{"id":31463,"date":"2021-04-06T19:26:43","date_gmt":"2021-04-06T23:26:43","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=31463"},"modified":"2021-04-06T19:26:47","modified_gmt":"2021-04-06T23:26:47","slug":"e-se-o-jornalismo-fosse-inventado-hoje","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/04\/06\/e-se-o-jornalismo-fosse-inventado-hoje\/","title":{"rendered":"E se o jornalismo fosse inventado hoje?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"407\" data-attachment-id=\"31464\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/04\/06\/e-se-o-jornalismo-fosse-inventado-hoje\/6b413537-d94f-4b95-8d0e-994c47ee4fab\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6B413537-D94F-4B95-8D0E-994C47EE4FAB.png?fit=759%2C515\" data-orig-size=\"759,515\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"6B413537-D94F-4B95-8D0E-994C47EE4FAB\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6B413537-D94F-4B95-8D0E-994C47EE4FAB.png?fit=300%2C204\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6B413537-D94F-4B95-8D0E-994C47EE4FAB.png?fit=600%2C407\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6B413537-D94F-4B95-8D0E-994C47EE4FAB.png?resize=600%2C407\" alt=\"\" class=\"wp-image-31464\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6B413537-D94F-4B95-8D0E-994C47EE4FAB.png?w=759 759w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6B413537-D94F-4B95-8D0E-994C47EE4FAB.png?resize=300%2C204 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6B413537-D94F-4B95-8D0E-994C47EE4FAB.png?resize=442%2C300 442w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A trilha sonora da caminhada di\u00e1ria \u00e9 ao som de um dos v\u00e1rios podcasts de not\u00edcias. A voz humana provoca um efeito de proximidade e confian\u00e7a. O celular \u00e9 um dispositivo sempre presente, responsivo ao comando por voz e pela face. Aplicativos de sa\u00fade monitoram os batimentos card\u00edacos do trajeto, mandam alertas quando \u00e9 hora de beber \u00e1gua, contam os passos, calculam a dist\u00e2ncia. Al\u00e9m disso, n\u00e3o deixam esquecer as tarefas di\u00e1rias, monitoram a qualidade do sono, guiam viajantes e ligam as pessoas em qualquer parte do planeta por mensagens em texto, \u00e1udio e v\u00eddeo. E ainda, enviam notifica\u00e7\u00f5es de exposi\u00e7\u00e3o ao coronav\u00edrus. Quanto da sua vida \u00e9 afetada pela tecnologia da informa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>As tecnologias da internet v\u00eam provocando turbul\u00eancias cont\u00ednuas sobre a Democracia, Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Jornalismo, enfim sobre a vida em sociedade. S\u00e3o \u00e1reas em que a pr\u00e1tica jornal\u00edstica se dedica \u00e0 apura\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, justamente porque s\u00e3o de extrema relev\u00e2ncia para os distintos p\u00fablicos. A expans\u00e3o dos dados e conte\u00fados gerados para estes nichos \u00e9 infinitamente volumosa, mas s\u00e3o campos impactados pela desinforma\u00e7\u00e3o sob demanda, que ganha espa\u00e7o principalmente em aplicativos e plataformas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, s\u00e3o espa\u00e7os ocupados por pessoas que, al\u00e9m do relacionamento e entretenimento, encontram formas de autoexpress\u00e3o, buscam conex\u00e3o, visibilidade, credibilidade, poder, informa\u00e7\u00e3o e outros mais. Tais espa\u00e7os, s\u00e3o meios para a produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas. Felizmente, pesquisadores v\u00eam se dedicando a estudar os impactos negativos da tecnologia nessa \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de pontos de vistas divergentes, n\u00e3o h\u00e1 como ignorar \u2014 existe jornalismo nos aplicativos e nas plataformas, as organiza\u00e7\u00f5es de not\u00edcias ensaiam novas maneiras de perseguir sua finalidade p\u00fablica de levar informa\u00e7\u00e3o precisa e relevante para a sociedade, est\u00e3o contratando jovens jornalistas para trabalhar nas contas do Tik Tok e Instagram, tamb\u00e9m exploram o envio de not\u00edcias pelo WhatsApp. Apesar de todo o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, a necessidade social da informa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 na origem do jornalismo se mant\u00e9m altamente relevante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00eddia tradicional nas redes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos o jornal<em>&nbsp;Folha de S.Paulo<\/em>&nbsp;decidiu encerrar suas atividades no Facebook, \u00e0 \u00e9poca, a justificativa foi&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2018\/02\/folha-deixa-de-publicar-conteudo-no-facebook.shtml\">a diminui\u00e7\u00e3o da visibilidade do jornalismo profissional pela rede social<\/a>. Por\u00e9m, meses depois, a Folha voltou a publicar naquela plataforma. Apesar disso, o jornal produz e distribui not\u00edcias no impresso, digital (site), Twitter, Instagram, LinkedIn, WhatsApp, aplicativo do ve\u00edculo e no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@folhadespaulo?lang=pt-BR\">Tik Tok<\/a>. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/search?q=estad%C3%A3o&amp;lang=pt-BR\">Estad\u00e3o<\/a>&nbsp;tamb\u00e9m faz jornalismo no Tik Tok, no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/stories\/estadao\/2543324376268193927\/\">Instagram<\/a>&nbsp;usa com propriedade o recurso Stories, em quest\u00e3o de minutos \u00e9 poss\u00edvel receber, entre outras informa\u00e7\u00f5es, a jornal\u00edstica. De sa\u00fade \u00e0 pol\u00edtica, educa\u00e7\u00e3o e economia, qualquer pessoa cadastrada na rede pode acessar as not\u00edcias. O jornalismo \u00e9 introduzido na vida das pessoas com criatividade, narrativas curtas e precisas, que exploram a figura humana do jornalista para fazer um contato de proximidade com o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Produzir not\u00edcias para m\u00eddias digitais abre oportunidades para os jovens ingressantes na profiss\u00e3o, uma nova gera\u00e7\u00e3o de jornalistas acostumados a lidar com a tecnologia e dispositivos como smartphones, da\u00ed \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de not\u00edcias nas redes sociais e plataformas de mensagens privadas \u00e9 uma quest\u00e3o de adapta\u00e7\u00e3o das reda\u00e7\u00f5es. Existem alguns ve\u00edculos que ainda s\u00e3o limitados na forma de explorar tais recursos, alguns replicam o texto do site de not\u00edcias em todas as redes sociais, apesar de colocar anima\u00e7\u00f5es, ainda se limitam ao texto. S\u00e3o poucos que dominam a tecnologia para criar formas criativas de entregar not\u00edcias, para muitos&nbsp;<em>publishers<\/em>, as redes sociais s\u00e3o pedras nos sapatos. E com raz\u00e3o. No \u00faltimo&nbsp;<a href=\"https:\/\/objethos.wordpress.com\/2021\/03\/29\/redes-sociais-tempo-de-vida-fake-news-e-manipulacao\/\">coment\u00e1rio da semana<\/a>&nbsp;para o objETHOS, Samuel Lima faz um alerta importante sobre as ilus\u00f3rias promessas da tecnologia para a intera\u00e7\u00e3o social, segundo ele, as plataformas s\u00e3o dom\u00ednios transformados em \u201cbolhas ditadas por esot\u00e9ricos algoritmos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensar nas necessidades e nos valores das pessoas, levar informa\u00e7\u00f5es precisas, verificadas com rigor e de interesse p\u00fablico \u2014 s\u00e3o finalidades do jornalismo. No entanto, cumprir tais prop\u00f3sitos t\u00eam sido cada vez mais desafiante, em parte, devido \u00e0s tecnologias da internet e sua influ\u00eancia direta nas pr\u00e1ticas jornal\u00edsticas: processos, coleta, distribui\u00e7\u00e3o de not\u00edcias e a \u00e1rdua busca para mostrar \u00e0s pessoas a diferen\u00e7a entre fato e fic\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, \u00e9 poss\u00edvel perceber os movimentos de algumas organiza\u00e7\u00f5es de not\u00edcias para adequar suas rotinas produtivas \u00e0 realidade digital.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ensino do Jornalismo e tecnologias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nicholas Diakopoulos diz que os&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.niemanlab.org\/2012\/04\/a-new-framework-for-innovation-in-journalism-how-a-computer-scientist-would-do-it\/\">obst\u00e1culos ao progresso e inova\u00e7\u00e3o nas organiza\u00e7\u00f5es de not\u00edcias provavelmente s\u00e3o culturais<\/a>, em parte porque o jornalismo n\u00e3o veio de uma cultura de design centrada nos valores das pessoas. Segundo ele, o jornalismo \u00e9 muito parecido com a Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o, porque os dois se preocupam com a informa\u00e7\u00e3o. Mas essa dupla deve estar alinhada e compor equipes de jornalismo nas organiza\u00e7\u00f5es de not\u00edcias, sobretudo porque o jornalismo precisa de jornalistas desenvolvedores de softwares, programadores, especialistas em an\u00e1lise de dados, entre outras habilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Mariane Nava faz algumas indaga\u00e7\u00f5es sobre o&nbsp;<a href=\"https:\/\/objethos.wordpress.com\/2021\/03\/22\/tecnologia-e-jornalismo-como-conciliar-o-tradicional-com-o-novo\/\">jornalismo tradicional e a n\u00e3o t\u00e3o nova realidade tecnol\u00f3gica<\/a>&nbsp;que molda as pr\u00e1ticas jornal\u00edsticas. \u00c9 uma \u00e1rea de densas discuss\u00f5es, e s\u00e3o inadi\u00e1veis. Historicamente, a ind\u00fastria jornal\u00edstica sempre foi muito isolada, precisa desenvolver um senso de comunidade e apoio entre si e entre outras pr\u00e1ticas profissionais. Em sua tese de doutorado, L\u00edvia Vieira fala sobre as audi\u00eancias ativas e argumenta que os jornalistas ainda reivindicam para si a legitimidade \u00fanica de dizer o que \u00e9 not\u00edcia e ignoram o saber da audi\u00eancia. Algumas amarras impedem novos olhares para o jornalismo, aquele que toca as pessoas em suas necessidades, a oferta de not\u00edcias e reportagens ainda \u00e9 muito centrada no que os jornalistas e organiza\u00e7\u00f5es acham que as pessoas precisam.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o Tik Tok e outras plataformas digitais, Ricardo Torres&nbsp;<a href=\"https:\/\/objethos.wordpress.com\/2020\/08\/24\/e-cedo-para-estabelecer-definicoes-sobre-a-relacao-entre-jornalismo-e-tiktok\/\">considera cedo estabelecer defini\u00e7\u00f5es sobre tais rela\u00e7\u00f5es<\/a>, discorre sobre as vulnerabilidades e as poss\u00edveis consequ\u00eancias da aproxima\u00e7\u00e3o do jornalismo com as plataformas terceirizadas. No entanto, o relacionamento est\u00e1 acontecendo. Raquel Longhi tamb\u00e9m olha para aspectos da&nbsp;<a href=\"https:\/\/medium.com\/nephi-jor\/por-que-o-jornalismo-tem-que-come%C3%A7ar-a-considerar-o-tiktok-e649f6d4af16\">plataformiza\u00e7\u00e3o do jornalismo<\/a>&nbsp;e mostra que ve\u00edculos brasileiros est\u00e3o se voltando para estes espa\u00e7os: Snapchat, Facebook, Instagram e YouTube. O Brasil est\u00e1 entre os maiores p\u00fablicos usu\u00e1rios do Tik Tok. Al\u00e9m de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@estadao?lang=pt-BR\">Estad\u00e3o<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@folhadespaulo?lang=pt-BR&amp;is_copy_url=1&amp;is_from_webapp=v2\">Folha de S.Paulo<\/a>, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@jornalmeiahora?lang=pt-BR\">Jornal Meia Hora<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@jornaldarecord?lang=pt-BR\">Jornal da Record<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@agencialupa?lang=pt-BR\">Ag\u00eancia Lupa<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@diariodorio?lang=pt-BR\">Di\u00e1rio do Rio<\/a>&nbsp;e o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@poder360?lang=pt-BR\">Poder 360<\/a>&nbsp;s\u00e3o alguns dos ve\u00edculos que j\u00e1 possuem seus perfis no aplicativo e est\u00e3o usando a plataforma para fazer jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator a ser considerado refere-se \u00e0&nbsp;<a href=\"https:\/\/objethos.wordpress.com\/2021\/02\/08\/desigualdade-e-questoes-eticas-sao-os-grandes-desafios-da-inteligencia-artificial-no-jornalismo\/\">sofistica\u00e7\u00e3o computacional muito desigual nas reda\u00e7\u00f5es<\/a>. Enquanto alguns ve\u00edculos t\u00eam equipes multifuncionais bem estruturadas, compostas por jornalistas e especialistas em tecnologia, outras ainda encontram dificuldade em analisar planilhas de dados ou se posicionar assertivamente em redes como, por exemplo, produzir e distribuir not\u00edcias para formatos espec\u00edficos, como o Tik Tok.<\/p>\n\n\n\n<p>As plataformas sociais s\u00e3o cada vez mais criticadas por seus algoritmos opacos e insufici\u00eancia de esfor\u00e7os para combater a desinforma\u00e7\u00e3o online. A exemplo do Facebook, cr\u00edticos alertam que se n\u00e3o houver uma regulamenta\u00e7\u00e3o esta rede social \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 democracia e aos cidad\u00e3os. O Integrante do Conselho de Supervis\u00e3o independente do Facebook, Alan Rusbridger explica que excluir conte\u00fado e at\u00e9 mesmo pessoas das plataformas sociais at\u00e9 pode diminuir a desinforma\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o resolve o problema. Esse tipo de a\u00e7\u00e3o pode levar \u00e0 clandestinidade e no mundo digital significa canais de mensagens criptografados e privados, dif\u00edceis de monitorar. Ele afirma que&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.journalism.co.uk\/news\/yes-we-need-to-regulate-facebook-but-how-\/s2\/a801168\/\">a maneira de combater a m\u00e1 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 criar boas informa\u00e7\u00f5es<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, n\u00e3o \u00e9 minha pretens\u00e3o fazer afirma\u00e7\u00f5es sobre como deve ser o jornalismo e sua pr\u00e1tica profissional, hoje. N\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para resolver todos os problemas que o jornalismo enfrenta no meio digital. Explorar caminhos novos e solu\u00e7\u00f5es olhando para o que est\u00e1 dando certo em outros contextos \u00e9 minha fun\u00e7\u00e3o como pesquisadora. O ceticismo com certeza deve estar presente, mas precisamos de olhares livres de preconceitos para as inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma \u00e9poca dif\u00edcil para jovens jornalistas ingressarem na carreira profissional. Uma coisa que me parece significativa e otimista foi encontrar a dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fado \u00fatil e verificado no Instagram e Tik Tok de alguns ve\u00edculos noticiosos brasileiros. Al\u00e9m disso, ver jornalistas em in\u00edcio de carreira dominando estes espa\u00e7os sinaliza uma luz no fim do t\u00fanel, oportunidade de remunera\u00e7\u00e3o, sobretudo de circula\u00e7\u00e3o de boa informa\u00e7\u00e3o nestes meios.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 preciso levantar a quest\u00e3o: e se o jornalismo fosse inventado hoje, as escolas de jornalismo estariam preparadas e conscientes para tornar a inova\u00e7\u00e3o no jornalismo mais letrada do ponto de vista tecnol\u00f3gico? Nossa \u00e1rea est\u00e1 preparada para dialogar com cientistas da computa\u00e7\u00e3o, designers e desenvolvedores de softwares? Qual a interface entre a teoria do jornalismo e o ecossistema digital baseado nas plataformas globalizadas?<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, h\u00e1 muitas oportunidades no uso da tecnologia para o jornalismo melhorar seus processos, disseminar informa\u00e7\u00f5es verdadeiras e alcan\u00e7ar mais pessoas. Para isso, um bom come\u00e7o seria desenvolver um senso de comunidade e colabora\u00e7\u00e3o entre jornalistas, academia e outras \u00e1reas de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Texto publicado&nbsp;<a href=\"https:\/\/objethos.wordpress.com\/2021\/04\/05\/e-se-o-jornalismo-fosse-inventado-hoje\/\">originalmente<\/a>&nbsp;por objETHOS.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Denise Becker<\/strong>&nbsp;\u00e9 mestranda do PPGJor\/UFSC e pesquisadora do objETHOS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A trilha sonora da caminhada di\u00e1ria \u00e9 ao som de um dos v\u00e1rios podcasts de not\u00edcias. A voz humana provoca um efeito de proximidade e confian\u00e7a. O celular \u00e9 um dispositivo sempre presente, responsivo ao comando por voz e pela face. 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