-image-74104\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/pedlowski.files.wordpress.com\/2020\/12\/uni-2.jpeg?w=600\" alt=\"uni 2\" class=\"wp-image-74105\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante dizer que o PLC 080\/20 n\u00e3o se trata de um artif\u00edcio para legalizar a invas\u00e3o de terras e subtrair \u00e1reas que deveriam mantidas sob prote\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de sua import\u00e2ncia ecol\u00f3gica. A quest\u00e3o \u00e9 que como em casos anteriores, essa subtra\u00e7\u00e3o de \u00e1reas apenas incentivar\u00e1 a ocorr\u00eancia de novas invas\u00f5es, incluindo as terras ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por todas essas quest\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel deixar que essa tentativa de diminuir os territ\u00f3rios sob prote\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os do governador e da Assembleia Legislativa de Rond\u00f4nia, pois isso equivale a deixar as raposas cuidando do galinheiro.&nbsp; Do contr\u00e1rio, o que teremos \u00e9 ainda mais desmatamento e mais viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas, seringueiros e ribeirinhos que dependem diretamente da integridade das \u00e1reas protegidas para sobreviverem e se reproduzirem. Especial aten\u00e7\u00e3o deve ser ainda dada \u00e0 preocupante situa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas isolados que est\u00e3o tendo os seus territ\u00f3rios cada vez encurtados pela a\u00e7\u00e3o de madeireiros, garimpeiros e grileiros de terras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Blog do Pedloswki &#8211; A minha trajet\u00f3ria como pesquisador est\u00e1 diretamente relacionada com as quase duas d\u00e9cadas que me levaram a mergulhar nas complexas rela\u00e7\u00f5es que regem as mudan\u00e7as no uso e na cobertura florestal do estado de Rond\u00f4nia. 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