{"id":31574,"date":"2021-04-14T06:54:35","date_gmt":"2021-04-14T10:54:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=31574"},"modified":"2021-04-14T06:54:40","modified_gmt":"2021-04-14T10:54:40","slug":"covid-rouba-dois-anos-da-expectativa-de-vida-dos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/04\/14\/covid-rouba-dois-anos-da-expectativa-de-vida-dos-brasileiros\/","title":{"rendered":"COVID ROUBA DOIS ANOS DA EXPECTATIVA DE VIDA DOS BRASILEIROS"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1201\" height=\"751\" data-attachment-id=\"31575\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/04\/14\/covid-rouba-dois-anos-da-expectativa-de-vida-dos-brasileiros\/5a28fd74-de8b-41fb-b2df-51dbf2f2e6c6\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/5A28FD74-DE8B-41FB-B2DF-51DBF2F2E6C6.jpeg?fit=1201%2C751\" data-orig-size=\"1201,751\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"5A28FD74-DE8B-41FB-B2DF-51DBF2F2E6C6\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/5A28FD74-DE8B-41FB-B2DF-51DBF2F2E6C6.jpeg?fit=300%2C188\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/5A28FD74-DE8B-41FB-B2DF-51DBF2F2E6C6.jpeg?fit=600%2C375\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/5A28FD74-DE8B-41FB-B2DF-51DBF2F2E6C6.jpeg?fit=600%2C375\" alt=\"\" class=\"wp-image-31575\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/5A28FD74-DE8B-41FB-B2DF-51DBF2F2E6C6.jpeg?w=1201 1201w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/5A28FD74-DE8B-41FB-B2DF-51DBF2F2E6C6.jpeg?resize=300%2C188 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/5A28FD74-DE8B-41FB-B2DF-51DBF2F2E6C6.jpeg?resize=1024%2C640 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/5A28FD74-DE8B-41FB-B2DF-51DBF2F2E6C6.jpeg?resize=768%2C480 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/5A28FD74-DE8B-41FB-B2DF-51DBF2F2E6C6.jpeg?resize=480%2C300 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mortalidade associada \u00e0 doen\u00e7a diminui esperan\u00e7a de vida de 77 para 75 anos; Rio e Porto Alegre registraram mais mortes que nascimentos em 2020.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Na FSP, por <strong>CAMILLE LICHOTTI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia de Covid-19 roubou, sozinha, quase dois anos da esperan\u00e7a de vida no Brasil. O \u00edndice crescia sem parar desde 1945 \u2013 em m\u00e9dia, a expectativa de vida aumentava cinco meses a cada ano. Era um sinal da melhoria nas condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de vida, que aumentavam a longevidade da popula\u00e7\u00e3o. Mas esse quadro se reverteu em 2020, ano em que 195 mil brasileiros morreram por Covid-19. A estimativa era de que o \u00edndice chegasse a 77 anos em 2020, mas, por causa da Covid-19, ficou em 75 anos. Em algumas unidades da federa\u00e7\u00e3o o retrocesso foi ainda maior: Distrito Federal, Amazonas, Amap\u00e1, Roraima e Esp\u00edrito Santo tiveram redu\u00e7\u00e3o de mais de tr\u00eas anos na esperan\u00e7a de vida ao nascer.\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<p>Esses resultados constam de estudo publicado em pr\u00e9-print por pesquisadores de Harvard, Princeton, Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia e Universidade Federal de Minas Gerais. O trabalho mediu o impacto direto das mortes por Covid-19 na demografia brasileira. E a conclus\u00e3o \u00e9 clara: a mortalidade pela doen\u00e7a no pa\u00eds tem sido \u201ccatastr\u00f3fica\u201d. \u201cNossa estimativa ainda foi extremamente conservadora\u201d, explica a dem\u00f3grafa Marcia Castro, chefe do departamento de Sa\u00fade Global e Popula\u00e7\u00e3o da Universidade de Harvard e l\u00edder do estudo. \u201cO nosso c\u00e1lculo para este estudo considerou apenas os \u00f3bitos por Covid-19, mas o excesso de mortalidade observado no Brasil \u00e9 muito maior do que s\u00f3 os \u00f3bitos pela doen\u00e7a.\u201d Segundo o Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Sa\u00fade, o Brasil teve 275 mil mortes acima do esperado em 2020 \u2013 80 mil a mais que os registros de morte por Covid-19. Esse excedente de mortes pode ser, em parte, atribu\u00eddo ao colapso do sistema de sa\u00fade, consequ\u00eancia direta do descontrole da pandemia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Castro e outros pesquisadores j\u00e1 iniciaram um novo estudo, agora para calcular o impacto do volume total de mortes na expectativa de vida. \u201cAinda n\u00e3o h\u00e1 dados para o mundo todo, mas certamente o Brasil vai estar entre os pa\u00edses com maior redu\u00e7\u00e3o\u201d, prev\u00ea Castro. O decr\u00e9scimo que a Covid-19 causou na esperan\u00e7a de vida brasileira em 2020 foi 72% maior que o observado nos Estados Unidos, l\u00edder de mortes pela doen\u00e7a no planeta. E, a julgar pelo padr\u00e3o de mortandade, o impacto em 2021 vai ser ainda maior. No Amazonas e em Rond\u00f4nia, por exemplo, as mortes por Covid-19 nestes quatro primeiros meses do ano j\u00e1 superaram os registros de todo o ano passado. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que a gente, pelo segundo ano seguido, observe impacto significativo na expectativa de vida\u201d, diz Castro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Amazonas, atingido com voracidade pela pandemia que mergulhou o estado no caos e&nbsp;matou mais de 5 mil pessoas em 2020,&nbsp;a retra\u00e7\u00e3o na esperan\u00e7a de vida foi ainda mais grave. A expectativa de vida, que deveria chegar a&nbsp;73 anos em 2020, ficou em 69,5.&nbsp;A mortalidade da Covid-19 fez o estado perder, em apenas um ano, 60% do avan\u00e7o na expectativa de vida conquistado nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o desse \u00edndice, a Covid-19 tamb\u00e9m intensificou as desigualdades regionais no Brasil, refletindo o peso desproporcional da epidemia nos estados. Antes da pandemia, a diferen\u00e7a entre a maior e a menor expectativa de vida em n\u00edvel estadual era de 8,54 anos. Depois da pandemia, a diferen\u00e7a aumentou para 9,15 anos. Na estimativa dos pesquisadores, Santa Catarina apresenta o maior \u00edndice (78 anos), e Roraima, o menor (69 anos).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A<\/strong>esperan\u00e7a de vida ao nascer \u00e9 um indicador que reflete o potencial de sobreviv\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o, dadas as caracter\u00edsticas demogr\u00e1ficas. Serve para responder a uma pergunta hipot\u00e9tica: se uma pessoa que nasceu em um dado ano fosse submetida, ao longo da vida, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de mortalidade observadas naquele mesmo ano, por quanto tempo ela sobreviveria? Para calcular a esperan\u00e7a de vida, os pesquisadores coletam informa\u00e7\u00f5es sobre a mortalidade do pa\u00eds em um ano espec\u00edfico \u2013 n\u00famero de mortes, idade e sexo dos mortos. Depois, a curva de mortes \u00e9 padronizada e os pesquisadores chegam a um n\u00famero. Castro explica que isso n\u00e3o significa que todas as pessoas v\u00e3o observar essas taxas na vida real. Ou seja, os nascidos em 2020 n\u00e3o v\u00e3o necessariamente morrer aos 75 anos. Mas essa \u00e9 a melhor maneira que os especialistas encontraram para acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o da mortalidade no mundo e comparar indicadores de sa\u00fade em v\u00e1rios locais diferentes. A expectativa de vida tamb\u00e9m tem aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas importantes: \u00e9 um dos par\u00e2metros usados para calcular o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 \u00f3bvio que a queda da expectativa de vida ao nascer vai trazer o IDH para baixo\u201d, diz Castro. Especialistas j\u00e1&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.portaldoenvelhecimento.com.br\/o-impacto-da-pandemia-da-covid-19-na-dinamica-demografica-brasileira\/\">alertaram<\/a>&nbsp;que, com essa queda, o Brasil ter\u00e1 dificuldade para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel propostos pela ONU. Na an\u00e1lise de Castro, essa ser\u00e1 uma tend\u00eancia global, mas o impacto a longo prazo depende das medidas implementadas para controlar a pandemia. Nesse ponto, a situa\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 preocupante. \u201cN\u00e3o temos nem vacina\u00e7\u00e3o r\u00e1pida nem medidas sustent\u00e1veis que diminuam a transmiss\u00e3o do v\u00edrus\u201d, avalia Castro. \u201cA expectativa \u00e9 que esse quadro melhore em 2022, mas n\u00e3o d\u00e1 para garantir que a esperan\u00e7a de vida e o IDH voltem rapidamente ao n\u00edvel pr\u00e9-pandemia.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 normal que crises sanit\u00e1rias e humanit\u00e1rias reduzam os \u00edndices vitais. A pandemia de gripe espanhola, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, reduziu a expectativa nos Estados Unidos entre 7 e 12 anos. Assim que essas crises s\u00e3o superadas, geralmente h\u00e1 um repique que logo corrige a esperan\u00e7a de vida perdida. Mas, no caso da Covid-19 no Brasil, os pesquisadores argumentam que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai se estabilizar rapidamente. Primeiro porque o pa\u00eds atualmente atravessa o pior momento da pandemia. Com o sistema de sa\u00fade em colapso, a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica n\u00e3o \u00e9 capaz de diagnosticar e tratar outras doen\u00e7as \u2013 e essa paralisia cobra um pre\u00e7o. Os pesquisadores estimam que s\u00f3 a redu\u00e7\u00e3o dos tratamentos de tuberculose e HIV pode aumentar a mortalidade pelos pr\u00f3ximos cinco anos. Em 2020, 20% das crian\u00e7as deixaram de se vacinar contra hepatite B, poliomielite e outras enfermidades. Al\u00e9m disso, relatos de sequelas deixadas pela Covid-19 nos pacientes que sobrevivem continuam crescendo. Isso inclui fadiga, complica\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas, pulmonares e cardiovasculares que podem trazer complica\u00e7\u00f5es a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise econ\u00f4mica, que eleva os n\u00edveis de pobreza e desigualdade, tamb\u00e9m pode afetar os indicadores de sa\u00fade no Brasil nos pr\u00f3ximos anos. O fim do aux\u00edlio emergencial aumentou o n\u00famero de pessoas abaixo da linha da pobreza. Atualmente, cerca de 27 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o \u2013 o que corresponde a 12,8% da popula\u00e7\u00e3o. Os pesquisadores lembram que a perda de renda pode reduzir o acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade e aumentar os \u00edndices de mortalidade infantil. \u201cO que vai acontecer no longo prazo depende de como o cen\u00e1rio da Covid-19 vai se desenrolar nos pr\u00f3ximos meses. No ano passado, quando as mortes estavam em decl\u00ednio, n\u00e3o fizemos nada para conter a segunda onda\u201d, lembra Castro. \u201cSe continuarmos sujeitos a isso, sem impedir a transmiss\u00e3o do v\u00edrus, podemos ter esses efeitos se arrastando por um per\u00edodo cada vez mais longo.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P<\/strong>ela primeira vez na hist\u00f3ria, o Brasil pode registrar mais \u00f3bitos que nascimentos. Em abril deste ano, at\u00e9 o dia 13, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen) registrou 61.540 \u00f3bitos no pa\u00eds e 63.760 nascimentos \u2013 um saldo positivo de apenas 2.220 vidas. Os dados para esse per\u00edodo ainda n\u00e3o est\u00e3o consolidados, mas indicam uma tend\u00eancia perigosa. \u201cDemograficamente, isso n\u00e3o \u00e9 normal para o Brasil e est\u00e1 diretamente ligado ao excesso de mortalidade que estamos tendo por causa da pandemia\u201d, explica Castro. A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) era que esse cen\u00e1rio s\u00f3 aconteceria em 2047, com a progressiva mudan\u00e7a na pir\u00e2mide et\u00e1ria brasileira. O choque demogr\u00e1fico causado pela Covid-19 pode antecipar esse processo de maneira brusca. \u201cN\u00e3o era para isso acontecer agora\u201d, conclui Castro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algumas cidades, o saldo negativo de vidas j\u00e1 \u00e9 uma realidade. No ano passado, Rio de Janeiro e Porto Alegre registraram mais mortes que nascimentos, um cen\u00e1rio in\u00e9dito nos registros da Arpen \u2013 o que os especialistas chamam de crescimento vegetativo negativo. A capital carioca, j\u00e1 com dados consolidados, fechou 2020 com saldo negativo de 4,6 mil habitantes e bateu recorde de mortes registradas no portal da Arpen \u2013 consequ\u00eancia direta da pandemia de Covid-19. O Rio de Janeiro chegou a ser a capital com a maior taxa de mortes pela doen\u00e7a a cada 100 mil habitantes no Brasil. Atualmente, todas as regi\u00f5es da cidade est\u00e3o sob risco muito alto de infec\u00e7\u00e3o e a tend\u00eancia \u00e9 que o mortic\u00ednio prossiga em 2021. No m\u00eas de abril, at\u00e9 o dia 13, 19,4 mil \u00f3bitos foram registrados no munic\u00edpio \u2013 e apenas 17,5 mil nascimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO caso do Rio de Janeiro levanta a quest\u00e3o do que vai acontecer com a estrutura da popula\u00e7\u00e3o depois da pandemia\u201d, explica Castro. Essas mudan\u00e7as podem trazer consequ\u00eancias econ\u00f4micas. As proje\u00e7\u00f5es populacionais s\u00e3o publicadas todo ano pelo IBGE porque&nbsp;<a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/revolta-dos-sem-censo\/\">determinam o tamanho da verba destinada \u00e0s cidades por meio de rubricas como o Fundo de Participa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios (FPM)<\/a>. A base dessas proje\u00e7\u00f5es atualmente ainda \u00e9 o Censo de 2010, com estimativas atualizadas ano a ano. \u201cExistem t\u00e9cnicas demogr\u00e1ficas que corrigem esses dados. Mas agora, mais do que nunca, precisamos do Censo atualizado para saber o que est\u00e1 acontecendo com a popula\u00e7\u00e3o\u201d, argumenta Castro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A<\/strong>s an\u00e1lises demogr\u00e1ficas t\u00eam tr\u00eas pilares: nascimentos, \u00f3bitos e migra\u00e7\u00e3o. O terceiro componente s\u00f3 pode ser medido pelo Censo.&nbsp;Sem os dados de migra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber se nessas cidades chegaram mais pessoas do que sa\u00edram&nbsp;\u2013 e se a popula\u00e7\u00e3o de cada munic\u00edpio est\u00e1, de fato, diminuindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, o IBGE pediu 3,4 bilh\u00f5es de reais para realizar o Censo de 2020. Ap\u00f3s press\u00e3o do governo federal, o \u00f3rg\u00e3o enxugou os gastos e estimou um custo de 2 bilh\u00f5es. A pesquisa foi adiada por causa da pandemia de Covid-19. O Or\u00e7amento editado pelo governo neste ano prev\u00ea a libera\u00e7\u00e3o de apenas 71,7 milh\u00f5es de reais para o Censo \u2013 menos de 4% do valor necess\u00e1rio. A verba inviabiliza o pagamento dos 204 mil recenseadores e supervisores, espalhados pelo Brasil, e dos demais custos da pesquisa. Procurado, o IBGE informou que aguarda uma defini\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento da Uni\u00e3o para se manifestar sobre o tema. \u201cS\u00f3 o Censo pode mostrar como est\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o depois de um ano de pandemia\u201d, explica Castro. Sem os dados, o pa\u00eds fica no escuro.<\/p>\n\n\n\n<p>A dem\u00f3grafa Marcia Castro acredita que o crescimento vegetativo negativo ser\u00e1 revertido. \u201cEsse n\u00edvel de mortalidade n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel a longo prazo\u201d, explica. \u201cNem consigo imaginar um cen\u00e1rio desses.\u201d A quest\u00e3o, para ela, \u00e9 saber quando isso vai acontecer. O efeito de uma pandemia, al\u00e9m de ser medido pelo n\u00famero de mortes, tamb\u00e9m pode ser medido pelo n\u00famero de nascimentos. Em uma pesquisa anterior, Castro estudou a epidemia do v\u00edrus da zika e verificou que, na \u00e9poca, o n\u00famero de nascimentos diminuiu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 incomum que a fecundidade caia em momentos de crise\u201d, explica. \u201cPode haver uma retra\u00e7\u00e3o dos nascimentos porque a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave que as pessoas adiam a gravidez.\u201d Nesse cen\u00e1rio, uma volta \u00e0 normalidade pr\u00e9-pandemia seria ainda mais lenta. Uma outra possibilidade \u00e9 um&nbsp;<em>baby boom<\/em>, explos\u00e3o no n\u00famero de novos nascimentos assim que a pandemia acabar, como observado em per\u00edodos p\u00f3s-guerra. \u201cTudo isso vai ter que ser estudado a longo prazo\u201d, diz. Mais urgente \u00e9 controlar a pandemia e reduzir danos. At\u00e9 a \u00faltima segunda-feira (12), o pa\u00eds registrou 355 mil \u00f3bitos por Covid-19 \u2013 quase metade deles nos quatro primeiros meses de 2021. \u201cAbril j\u00e1 \u00e9 um m\u00eas perdido. Agora a gente precisa tomar as medidas para salvar os pr\u00f3ximos meses. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o desumana\u201d, conclui Castro.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mortalidade associada \u00e0 doen\u00e7a diminui esperan\u00e7a de vida de 77 para 75 anos; Rio e Porto Alegre registraram mais mortes que nascimentos em 2020.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-31574","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8dg","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31574"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31574\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31576,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31574\/revisions\/31576"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}