{"id":30556,"date":"2021-01-08T07:16:04","date_gmt":"2021-01-08T11:16:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=30556"},"modified":"2021-01-08T07:16:13","modified_gmt":"2021-01-08T11:16:13","slug":"o-fim-da-ilusao-americana","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/01\/08\/o-fim-da-ilusao-americana\/","title":{"rendered":"O FIM DA ILUS\u00c3O AMERICANA"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"815\" data-attachment-id=\"30557\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/01\/08\/o-fim-da-ilusao-americana\/30ee88ac-0757-4c88-9565-38f42dea8533\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/30EE88AC-0757-4C88-9565-38F42DEA8533.jpeg?fit=1200%2C815\" data-orig-size=\"1200,815\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"30EE88AC-0757-4C88-9565-38F42DEA8533\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/30EE88AC-0757-4C88-9565-38F42DEA8533.jpeg?fit=300%2C204\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/30EE88AC-0757-4C88-9565-38F42DEA8533.jpeg?fit=600%2C407\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/30EE88AC-0757-4C88-9565-38F42DEA8533.jpeg?fit=600%2C407\" alt=\"\" class=\"wp-image-30557\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/30EE88AC-0757-4C88-9565-38F42DEA8533.jpeg?w=1200 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/30EE88AC-0757-4C88-9565-38F42DEA8533.jpeg?resize=300%2C204 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/30EE88AC-0757-4C88-9565-38F42DEA8533.jpeg?resize=1024%2C695 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/30EE88AC-0757-4C88-9565-38F42DEA8533.jpeg?resize=768%2C522 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/30EE88AC-0757-4C88-9565-38F42DEA8533.jpeg?resize=442%2C300 442w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Mesmo fracassada, a escalada autorit\u00e1ria de Trump inspira populistas do mundo \u2013 e abala a tese do excepcionalismo americano de que n\u00e3o h\u00e1 golpe em ingl\u00eas&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>OLIVER STUENKEL<\/strong>, na Revista Piau\u00ed<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A<\/strong>o que tudo indica, a primeira tentativa de golpe de Estado da hist\u00f3ria dos Estados Unidos vai terminar em fracasso. Liderado por um presidente derrotado na reelei\u00e7\u00e3o, que tenta se manter ilegalmente no poder, o processo foi uma cl\u00e1ssica tentativa de autogolpe que deixar\u00e1 feridas na pol\u00edtica e na identidade do pa\u00eds. As imagens da invas\u00e3o ao Capit\u00f3lio com vidros quebrados, deputados sendo escoltados para locais secretos e seguran\u00e7as sacando suas armas dentro do plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados entrar\u00e3o para a hist\u00f3ria como o momento de maior crise da democracia americana desde a Guerra Civil do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, o Capit\u00f3lio era considerado uma esp\u00e9cie de templo da democracia. Horas depois do ataque trumpista, enquanto discursava no processo de certifica\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria de Biden e Harris, o senador democrata Cory Booker lembrou que, at\u00e9 hoje, o Congresso s\u00f3 havia sido invadido duas vezes, e em nenhuma delas os invasores empunhavam a bandeira dos Estados Unidos. A primeira ocorreu durante a chamada Guerra de 1812, entre Estados Unidos, Reino Unido e seus respectivos aliados, quando soldados brit\u00e2nicos ocuparam e destru\u00edram o pr\u00e9dio na Batalha de Washington, em agosto de 1814. Na ocasi\u00e3o, os invasores bradavam a bandeira do ex-colonizador. Em 2021, os s\u00edmbolos escolhidos foram bandeiras personalistas homenageando Trump, al\u00e9m da bandeira dos Estados Confederados, derrotados na Guerra Civil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tentativas de golpe ocorrem t\u00e3o raramente na Inglaterra e nos Estados Unidos que sequer existe uma palavra em ingl\u00eas para descrev\u00ea-las. Em franc\u00eas, diz-se \u201ccoup d\u2019\u00c9tat\u201d. Em espanhol e em portugu\u00eas, golpe de Estado. Em alem\u00e3o, \u201cStaatsstreich\u201d. Os americanos pegam emprestado o termo franc\u00eas. Nos \u00faltimos meses, a possibilidade de golpe foi aventada in\u00fameras vezes, geralmente em uma pron\u00fancia prec\u00e1ria e acompanhada de uma dose de ceticismo. \u00c9 como se boa parte dos pol\u00edticos, colunistas e acad\u00eamicos americanos acreditasse que golpes ocorrem da porta para fora, em territ\u00f3rio estrangeiro, e tentasse enxergar os movimentos de Trump nos \u00faltimos meses como qualquer outra coisa. No debate p\u00fablico local, os confrontos que causaram a morte de ao menos quatro pessoas e deixaram v\u00e1rios feridos nesta quarta-feira (6) serviram como choque de realidade para uns e catarse para outros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de precedentes fez com que diversos jornalistas americanos que trabalharam como correspondentes no exterior tra\u00e7assem paralelos incr\u00e9dulos entre aquilo que presenciaram no resto do mundo e as cenas que viam na tev\u00ea americana. \u201cEssas imagens angustiantes me parecem familiares \u2013 gra\u00e7as ao tempo que passei em lugares que v\u00e3o desde a Tail\u00e2ndia, que costuma sofrer com golpes, at\u00e9 a Costa do Marfim, devastada pela guerra, e (\u2026) Madagascar, com seus protestos sangrentos. Agora estou vendo isso em Washington\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/opinions\/2021\/01\/06\/why-storming-capitol-didnt-shock-me-all\/\">constatou<\/a>\u00a0Brian Klass, do\u00a0<em>Washington Post<\/em>.Ao ouvir o relato de um colega que estava em frente ao Capit\u00f3lio, o \u00e2ncora da CNN Jake Tapper\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/alejandrordo\/status\/1346956067209572357\">disse<\/a>: \u201c\u00c9 surreal, parece que estou falando com um correspondente em, sei l\u00e1, Bogot\u00e1\u201d, citando a primeira cidade latino-americana que lhe passou pela cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Os debates sobre a \u201clatino-americaniza\u00e7\u00e3o\u201d da pol\u00edtica nos Estados Unidos ganharam for\u00e7a desde a elei\u00e7\u00e3o, em novembro, e simbolizam o estado de desorienta\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. At\u00e9 ontem, a possibilidade de uma ruptura da ordem democr\u00e1tica ainda era vista como algo ex\u00f3tico, que acontece \u201cl\u00e1 fora\u201d, um triste ritual de povos menos desenvolvidos. Os Estados Unidos podiam ter seus problemas, mas no fim eram sempre um exemplo para os demais, a \u201c<a href=\"https:\/\/www.neh.gov\/article\/how-america-became-city-upon-hill#:~:text=That%201630%20sermon%20by%20John,center%20of%20his%20political%20career.\">cidade no topo da montanha<\/a>\u201c, como os americanos gostam de dizer at\u00e9 hoje. Desde novembro, o n\u00famero de pol\u00edticos e comentaristas que se referia aos movimentos de Trump como uma tentativa de golpe vinha crescendo a cada dia. Mas a fra\u00e7\u00e3o dos que achavam isso um exagero era ainda maior. No in\u00edcio de dezembro, o professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Tufts, Daniel Drezner,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/outlook\/2020\/12\/07\/its-not-coup-its-not-even-bad-coup\/\">escreveu<\/a>&nbsp;no&nbsp;<em>Washington Post<\/em>&nbsp;que o que estava acontecendo n\u00e3o era \u201cum golpe, nem mesmo uma tentativa de golpe\u201d, mas sim \u201cum esfor\u00e7o desajeitado de manchar o resultado das elei\u00e7\u00f5es presidenciais\u201d. Durante a insurrei\u00e7\u00e3o na capital, ele voltou atr\u00e1s,&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ProfPaulPoast\/status\/1346909051611983875\">retuitando<\/a>&nbsp;a afirma\u00e7\u00e3o de um colega de que \u201csim, \u00e9 uma tentativa de golpe\u201d. No fim, a ideia de que a democracia americana estaria a salvo de um rompante autorit\u00e1rio era pura ilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A f\u00e9 no excepcionalismo americano \u00e9 profundamente enraizada, est\u00e1 na base da autoimagem nacional. Reafirmada em propagandas e produtos culturais, ela aparece no discurso pol\u00edtico na forma de clich\u00eas um pouco chocantes para quem v\u00ea de fora. Um exemplo famoso \u00e9 a fala de Madeleine Albright, chanceler ic\u00f4nica de Bill Clinton, dizendo que os Estados Unidos eram \u201ca na\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel\u201d, que \u201cenxerga mais longe do que outros pa\u00edses\u201d. Essa ilus\u00e3o coletiva ajuda a explicar por que eles demoraram tanto tempo para entender que n\u00e3o estavam imunes a um golpe de Estado. O fato de que a tentativa de Trump de sabotar a elei\u00e7\u00e3o sempre pareceu fadada ao fracasso tamb\u00e9m explica por que tantos analistas tardaram a dar nome aos bois. Mesmo ap\u00f3s a invas\u00e3o no Capit\u00f3lio, houve quem tentasse enfeitar o elefante na sala. Embora tenha&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/Yascha_Mounk\/status\/1346912891266494464\">reconhecido<\/a>&nbsp;a tentativa de golpe, o professor de Ci\u00eancia Pol\u00edtica Yascha Mounk insistiu em cham\u00e1-la de \u201crid\u00edcula\u201d \u2013 como se isso diminu\u00edsse sua gravidade ou a tornasse menos preocupante.<\/p>\n\n\n\n<p>As chances de o golpe vingar eram baixas por quatro motivos. O primeiro \u00e9 a postura das For\u00e7as Armadas, que nunca deixaram d\u00favidas de que ficariam ao lado da Constitui\u00e7\u00e3o, publicando uma s\u00e9rie de declara\u00e7\u00f5es a esse respeito. Pouco depois da divulga\u00e7\u00e3o do resultado eleitoral, o general Mark Milley \u2013 oficial da mais alta patente das For\u00e7as Armadas americanas \u2013 reiterou qual seria a postura dos fardados diante do comportamento de Trump. Em um gesto in\u00e9dito na hist\u00f3ria americana,&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/OliverStuenkel\/status\/1327306424834273281\">disse<\/a>: \u201cn\u00e3o fazemos juramento (\u2026) a um ditador. Fazemos juramento \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o. Cada soldado (\u2026) vai defender esse documento, independentemente do pre\u00e7o que tenhamos que pagar.\u201d Em uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/opinions\/10-former-defense-secretaries-military-peaceful-transfer-of-power\/2021\/01\/03\/2a23d52e-4c4d-11eb-a9f4-0e668b9772ba_story.html\">carta<\/a>&nbsp;publicada no dia 3 de janeiro no&nbsp;<em>Washington Post<\/em>, os dez ex-chefes do Pent\u00e1gono alertaram para o risco de interrup\u00e7\u00e3o da longa tradi\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancias pac\u00edficas de poder que marcaram a hist\u00f3ria do pa\u00eds desde 1789.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao rejeitar os argumentos \u2013 quase todos esdr\u00faxulos \u2013 de supostas fraudes nas elei\u00e7\u00f5es, apresentados pelos advogados de Trump ao longo dos \u00faltimos meses, o Judici\u00e1rio americano reafirmou sua independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao Executivo. Mesmo a Suprema Corte, com maioria conservadora e tr\u00eas integrantes escolhidos por Trump, bloqueou as \u00faltimas tentativas trumpistas de vencer no tapet\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em terceiro, a democracia americana sobreviveu porque pol\u00edticos e funcion\u00e1rios p\u00fablicos corajosos \u2013 como Brad Raffensperger, Secret\u00e1rio de Estado da Ge\u00f3rgia e respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o do pleito no estado \u2013 resistiram \u00e0s press\u00f5es de senadores republicanos e at\u00e9 do presidente. Em um telefonema inacredit\u00e1vel, cuja&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/politics\/trump-raffensperger-call-transcript-georgia-vote\/2021\/01\/03\/2768e0cc-4ddd-11eb-83e3-322644d82356_story.html\">transcri\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;foi publicada pouco antes dos confrontos em Washington, Trump tenta convencer Raffensperger a alterar o resultado das urnas. Nesse processo, o secret\u00e1rio e sua equipe dizem ter recebido v\u00e1rias amea\u00e7as de morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas seria um ledo engano acreditar que a investida autorit\u00e1ria n\u00e3o tinha chances de dar certo. Se apenas um dos tr\u00eas grupos acima tivesse agido de maneira diferente \u2013 For\u00e7as Armadas, Judici\u00e1rio ou funcionalismo p\u00fablico \u2013, o cen\u00e1rio poderia ser outro. A verdade \u00e9 que a democracia americana escapou do bueiro gra\u00e7as aos m\u00e9ritos dessas tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es, mas sobretudo ao dem\u00e9rito do candidato a golpista. Se Trump fosse mais disciplinado e capaz de moderar seu discurso em momentos-chave, teria representado um risco muito maior. Vaidoso, impaciente e incompetente, ele frequentemente priorizou pequenas vit\u00f3rias t\u00e1ticas, deixando o desmonte sistem\u00e1tico das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas em segundo plano, ao contr\u00e1rio do que ocorreu na Venezuela, na Turquia, na Hungria e em v\u00e1rios outros pa\u00edses que vivenciam uma eros\u00e3o democr\u00e1tica. O resultado menos infeliz dos Estados Unidos tamb\u00e9m foi um golpe de sorte. Se a pandemia de Covid-19 tivesse surgido um ano mais tarde, Trump facilmente seria reeleito, ganhando outros quatro anos para implementar medidas autorit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Pior que a bebedeira autorit\u00e1ria \u00e9 a ressaca que deve se abater sobre todo o pa\u00eds. Trump pode n\u00e3o ter conseguido subverter a democracia dessa vez, mas n\u00e3o d\u00e1 para saber se Biden conseguir\u00e1 pacificar o cen\u00e1rio pol\u00edtico. Os vikings de rosto pintado e criaturas estramb\u00f3licas que invadiram a capital est\u00e3o longe de ser uma minoria esquisita. Uma pesquisa do YouGov&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/outlook\/2021\/01\/06\/this-is-america\/\">revelou<\/a>&nbsp;que 45% dos republicanos \u201capoiaram ativamente as a\u00e7\u00f5es das pessoas que invadiram o Capit\u00f3lio\u201d. Quer seja liderado por Trump, por um de seus filhos ou por um aliado, o trumpismo tem boas chances de permanecer em cena e vencer a \u201cguerra civil\u201d instaurada no Partido Republicano entre a ala conservadora tradicional e o campo nacionalista-autocr\u00e1tico. A decis\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia de assinar um acordo de investimento com a China poucas semanas antes da posse de Biden, ignorando o pedido do futuro Secret\u00e1rio de Estado americano para que Washington fosse consultada antes, \u00e9 sinal de que os europeus fazem planos concretos de reduzir sua depend\u00eancia geopol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos \u2013 afinal, nada garante que Eric ou Ivanka Trump n\u00e3o voltar\u00e3o ao poder em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Um golpe fracassado n\u00e3o deixa de ser golpe. A tentativa de Donald Trump ao longo dos \u00faltimos meses servir\u00e1 de inspira\u00e7\u00e3o para l\u00edderes com ambi\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias de todo o mundo. Da perspectiva brasileira, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se perguntar se os eventos de Washington no dia 6 de janeiro foram uma pr\u00e9via do que pode acontecer no Brasil de 2022, caso o presidente Bolsonaro perca a elei\u00e7\u00e3o. At\u00e9 aqui, os dois l\u00edderes demonstram sintonia em atitudes como alegar fraudes em vota\u00e7\u00f5es que eles pr\u00f3prios venceram e promover tentativas sistem\u00e1ticas de minar a confian\u00e7a no sistema eleitoral. Essa paridade sugere que uma contesta\u00e7\u00e3o do resultado brasileiro daqui a dois anos \u00e9&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-12-14\/transicao-turbulenta-nos-eua-aponta-roteiro-para-o-brasil-em-2022.html\">altamente prov\u00e1vel<\/a>. \u201cSe n\u00e3o tiver voto impresso em 2022, vamos ter problema pior que os EUA\u201d,&nbsp;<a href=\"https:\/\/politica.estadao.com.br\/noticias\/geral,se-nao-tiver-voto-impresso-em-2022-vamos-ter-problema-pior-que-eua-diz-bolsonaro,70003573533?utm_source=twitter:newsfeed&amp;utm_medium=social-organic&amp;utm_campaign=redes-sociais:012021:e&amp;utm_content=:::&amp;utm_term=\">amea\u00e7ou<\/a>&nbsp;Bolsonaro nesta quinta-feira (7), um dia ap\u00f3s os confrontos em Washington. Talvez ele n\u00e3o seja mais esperto que Trump, mas a base de sustenta\u00e7\u00e3o da democracia brasileira \u00e9 certamente mais cambaleante. Dif\u00edcil pensar em uma postura t\u00e3o incisiva vinda das For\u00e7as Armadas daqui, para come\u00e7o de conversa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, o melhor que os observadores brasileiros podem esperar \u00e9 que o estudo das estrat\u00e9gias golpistas e dos mecanismos de resili\u00eancia institucional dos Estados Unidos n\u00e3o seja tarefa apenas dos autorit\u00e1rios, mas tamb\u00e9m daqueles que pretendem se preparar para uma tentativa de&nbsp;<em>remake<\/em>&nbsp;da ressaca trumpista.<\/p>\n\n\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/colaborador\/oliver-stuenkel\/\">OLIVER STUENKEL<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Oliver Stuenkel \u00e9 professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da FGV em S\u00e3o Paulo<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo fracassada, a escalada autorit\u00e1ria de Trump inspira populistas do mundo \u2013 e abala a tese do excepcionalismo americano de que n\u00e3o h\u00e1 golpe em ingl\u00eas&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-30556","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-7WQ","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30556","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30556"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30556\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30558,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30556\/revisions\/30558"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}